Notas iniciais
Oi oi oi, estamos de volta!

Boa leitura!

Capítulo 18

- Olá, Irina. – Dumbledore abriu a porta preocupado. – Eu pensei que já não viesses mais.

- É claro que eu vinha, Dumbledore. Eu apenas faltei ontem e antes de ontem, porque não consegui vir. – Irina abraçou o velho homem. – Não é necessário preocupar-se tanto.

- Mas… É que eu pensei… Eu pensei…

- Por favor, Dumbledore, dê-me algum crédito, eu não ia embora só por o Snape não acreditar em mim e fazer uns insultozinhos. – Irina sentou-se no sofá. – Não é que não tenha conseguido vir, mas eu também tenho tentado ser mais discreta.

- Ah, então isso significa que não virás todos os dias. – Dumbledore compreendeu.

- Claro que virei todos os dias, Dumbledore. Estive apenas, nestes dias, a tentar ser mais silenciosa. Tudo bem, ainda não tive um resultado estrondoso, visto que me detetou antes de eu bater à porta, mas eu vou tentar mais afincadamente. – Irina assegurou, sentando-se no sofá e fechando os olhos, começando a meditar.

- Mas já te notei mais silenciosa. – Dumbledore elogiou, provocando um sorriso a Irina.

- Nunca detetou o Snape, pois não? – Irina perguntou com os olhos ainda fechados.

- O Severus treinou muito para isso, Irina. – Dumbledore respondeu, sentando-se na poltrona e observando-a. – Tu não gostas muito dele, certo?

- Dumbledore, ele está a ser espetacular, o mais corajoso de todos nós. Eu respeito-o imenso. – Ela respondeu, os olhos fechados.

- Irina, não foi isso que eu perguntei. – Dumbledore insistiu.

- Dumbledore, o senhor por acaso não tem por aí uma pena que me pudesse dar? – Irina pediu. – As minhas penas já acabaram e eu preciso de mais para as aulas.

- Por que é que não pedes aos teus pais? – Dumbledore perguntou, dando-lhe uma pena.

- Eu já pedi há muito tempo, mas eles ignoram. – Irina abriu os olhos para guardar a pena na sua bolsa. – Eles são espetaculares, mas estão magoados comigo. Por alguma razão fui a única aluna a ficar em Hogwarts no Natal.

- Devias tentar convencê-los a falar contigo, Irina. – Dumbledore aconselhou.

- Não, eu tenho que continuar a mandar-lhes cartas até eles se cansarem de não responder. Eles amam-me assim como eu os amo. Talvez não saiba muito dos Saint-Claire, mas sempre fomos uma família muito unida.

- Eu sei. Eu tenho conhecimento de algumas famílias de França.

- Pronto, eles somente… Estão magoados. Obrigada pela pena. – Agradeceu ela francamente.

- Eu estive a pensar, Irina, tu estás mesmo decidida a lutar, não estás? – Irina olhou-o com a sobrancelha erguida. – Tu tens muito potencial, aprendes rapidamente. E eu, apesar de não estar na melhor forma de momento, sei muitas coisas. Ao te pôres a meditar pensei numa coisa.

- No quê? – Perguntou ela curiosamente. – Quer meditar comigo? Eu sei meditar muito bem.

- Sim, pois sabes, mas não, não quero meditar contigo. – Dumbledore respondeu. – Acho que seria boa ideia tornar-te uma animagus.

- O quê? – Irina, que houvera fechado os olhos, abriu-os chocada.

- Tu mesma disseste que tudo o que te pudesse proteger seria bem vindo. Seres uma animagus seria ótimo para isso. – Dumbledore explicou. – Eu também não gosto de fazer coisas ilegais, mas com o Ministério como está não nos resta fazer outra coisa.

- Mas é muito difícil, Dumbledore.

- Não é fácil, Irina, mas tu és capaz. – Dumbledore disse convictamente.

- O senhor disse que eu acredito demasiado em si, mas o senhor não fica nada atrás no que se deve a mim. – Disse ela assustada, fazendo Dumbledore rir-se. – Mas então o que é que eu tenho que fazer?

