O Preço do Pecado

18 Linhas de Impacto



​A manhã de segunda-feira começou cedo na mansão. O clima de intimidade da noite anterior ainda reverberava no quarto, mas Heitor já havia recuperado sua postura de comando. Às sete da manhã, ele acordou Natasha com um beijo rápido no topo da cabeça e uma ordem direta: "Vista uma roupa confortável e prenda o cabelo. Hoje começa a sua aula de defesa pessoal."

​Natasha vestiu uma calça legging preta e uma camiseta justa da mesma cor, prendendo os cabelos castanhos em um rabo de cavalo firme. Heitor a levou de carro até o quartel-general da empresa de segurança que servia de fachada para os negócios da família. No subsolo do edifício blindado, longe dos olhos do público, havia um centro de treinamento avançado com um tatame imenso de lona escura, cercado por sacos de pancada e espelhos nas paredes.

​Heitor já a esperava no centro do tatame, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e uma camiseta regata que deixava os braços massivamente tatuados e musculosos à mostra. Ele desfazia as bandagens das mãos com os dentes, o olhar focado.

​— Sobe, Natasha — ele chamou, a voz rouca ecoando no espaço vazio. — No meu mundo, o perigo não avisa quando vai chegar. Eu não vou estar do seu lado vinte e quatro horas por dia, então você precisa aprender a machucar alguém de verdade se for encurralada.

​Natasha pisou na lona fria do tatame, cruzando os braços, mantendo a postura firme. — Eu sei me cuidar, Heitor. Mas admito que estou curiosa para ver o seu método de ensino. Você vai ser muito ignorante comigo?

​Heitor deu um sorriso de canto, puramente cafajeste, caminhando até ela com passos lentos e predatórios. — Eu vou ser realista, boneca. Na rua, ninguém vai ter pena de você porque você é linda. A primeira lição é sobre postura de guarda e equilíbrio.

​Ele parou logo atrás dela, colando o peito largo nas costas de Natasha. Suas mãos grandes seguraram os quadris dela, afastando suas pernas na largura dos ombros. O calor do corpo dele era instantâneo.

​— Afasta os pés. Flexiona os joelhos de leve. O seu centro de gravidade tem que estar baixo, se não qualquer empurrão te joga no chão — ele explicou, a voz ríspida, mas paciente. Ele subiu as mãos até os braços dela, erguendo os punhos de Natasha na altura do queixo. — Cotovelos fechados, protegendo as costelas. O queixo colado no peito. Nunca tire os olhos do agressor.

​Natasha ajustou a postura, sentindo a firmeza dos comandos dele. — Certo. E agora? Eu te soco?

​Heitor soltou uma risada rústica, afastando-se dois passos e ficando de frente para ela. — Socar gasta muita energia e, contra um homem do meu tamanho, você corre o risco de quebrar os dedos. Você vai usar os pontos de impacto fáceis: palma da mão, cotovelo e os joelhos.

​Ele avançou rápido, fingindo um ataque, agarrando os dois pulsos de Natasha com força bruta. O instinto mafioso dele estava ligado. — Se um cara te segurar assim, o que você faz? Não adianta puxar para trás, a força dele é maior. Você gira os seus pulsos em direção ao polegar dele, que é a parte mais fraca da pegada. Faz agora.

​Natasha concentrou-se. Em vez de puxar o corpo, ela girou os antebraços com velocidade para dentro, forçando a articulação dos polegares de Heitor. A pegada dele escorregou.

​— Isso. Agora aproveita a abertura e bate — ele comandou.

​Com a guarda dele aberta, Natasha deu um passo à frente e desferiu a palma da mão direita direto contra o peito rígido de Heitor. O impacto fez um som estalado na lona. Heitor nem se moveu, mas os olhos dele brilharam com o acerto dela.

​— Bom. Mas na rua, mire no nariz ou na garganta. Quero ver força — ele desafiou, a mandíbula travada. — De novo.

​O Confronto Prático

​Eles passaram mais de uma hora repetindo os movimentos. Heitor a atacava por trás, simulando gravatas e puxões de cabelo, ensinando-a a usar o calcanhar contra o peito do pé do agressor e a desferir cotoveladas certeiras na boca do estômago. Natasha respondia com agilidade, o suor cobrindo sua pele, as bochechas coradas pelo esforço físico.

