O Poder Das Gémeas
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Capítulo 20
Irina bateu à porta quase inaudivelmente, sendo atendida imediatamente por Dumbledore, que lhe sorriu. Estavam na terceira semana de Janeiro, mas Irina sentia que já conhecia o homem há bastante tempo, talvez por ele lhe ter contado quase toda a sua vida.
– Irina, senta-te, quero falar contigo! – Ele disse, Irina assim fez, mas a sua cara mostrava preocupação.
– O que se passa, Dumbledore?
– Nada de preocupante. Queria dizer-te somente que estás a progredir muito rapidamente. Acredito realmente que brevemente conseguirás transformar-te num animal. – Dumbledore falou, sentando-se ao seu lado e deixando Irina aliviada. – Como está tudo a correr?
– O E.D. está a progredir bastante. É claro que há más notícias de lá de fora, mas isso é só mais uma força para nós. – Irina respondeu. – Já estamos a aprender feitiços não verbais, mas isso não está a correr tão bem.
– Claro, os Gryffindors sempre tiveram mais dificuldade nesses feitiços, mas os outros devem estar a ajudar-vos. – Irina confirmou as suspeitas de Dumbledore ao acenar afirmativamente com a cabeça.
– Mas é difícil, somos tantos que é difícil escondermo-nos, manter as reuniões em segredo. Há membros de todas as equipas, Dumbledore, menos de Slytherin… — Irina disse. – Por isso os Carrow já estão desconfiados. Quanto a isso, ainda bem que o professor Snape existe, porque, se não fosse ele, tudo seria pior.
– Quanto a isso, Irina? – Dumbledore repreendeu-a com o olhar.
– Desculpe, é evidente que estou feliz por termos do nosso lado alguém como ele. – Irina pediu desculpa. – Eu não quero mostrar o contrário, é só…
– Eu sei que o Severus pode não ser, à primeira vista, uma pessoa muito agradável…
– Sim, à primeira, à segunda, à terceira… — Irina contava com os dedos as vezes em que vira o Mestre de Poções. Dumbledore revirou os olhos cansado.
– De qualquer maneira – continuou ele. – O Severus está a tentar não te pré-julgar…
– A sério? – Irina surpreendeu-se. – Ele é muito bom a esconder as coisas, a mim parece que ele está a fazer exatamente o contrário.
– E, por isso, agradecia que fizesses o mesmo. – Dumbledore terminou, ignorando-a.
– Desculpe lá, Dumbledore, mas eu acho que ele é que não está a fazer nenhum esforço para me conhecer minimamente, a culpa não é minha. – Irina defendeu-se.
– Estás a ser injusta com o Severus, Irina, sabes o seu esforço para não ser descoberto pelo Quem-Nós-Sabemos…
– Eu sei, Dumbledore, é por isso mesmo que eu tento não me dar mal com ele, mas ele simplesmente não se importa, caso contrário, não estaria sempre a insultar-me. Só o vi duas vezes nesta sala e em ambas ele me insultou. – Irina replicou na defensiva, levantando-se. – Eu tenho-me esforçado, Dumbledore, talvez não devesse estar a ter esta conversa comigo, mas sim com ele. Porque me parece, Dumbledore, que ele não percebeu ainda que eu estou aqui apenas para ajudar no que for preciso.
– Irina… — Dumbledore levantou-se também. – Tu não percebes…
– Percebo perfeitamente, Dumbledore. O senhor vê-o como a um filho e eu tenho a certeza que o Snape é uma pessoa muito boa, mas fechada. Só que eu não vejo através de máscaras de frieza, Dumbledore, ainda não tenho essa capacidade. Perdoe-me o facto de não ser tão brilhante como o senhor, que nunca duvidou de que ele está do nosso lado. – Irina falou rapidamente, não muito alto, não queria perder o controlo.
– Boa noite. – Snape cumprimentou, abrindo a porta e fazendo-os olhá-lo.
– Boa noite. – Cumprimentaram eles de volta. Irina sentou-se no sofá calmamente. Dumbledore foi beber um pouco de Wisky de fogo.
– Hoje não há sessão de Animagia? – Perguntou ele a Dumbledore, acompanhando-o na bebida.
– Não sei. De acordo com a disposição da Irina. – Ele respondeu simplesmente.
