O Preço da Coroa
8 O ato
O silêncio nos aposentos reais de Oakhaven era apenas quebrado pelo estalar da lenha na lareira e pelo uivo do vento nas frestas das janelas. Selene estava mergulhada em um livro, mas as palavras pareciam flutuar sem sentido diante de seus olhos. Ela estava tensa, sentindo cada sombra do quarto, quando a porta pesada se abriu.
Adrian entrou com passos pesados, exalando o cansaço de um dia de governo. Sem dizer uma palavra, ele começou a se despojar de suas vestes. Selene observou, por cima das páginas, os ombros largos dele se libertando do couro e da lã, revelando uma musculatura firme e cicatrizes que contavam histórias de batalhas que ela mal podia imaginar. Ele se banhou rapidamente na bacia de prata e, vestindo apenas uma calça fina de linho, caminhou até a cama.
O colchão afundou sob o peso dele. Adrian soltou um suspiro profundo, um som que parecia carregar o peso de todo o reino do Norte. Ele ficou imóvel, encarando o teto, mergulhado em um silêncio que incomodava Selene mais do que seus gritos. Ela fechou o livro com um estalo e se virou para ele, pronta para exigir explicações sobre o abandono do dia.
— Adrian, nós precisamos...
As palavras morreram em sua garganta. No segundo seguinte, ele se virou, e o que Selene viu nos olhos dele não era mais o gelo do rei, mas a brasa de um homem que estivera contendo seus instintos. Sem dar tempo para que ela recuasse, Adrian tomou seus lábios.
O beijo foi intenso, uma colisão de vontades. Tinha o sabor de vinho e urgência. As mãos dele, grandes e calejadas, subiram para o rosto dela, segurando-a com uma possessividade que a deixou sem fôlego. Selene sentiu um choque percorrer sua espinha; nunca ninguém a havia tocado daquela forma. A aspereza dos dedos dele contra a pele macia dela criava um contraste inebriante.
Ele começou a descer os beijos pelo pescoço dela enquanto suas mãos exploravam as curvas de seu corpo sob a camisola de seda. Selene sentia-se em chamas. O espírito livre que ela tanto defendia parecia agora querer se perder na força daquele homem. Ela se deixou levar, as mãos hesitantes subindo pelos braços musculosos de Adrian, sentindo o calor que emanava dele.
— Você é minha rainha agora — ele sussurrou contra a pele dela, a voz rouca e vibrante. — E este é o nosso pacto.
Adrian despojou-a da camisola com uma agilidade que a deixou exposta ao ar frio e ao olhar ardente dele. Ele a tocou com uma reverência inesperada, seus dedos traçando caminhos por seu ventre e coxas. Quando ele se posicionou sobre ela, Selene sentiu o peso do corpo dele, sólido e protetor.
Como era sua primeira vez, um tremor de medo a percorreu. Adrian percebeu. Ele parou por um segundo, os olhos fixos nos dela, e beijou-lhe a testa.
— Confie em mim — ele murmurou.
A dor inicial foi aguda, um breve grito que foi abafado pelos lábios dele nos dela. Mas Adrian não se apressou. Ele esperou, mantendo o contato visual, até que a tensão no corpo de Selene desse lugar a uma nova e desconhecida pulsação. Ele começou a se mover, e o ritmo tornou-se uma dança de poder e entrega.
Foi um ato de conquista, sim, mas também de uma estranha conexão que as palavras nunca permitiram entre eles. Selene sentia que, naquele momento, as barreiras de ferro de Adrian estavam baixas. Cada movimento dele era intenso, preenchendo o vazio daquele quarto frio com um calor avassalador. Eles se perderam um no outro, entre gemidos contidos e o som da respiração descompassada, até que o ápice os atingiu como uma tempestade do norte, deixando-os exaustos e trêmulos nos braços um do outro.
Quando tudo terminou, o silêncio retornou, mas não era mais o mesmo. Adrian não se afastou imediatamente; ele permaneceu ali, o rosto escondido na curva do pescoço dela, enquanto o coração de Selene batia contra o dele, selando, enfim, o destino da Estrela de Delavga ao Rei de Ferro.
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