O Preço da Coroa

12 Mudanças no rei


O salão de festas de Oakhaven estava decorado com estandartes pesados e luz de tochas, mas o centro das atenções não era a decoração, e sim o comportamento do Rei. Durante toda a recepção, Adrian manteve a mão pousada suavemente na cintura de Selene ou em seu ombro. Ele a apresentava aos lordes com uma cortesia impecável, servindo o vinho dela e inclinando-se para ouvir cada palavra que ela dizia, como se ela fosse a joia mais preciosa e frágil de seu tesouro.

​Selene sentia-se confusa. O homem rígido da noite anterior dera lugar a um protetor zeloso. "É apenas para as aparências", ela pensava, mas o calor da mão dele através do tecido do vestido a fazia questionar tudo.

​Quando a última carruagem partiu e o silêncio finalmente reinou, eles subiram para os aposentos reais. O clima era denso, carregado de uma tensão que não era mais de raiva, mas de algo muito mais visceral.

​No Quarto: O Derretimento do Gelo

​Selene parou diante do grande espelho, as mãos trêmulas enquanto começava a soltar o pesado colar de diamantes. O reflexo mostrava Adrian parado a poucos metros, observando-a. Ele se aproximou lentamente, os passos silenciosos sobre o tapete de pele.

​Ele parou exatamente atrás dela. Suas mãos grandes, que horas antes seguravam o cálice com firmeza real, agora pousavam nos ombros de Selene. Ele afastou o cabelo dela para o lado e começou a depositar beijos lentos e quentes na curva do pescoço, onde a pulsação dela denunciava seu nervosismo.

​— Adrian... — ela sussurrou, fechando os olhos.

​Ele não respondeu com palavras. Virou-a de frente para ele, puxando-a para um abraço que parecia querer fundir seus corpos. O beijo dele foi diferente dos outros: ainda viril e dominante, mas com uma fome que parecia buscar algo além do corpo. Selene, que prometera ser resistência, sentiu suas defesas desmoronarem. Suas mãos subiram para a nuca dele, puxando-o para mais perto, entregando-se ao desejo que aquele homem bruto despertava nela.

​Naquela noite, o "Rei de Ferro" não seguiu protocolos. Ele a possuiu repetidas vezes, com uma urgência que parecia tentar compensar o silêncio dos dias anteriores. Não houve descarte, não houve indiferença. Cada toque era uma conversa sem palavras, uma exploração que deixou Selene exausta e em chamas.

​O Amanhecer: Um Novo Silêncio

​O sol começou a pintar o horizonte de um laranja pálido, iluminando os picos nevados através da janela. Selene estava deitada, a respiração finalmente se acalmando, quando Adrian a puxou para o centro de seu peito nu.

​O braço dele a envolvia com uma força protetora. O silêncio voltou, mas desta vez não era gélido. Era um silêncio de reconhecimento. Selene ouviu o batimento cardíaco dele — lento, constante e forte — sob seu ouvido.

​— Você disse que a solidão aqui era cruel — Adrian falou subitamente, sua voz rouca pelo cansaço e pela noite intensa.

​Selene ergueu o rosto, encontrando o olhar dele. Os olhos de Adrian não eram mais adagas de gelo; havia uma exaustão humana ali, uma vulnerabilidade que ele raramente permitia que escapasse da armadura.

​— E você disse que eu era apenas um contrato — Selene respondeu em voz baixa, traçando com o dedo uma cicatriz no peito dele.

​Adrian fechou os olhos por um momento e apertou o abraço, enterrando o rosto no cabelo dela.

— Oakhaven exige muito de um homem, Selene. O gelo entra nos ossos se você não tomar cuidado. Mas esta noite... — Ele fez uma pausa, respirando o perfume dela. — O frio pareceu ter ficado do lado de fora das portas.

​Selene não disse nada, mas aninhou-se mais profundamente nele. Algo havia mudado. A barreira não fora derrubada por completo, mas uma rachadura profunda havia se formado no ferro. Pela primeira vez desde que chegara ao Norte, ela não se sentiu em uma cela; sentiu que, talvez, houvesse um lugar para ela não apenas no trono, mas no coração do homem que o ocupava.