– A parte dolorosa já começou? – Snape perguntou com um sorriso, Irina abanou a cabeça irritada, mas nada disse.
– A parte mais difícil já começou. – Dumbledore respondeu. – Aliás, o processo está quase no final. A Irina parece-me muito entusiasmada, deve ter sido por isso que evoluiu tão rapidamente. Normalmente, passam-se meses ou mesmo anos até que um feiticeiro se consiga transformar pela primeira vez.
– Então parece que a força de vontade de Miss Saint-Claire é genuína. – Irina olhou Snape com a sobrancelha erguida desconfiadamente, ele estava a elogiá-la? – Pena é que não passe de força de vontade.
– Claro! – Irina virou-se para eles. – Só mesmo o senhor para ter a capacidade de transformar um elogio num insulto. – Snape sorriu desdenhosamente. – Eu estou a ter progressos, não ouviu o Dumbledore? Eu estou quase no final. Eu brevemente… — Snape interrompeu-a:
– O Albus está muito cansado hoje, Miss Saint-Claire, ele teve um dia particularmente difícil. – Irina olhou para o velho homem que parecia um pouco em baixo e sentiu-se culpada, tinha-o tratado um pouco mal. – O que me diz de fazer uma pausa na Animagia?
– Não vejo por que não. – Irina respondeu, levantando-se. – Eu vou-me embora então.
– Irina… — Dumbledore disse, fazendo-a voltar-se para ele. – Volta amanhã para continuarmos.
– Claro. – Irina assegurou com um sorriso agradável e saindo da sala.
– Sabes, Albus, eu não acho muito saudável vocês terem conflitos por causa de mim. – Snape sentou-se na cadeira da mesa de xadrez. – É óbvio que ela não gosta de mim, mas ela precisa apenas de gostar de ti para te ajudar.
– Tu podes não pensar como eu, mas a Irina pode fazer muito mais do que somente ajudar-me. Ela é uma pessoa espetacular e está disposta a tudo pelo mundo em que vivemos. – Dumbledore sentou-se em frente a ele, começando a jogar. – Tu podias dar o braço a torcer.
– Albus, não achas que isso é pedir demasiado? – Snape perguntou retoricamente. – Por mim, ela nunca te teria descoberto, eu já disse e volto a dizê-lo: ela é um risco para a nossa missão. Tudo bem, eu admito que ela me surpreendeu com os seus progressos, mas, por favor, isso não prova nada. Ela é muito nova para saber em condições o que fazer.
– Estás enganado. – Insistiu Dumbledore, suspirando.
– Ai, como queiras, Albus, agora vê se estás atento ao jogo. – Snape murmurou, voltando os olhos para as peças de xadrez.
Irina entrou na Sala Comum calmamente, mas foi logo interpelada por Ginny e Neville.
– Onde é que te enfiaste? – Perguntou a ruiva.
– Estive a dar uma volta para tentar perceber a rota dos Carrow para as próximas reuniões quando tivermos de os contornar, eles podem variar. – Irina respondeu imediatamente.
– Bom, era precisamente da próxima reunião que te queríamos falar. – Neville disse, levando-a para o sofá. – Eu e a Ginny estávamos a pensar que era melhor treinarmos o feitiço de Atordoar e o Incendium.
– É uma boa ideia, juntos os feitiços podem ser poderosíssimos. – Irina concordou. – Ok.
– Ah, ainda bem que concordas. É que nós queríamos que fosses tu a ensinar o Incendium, uma vez que és a que o sabe fazer melhor.
– Contem comigo. – Ela sorriu. – E o Atordoar? És tu, Ginny?
– Sim, eu aprendi-o muito bem no quarto ano com o Harry e sou perita. – Ginny sorriu.
– Acham que vocês me podem falar um pouco do Harry, do Ron e da Hermione? – Perguntou Irina, mordendo o lábio inferior. Eles olharam-na seriamente.
– Claro que sim. – Neville respondeu, aproximando-se mais dela no sofá e abraçando-a para si. – O Harry é uma das melhores pessoas que conheço. Ele é tão altruísta. A Hermione é uma das mulheres mais inteligentes do mundo. E o Ron… O Ron é leal, sabes? Ele é capaz de tudo pelos amigos. Juntos são invenciveis, eu acho.
