O Preço da Coroa

13 Adrian sendo cavaleiro


O domingo em Oakhaven parecia ter acordado sob um feitiço diferente. Quando a luz pálida do sol atingiu a cama, Selene não acordou com o som de botas pesadas ou o bater de portas. Em vez disso, ela sentiu o calor de Adrian ainda ao seu lado.

​Antes mesmo de ela abrir os olhos totalmente, sentiu os lábios dele tocarem sua testa e, logo em seguida, sua boca em um beijo suave, mas demorado — algo que ele nunca fizera antes ao amanhecer.

​— Bom dia — ele sussurrou, a voz ainda rouca de sono, mas com uma leveza que pegou Selene de surpresa.

​Ele se levantou com uma energia renovada, começando a se vestir sem a rigidez habitual de quem se prepara para uma batalha. Enquanto abotoava a túnica, ele se virou para ela, que ainda estava enrolada nos lençóis, observando-o com curiosidade.

​— Penelope está em polvorosa lá embaixo — Adrian disse, e havia um brilho quase divertido em seus olhos. — Ela decidiu que, como o dia está excepcionalmente firme e sem neve, faremos um piquenique nos jardins baixos, perto do lago congelado.

​— Um piquenique? — Selene sentou-se na cama, surpresa. — Achei que você tivesse relatórios para ler ou generais para ouvir.

​Adrian deu um curto riso e caminhou até a beira da cama, inclinando-se para acariciar o rosto dela por um segundo.

— Os generais podem esperar até amanhã. Penelope insiste que a nova Rainha precisa ver que Oakhaven tem belezas que não são feitas de pedra e gelo. E, para ser honesto, Cristian me convenceu de que um pouco de ar puro nos fará bem.

​Ele parecia genuinamente animado, uma faceta que Selene ainda não conhecia. O homem que antes falava apenas de "dever" agora falava em aproveitar o dia com a família.

​— Cristian e Penelope já estão mandando as cestas para lá — continuou Adrian. — Maria Benevides preparou aquelas tortas de carne que você gostou no outro dia. Vista algo quente, Selene. O sol está lá fora, mas o vento do Norte não perdoa os distraídos.

​Selene sentiu um sorriso involuntário surgir em seu rosto.

— Você está quase parecendo um homem que gosta de domingos, Adrian Kane.

​— Talvez eu esteja aprendendo — ele respondeu com um meio sorriso desafiador antes de estender a mão para ajudá-la a se levantar. — Vamos. Não queremos deixar minha irmã esperando, ou ela virá até aqui nos arrastar pelos pés.

​Pela primeira vez, o castelo não pareceu tão vasto ou vazio. Enquanto se preparava, Selene percebeu que a "Estrela de Delavga" finalmente estava começando a encontrar seu brilho, mesmo no coração do inverno.