O Poder Das Gémeas
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Este mostra as perdas na guerra.
Boa leitura!
Capítulo 19
Elle entrou no quarto juntamente com Laura. Tinham tido uma reunião de quase duas horas e estavam exaustas. Pelo menos, todos eles já conseguiam esconder os seus pensamentos, uns melhores que outros, mas era suficiente para eles que eram slytherins. Já tinham treinado alguns feitiços básicos de ataque e de defesa e Laura até tinha um corte provocado por isso. Mas isso não a desmotivava, era natural até. Elle tirou uma poção da gaveta e meteu-lhe para cima da ferida que sarou imediatamente.
- Temos que levar isso para as reuniões! – Laura exclamou com um sorriso.
Estava ofegante. Na verdade, elas as duas tinham sido as últimas a sair e quase que tinham sido apanhadas ao pé da sala. O que lhes valeu foi terem sangue frio suficiente para entrar numa outra sala. Quando se aperceberam que o momento de perigo já tinha passado, tinham ido para a sua casa.
- Eu estou ótima! – Elle queria ter gritado a última palavra. – Nunca estive com tanta força na minha vida. Estou bem, sinto-me ótima!
- Eu também. Posso estar exausta, mas eu não sabia que tinha tanta garra.
Elle e Laura ficaram em silêncio. Aquelas palavras resumiam todo o grupo. Por mais coisas que dissessem, por mais que vangloriassem as suas origens e o seu sangue, aqueles slytherins, com quem elas agora conviviam quase todos os dias, e elas próprias, tomavam agora conhecimento da inúmera força e coragem que tinham escondido dentro de si, até deles próprios. Era como se só agora despertassem para o mundo e percebessem o que estavam a fazer ali, naquele castelo. Todos do grupo estavam cientes da responsabilidade que acarretava ter o futuro do mundo nas mãos. Quer quisessem quer não, o futuro do mundo inteiro, muggle e feiticeiro, estavam nas mãos dos feiticeiros, e eles também faziam parte desse grupo. Não podiam ser passivos e verem a locomotiva a passar. Eles tinham que lutar pelo futuro, pelas gerações vindouras. Sim, sofriam com a guerra, tal e qual como todos os outros, mas até aquele grupo se reunir na Sala Escondida, não lutavam como todos à sua volta faziam. Portanto, sim, só agora, naquela situação tão difíci, é que percebiam que tinham muita garra para mostrar, à sua maneira, discretamente, esperando pelo momento certo, mas tinham-na e isso era o mais importante.
Laura abraçou a amiga. Elle correspondeu ao abraço na mesma intensidade. Elas estavam juntas naquilo, assim como Irina, por mais que ela dissesse que o mérito era todo delas, Elle sabia que não era bem assim. Quando elas tomaram a decisão de vir para Hogwarts, Elle teve medo do futuro. Sabia que não iria ser fácil. E se não fosse Irina, se não soubesse que a amiga a iria acompanhar, Elle nunca teria vencido esse medo. Sim, ela tinha dito que elas iam e que tudo ia correr bem, mas tremera quando dissera.
Quando, no dia seguinte, o grupo se voltou a reunir na Sala escondida, Elle e Laura estavam mais confiantes do que no princípio. Queriam poder fazer mais alguma coisa, mas elas faziam o que podiam.
Nessa reunião, treinaram os feitiços Expelliarmus, Atordoar e Protego. Queriam equilibrar a balança entre feitiços de ataque e de defesa.
- Derina, o que é que se passa? – Elle perguntou vendo a colega do quinto ano distraí virou-se, a sua cara transmitia uma profunda tristeza. – Derina… — Os colegas já tinham parado de praticar.
- A minha prima foi assassinada. – Elle pegou nas mãos de Derina. – Ela tinha vinte anos. Era tão nova. Ela andou cá, sabem? – Ela perguntou para eles.
- Eu lembro-me. Era a Mafalda Ferdile. Vocês são primas por parte do teu tio. Ela andava nos Ravenclaw. Casou com… — Elle olhou Denny, que tinha falado.
- Com um nascido muggle. – Elle completou percebendo. – Ela estava a fugir com ele, não estava? – Derina acenou positivamente com a cabeça.
- Sim, a minha família tinha-a apagado da árvore genealógica, mas eu visitava-a nas férias, sem ninguém saber. Sempre gostei dela. – Derina esforçava-se para não chorar.
- Derina, tu estás entre amigos. Ninguém vai gozar contigo por chorares a morte de alguém que te era tão querido. – Derina abraçou-se a ela chorando de uma forma controlada.
