O Preço da Coroa
31 Eloise
O inverno estava em seu ápice, e uma nevasca histórica rugia lá fora, mas dentro das paredes de pedra de Oakhaven, o clima era de uma tensão febril. Adrian, o homem que já enfrentara exércitos sem piscar, agora caminhava de um lado para o outro no corredor, as mãos trêmulas e o rosto pálido.
Os gritos de Selene ecoavam pela porta pesada de carvalho, e cada um deles parecia rasgar o peito de Adrian com mais força do que qualquer lâmina.
— Eu preciso entrar! — ele rugia para a governanta Maria Benevides, que barrava a porta com uma autoridade que só anos de serviço permitiam.
— O senhor só vai atrapalhar, Majestade! Deixe o médico e as parteiras trabalharem. Reze para os antigos deuses do Norte, pois é disso que ela precisa agora.
Adrian não rezou; ele implorou ao universo. Horas se passaram, marcadas pelas batidas pesadas de seu coração, até que, subitamente, um silêncio absoluto caiu sobre o quarto. Adrian parou de respirar. E então, o som mais magnífico que ele já ouvira rompeu a quietude: um choro agudo, forte e cheio de vida.
O Primeiro Encontro
Quando a porta finalmente se abriu, Adrian entrou tropeçando nos próprios pés. O quarto estava quente, com cheiro de ervas e fogo. Selene estava exausta, os cabelos úmidos de suor grudados na testa, mas seus olhos brilhavam com uma luz vitoriosa. Em seus braços, envolta em lã branca e rendas de Delavga, estava uma pequena criatura.
Adrian aproximou-se da cama como se estivesse pisando em solo sagrado. Ele se ajoelhou e, com dedos trêmulos, afastou a borda da manta.
— Ela é... perfeita — ele sussurrou, a voz quebrada pelo choro que ele não conseguia mais conter.
A bebê tinha a pele alva como a neve de Oakhaven, mas quando abriu os olhinhos por um breve segundo, Adrian viu o brilho da vida que emanava de Selene.
— Qual será o nome dela? — perguntou Selene, a voz fraca, mas carregada de amor.
Adrian olhou para a filha e depois para a esposa, que quase perdera para o seu próprio ego meses atrás.
— Eloise — ele disse, com uma certeza absoluta. — Significa "saudável" e "guerreira". Ela será a luz que nunca deixará o gelo voltar para esta casa.
O Juramento do Rei
Adrian pegou a pequena Eloise nos braços pela primeira vez. Ela era tão pequena que cabia inteira em seu antebraço musculoso. Ele sentiu o calor daquele pequeno corpo e, naquele momento, o Rei de Ferro terminou de se desintegrar, dando lugar apenas ao pai.
Ele se sentou na beira da cama, envolvendo Selene e a bebê em um único abraço protetor.
— Olhe para ela, Selene — Adrian murmurou, beijando a testa da esposa e depois a bochecha da filha. — Ela tem a sua força.
— E terá a sua proteção — Selene completou, encostando a cabeça no ombro dele.
Adrian olhou para a janela, onde a neve continuava a cair, mas agora ele não sentia frio. Ele olhou para Eloise, que dormia tranquilamente, alheia ao fato de que acabara de herdar um reino.
— Eu juro, minha pequena Eloise — ele sussurrou perto do ouvido da bebê —, que você crescerá em um mundo onde o amor não é um contrato, mas a única lei. Seu pai vai construir um jardim eterno para você, mesmo que o resto do mundo insista em ser inverno.
Naquela noite, as tochas de Oakhaven foram acesas em todas as torres para anunciar ao povo o nascimento da princesa. Mas para Adrian e Selene, o maior brilho não vinha do fogo, mas daquela pequena vida que agora descansava entre eles, selando para sempre o destino da família que o amor, contra todas as probabilidades, conseguira construir.
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