O Preço da Coroa
14 Domingo perfeito
O jardim baixo de Oakhaven estava transformado. Onde antes Selene via apenas a rigidez do inverno, agora via a beleza das árvores cobertas de geada que brilhavam como cristais sob o sol pálido. Toalhas de lã grossa e peles foram estendidas sobre a grama seca, e cestas transbordantes de pães quentes e frutas secas completavam o cenário.
Assim que se acomodaram, Adrian, em um gesto que surpreendeu a todos, sentou-se e puxou Selene com delicadeza para que ela se sentasse à sua frente, entre suas pernas. Ele a envolveu com seus braços, permitindo que ela se encostasse em seu peito sólido, agindo como um escudo contra o vento frio.
— Estão vendo? — Penelope brincou, servindo o chá fumegante. — Eu disse que Oakhaven amoleceria esse coração de ferro. Até as montanhas parecem menos cinzentas hoje.
Adrian soltou um riso baixo, que Selene sentiu vibrar contra suas costas.
— Não se acostume, Penelope. É apenas um domingo.
— Um domingo histórico — Cristian Blake comentou, sorrindo para a esposa. — Mas diga-nos, Rainha Selene, quais lendas de Delavga se comparam às nossas? Aqui, dizem que o lago congelado é o espelho de uma gigante que chora pelo sol.
Selene relaxou contra o peito de Adrian, sentindo-se, pela primeira vez, parte daquela família.
— Em Delavga, acreditamos que as estrelas são faíscas das forjas dos antigos deuses, sopradas para o céu para guiar os amantes. É uma terra de luz e calor.
— Luz e calor são fáceis de amar — Adrian murmurou perto do ouvido dela, a voz suave. — Mas aqui, nossas lendas são sobre sobrevivência. Existe a história do Lobo de Prata, que protege as passagens da montanha. Dizem que ele só se revela para aqueles que têm a coragem de enfrentar o inverno sem medo.
— O Lobo de Prata é o símbolo da nossa linhagem — Penelope explicou. — Existe um costume antigo: quando um casal real se une, eles devem plantar uma muda de pinheiro-de-gelo. Se a árvore sobreviver ao primeiro inverno, o reinado será próspero e o amor, eterno.
Selene olhou para Adrian com curiosidade.
— E nós vamos plantar a nossa?
Adrian apertou os braços ao redor dela, um gesto de carinho possessivo e terno.
— Já mandei Maria separar a muda mais forte. Vamos plantá-la amanhã, nos jardins da torre leste.
— Oakhaven tem costumes rudes, Selene — Cristian acrescentou, com um tom mais sério. — Mas são esses costumes que nos mantêm unidos quando as nevascas isolam o castelo por semanas. Aprendemos a encontrar calor uns nos outros, já que o fogo da lareira nem sempre é suficiente.
— Eu estou começando a entender — Selene disse, virando o rosto levemente para olhar para Adrian. — O ferro é forte, mas ele também protege o que é precioso.
Adrian beijou o topo da cabeça dela, ignorando o olhar cúmplice de Penelope e Cristian.
— Você é preciosa, Selene. E se as lendas de Oakhaven pedem um lobo para proteger a rainha, eu serei esse lobo.
A conversa fluiu entre risos e histórias de antigos reis, e por algumas horas, as coroas foram esquecidas. Ali, envolta no abraço de Adrian e no carinho da nova família, Selene sentiu que o frio do Norte não era mais seu inimigo, mas o cenário de uma nova e inesperada história de amor.
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