O Preço do Pecado
11 Ciúme e Ultimato
Três semanas se passaram. Natasha focou cada segundo de seus dias nas restaurações do museu, tentando sufocar a ausência do toque de Heitor com o cheiro de solvente e verniz. Ela tentava se convencer de que havia retomado o controle da própria vida. Enquanto isso, no submundo de Chicago, Heitor Laurentis mostrava-se mais implacável do que nunca. Sem a distração da jovem, ele governava com punho de ferro: eliminou dois traidores no porto, confiscou carregamentos rivais e consolidou seu império com sangue e silêncio. Ele era uma máquina perfeitamente lubrificada de violência e poder.
Em uma noite de sexta-feira, exausta de ficar trancada em casa remoendo pensamentos, Natasha aceitou o convite de sua melhor amiga, Mary.
— Você precisa espairecer, Maite! Chega de cheirar tinta velha — Mary insistiu, puxando-a para a pista de dança da Neon Underworld, a boate mais exclusiva e escura do centro.
As duas dançaram, beberam algumas doses de tequila e tentaram se misturar à fúria da música eletrônica. Porém, por volta da meia-noite, enquanto Mary tentava flertar com um rapaz, Natasha caminhou até o bar principal para pedir um gim-tônica. Esperando o barman, seu olhar subiu, vagando distraidamente em direção aos camarotes VIP do segundo andar, protegidos por grades de ferro e luzes vermelhas.
O copo quase escorregou da mão de Natasha.
Lá em cima, com a camisa preta aberta e um charuto aceso na mão esquerda, estava Heitor. Uma jovem loira, vestindo quase nada, estava sentada no colo dele. Heitor mantinha uma das mãos grandes cravada na nuca da garota, puxando-a para um beijo bruto, enquanto a outra mão apalpava a coxa da loira com uma intimidade devassa. A garota ria, jogando a cabeça para trás, completamente entregue ao deboche do mafioso.
Uma queimação violenta, que não vinha do álcool, subiu pelo peito de Natasha. Era um ciúme doentio, cego e incontrolável. O orgulho que ela tanto defendeu desmoronou em segundos.
Sem pensar nas consequências, ela ignorou o barman, cruzou a pista de dança a passos largos e subiu as escadas em direção à área restrita. Dois capangas de Heitor menearam à frente da porta do camarote para bloqueá-la, mas Natasha avançou com os olhos injetados de fúria.
— Saiam da minha frente antes que eu quebre essa garrafa na cabeça de vocês! — ela gritou.
Heitor ouviu a confusão e ergueu os olhos. Ao ver Natasha, um sorriso imensamente cafajeste e vitorioso brotou em seus lábios. Ele fez um sinal com a mão, e os capangas recuaram.
Natasha invadiu o camarote, parando bem na frente dele. A loira no colo de Heitor a olhou de cima a baixo com desdém.
— Quem é essa louca, Heitorzinho? — a garota murmurou.
— Sai de cima dele agora se você ainda quiser ter cabelos nessa cabeça, sua piranha! — Natasha explodiu, a voz tremendo de raiva.
Heitor soltou uma gargalhada rouca, achando graça do espetáculo. Ele deu um tapinha na bunda da loira. — Sai, jasmim. A conversa aqui é privada.
A garota recolheu os panos e saiu pisando duro. Assim que ficaram a sós, Natasha deu um passo à frente, apontando o dedo na cara dele.
— Você é um porco, Laurentis! Um animal nojento! Não faz nem um mês que estava na minha cama dizendo que eu estava marcada e agora está aqui, se esfregando nessa sujeira pública? Você me dá nojo!
Heitor levantou-se lentamente, o tamanho dele engolindo o espaço. Ele deu uma tragada no charuto e soprou a fumaça no rosto dela, o deboche estampado nos olhos castanhos. — Eu sou um homem livre, boneca. E se bem me lembro, você bateu a porta da minha casa dizendo que não queria ser minha puta. O que foi? O ciúme bateu mais forte que o seu orgulho de fachada?
— Eu te odeio! — Natasha gritou, as lágrimas de frustração ameaçando cair. — Eu vim aqui apenas para confirmar o lixo que você é!
Ela deu as costas, desceu as escadas correndo, encontrou Mary na pista e gritou: — Estou passando mal, Mary, vou pegar um táxi! Nos vemos amanhã!
Natasha saiu correndo da boate, o peito explodindo de humilhação.
Uma Hora Depois, no Apartamento de Natasha
Natasha andava de um lado para o outro na pequena sala de estar de seu apartamento. Ela já havia tirado os sapatos e batia os pés descalços contra o piso de madeira, resmungando alto consigo mesma.
— Desgraçado... Cafajeste... Como eu pude ser tão idiota? Deixando aquele monstro me afetar desse jeito... Ele que se foda com aquelas vadias do porto!
No meio do seu desabafo histérico, três batidas violentas e pesadas ecoaram na porta da frente, quase derrubando a madeira.
Natasha estancou no meio da sala. O coração disparou. Ela caminhou até a porta e a abriu de uma vez. Lá estava ele. Heitor não usava mais o paletó; a camisa preta estava desalinhada, o cheiro de uísque e tabaco exalando dele de forma agressiva. A ignorância em seu rosto era assustadora.
Antes que ela pudesse falar, Heitor entrou, empurrando-a para trás com o corpo e batendo a porta com o pé, trancando-a.
— Você ficou maluca, Natasha?! — ele rosnou, pegando-a pelo braço com força bruta. — Fazer cena no meu camarote na frente dos meus homens? Quem você acha que é?