– Sim… — Ginny sorriu. – Eu não faço ideia de onde eles estão neste momento, mas eu espero realmente que eles cumpram a missão que o Dumbledore deu ao Harry. Juntos vão conseguir.
– Eu acho que nós também os vamos ajudar, mais cedo ou mais tarde. – Neville completou, olhando-a. – Muitos dos estudantes de Hogwarts querem pôr fim a este terror e vão ajudar o Harry direta ou indiretamente. Se não fossem os Slytherin, que seguem os ideias do Quem Nós Sabemos, acho que Hogwarts podia ser considerada uma fortaleza dentro de uma filial dos Devoradores da Morte.
– Vocês não pensam que alguns dos Slytherins queiram que o Bem vença?
– É impossível, Irina! – Neville olhou-a. – Convivi com eles durante seis anos, sei como são mesquinhos, como proclamam o sangue puro das suas famílias, como rebaixam todos os outros, como sempre quiseram submeter os muggles à sua vontade…
– O teu tom é de desprezo, Neville. – Irina falou, apertando-lhe a mão direita. – Mas tu acreditas que todos eles são verdadeiramente assim? E podem haver famílias de sangue puro que se orgulham do seu sangue, mas que estão contra os ideais do Quem Nós Sabemos. A minha família, por exemplo…
– Tu és diferente, Irina! – Neville sorriu, afagando-lhe a cara. – Tens bondade no teu coração, buscas o lado bom das pessoas. Eu gosto disso, mas os Slytherin são traiçoeiros como serpentes.
– Isso parece-me uma frase feita. Na tua opinião, todos os Slytherin são iguais. Mas porquê? Nós sabemos que nem todos os Gryffindor querem que o Bem vença!
– A Irina tem razão, Neville. – Ginny falou. – Pode muito bem haver membros de Slytherin que queiram o triunfo do Bem. Mas eles escondem-no, é perfeitamente possível. E eu acredito que seja verdade.
– Eu acho difícil, mas brevemente saberemos, quando a Guerra chegar diretamente a Hogwarts. – Neville afirmou em tom sentencioso, pondo termo à conversa.
***D***M***D***M***
– Elle, Elle, acorda. – Laura abanava a amiga. – Ouve-me, eu tenho a certeza que tu estás exausta, mas nós temos que ir. Não podemos dar nas vistas. – Ela disse enquanto Elle se levantava e vestia-se à pressa. – Temos cinco minutos. – Elle perfumou-se e penteou o cabelo. – Não, não parece que acabaste de acordar. Vamos. Eu sei que é Domingo mas todos os atrasos são suspeitos. – Laura disse antes de sairem do quarto.
– Bom, sim, já percebi que adormeci. – Elle disse baixo enquanto caminhavam com os colegas para o Salão Principal.
Entrando no Salão Principal, Elle olhou para Irina que conversava com Neville e Ginny. Vendo essa cena, sorriu interiormente, gostava daquela amizade.
– Eu tenho um livro sobre feitiços de ataque que requisitei na Biblioteca. Como alguns dos feitiços fazem parte do programa não levantei suspeitas. – Elle disse. – Vou estudá-lo para ver mais alguns feitiços para praticarmos. – Laura acenou com a cabeça. Gostava de poder ter a cabeça ocupada com aquilo. De outra maneira, estaria apenas a pensar no perigo que as pessoas à sua volta corriam, e agora, apesar de pensar nisso, pensava no grupo.
No fim do pequeno-almoço, Elle foi dar uma volta. Laura ia falar com algumas pessoas sobre o grupo e ela ia estudar alguns feitiços que muito provavelmente, ela nunca ouvira falar.
– Olá, Rouchouse. – Elle parou ouvindo Malfoy ao seu ouvido. Num movimento rápido virou-se com a varinha em riste e empurrou-o. – Foi uma boa reacção. Mas eu não sou teu inimigo, Rouchouse.
– Sim, agora percebo porque as pessoas dizem para não aparecer ao pé de alguém sem ser ouvido, a não ser que seja alguém a quem queremos assustar. – Malfoy sorriu olhando para a varinha de Elle.
– Que feitiço tencionavas lançar-me? – Ele perguntou curioso. Elle baixou a varinha encolhendo os ombros.
