O batismo de Eloise deveria ser um momento de glória, mas a atmosfera no Grande Templo de Oakhaven tornou-se gélida no momento em que o Legado do Clero, enviado diretamente para representar os interesses da Igreja e de Roma, deu um passo à frente. Em vez de uma oração de graça, suas palavras saíram carregadas de veneno político.

​— É uma bela criança, Majestade — disse o Bispo, com uma voz seca que ecoou pelas naves de pedra. — No entanto, é meu dever informar que Roma esperava um herdeiro varão para selar a sucessão deste reino. Uma menina é... frágil para os tempos que virão. O Vaticano não está satisfeito com a linhagem atual. Há uma preocupação de que Oakhaven precise de um sangue mais vigoroso na linha sucessória principal.

​O silêncio que se seguiu foi mortal. Selene apertou Eloise contra o peito, sentindo um calafrio que não vinha do inverno. Adrian, que estava ao lado delas com a mão orgulhosamente pousada na espada, sentiu o sangue ferver. A fúria que ele havia domado por meses subiu como uma avalanche.

​A Explosão do Rei

​Adrian deu um passo à frente, e o som de suas botas de ferro contra o mármore soou como um trovão. Ele não apenas olhou para o Bispo; ele o atravessou com o olhar.

​— Roma não está satisfeita? — Adrian rugiu, sua voz reverberando nas paredes e fazendo as chamas das velas vacilarem. — Pois saiba que eu não estou satisfeito com a sua audácia de profanar o batismo da minha filha com a sua política de merda!

​O Bispo recuou, empalidecendo. — Majestade, a tradição exige que...

​— A tradição exige que você abençoe a Princesa de Oakhaven e cale a boca! — Adrian o interrompeu, aproximando-se tanto que o clérigo podia sentir o calor da sua raiva. — Esta criança carrega o sangue de Adrian Kane e a coragem de Selene de Delavga. Ela é a herdeira legítima deste trono por direito de nascimento e por vontade de seu Rei!

​Adrian virou-se para a congregação e para os outros membros do clero, sua presença ocupando todo o templo.

​— Ouçam bem, todos vocês! Se Roma quer um menino para satisfazer seus mapas e suas alianças, que eles mesmos os gerem! Em Oakhaven, quem manda sou eu. E se alguém ousar olhar para a minha filha e ver "fragilidade" em vez de uma Rainha, eu farei questão de mostrar a força do meu aço.

​Ele voltou-se novamente para o Bispo, apontando o dedo para o peito de seda do homem.

​— Se o seu Papa ou os seus superiores têm algum problema com a coroa que Eloise usará um dia, que venham buscar o trono pessoalmente. Mas aviso: terão que passar por cima do meu cadáver e de cada soldado deste Norte que agora jura lealdade a ela.

​O Juramento Final

​Adrian virou as costas para o altar, ignorando os protocolos religiosos. Ele caminhou até Selene, envolveu-a pelo ombro com um braço e, com a outra mão, acariciou o rosto da pequena Eloise, que observava tudo com olhos curiosos e tranquilos.

​— Acabou a cerimônia — declarou Adrian para o salão atônito. — Minha filha não precisa da bênção de homens que só veem utilidade em vez de vida. A bênção dela é o amor de seus pais e a lealdade de seu povo. Fora daqui! Todos vocês que não reconhecem Eloise como a futura soberana deste reino!

​Com a cabeça erguida, Adrian guiou Selene e a bebê para fora do templo, deixando o clero para trás em um silêncio humilhado. Naquele dia, o Rei de Ferro provou que não havia instituição no mundo capaz de dobrar o amor que ele sentia por sua família. Oakhaven tinha uma herdeira, e o mundo teria que aprender a se ajoelhar diante dela.