— Me solta, seu animal! — ela tentou esbofeteá-lo, mas Heitor segurou seus dois braços, prensando-a contra a parede da sala com o peso do seu corpo. — Eu sou a mulher que tem nojo de você! Vai voltar para a sua loira de plástico!
— Eu não quero a loira de plástico, porra! Eu quero você! — Heitor jogou as palavras na cara dela, a respiração colada à dela. — Você quer brincar de me rejeitar, mas faz aquele escândalo porque não aguenta ver outra mão na minha pele. Assume, Natasha! Assume que você é minha!
— Nunca! — ela sibilou.
Heitor calou-a com um beijo brutal, raivoso e carregado de uma luxúria que estava acumulada há semanas. Não havia espaço para preliminares ou doçura. Ele forçou a língua entre os dentes dela, dominando a boca de Natasha com uma selvajaria que a fez soltar um gemido abafado. O ódio e o ciúme que os consumiam transformaram-se em pura eletricidade carnal.
Natasha cedeu. Ela envolveu o pescoço dele com os braços, puxando-o para mais perto enquanto as mãos de Heitor rasgavam o zíper do vestido verde dela, puxando o tecido para baixo com pressa e agressividade. Ele a suspendeu pela cintura ali mesmo na parede, e Natasha entrelaçou as pernas ao redor do quadril dele, entregando-se ao desejo proibido.
Heitor abriu a calça com urgência e a invadiu de uma vez, um golpe profundo e seco que arrancou um grito agudo de Natasha, que ecoou pela sala escura.
— Isso... geme para mim, sua louca — ele rosnou no ouvido dela, as mãos grandes apertando as nádegas dela com tanta força que os dedos se enterravam na carne. Ele começou um ritmo frenético, violento, estocando contra a parede com uma brutalidade ignorante. — Você é minha. Só minha. Aquela cena na boate provou que você pertence a este caralho de pau, Natasha.
Natasha jogou a cabeça para trás, mordendo o próprio ombro para não gritar mais alto, enquanto o prazer violento a atingia em ondas avassaladoras. O choque dos corpos, o suor que brotava rápido e as palavras sujas e vulgares que Heitor sussurrava — chamando-a de sua cadela ciumenta — só faziam os músculos dela se contraírem ainda mais forte ao redor dele. O clímax os arrastou juntos em poucos minutos, uma explosão ruidosa e sôfrega que os deixou trêmulos, colados contra a parede da sala.
Assim que os espasmos cessaram, Heitor a colocou no chão devagar. O transe do sexo desfez-se instantaneamente na mente de Natasha. A realidade e a humilhação de ter cedido novamente retornaram com força total.
Ela se afastou dele com pressa, puxando o vestido rasgado para cobrir o corpo, as pernas ainda trêmulas. Ela caminhou até o quarto, pegou um roupão, vestiu-o e voltou para a sala, apontando para a porta com o dedo trêmulo.
— Acabou. Você teve o que queria de novo. Agora pega as suas coisas e vai embora da minha casa, Heitor. Suma daqui!
Heitor ajeitou a própria calça, fechando o zíper com total calma. Mas a expressão em seu rosto mudou. O deboche cafajeste sumiu, substituído pela seriedade implacável do chefe da máfia. Ele caminhou até o centro da sala, abotoando os punhos da camisa, olhando para ela com uma ignorância fria que a fez dar um passo para trás.
— Eu não vou embora, Natasha. E essa brincadeira de vir aqui e ir embora quando você quer... acabou hoje — a voz dele era mansa e cortante.
— O que você está falando? — ela franziu o cenho, o pânico começando a brotar em seu peito.
Heitor deu dois passos, parando bem na frente dela, usando sua altura para intimidá-la. Ele colocou as mãos nos bolsos, o olhar fixo e gélido.
— A cena que você fez hoje na boate mostrou para Chicago inteira que você é o meu ponto fraco. E no meu mundo, pontos fracos são eliminados... ou protegidos. Eu não vou deixar você solta por aí para os meus inimigos te usarem para chegar até mim. Você vai se casar comigo, Natasha.
Natasha soltou uma risada histérica, sem acreditar no que ouvia. — Casar? Você ficou completamente maluco?! Eu nunca vou me casar com um monstro como você! Eu prefiro morrer!
Heitor não piscou. Ele deu um passo ainda mais perto, a mandíbula travada.
— Não seja dramática, garota. Você não tem escolha — ele usou de todo o seu poder e ignorância, ditando as regras de forma cruel. — Se você não aceitar, amanhã de manhã eu coloco o seu pai de volta no meu escritório e, desta vez, eu estouro os miolos dele na frente dos meus homens. E depois, eu destruo aquela galeria de arte onde você trabalha até não sobrar uma parede em pé. Você vai perder o seu emprego, a sua dignidade e a vida do seu pai.
— Você não faria isso... — ela sussurrou, as lágrimas finalmente caindo, o desespero tomando conta.
— Eu sou o chefe da porra da cidade, Natasha. Eu faço o que eu quiser — ele rebateu, a voz ríspida e sem um pingo de clemência. Heitor caminhou até a porta e colocou a mão na maçaneta, virando-se para ela uma última vez. — Você tem até a noite de amanhã para pensar e arrumar as suas malas. Às vinte horas, o Enzo vai estar aqui embaixo para te buscar. Se você não estiver no carro... o sangue do seu pai vai estar nas suas mãos.
Heitor abriu a porta e saiu, batendo-a com firmeza, deixando Natasha sozinha no meio da sala, desabada de joelhos no chão, chorando de puro desespero diante da nova e terrível cláusula que a prendia definitivamente ao seu pior pesadelo.
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