O Preço do Pecado

17 Inversão de Papéis



​A viagem de volta para a mansão em Chicago manteve o mesmo tom que havia nascido no litoral. Não havia mais espaço para os silêncios sufocantes ou para os olhares carregados de rancor. O interior da Land Rover, antes um campo de batalha, agora era preenchido por conversas tranquilas, risadas baixas e pela mão de Heitor que repousava, firme e carinhosa, sobre a coxa de Natasha. O amor havia finalmente pacificado a tempestade.

​Ao anoitecer, já instalados no quarto principal da mansão, a calmaria continuava. Natasha havia tomado um banho demorado e vestia apenas uma camisola de seda preta com um decote profundo nas costas. Ela estava deitada de lado na imensa cama de casal, com os cabelos castanhos espalhados pelos travesseiros, observando a porta do closet.

​Quando Heitor cruzou o portal, vestindo apenas uma calça de moletom escura, com o peito tatuado exposto e os cabelos ainda úmidos, Natasha não recuou. Em vez disso, um sorriso lento, ladino e imensamente provocante brotou em seus lábios verdes.

​— Olha só quem apareceu... — ela murmurou, a voz descendo uma oitava, carregada de segundas intenções.

​Heitor parou ao pé da cama, arqueando uma sobrancelha, o olhar castanho brilhando com o início de um divertimento rústico. — O que foi, boneca? Está com essa cara de quem vai aprontar alguma coisa.

​Natasha sentou-se na cama, jogando os cabelos para trás, mantendo os olhos fixos nos dele. — Eu estava aqui pensando... Nós passamos semanas falando sobre o contrato do meu pai, sobre o quanto eu te devia e sobre como você adorava cobrar cada centavo em cima de mim.

​— E cobrei muito bem, se bem me lembro — ele debochou, dando um passo à frente, com as mãos nos bolsos do moletom, o jeito cafajeste retornando.

​— Exatamente — ela se ajoelhou no colchão, aproximando-se da borda. — Só que agora as regras mudaram. Nós somos um casal de verdade, Laurentis. E depois de tudo o que você me fez passar, de todas as vezes que me pegou de quatro ou me virou de cabeça para baixo... eu decidi que hoje sou eu quem vai cobrar uma dívida de você.

​Heitor soltou uma risada rústica, o peito largo vibrando. — Você? Me cobrar? E o que você tem para usar contra mim, Natasha?

​Antes que ele pudesse reagir com sua rapidez habitual, Natasha levou a mão por baixo do travesseiro e puxou um par de algemas de aço reluzentes — um objeto que ela havia encontrado escondido na gaveta secreta do criado-mudo dele dias atrás. Com um movimento ágil, ela segurou o pulso esquerdo de Heitor.

​— Deita na cama, Heitor. Agora — ela ordenou, imitando o tom autoritário que ele tanto usava.

​Heitor olhou para as algemas e depois para os olhos determinados dela. Por um segundo, o instinto de controle do chefe da máfia hesitou, mas o orgulho e o tesão de ver sua boneca tão audaciosa falaram mais alto. Ele soltou um suspiro pesado, fingindo rendição, e deitou-se de costas no colchão. Natasha agiu rápido: prendeu cada um dos pulsos dele nas barras de ferro trabalhadas da imensa cabeceira da cama.

​As Provocações

​Heitor estava preso, com os braços esticados acima da cabeça, os músculos do peito e dos ombros tensos contra os lençóis de seda. Ele a olhava de baixo, com um sorriso desafiador.

​— Parabéns, você me prendeu — ele provocou, a voz rouca. — E agora? Vai ficar só olhando ou vai me dar o meu corretivo?

​Natasha deu uma risada baixa, sentando-se de lado sobre o abdômen rígido dele, sentindo o calor da pele do marido. Ela começou a traçar linhas leves com as pontas das unhas pelo peito dele, descendo pelas tatuagens até a linha do moletom, fazendo o corpo de Heitor se contrair de imediato.

​— Quem disse que eu tenho pressa, Laurentis? — ela sussurrou, inclinando-se para morder de leve o lóbulo da orelha dele. — Você lembra daquela noite na sacada da galeria? Quando você me beijou à força e disse que eu ia implorar para voltar para a sua cama? Pois olha para você agora... preso na minha cama, completamente à minha mercê. Quem está implorando aqui?

​— Eu não estou implorando por porra nenhuma, Natasha — ele sibilou, a mandíbula travando enquanto sentia as mãos dela subirem pelo seu pescoço. — Mas você está brincando com o perigo. Quando eu sair dessas algemas...