- Elle, eu fui visitá-la nestas férias. Ela disse-me que ninguém podia saber onde o Liam estava, que ela só ia ter com ele no princípio do ano. E eles morreram o dois. E ela… — Derina olhou para o grupo recomposta. – Ela estava grávida, de quatro meses. – O grupo entreolhou-se. – Ela tinha uma vida a crescer dentro de si. – Derina voltou a chorar abraçada a Elle e a Laura que se tinha aproximado.
- Vais ver, Derina. Eles vão-se arrepender disso. – Disse Rodil. – Agora, vamos treinar ainda mais, com uma motivação ainda maior.
- Sim. – Os outros gritaram com força. Derina deu um meio sorriso.
- Tens que levantar a cabeça, treinar e no fim, lutar pela tua prima e por ti. – Disse Denny. – Vamos a isto? – Derina olhou-o seriamente.
- Vamos. – Eles continuaram a praticar. Aquela reunião teria duas horas. Elle e Laura caminhavam entre os amigos a tentar ajudar o máximo que conseguiam. A história de Derina tinha mexido com todos e Elle não conseguia deixar de pensar nisso.
Como podiam matar assim uma pessoa, sem se importarem que carregava um filho? Ela sabia do que Voldemort era capaz, ele tinha tentado matar um bebé de um ano. Não seria muito mais difícil matar uma mulher grávida. Mas não tinha sido ele, tinham sido os seus seguidores. Será que quem matara Mafalda se apercebera antes que ela estava grávida? Quatro meses podia-se já notar, mas também podia ser que não desse para se aperceber. Mas será que era por Mafalda estar grávida que aquilo era tão horrendo? Tornava a sua morte pior, mas de si só, o seu assassínio já tinha sido cruel. Uma jovem na flor da idade, com uma vida toda pela frente, uma pessoa com sentimentos. Era terrível. Faltavam dez minutos para as duas horas se completarem.
- Por hoje, acabou o treino. – Elle disse e todos pararam.
- Mas ainda faltam dez minutos. – Reclamou Gerda. Os outros apoiaram a sua afirmação. Elle sorriu com aquela vontade de quererem continuar.
- Sim, eu sei. Mas agora, vamos sentar-nos e apoiar a Derina, e ouvir as suas palavras acerca da prima, a Mafalda, que morreu juntamente com o Liam, o seu marido e de quem ela esperava um filho. – Elle disse fazendo-os sentarem com Derina no meio. Todos a apoiavam com os seus semblantes carregados.
- A Mafalda era muito boa pessoa. Apaixonou-se pelo Liam, logo no primeiro ano. Eles começaram a namorar no terceiro, às escondidas. E nunca mais se largaram. Quando eu cá cheguei, ela ajudou-me bastante e disse-me que podia ir sempre ter com ela. – Pela face de Derina corriam lágrimas silenciosas de sofrimento. – Quando ela disse que se ia casar com o Liam, foi horrível, a família toda contra, mas eu nunca perdi o contacto com ela. Sempre gostei muito dela e do Liam. Ela agora estava grávida, e se não fosse isto tudo à nossa volta, ela estaria no máximo da felicidade. Só que havia a guerra.
- Derina, nós vamos lutar e fazer com que não haja mais nada a atormentar a vida das pessoas. – Disse Denny que a abraçou.
- Sim, e depois vamos erguer as nossas varinhas orgulhosamente. – Disse Elle com um sorriso de força.
- Ela gostava de ajudar e de ler. Era fã de livros a que nós chamamos calhamaços. – Todos riram. – E sempre quis o bem da família, apesar de ter sido rejeitada. Ela percebia que tinham sido longos anos de tradição a dizer que os nascidos muggles, sangues de lama, estavam abaixo de cão. Não se ia mudar assim, de um dia para o outro. Ela tinha um brilho nos olhos quando falava das pessoas que lutavam para que houvesse igualdade. Desejava poder fazer alguma coisa e ela fazia. Escrevia muitos artigos quando era jovem sobre isso mesmo, mas tinha que ser sob um outro nome, por causa das nossas famílias.
- Então, vamos fazer um minuto de silêncio por ela, pelo Liam, pelo bebé que ela carregava, e por todas as pessoas que morreram até hoje por causa disto que nos atormenta. – Disse Elle estendendo os braços começando a unir as mãos. Formaram assim um cordão humano e colocaram-se em silêncio. Aquele minuto prolongou-se até ao último segundo em que tinham aquela reunião e só não se prolongou mais porque não podiam dar nas vistas.
Notas finais
Kiss and go,
brunadanih e CR
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