O Preço do Pecado
2 A Noite do Acerto
O relógio de parede da suíte principal da mansão Laurentis marcou exatamente dezoito horas quando a pesada porta de carvalho se abriu.
Heitor estava de pé junto à imensa janela de vidro que dava vista para a Chicago chuvosa. Ele segurava uma taça de cristal com um vinho tinto denso, quase negro, e mantinha um cigarro aceso entre os dedos da outra mão. Ele não se virou imediatamente. Sabia exatamente quem havia entrado pelo som sutil dos saltos altos contra o piso de madeira escura.
Natasha deu um passo para dentro do quarto, sustentando o queixo erguido apesar do tremor invisível que corria por suas pernas. Ela vestia um vestido preto simples, de alças finas, e trazia nos olhos uma névoa de puro ódio.
— Você gosta de pontualidade — a voz dela cortou o silêncio, fria e ríspida.
Heitor soltou a fumaça do cigarro lentamente, observando o reflexo dela pelo vidro antes de se virar. Um sorriso sarcástico e de puro deboche moldou seus lábios enquanto ele a avaliava de cima a baixo com um olhar calculista e predatório.
— Eu não gosto de pontualidade, Natasha. Eu a exijo — ele caminhou lentamente na direção dela, seus passos calmos ecoando poder. — E vejo que o seu pai valoriza a própria cabeça o suficiente para te colocar no carro na hora certa.
— Não pronuncie o nome dele. E meu nome é Maite — ela rebateu imediatamente, dando um passo à frente, recusando-se a recuar diante da presença intimidadora do mafioso. — Vamos acabar logo com esse circo. Eu vim pagar a dívida daquele verme. Diga o que você quer que eu faça e me deixe ir embora.
Heitor soltou uma risada curta, rouca, achando graça da audácia da jovem. Ele parou a poucos centímetros dela, soprando a fumaça do cigarro diretamente contra o rosto dela, fazendo-a piscar com o incômodo.
— Você acha que dita as regras aqui, boneca? — ele perguntou, a voz caindo para um tom perigosamente baixo e rouco. Ele ergueu a taça de vinho, oferecendo-a. — Beba. Você está tensa demais. E eu não gosto de brinquedos travados.
— Eu não quero o seu vinho, Laurentis. Eu tenho nojo de tudo o que vem de você — ela cuspiu as palavras, os olhos faiscando.
O olhar de Heitor escureceu instantaneamente. O deboche deu lugar a uma rigidez implacável. Sem aviso, ele largou a taça em uma mesa lateral, segurou o queixo de Maite com uma força brutal, apertando suas bochechas até que ela fosse forçada a abrir a boca.
— Você vai beber o que eu mandar, vai fazer o que eu quiser e vai engolir esse seu orgulho de merda antes que eu mude de ideia e mande entregar os dedos do seu pai numa caixa de sapatos amanhã cedo — ele rosnou, as palavras duras batendo contra o rosto dela.
Com a outra mão, ele pegou a taça e virou o líquido goela abaixo de Maite, sem delicadeza. O vinho tinto escorreu pelo canto da boca dela, manchando seu queixo e o colo do vestido como se fosse sangue. Ela tossiu, engolindo o líquido à força, os olhos lacrimejando de raiva e humilhação.
Quando ele finalmente a soltou, Maite limpou a boca com as costas da mão, respirando arfante, o peito subindo e descendo.
— Você é um monstro... — ela sussurrou, a voz carregada de veneno.
— Eu sou o dono da sua vida pelas próximas doze horas — Heitor rebateu com um sorriso cínico. Ele jogou a ponta do cigarro no cinzeiro e, com um movimento rápido e bruto, segurou o braço dela, puxando-a contra o seu peito largo.
O contraste entre o terno impecável dele e a fragilidade do vestido dela acentuava o domínio da situação. Maite tentou empurrá-lo, espalmando as mãos contra o peito dele, mas Heitor era como uma muralha de músculos.
— Me solta! — ela exigiu, a raiva explodindo.
— Você veio aqui para isso, não veio? Então vamos ver se essa pose toda se sustenta na cama — ele debochou.
Heitor a empurrou em direção à imensa cama de casal. Maite caiu de costas sobre os lençóis de seda escura. Antes que pudesse se levantar, o corpo pesado do mafioso já estava sobre o dela, prendendo seus pulsos acima da cabeça com apenas uma das mãos, imobilizando-a por completo.
A fúria entre os dois era palpável, transformando o ambiente em um campo de batalha carnal. Não havia espaço para romance ou ternura; era uma disputa de poder pura, movida a ódio, adrenalina e uma atração sombria que nenhum dos dois admitiria.
— Olha para mim — Heitor ordenou, pressionando o corpo contra o dela, sentindo o calor e a respiração descompassada de Maite. — Quero ver esse ódio nos seus olhos enquanto eu tiro tudo de você.
— Você pode ter o meu corpo por uma noite, Laurentis, porque meu pai é um covarde — ela sibilou, cravando os olhos nos dele, recusando-se a chorar. — Mas você nunca vai ter nada além disso. Você continua sendo um lixo solitário trancado nesse castelo de sangue.
As palavras dela o instigaram ainda mais. Heitor soltou um riso sombrio e perverso.
— Eu não quero a sua alma, Natasha. Só quero o que está entre as suas pernas.
Com um movimento violento, ele rasgou a alça do vestido preto dela, expondo sua pele clara ao ar frio do quarto. Maite arquejou quando as mãos firmes e calejadas dele subiram por suas coxas, apertando a carne com força, deixando marcas que arderiam no dia seguinte.
O sexo começou de forma selvagem e caótica. Heitor se aproveitava de cada milímetro do corpo dela, ditando o ritmo com uma brutalidade possessiva, erguendo o quadril dela e dominando-a sem pedir licença. Maite enterrou as unhas nos ombros dele, descontando a raiva nas costas do mafioso, soltando gemidos que misturavam dor, frustração e o prazer involuntário que começava a tomar conta de seus sentidos contra a sua própria vontade.
O som dos corpos se chocando, a respiração cortada e os xingamentos sussurrados preencheram o quarto. Heitor a virou de costas, puxando-a pelos cabelos com força moderada para que ela olhasse para o próprio reflexo no espelho da parede enquanto ele a possuía por trás de maneira implacável e firme.
— Veja quem manda em você agora — ele sussurrou perto do ouvido dela, a voz rouca pelo esforço, o suor brilhando em sua pele tatuada.
Maite mordeu o lábio inferior até sangrar para conter os gritos, fitando o próprio reflexo enquanto era subjugada pelo homem que mais odiava no mundo. O prazer violento a atingiu em ondas, arrancando dela um gemido sôfrego que ecoou pelo ambiente amplo, enquanto Heitor encontrava o próprio ápice logo em seguida, despejando toda a sua intensidade nela.
Minutos depois, o silêncio pesado retornou ao quarto, quebrado apenas pelas respirações descompassadas.
Heitor se afastou, saindo da cama sem a menor pressa. Ele pegou o roupão, vestiu-o e caminhou de volta até a mesa, acendendo outro cigarro com total indiferença, como se nada tivesse acontecido.
Na cama, envolta nos lençóis bagunçados e com o vestido semi-rasgado, Maite recolheu as pernas junto ao peito. Seus olhos continuavam fixos nele, injetados de uma fúria que agora queimava ainda mais forte. O acerto de contas havia começado, mas os dois sabiam que aquela noite deixaria marcas profundas demais para serem esquecidas ao amanhecer.
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