- É preciso teres muita concentração, procurares a melhor maneira de te focares no objetivo. – Dumbledore explicou.

- Ok. – Irina começou a meditar de novo, mas desta vez sem barulho algum, tentando concentrar-se no que se passava à sua volta.

- Ótimo, agora concentra-te na minha voz. – Irina assim fez. – Tu tens que ter noção do quanto isto é importante, Irina. Ao te transformares num animal estarás muito mais segura e poderás saber muito mais.

- Eu sei, Dumbledore. – Irina assegurou, abrindo os olhos. – Mas acho que ainda não estou pronta.

- Vamos jogar xadrez, eu vou-te ensinar em condições. – Irina e Dumbledore sorriram.

- Sim, assim sempre me concentro mais. Vamos lá. Eu fico com as pretas. – Irina falou rapidamente, sentando-se na cadeira.

- Ok! De uma maneira ou de outra, eu vou ganhar. – Irina olhou-o irritada, vendo Dumbledore fazer a primeira jogada…

- Xeque-mate! – Dumbledore disse meia hora depois, fazendo o Rei de Irina largar a espada e ajoelhar-se perante a sua peça.

- Isso é injusto, foi muito rápido. – Irina levantou-se.

- Tu tens que antecipar as minhas jogadas, Irina. Podes sempre treinar mais. – Dumbledore disse divertido.

- Eu é que estou cansada, Dumbledore, por isso é que o jogo só demorou meia hora. – Irina não iria admitir que era má a xadrez. – Já está quase na hora do recolher, Dumbledore, vou-me embora. – Ela anunciou, despedindo-se. Dumbledore sorriu quando a morena saiu da sala. Ela estava num bom caminho.

No dia seguinte, no fim da sessão na Sala Escondida, Elle deitou-se na cama, exausta. Os colegas já estavam a melhorar em Oclumância e por isso, aquela sessão tinha demorado um pouco mais. Tinham que acimentar isso. Porém, ela não estava exausta por causa disso. Elle sentia que Irina lhe escondia alguma coisa importante. Sim, ela perccebia que Irina não lhe contava tudo e sempre o soubera, mas naquele momento sentia que havia uma motivação a mais na amiga, que não era ou o ED ou Elle. Era mais. Elle não queria que ela lhe contasse, porque se era um segredo ela respeitaria isso. Claro que respeitaria. Elle também tinha segredos para Irina. Segredos que não eram proprimente seus, mas eram segredos.

Laura sorriu olhando-a deitada e de olhos fechados. Com aquela sessão, sentia que o grupo tinha bastante potencial e Elle devia também senti-lo. Sentou-se ao lado da amiga que abriu os olhos sentindo o movimento.

- Estou a gostar disto, Elle, bastante. – Laura disse deitando-se ao seu lado. – Um dia, poderiamos dar aulas. – Elle sorriu-lhe. – Aulas… Um dia… É incrível como ainda penso no futuro, estando ele tão incerto.

- Não sejas parva, Laura. É claro que o futuro está incerto e sempre há-de estar. Nós podemos cair no chuveiro e morrer. Mas nunca foi isso que nos impediu de pensar no futuro. E não é por podermos morrer no meio desta guerra que o vamos deixar de fazer. Eu não vou e espero que tu não o faças. – Elle disse seriamente. – E agora, eu estive a pensar que é preciso praticar os feitiços básicos nas sessões. – Laura abanou a cabeça concordando. – Sabes, eu senti uma coisa diferente, hoje, na sessão. Senti que apesar de tudo, o nosso grupo está unido e que todos se ajudam uns aos outros.

- Sim, é fantástico, não é? – Laura perguntou. – Em todos estes anos, eu nunca vi tal companheirismo entre membros da minha equipa. E agora, sinto, realmente, que é nos maus momentos que conhecemos as pessoas. E aqueles que agora treinam lado-a-lado connosco são provas vivas que nós somos nós e as nossas circunstâncias. – Elle desceu da cama e sentou-se no chão olhando para baixo da cama. – Que estás a fazer? – Laura espreitou também. – Ah, tens uma vassoura. – Laura tirou-a de lá.

- Por acaso, até tenho duas. Tenho outra em casa. – Elle tentou tirar a vassoura à amiga, mas esta desviou. – Devolve-ma.