​— Quando você sair, você faz o que quiser. Mas agora, o chefe aqui sou eu — ela o cortou, com uma audácia deliciosa. Natasha inclinou-se e desceu uma trilha de beijos molhados e lentos pelo pomo de Adão dele, descendo pelo peito, mas evitando a boca de Heitor de propósito.

​Heitor tentou puxar as mãos, o metal das algemas estalando contra a cabeceira de ferro. A frustração de não poder tocá-la estava levando o mafioso à loucura. — Natasha... para de palhaçada. Me beija na boca, caralho.

​— Só quando eu decidir que você merece — ela provocou, rindo do desespero dele. Ela moveu o quadril sutilmente sobre a intimidade rígida dele por cima do moletom, ouvindo um rosnado baixo escapar da garganta de Heitor. — Sabe, maridinho... você até que fica bem sendo submisso. Deveria fazer isso mais vezes.

​— Você está morta, garota... eu juro por Deus que você está morta — Heitor praguejou, os olhos castanhos injetados de puro desejo e fúria controlada, deliciando-se com o controle que ela exibia.

​A Rendição

​Satisfeita com o tormento que havia causado, Natasha resolveu encerrar o jogo. Ela deslizou as mãos pelas laterais do moletom dele, puxando o tecido para baixo junto com a cueca, libertando a rigidez impressionante de Heitor na penumbra do quarto. Ela mesma desfez-se da camisola de seda preta com um único movimento, ficando completamente nua sobre ele.

​Natasha ergueu o corpo, segurando o quadril de Heitor com as duas mãos, e posicionou-se. Com um movimento lento, profundo e contínuo, ela abaixou-se sobre ele, engolindo-o por inteiro em uma única estocada.

​Heitor jogou a cabeça para trás contra o colchão, soltando um gemido grosso e abafado, os músculos dos braços saltando enquanto ele tentava puxar as algemas. A sensação de tê-la ali, dominando o ritmo dentro da água morna da luxúria deles, era avassaladora.

​Natasha começou a cavalgar sobre ele. Suas curvas moviam-se com uma cadência fluida, os cabelos castanhos balançando pelos ombros enquanto ela subia e descia com firmeza. Ela controlava a intensidade, inclinando-se para a frente para deixar os seios fartos roçarem no peito dele, arrancando dele suspiros pesados. Ela havia aprendido tudo direitinho: sabia exatamente a profundidade que o fazia arfar, sabia o compasso que o levava ao limite.

​— Isso... porra, Natasha... mais rápido — Heitor comandava entre dentes, os olhos fixos nas curvas dela que se moviam sob a penumbra.

​Natasha acelerou o ritmo, entregando-se ao prazer que subia como uma avalanche por sua espinha. O som dos corpos se chocando e os gemidos agudos dela preencheram o quarto. Ela jogou a cabeça para trás, cavalgando com uma urgência selvagem até que os músculos de seu quadril se contraíssem fortemente ao redor dele. O orgasmo a atingiu em cheio, fazendo-a soltar um grito agudo. Segundos depois, Heitor deu um último impulso para cima, soltando um rosnado animal enquanto descarregava toda a sua intensidade dentro dela, os dois tremendo juntos no ápice carnal.

​Exausta, Natasha desabou para a frente, colando o peito suado ao dele, respirando de forma descompassada. Ela estendeu a mão trêmula até o criado-mudo, pegou a chave e destrancou as algemas, libertando os pulsos dele.

​Assim que os braços de Heitor caíram livres, as marcas vermelhas do metal evidentes na pele, ele não perdeu tempo. Com uma agilidade impressionante, ele inverteu as posições, girando o corpo de Natasha no colchão e ficando por cima dela.

​Heitor a atacou com um beijo voraz, faminto e profundo, a língua dominando a dela com uma agressividade possessiva que fez o peito de Natasha vibrar de prazer. Ele se afastou milimetricamente, segurando o rosto dela entre as mãos grandes, um sorriso imensamente orgulhoso e perverso estampado nos lábios cafajestes.

​— Você achou que ia me domar para sempre, boneca? — ele debochou, a voz rouca e grossa de satisfação. — Mas eu tenho que confessar... você aprendeu direitinho. Essa sua pose de chefe me deixa louco.

​Natasha sorriu, envolvendo o pescoço dele com os braços, puxando-o para outro selinho. — Eu tive um professor muito bruto, Laurentis. Tive que aprender a me defender.

​Heitor deu uma risada curta, o olhar castanho transbordando um amor rústico, mas absoluto. Ele deitou-se ao lado dela, puxando-a para o seu abraço possessivo, cobrindo os corpos com o edredom. Natasha aninhou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração do mafioso bater calmo, sabendo que, naquela guerra de poder, ambos haviam saído vitoriosos.