O Preço da Flor de Ferro
4 Entre Cinzas e Recomeços
Os dias que antecederam o casamento não foram de quietude, mas de um frenesi de atividade que Jasmine jamais imaginara. O silêncio fúnebre da fazenda queimada fora substituído pelo som de picaretas, pás e as vozes de uma dezena de homens trazidos pelo Duque.
Mas o que mais perturbava Jasmine não era a presença dos empregados, e sim a do próprio Heitor Martinez.
Naquela manhã, Jasmine observava pela janela da cozinha. Heitor não vestia suas sedas habituais. Ele estava de camisa de linho branca, com as mangas enroladas até os cotovelos, expondo antebraços fortes e bronzeados. Ele não apenas comandava; ele estava curvado, ajudando José a remover uma viga carbonizada que antes sustentava o celeiro. Suas mãos, que costumavam carregar um selo de ouro, agora estavam manchadas de fuligem e terra.
Açucena aproximou-se da filha, entregando-lhe um pano de prato. Ela seguiu o olhar de Jasmine.
— Ele não precisava estar ali, Jasmine — disse a mãe, com a voz carregada de uma serenidade prática. — Um homem daquela posição poderia ter enviado apenas o ouro e ficado em seu castelo, esperando que você fosse entregue a ele como uma mercadoria limpa.
— Ele quer mostrar poder, mãe — retrucou Jasmine, embora sua voz carecesse de convicção. — Quer que nos sintamos em dívida antes mesmo do "sim".
— Ou talvez ele queira que seu pai sinta que ainda é o dono deste chão — Açucena ponderou, colocando a mão no ombro da filha. — Olhe para o rosto do seu pai. Pela primeira vez em dias, ele não parece um homem derrotado. Heitor está dando a ele mais do que uma fazenda nova; está dando o respeito de trabalhar ao lado dele. Nem todo nobre tem alma de senhor, minha filha. Alguns têm alma de construtor. Não feche seu coração para o que os seus olhos estão vendo apenas por causa do que o seu medo está dizendo.
Mais tarde, Heitor caminhou até o poço próximo à casa para lavar o rosto. Jasmine estava lá, recolhendo um balde. O impacto visual dele de perto — suado, sujo de cinzas, mas ainda mantendo uma dignidade inabalável — a fez hesitar.
— O trabalho é árduo, Duque — disse ela, entregando-lhe uma caneca de água fria.
Heitor aceitou a água, bebendo-a com uma sede genuína antes de olhar para ela. Um rastro de fuligem marcava sua bochecha.
— Nada que valha a pena é fácil, Jasmine. Reconstruir uma vida exige mais do que apenas moedas. Exige suor.
— Por que o senhor está fazendo isso? — ela perguntou, a voz quase um sussurro. — Colocando as mãos nesta sujeira?
Heitor deu um passo à frente, e Jasmine notou que o olhar dele não era de conquista, mas de uma sinceridade que a desarmava.
— Porque este será o seu lar, mesmo quando estivermos no castelo. Quero que, quando você olhar para estas terras, não se lembre apenas do fogo que as destruiu, mas do esforço que as trouxe de volta. Quero que você saiba que não sou um homem que apenas ordena, mas um homem que sustenta o que ama.
Ele fez uma breve inclinação de cabeça e voltou para o campo, deixando Jasmine parada à beira do poço, sentindo que as defesas que ela construíra em torno de seu coração estavam começando a ruir, tal como as vigas queimadas da antiga fazenda.
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