– Um simples Atordoar. – Malfoy abanou a cabeça. – Era simples, rápido e, possivelmente, eficaz.
– Talvez, como eu não esperava que me atacasses. – Ele disse olhando para o livro que ela trazia na mão. – Ias estudar?
–Sim, estão aqui alguns feitiços que precisamos de saber e este livro foi recomendado. – Elle explicou observando Malfoy a encostar-se ao parapeito de uma janela. Lá fora, chovia. As nuvens impediam que se visse o sol e estava frio.
– Sabes que nunca ninguém lê os livros que os professores recomendam sem ser o da discilplina, a não ser os alunos mesmo aplicados.
– Pois, mas eu sou feita de outra matéria. Eu fui ensinada a estudar o máximo possível, em Pathellons. E eu gosto de estudar. – Elle disse virando-se para se ir embora.
– Vais deixar-me aqui a falar sozinho? – Malfoy perguntou.
– Se quiseres, podes vir. – Elle entrou numa sala e Malfoy foi atrás. Não estava com nenhuma vontade de estar com ele, mas não podia dar nas vistas. – Queres estudar também?
– Pode ser. – Ele respondeu encostando-se na cadeira em que estava para a observar enquanto ela lia o livro. Uma hora depois, Malfoy, que tinha estado a escrever um trabalho de Poções, meteu tudo para o lado. – Já não estás cansada de tanto ler?
– Sinceramente, não. – Ela retorquiu. – Se quiseres, podes falar, mas eu estou a estudar e, quando eu estudo… — Elle ia virar a página mas Malfoy agarrou-lhe na mão.
– Estás a dispensar-me? – Ele perguntou quando ela olhou finalmente para si. Elle sorriu com aquela afirmação.
– Não, se quiseres, posso falar contigo. – Ela fechou o livro à espera que Malfoy largasse a sua mão. – Não tens nada para fazer?
– Já estive a fazer o trabalho de Poções. – Ele respondeu olhando para a folha de papiro. – Eu quero saber uma coisa, Rouchouse, já não falo contigo há três semanas. – Elle lembrou-se da última conversa que tinham tido, na carruagem, depois do encontro com Voldemort. – Não achas que as pessoas te estão a aceitar melhor?
– Acho. – Ela respondeu. – Acho que já perceberam que estou no mesmo lado que o deles, que o da nossa equipa. Finalmente, já não era sem tempo. Julgaram-me muito mal, mas eu percebo.
– Então, estás a adaptar-te… — Elle encolheu os ombros sem responder à pergunta. – Muito bem. Então, diz-me, estás com saudades de… — Ele fechou os olhos. De certeza que se tentava lembrar do que lera sobre ela. – De… Sei muito pouco de ti. – Elle ficou estupefacta com aquilo. Será que a sua família era assim tão discreta? – Estás com saudades de jogar quidditch? Qual é que é mesmo a tua posição? És seeker, não és?
– Era. – Ela respondeu triste.
– Não digas isso. Se tens a alma de um seeker, se gostas realmente de jogar, ainda és seeker. Podes não jogar no momento, mas continuas a sê-lo. – Elle guardou o livro. – É tal e qual como seres francesa. Tu estás em Hogwarts mas continuas a ser francesa. Não é por estares no estrangeiro que deixas de ser francesa. – Eles riram com o exemplo. – É um exemplo um bocado ridículo, eu sei, mas…
– Mas que mostra bem o que queres dizer. – Elle disse completando a afirmação. – Sim, tens razão. Deixar de ser francesa… Onde é que já se viu?... – Eles riram mais uma vez.
– Sim, então e a tua família, o que é que pensa disto tudo, de estares tão fora do seu alcance? – Ele perguntou. Elle não queria falar da sua família com ele. Tinha medo que o modo como falaria a denunciasse. E tinha a certeza que Malfoy estava a espiá-la para lhe perguntar tal coisa.
– Eles têm saudades, mas sempre tiveram enquanto estava em Pahtellons. – Elle disse pensando nos pais e no irmão, que se preocupavam a todo o momento com ela.
– A família é algo espetacular, não é? – Ele perguntou analisando-a. Elle também o fazia, sempre o iria fazer.
– Sim, o nosso maior apoio, sem dúvida. – Ela respondeu no mesmo tom que o seu interrogador.
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