O Preço do Pecado
20 O Novo Ritmo do Lobo
A oficina particular na ala oeste da mansão havia se tornado o lugar favorito de Natasha, mas naquela semana o espaço ganhou uma dinâmica completamente nova e hilária. Cumprindo a aposta do estande de tiro, Heitor Laurentis — o homem que fazia os maiores clãs da máfia de Chicago tremerem — havia se transformado no "assistente pessoal" de sua própria esposa.
Na tarde de quinta-feira, Natasha estava concentrada diante de uma imensa tela do século XIX, usando uma lupa eletrônica para fixar os pigmentos descascados. Ela vestia um avental manchado de tinta por cima de uma calça justa e estava com o cabelo preso no topo da cabeça com um lápis.
— Assistente? — ela chamou, sem desviar os olhos da lente, uma ponta de deboche divertido na voz.
Heitor, que estava sentado em uma banqueta alta de couro com as mangas da camisa social preta dobradas até os cotovelos, soltou uma lufada de ar impaciente.
— O que foi agora, Natasha?
— Preciso do solvente de terebintina pura que está na prateleira de cima, atrás das espátulas. E traga o pote de verniz damar também. Sem derrubar, por favor.
Heitor bufou, a mandíbula travando com aquela ignorância rústica que ela tanto amava provocar. Ele levantou-se, o tamanho imponente dele fazendo os frascos de vidro parecerem miniaturas em suas mãos calejadas. Ele pegou os materiais e os colocou na bancada ao lado dela com um estalo seco.
— Mais alguma exigência, dona da casa? — ele sussurrou perto do ouvido dela, a voz grossa e rouca vibrando na nuca de Natasha. — Eu tenho três carregamentos de contrabando para liberar no porto, mas estou aqui carregando potinhos de vidro para você.
Natasha virou o rosto sutilmente, dando um selinho rápido e estalado nos lábios dele, deixando um rastro de cheiro de óleo na bochecha do mafioso. — Você perdeu a aposta, maridinho. Agora pegue aquele pano e comece a limpar a bancada de mármore. Ficou um resto de resina ali.
Heitor soltou uma risada curta, balançando a cabeça. Ele pegou o pano com uma das mãos cheias de anéis e começou a esfregar o mármore com uma força desnecessária, resmungando palavrões em italiano que faziam Natasha rir baixinho.
Os Olhos das Sombras
O que os dois não sabiam era que aquela inversão de papéis estava causando um verdadeiro colapso mental na segurança da mansão.
Do lado de fora da porta dupla de vidro da oficina, Enzo e outro capanga de alta patente da família, Marco, observavam a cena pelo reflexo. Eles mantinham as mãos cruzadas à frente do corpo, os ternos escuros impecáveis, mas as expressões eram de puro choque e incredulidade.
— Você está vendo o mesmo que eu, Enzo? — Marco sussurrou, sem mover os lábios, os olhos arregalados. — Aquele é o Don Laurentis... limpando uma mesa com um paninho de prato?
— É ele — Enzo respondeu, no mesmo tom baixo, a voz séria tentando esconder o divertimento. — E ontem eu vi ele carregando uma caixa cheia de molduras de madeira antigas escada acima porque ela disse que os capangas podiam arranhar o verniz.
— Cara... se me contassem que o homem que cortou a garganta do chefe dos russos há dois meses estaria organizando pincéis por tamanho de cerda, eu mandaria internar — Marco balançou a cabeça. — A dona Natasha domesticou o lobo.
Mais tarde naquela tarde, Enzo precisou ir até o escritório central da máfia no centro da cidade para entregar relatórios a Romeu Laurentis, que cuidava das finanças e da transição legal dos negócios. Sentando-se diante da mesa do irmão mais novo de Heitor, Enzo não conseguiu conter o comentário.
— Senhor Romeu, os relatórios do porto estão prontos. Mas... o chefe pediu para avisar que pode se atrasar para a reunião de amanhã. Ele tem um compromisso na oficina da mansão.
Romeu ergueu os olhos do notebook, franzindo o cenho com um sorriso de canto. — Compromisso na oficina? O Heitor não entende nada de restauração de quadros. O que ele está fazendo lá?
— Bem... — Enzo pigarreou, ajeitando a gravata. — Digamos que o Don Heitor está atuando como secretário da dona Natasha. Ele passa as tardes levando telas, limpando vidros de tinta e organizando os cavaletes sob as ordens dela. E o pior, senhor... ele parece estar gostando. Ele sorri de canto quando ela briga com ele.
Romeu encostou-se na cadeira de couro e soltou uma gargalhada imensa, alta e limpa, que ecoou por todo o andar da diretoria.
Ao chegar em casa à noite, Romeu encontrou Vanessa na sala de jantar de seu próprio apartamento. Ele caminhou até a esposa, abraçando-a por trás e dando um beijo em seu pescoço enquanto ela organizava um vaso de flores.
— Você não sabe da última, querida — Romeu disse, rindo baixo contra a pele dela. — O Enzo me contou hoje que o Heitor virou o funcionário particular da Natasha na oficina. Ele passa o dia limpando pincéis e carregando caixas sob as ordens dela.
Vanessa virou-se nos braços do marido, os olhos brilhando com uma satisfação imensa. — Eu não disse, Romeu? Eu te falei que aquela armadura de gelo dele não ia aguentar. O Heitor está feliz, finalmente. Aquela casa tinha cheiro de morte e solidão há anos, e agora ele tem alguém que o faz rir, que o enfrenta e que ele ama de verdade.
— É... o velho Heitor está oficialmente aposentado quando está perto dela — Romeu concordou, sorrindo, feliz pelo irmão. — O lobo agora tem dona.
