O Preço da Coroa

7 ​O Comitê de Boas-Vindas


A carruagem atravessou os portões maciços de Oakhaven sob um céu de chumbo. O castelo era uma fortaleza de pedra escura, imponente e austera, erguida sobre penhascos que desafiavam o vento gélido. Quando a porta se abriu, o frio do Norte a atingiu como um tapa, obrigando-a a apertar a capa contra o peito.

​Adrian desceu primeiro e, com um gesto mecânico, estendeu a mão para ajudá-la. No pátio, uma pequena comitiva aguardava.


​Uma mulher de traços finos e olhar curioso deu um passo à frente, acompanhada por um homem de expressão diplomática.

​— Seja bem-vinda, Selene — disse a mulher, com um sorriso que parecia o único ponto de calor naquele lugar. — Sou Penelope, irmã de Adrian. Este é meu marido, Cristian Blake.

​— É uma honra recebê-la, Majestade — Cristian fez uma mesura elegante. — Oakhaven estava ansiosa por sua chegada, embora o clima não transpareça isso.

​Selene tentou forçar um sorriso, mas seus lábios estavam quase dormentes.

— Obrigada. É... muito diferente de casa.

​— É um reino de verdades nuas, cunhada — Penelope comentou, observando o desconforto de Selene. — Você logo se acostuma com o cinza.

​Uma mulher de meia-idade, com um coque perfeitamente alinhado e um avental impecável, adiantou-se.

— Sou Maria Benevides, a governanta. Tudo está preparado conforme as ordens do Rei.

​A Partida de Adrian

​Adrian não se juntou às apresentações calorosas. Ele olhou para um oficial que se aproximava com documentos e depois voltou-se para a esposa.

​— Penelope, Cristian, Maria... cuidem dela — disse ele, o tom de voz já distante, focado nos deveres. — Tenho assuntos urgentes no conselho sobre a distribuição de carvão nas vilas do leste. Não esperem por mim para o desjejum.

​Selene sentiu uma pontada de abandono.

— Você acaba de chegar e já vai embora?

​— O reino não para porque eu me casei, Selene — Adrian respondeu friamente. Ele olhou para a jovem dama que aguardava ao lado das bagagens. — Lorena, leve a Rainha aos aposentos reais. Certifique-se de que ela tenha tudo o que precisa.

​Com um aceno curto de cabeça, o Rei de Ferro virou as costas e entrou pelas portas duplas de carvalho, deixando Selene para trás.

​Os Aposentos Reais: A Cela de Ouro

​Lorena, a fiel dama de companhia que Selene trouxera de Delavga, guiou-a por corredores imensos, onde as paredes eram decoradas com escudos e espadas em vez de quadros. Quando abriram as portas dos aposentos reais, Selene parou no limiar.

​O quarto era vasto. Uma cama de dossel monumental com colchas de pele escura dominava o espaço. A lareira era enorme, mas o fogo ainda estava começando a pegar. As janelas eram altas e estreitas, oferecendo uma vista para o abismo e o mar revolto lá embaixo.

​— É... imenso, Majestade — sussurrou Lorena, tentando ser otimista enquanto começava a desempacotar as roupas.

​Selene caminhou até a janela, sentindo o peso das paredes de pedra.

— Não, Lorena. É apenas uma cela maior.

​— Não diga isso, senhora. Olhe este veludo, estas joias sobre a penteadeira...

​Selene tocou a superfície fria de uma das paredes.

— Em Delavga, as janelas mostram o jardim. Aqui, elas mostram o vazio. Adrian me trouxe para o topo de uma montanha para que eu pudesse ver o mundo, mas nunca mais tocar nele. — Ela se virou para a dama, os olhos marejados. — Ele me deixou aqui sozinha no primeiro dia. Ele não quer uma esposa, Lorena. Ele quer uma estátua para decorar este castelo de gelo.

​— O Rei Adrian parece ser um homem difícil... — Lorena começou.

​— Ele não é um homem — Selene interrompeu, sentando-se na beira da cama imensa. — Ele é um monumento à obrigação. E eu temo que, se eu ficar aqui por muito tempo, eu também acabe virando pedra.

​O som do vento uivando contra as vidraças foi a única resposta que recebeu. Naquela noite, o luxo de Oakhaven pareceu mais frio do que qualquer inverno que Selene já vira.