O Preço da Coroa
11 Provocando
O clima no castelo estava gélido, e não era por causa da neve que começava a cair lá fora. Selene passou o dia inteiro mergulhada em tarefas: revisou as contas da cozinha com a Senhora Maria, percorreu a biblioteca com Cristian e passou horas discutindo bordados e tradições nortenhas com Penelope. Tudo para garantir que, quando Adrian cruzasse os corredores, ela estivesse em qualquer lugar onde ele não estivesse.
Ao cair da noite, em vez de se dirigir aos aposentos reais, Selene deu uma ordem clara a Lorena: levar seus pertences para um dos quartos de hóspedes na ala leste, uma torre menor e mais isolada.
Adrian estava em seu gabinete quando Maria Benevides entrou, hesitante.
— Majestade... a Rainha Selene pediu para avisar que já se recolheu. No quarto da torre leste.
Adrian travou a pena sobre o pergaminho. O silêncio que se seguiu foi cortante. Sem dizer uma palavra, ele se levantou, a capa farfalhando como um presságio, e caminhou em direção à ala leste. Seus passos ecoavam pelo corredor vazio, rápidos e pesados.
Ele não bateu. Abriu a porta da torre com um estrondo que fez Selene pular da cama, onde tentava ler à luz de uma única vela.
— O que significa isso? — Adrian perguntou, permanecendo na soleira da porta, a silhueta imponente bloqueando a saída.
Selene fechou o livro com calma, embora suas mãos tremessem sob o lençol.
— Significa que este quarto é mais adequado ao meu humor hoje, Adrian. Ele é frio e silencioso. Achei que você apreciaria, já que são as qualidades que você mais valoriza.
Adrian caminhou até o pé da cama, os olhos faiscando de uma raiva contida.
— Você é a Rainha de Oakhaven. O seu lugar é nos aposentos reais, ao lado do seu Rei. Não permitirei que transforme meu castelo em um cenário para suas rebeldias de criança.
— E eu não permitirei que você me trate como um objeto de conveniência! — Selene rebateu, levantando-se e ficando de pé sobre a cama para encará-lo na mesma altura. — Você disse que cumpre seu dever, não disse? Pois bem, eu cumpri o meu. Dei a você o que o contrato exigia. Agora, no meu tempo livre, escolho não ser ignorada por um homem que não tem a decência de me tratar como um ser humano.
Adrian deu um passo à frente, invadindo o espaço dela. A proximidade era elétrica.
— Você acha que ficar trancada aqui vai mudar as coisas? Acha que o mundo vai parar de girar porque você decidiu dormir em uma cama de solteira?
— Não — Selene sussurrou, o rosto a centímetros do dele. — Mas pelo menos aqui eu não preciso esperar por um carinho que nunca vem. Aqui, a solidão é honesta. No seu quarto, ela é cruel.
Adrian a observou por um longo tempo. Ele viu a mágoa profunda escondida atrás da fúria nos olhos dela. Por um momento, ele pareceu prestes a dizer algo — talvez algo que não fosse sobre deveres ou contratos — mas sua mandíbula se contraiu e ele recuperou a máscara de ferro.
— Amanhã temos uma recepção para os senhores das montanhas — ele disse, a voz baixa e perigosa. — Você estará ao meu lado, vestida como a Rainha que eu comprei para este reino. E quando a festa acabar, você voltará para o nosso quarto. Por bem... ou por minhas próprias mãos.
Ele se virou e saiu, batendo a porta com tanta força que o quadro na parede estremeceu. Selene caiu sentada na cama, o coração disparado. Ela havia provocado o Rei de Ferro, e o fogo que vira nos olhos dele indicava que a noite seguinte seria tudo, menos silenciosa.
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