Na Penumbra do Quarto
Por volta das vinte e duas horas, a mansão Laurentis estava mergulhada no silêncio protetor de seus seguranças. No quarto principal, a penumbra era cortada apenas pela luz suave do abajur de cristal na mesa de cabeceira.
Heitor já estava deitado na imensa cama de casal, com as costas apoiadas na cabeceira de ferro, usando apenas uma calça de moletom escura. Ele girava um copo de uísque puro na mão esquerda, mas seus olhos castanhos estavam fixos, famintos e focados na figura diante do espelho do closet.
Natasha terminava de se arrumar para dormir. Ela soltou os cabelos castanhos, que caíram em ondas volumosas pelas suas costas nuas, e vestiu uma camisola de seda vermelha, extremamente curta, que moldava suas curvas de forma pecaminosa. O decote profundo na frente deixava o colo livre, e o tecido fino marcava a rigidez de seus mamilos devido ao ar fresco do quarto.
Ela caminhou até a cama com passos lentos, os pés descalços afundando no tapete persa. Natasha já não sentia medo, humilhação ou arrependimento. Pela primeira vez, enquanto subia no colchão, ela aceitava por completo, em cada fibra do seu ser, que amava aquele homem rústico. Ela amava pertencer a ele, tanto quanto amava o controle que tinha sobre o coração dele.
Ao notar o olhar predatório do marido, ela se ajoelhou no meio do colchão, engatinhando devagar até parar entre as pernas dele.
— O que você tanto olha, Laurentis? — ela provocou, a voz mansa, deslizando as mãos pelas coxas firmes dele.
Heitor colocou o copo de uísque na mesinha lateral com um estalo e segurou a cintura de Natasha com as duas mãos grandes, puxando-a de uma vez para cima do seu quadril. O calor dos corpos colou instantaneamente através da seda vermelha.
— Estou olhando para a minha esposa trapaceira — ele sussurrou, a voz caindo para aquele tom grave, rústico e carregado de uma vulgaridade que fazia o sangue de Natasha ferver de tesão. — Você me fez passar o dia inteiro limpando aquela porra daquela mesa, me tratando como o seu empregado na frente dos meus homens. Você tem muita audácia, Natasha. Mas agora o expediente da oficina acabou... e na minha cama, quem dita as regras sou eu.
Natasha jogou a cabeça para trás quando as mãos dele subiram, apertando seus seios fartos por cima do tecido fino com uma força possessiva que a fez soltar um gemido agudo.
— Eu amo quando você dita as regras, Heitor... — ela confessou, os olhos verdes brilhando na penumbra, entregando-se completamente ao jogo dele. — Eu amo quando você é esse animal ignorante.
— Você é uma safada, Natasha... uma boneca linda que nasceu para ser fodida por mim — ele rosnou no ouvido dela, usando palavras sujas e explícitas que faziam o corpo da jovem estremecer de puro desejo carnal. Heitor segurou a barra da camisola vermelha e a puxou para cima com pressa, rasgando o tecido fino nas laterais até deixá-la totalmente nua sobre o seu corpo tatuado. — Olha para você... toda molhada só de ouvir a minha voz. Você sabe que é minha cadela, não sabe?
— Sou... eu sou sua, Heitor... por favor... — ela implorou, a razão completamente esmagada pelo fogo que os consumia.
Heitor a girou no colchão com sua força bruta, deitando-a de costas e abrindo suas pernas com os joelhos. Ele não usou preliminares lentas; a urgência de tê-la após um dia inteiro de provocações na oficina era grande demais. Ele se posicionou e a invadiu com uma estocada violenta, profunda e total, fazendo a cabeceira da cama bater com força contra a parede.
Natasha soltou um grito alto, cravando as unhas nos ombros largos de Heitor enquanto ele iniciava um ritmo frenético e implacável. O sexo era explícito, selvagem e ruidoso. Heitor a pegava de lado, puxava suas coxas para cima e a penetrava com uma ignorância carnal que arrancava dela os gemidos mais agudos e desesperados. Ele mudava de posição, virando-a de quatro, cravando as mãos grandes em suas nádegas com tanta força que deixava marcas vermelhas na pele clara da jovem, enquanto desferia golpes secos e profundos que a faziam implorar por mais.
— Geme para mim, Natasha... diz de quem é essa bunda gostosa, porra! — ele comandava entre dentes, o suor cobrindo seu peito tatuado, a respiração colada à nuca dela.
— É sua... Heitor... é tudo seu! Eu te amo, seu desgraçado... me fode mais forte! — ela gritava, sem vergonha ou barreiras, aceitando aquela possessão mútua.
O ápice veio como uma explosão ensurdecedora no quarto. Natasha sentiu os músculos de seu corpo se contraírem de forma avassaladora ao redor dele, arrancando-lhe um último grito de prazer puro. Sentindo o aperto letal dela, Heitor soltou um rosnado animal e descarregou todo o seu sêmen no fundo do útero dela, jorrando em jatos quentes enquanto mantinha o corpo colado ao dela, os dois tremendo juntos sob a luz fraca do abajur.
Minutos depois, Heitor deitou-se de costas no colchão, arfando pesado, com o peito subindo e descendo. Natasha rolou para o lado, completamente exausta, e aninhou-se debaixo do braço dele, apoiando a cabeça naquele ombro marcado por cicatrizes da máfia.
Heitor fechou o braço ao redor dela, puxando o edredom para cobrir seus corpos suados. Com a outra mão, ele começou a fazer carinhos lentos e suaves nos cabelos castanhos dela, o olhar fixo no teto, mas com um semblante de total paz e plenitude. Eles não precisavam de mais discussões ou de barreiras. O lobo de Chicago e sua restauradora haviam encontrado o equilíbrio perfeito entre o sangue do mundo lá fora e o fogo puro que os unia ali dentro.
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