O Preço da liberdade livro 2
5 O Gato e a Laranjeira
O dia seguinte ao baile amanheceu com um frescor de primavera que convidava ao descanso, mas a quietude dos jardins reais era apenas uma fachada. Longe dos olhares da corte e do protocolo rígido que Alexander tanto apreciava, Diana havia trocado o vestido de gala por uma túnica de montaria mais prática, embora ainda estivesse tecnicamente "sumida" dos olhos de seus tutores.
No pomar sul do palácio, a Princesa Diana Kane estava em uma situação pouco digna para uma herdeira de dezoito anos. Pendurada em um galho robusto de uma laranjeira, ela tentava alcançar um pequeno felino cinzento que miava desesperadamente dois metros acima dela.
— Vamos, Napoleão! Você subiu aí sozinho, agora mostre um pouco da coragem de um general! — ela resmungava, esticando o braço enquanto equilibrava um dos pés em um nó na árvore.
Marcos Delavga caminhava pelos jardins, mantendo a postura impecável de um nobre em visita. Ele esperava encontrar o Rei para uma conversa sobre tratados, mas o destino — ou o seu próprio rastreio — o levara até ali. Ele parou a poucos metros, cruzando os braços e observando a cena com uma sobrancelha erguida e um sorriso genuinamente divertido dançando nos lábios.
— Se me permite a observação, Alteza, creio que o "General" está mais interessado na vista do que na sua estratégia de resgate — a voz de Marcos ecoou, profunda e melodiosa.
Diana deu um sobressalto, quase perdendo o equilíbrio. Ela olhou para baixo, encontrando o homem do baile. O Conde Marcos. Ele parecia ainda mais atraente sob a luz do sol, sem o peso das joias formais.
— Conde Delavga! — ela disse, recuperando a compostura enquanto se agarrava ao tronco. — O senhor não deveria estar discutindo impostos de importação com meu irmão no escritório?
— Impostos são necessários, mas ver uma princesa desafiar as leis da gravidade é muito mais instrutivo — ele riu, uma risada baixa que fez Diana arquear as sobrancelhas. — Permita-me.
Com a agilidade de quem claramente não passara a vida apenas em salões de baile, Marcos aproximou-se da árvore. Ele não subiu; em vez disso, usou sua altura e um impulso preciso em um galho baixo para alcançar o gatinho com facilidade. Napoleão, reconhecendo um salvador silencioso, aninhou-se imediatamente no braço do Conde.
Marcos desceu com leveza e estendeu a mão livre para ajudar Diana a descer. Ela aceitou, sentindo a firmeza da mão dele — uma mão que não era tão macia quanto a de um nobre comum. Havia calos ali, marcas de quem sabia manejar uma espada.
— Aqui está o seu fugitivo — ele disse, entregando o bichano para ela.
Diana pegou o gato, mas seus olhos permaneceram fixos nos de Marcos.
— Obrigada, Conde. Ele tem o hábito de testar a paciência da guarda real... e a minha.
Marcos começou a alisar o pescoço do gato enquanto Diana o segurava. O toque de seus dedos roçava levemente nas mãos dela, uma eletricidade sutil que nenhum dos dois admitiria.
— Gatos são criaturas independentes, Alteza. Eles não reconhecem coroas, apenas a bondade de quem os alimenta — Marcos falou, sua voz suave, quase hipnótica. — Uma qualidade que, suspeito, o animal aprendeu com a dona.
Diana sorriu, aquele sorriso travesso que Adrian tanto temia e Mellyssa tanto tentava polir.
— O senhor fala como alguém que entende de independência. Ou de fugas.
— Entendo de ambas, Princesa — ele respondeu, fazendo uma reverência cordial. — Mas, no seu caso, espero que suas fugas sempre terminem em jardins tão belos quanto este.
Diana sentiu o rosto esquentar levemente — algo raro para a garota que enfrentava generais. Marcos a olhou por mais um segundo, um olhar que misturava a ternura de um pretendente com a frieza de um caçador que acaba de localizar sua presa.
— O dever me chama, infelizmente — disse ele. — Mas espero que Napoleão aprecie a terra firme. E que a Princesa não precise de mais resgates hoje... a menos que ela deseje ser resgatada.
Ele se afastou, deixando Diana parada sob a laranjeira, segurando o gato contra o peito. Ela o observou caminhar com elegância de volta ao palácio, sentindo que, pela primeira vez em dezoito anos, encontrara alguém que não a olhava apenas como uma peça no tabuleiro de Aethelgard.
Mal sabia ela que, enquanto Marcos sorria para as flores no caminho, ele estava limpando mentalmente o toque dela de seus dedos, tentando lembrar a si mesmo que ela era a filha do homem que o deixara passar fome no exílio. Mas o cheiro de laranjas e a risada de Diana agora estavam impregnados em sua memória, tornando o plano de vingança muito mais complicado do que Giulia jamais imaginara.
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