​— Você está indo bem, boneca — Heitor comentou, limpando o suor da testa com as costas da mão. — Mas agora vamos complicar. Vou te encurralar no chão. A maioria dos ataques contra mulheres termina no chão, e você precisa saber como sair de baixo.

​Ele avançou com sua ignorância física habitual, segurando Natasha pela cintura e derrubando-a de costas na lona macia do tatame. Antes que ela se recuperasse do impacto, Heitor subiu por cima dela, prendendo os joelhos dele ao lado dos quadris de Natasha, usando o peso do próprio corpo para imobilizá-la.

​Natasha arfava, o peito subindo e descendo rápido, os olhos verdes fixos nos dele na penumbra do centro de treinamento. A proximidade física e o cheiro de suor e hormônios começaram a mudar a eletricidade entre os dois.

​— Você está presa, Natasha — Heitor sussurrou, a voz caindo para aquele tom rouco e perigoso, os braços estendidos ao lado da cabeça dela. — Eu tenho quase cem quilos. Se você tentar empurrar o meu peito, não vai adiantar nada. Como você sai?

​— Eu quebro a sua postura — ela respondeu, os lábios entreabertos pela respiração cansada.

​Natasha agiu com a técnica que ele havia explicado teoricamente: ela ergueu o quadril com força para o alto, um movimento de ponte que deslocou o centro de gravidade de Heitor. Ao mesmo tempo, ela usou as duas mãos para segurar o braço esquerdo dele, travando o cotovelo do mafioso e puxando-o para o lado. Sem o apoio do braço, o corpo massivo de Heitor cedeu. Natasha girou o próprio quadril com velocidade, invertendo as posições e jogando-o de lado no tatame, subindo por cima dele.

​Ela montou no abdômen rígido de Heitor, prendendo as pernas ao redor do tronco dele. Natasha segurou os ombros dele, o rabo de cavalo ligeiramente desfeito, exibindo um sorriso imensamente vitorioso e exausto.

​— Consegui, Laurentis — ela provocou, arfando. — O grande chefe da máfia está sob o meu controle. De novo.

​Heitor continuou deitado de costas, as mãos repousando casualmente na lona, olhando para ela de baixo com um orgulho imenso brilhando nos olhos castanhos. O deboche cafajeste retornou com tudo.

​— Você aprende rápido demais, esposa — ele disse, a voz grossa vibrando no peito. — Mas o seu erro é achar que o combate terminou só porque mudou de posição. No chão, o jogo é outro.

​Antes que ela pudesse responder, as mãos grandes de Heitor subiram rápido, segurando a nuca de Natasha e puxando-a para baixo com firmeza, quebrando a distância e colando a boca dela na dele em um beijo profundo, quente e suado. A língua dele invadiu a boca dela com uma volúpia direta, e Natasha soltou um gemido sôfrego, correspondendo com a mesma intensidade. Ela enterrou as mãos nos ombros molhados de Heitor, sentindo os músculos dele sob seus dedos.

​Heitor se afastou devagar, mordendo o lábio inferior dela com carinho antes de soltá-la. Ele ajeitou uma mecha de cabelo castanho que estava colada no rosto suado de Natasha, olhando-a com uma seriedade mansa e amorosa.

​— Você foi perfeita hoje, Natasha. De verdade — ele elogiou, o tom de voz livre da rispidez. — Se um dia alguma coisa acontecer e eu não estiver por perto... eu sei que você vai lutar até o fim. É isso que eu preciso. A sua segurança é a minha prioridade.

​Natasha sorriu, encostando a testa no peito dele, sentindo os batimentos cardíacos do marido. — Obrigada por me ensinar, Heitor. Mesmo sendo bruto desse jeito.

​— Esse é o único jeito que eu conheço, boneca — ele deu uma risada curta, dando um tapa leve e possessivo na bunda dela por cima da legging. — Agora sai de cima de mim, vamos tomar um banho e voltar para casa. O treino por hoje acabou, mas a noite na nossa cama promete.