- Só depois de um pequeno interrogatório. – Elle sentou-se na cama. – Gostas de voar, já sei isso. – Elle acentiu com a cabeça. – Jogavas quidditch na tua escola, não jogavas?...

- Sim, jogava, sou seeker. – Elle disse tirando a vassoura das mãos da amiga e colocando-a de novo no sítio. — E adoro jogar. Nós, na escola, tinhamos uma equipa, e jogávamos contra todas as escolas que nos propunham jogos. À custa disso, viajei bastante. Éramos uma boa equipa e apesar de sermos só raparigas, ganhámos a muitas equipas que a maior parte era composta por rapazes. – Laura sorriu.

- Já sei mais uma coisa sobre ti. – Laura disse e entrou na casa de banho com a toalha. Elle voltou a deitar-se na cama.

No outro dia, Elle encontrou-se com Irina na mesma sala, à mesma hora. Mais tarde, ia ter outra reunião, mas ainda tinha bastante tempo.

Irina chegou depois dela com um grande sorriso na cara. Elle abraçou-a e elas sentaram-se.

- Como é que andam as coisas? – Perguntou Irina curiosa.

- Muito bem, contigo? – Elle respondeu rapidamente.

- Ótimas, dentro do possível, claro. Mas isso é sempre, agora nestes tempos. Agora, diz-me uma coisa… Trouxeste aquilo que eu te pedi? – Elle abriu a mala e tirou de lá o jogo de xadrez bruxo. – Trouxeste, boa! Ensina-me!

- Porquê, Irina? Nunca quiseste saber muito de xadrez. – Elle questionou a sua vontade.

- Mas agora quero saber jogar. – Irina preparou as coisas. – Eu tenho que saber fazer alguma coisa decentemente.

- Irina, tu sabes fazer muita coisa, melhor que muita gente adulta. És uma das alunas mais inteligentes que eu conheço. – Elle disse censurando-a.

- Sim, mas vá, ensina-me. – Irina pediu.

Com o passar do tempo, cada uma teve que seguir o seu caminho para as coisas que tinham combinado naquela noite. Irina ainda teria que ver Dumbledore e Elle tinha mais uma sessão na Sala Escondida.

- Boa noite, Dumbledore! – Irina cumprimentou, entrando impestuosamente pela sala.

- Boa noite, Irina. O que se passa? – Perguntou ele calmamente.

- Estive a ler sobre xadrez e já sei mais alguma coisa. É hoje, Dumbledore, que lhe vou ganhar. – Irina falou decidida.

- Quero ver isso! – Irina virou-se ao ver Snape sentado na mesa a escrever.

- Não era suposto ele só vir depois da hora do recolher? – Perguntou ela a Dumbledore, que respondeu logo de seguida:

- Sim, mas ele pode, de vez em quando, vir mais cedo.

- Ok, então vamos lá. – Irina sentou-se decidida. Dumbledore fez o mesmo, mas mais calmo, começando a jogar. Snape puxou uma cadeira para ver o jogo.

- Xeque-mate! – O velho disse uma hora e quinze minutos depois.

- Oh, que treta! – Irina exclamou, cruzando os braços amuada. – Ao menos sempre resisti mais um bocado.

- O seu problema é que não tem paciência, logo tenta fazer tudo tão rapidamente que se esquece de antecipar as jogadas do adversário. – É, Elle havia-lhe dito algo parecido ao que Snape disse.

- Mas estás a melhorar muito. Continua a ler e a praticar e poderás vencer-me. – Dumbledore falou sinceramente.

- Obrigada, Dumbledore! – Irina agradeceu com um sorriso. – Ah, professor Snape, eu já estou mais silenciosa.

- O Albus continua a ouvi-la, Miss Saint-Claire. – Snape disse.

- Mademoiselle Saint-Claire. – Irina insistia e não parecia que iria desistir. – E sim, é verdade que o Dumbledore continua a ouvir-me, mas isso porque eu queria mostrar-lhe aqui. – Irina levantou-se suavemente. – Eu já sei o segredo para não fazer tanto barulho. – Irina começou a andar silenciosamente, virando-se para os homens que a fitavam. – Em primeiro lugar, meditação, muita meditação. E depois, só temos que ter a sensação de sermos leves, tão leves que não fazemos barulho a andar. – Irina olhou-os sorridente. – O que foi? – Perguntou ela, vendo que Snape erguera a sobrancelha.

