O Preço da Coroa
21 A traição
A noite em Oakhaven foi um campo de batalha. Quando Adrian entrou no quarto real, o cheiro de vinho e obstinação o acompanhava. Ele tentou reivindicar seu lugar na cama, movido por uma mistura de desejo e posse, mas Selene não era mais a jovem submissa que chegara de Delavga.
— Não me toque! — ela gritou, empurrando-o com as duas mãos contra o peito.
Eles lutaram entre os lençóis de seda e as cobertas de pele. Não era uma dança de amor, mas uma luta de vontades. Selene usava as unhas, os joelhos e toda a sua fúria para mantê-lo afastado, enquanto Adrian tentava contê-la, as respirações de ambos chocando-se no ar frio. Por fim, exausto e humilhado pela rejeição física, ele se soltou.
— Fique com a sua cama fria, então! — ele rosnou, levantando-se e saindo do quarto com as vestes desgrenhadas.
O Confronto do Amanhecer
Na manhã seguinte, o orgulho de Selene deu lugar a uma pontada de remorso e uma necessidade desesperada de resolver aquele impasse. Ela caminhou até a ala oeste, em direção aos aposentos de Adrian. Sem bater, ela abriu a porta, pronta para falar, para gritar ou talvez para tentar um último acordo.
O que viu drenou toda a cor de seu rosto.
O quarto cheirava a álcool barato e perfume forte. Adrian estava jogado na cama, nu, com os lençóis em desalinho. Ao lado dele, uma cortesã de cabelos desgrenhados despertava, olhando para a Rainha com um misto de susto e insolência. Adrian abriu os olhos, a visão turva pela embriaguez, mas não tentou se cobrir.
Selene sentiu um impacto no peito, como se o gelo de Oakhaven tivesse finalmente perfurado seu coração. Ela não gritou. Apenas suspirou fundo, um som quebrado, e fechou a porta lentamente.
O Café da Manhã: O Golpe Final
Minutos depois, Selene estava sentada à mesa. Seus olhos estavam vermelhos, mas ela mantinha a postura. Penelope e Cristian tentavam manter uma conversa trivial, mas o silêncio de Selene era um muro de dor.
Adrian entrou no salão. Ele caminhava com uma arrogância forçada, a ressaca estampada em seu rosto, mas os olhos buscavam ferir. Ele se sentou à cabeceira e serviu-se de vinho em vez de chá.
— Bom dia a todos — disse ele, a voz rouca, olhando diretamente para Selene. — Devo dizer que, apesar do frio, tive uma noite absolutamente maravilhosa. Há mulheres que entendem que o papel de uma companheira é dar prazer, e não problemas.
Penelope engasgou, olhando do irmão para a cunhada em choque. Selene fechou os olhos por um segundo. A traição física era uma coisa, mas o uso daquela mulher para humilhá-la publicamente era o prego final no caixão de sua esperança.
Selene pousou o talher com uma calma assustadora. Ela se levantou devagar, sem derramar uma lágrima na frente dele.
— Espero que as memórias dessa noite o aqueçam quando você estiver verdadeiramente sozinho, Adrian — ela disse, a voz baixa e gélida. — Porque agora, para mim, você não é mais um monstro. Você é apenas... nada.
Ela deu as costas à mesa e saiu do salão. Enquanto caminhava, cada passo parecia matá-la por dentro. Adrian ficou ali, com a taça na mão, vendo-a partir. Ele tentou sentir a vitória da sua vingança, mas o gosto do vinho em sua boca era de cinzas, e o vazio em seu peito agora era um abismo que nenhuma cortesã ou exército poderia preencher.
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