- Para se ter uma sensação de leveza, não é preciso, sei lá, ser-se… leve? – Ele perguntou.

- É mesmo estúpido, professor, está-me a chamar gorda? – Irina perguntou retoricamente. – Pois fique sabendo que eu me sinto muitíssimo bem com o meu corpo e que nunca, mas mesmo nunca alguém me achou gorda. E não pode negar que estou mais silenciosa.

- Parece que então não é preciso ser-se leve para…

- Pois não, tu estás realmente mais silenciosa, Irina, muitos parabéns! – Dumbledore abraçou-a, interrompendo Snape.

- Eu sei. – Irina disse contente, sentando-se no sofá levemente e olhando furibunda para Snape. – Bom, o E.D. também está a melhorar bastante, já estamos cientes de como fazer bem um patronus, mas é claro que alguns não conseguem muito bem.

- Então e qual é a forma do teu? – Dumbledore perguntou interessado.

- Um unicórnio. – Irina sorriu. – Parece que é o meu animal favorito.

- Que interessante, um unicórnio. – Os olhos de Dumbledore brilhavam.

- Professor… — Irina voltou-se para Snape que a fitava da sua poltrona. – Sabe alguma coisa da Luna?

- Ela continua prisioneira. – Ele respondeu. – Mas ainda não lhe tocaram, ela é a garantia de que o pai não continue a escrever a verdade no seu jornal.

- Oh! – Irina exclamou preocupada. – Porém tenho a certeza que ela está a ser muito forte. Então e nós, Dumbledore? Vai ajudar-me na próxima etapa da Animagia?

- Claro. – Dumbledore respondeu, sorrindo, pois via que ela estava cada vez mais decidida.

- Então e o que é que eu tenho que fazer agora? – Ela perguntou entusiasmada.

- Agora tens de pensar que não tens corpo. – Ele respondeu. – Lembras-te de falar sobre leveza há bocadinho? Agora tens que pensar que a tua alma está a flutuar levemente. – Irina fechou os olhos, tentando fazer o que Dumbledore lhe dizia. – Quero que te concentres somente nisso, Irina. – Ele mandou.

- Albus, queres beber alguma coisa? – Perguntou Snape, Irina sentiu ele levantar-se. – Hum, parece que ela não te obedece. – Irina abriu os olhos irritada.

- Eu não posso concentrar-me somente nisto, imagine que aparece aqui alguém. Nós temos que estar atentos, Dumbledore. – Albus sorriu com a desculpa dela. – Eu confio em si, mas nunca se sabe.

- Irina, por favor, tu és capaz de fazer o que te estou a pedir, eu sei que sim, faz apenas o que eu te digo. Não te preocupes com mais nada. – Irina fechou os olhos calmamente, concentrando-se realmente.

- É, ela parece-me concentrada agora. – Snape observava-a atentamente. – Mas, mesmo assim, acho que daqui não vai resultar coisa boa. – Snape olhou-a mais de perto. – Hum…

- Ai, Severus, não sejas tão desconfiado, ela quer mesmo isto. – Dumbledore mostrava-se divertido.

- Eu sei, mas isso não é suficiente e lá por ela estar mais silenciosa, não significa que eu acredite nela. – Snape sentou-se na poltrona, cruzando os braços.

- Tu podias dar-lhe um desconto. – Dumbledore pediu. – Ela acha que tu não gostas dela.

- Hum, nalguma coisa ela está certa então. – Dumbledore suspirou, olhando para Irina que parecia relaxada.

– Irina, podes abrir os olhos. – Dumbledore tocou-lhe o braço. Irina abriu os olhos calmamente. – Muito bem.

- Então vamos passar à próxima etapa. – Irina pediu, olhando para Dumbledore profundamente.

Notas finais
Então o que acharam?

Comentem

Kiss and go,

brunadanih e CR, as autoras