O Pintor Sangrento
3 Sentimentos de um Beijo

CAPÍTULO 3: SENTIMENTOS DE UM BEIJO
Se passaram alguns meses dês das chegada de Sakura. Nesse tempo a rosada não havia conseguido nem um amigo, e tudo graças ao garoto de cabelos dourados e seus dois capangas. Dês que os três começaram a espalhar boatos maldosos sobre ela todos começaram a trata-la com desprezo e não se aproximavam mais.
Sakura já previa algo do tipo, afinal era uma bolsista em um escola de riquinhos, sabia que alguns teriam preconceitos pelo fato dela ser pobre, mas nunca imaginou que seriam todos assim.
O único que tinha ao seu lado era Sai, que nem mesmo tentou se afastar dela, ao contrario ele estava a deixando se aproximar cada vez mais. No fim todos também pegavam no seu pé, porem não era pra tanto já que nem ele mesmo se importava, o que tirava a graça da brincadeira.
As "brincadeiras" com Sakura era bem mais pesadas, eles sujavam sua mesa, a empurravam, e até mesmo roubavam seu lanche, que nem era tanto, eles apenas faziam isso para jogar na arei e pisotear algo que sua mãe teve tanto esforço para conseguir. No fim Sakura soube o quanto crianças podiam ser cruéis.
***
— Hoje passarei um trabalho de Geografia. — Anunciou a professora.
Reclamações por parte dos alunos preencheram a sala.
— E sera em dupla, as duplas serão formadas de acordo com as duplas de acento.
Alguns reclamaram, porem outros gostaram da ideia afinal por sorte estava sentado com o melhor amigo.
Sakura foi uma dessas que gostou do método de escolha de duplas. Ela se sentiu aliviada por sua dupla de assento ser Sai.
A professora deu mais algumas informações sobre o tal trabalho, ate o toque do fim das aulas soar, os alunos logo ficaram ansiosos em seus assentos.
— Então é isso, vocês podem combinar com seu parceiro onde se encontrarão para fazer o trabalho, o assunto e a data de entrega já está no quadro. Então tenham um bom final de semana.
Com isso todos os alunos se levantaram logo saindo da sala rapidamente, sobrando apenas Sakura que observava Sai guardar seu material calmamente.
— Então... Eu deveria ir na sua casa? — Perguntou receosa.
— Por mim poderia fazer tudo sozinho. — Aquelas palavras foram como uma faca para Sakura. — Mas, já que quer ajudar, pode ir as 13 de amanhã. — Falou já fechando sua bolsa. — Ou talvez queira na sua casa?
— N-Não! — A menina desesperadamente negou fazendo um sinal de negação com cabeça e mãos. — Quer dizer... é-é melhor na sua casa. Será que pode me dar o endereço?
— Sim.
O garoto iria abrir novamente sua bolsa, porém foi impedido por Sakura.
— Não precisa eu tenho aqui.
A menina rapidamente retirou um papel de um dos bolsos da bolsa, e logo em seguida pegou um lápis, entregando tudo para Sai que anotou rapidamente.
— Obrigada.
A rosada pegou o papel e seu lápis de volta
Estava realmente aliviada por Sai não ter que ir em sua casa, afinal como aqueles garotos haviam dito, sua casa não era tão agradável assim.
Os dois seguiram juntos ate os portões da escola, Sakura ficou deslumbrada com um luxuoso carro preto que estava estacionado em frente aos portões.
— Então até amanhã.
Sai se despediu indo em direção ao carro. Sakura observou abobalhada o moreno abrir a porta de trás do carro.
— A-Até!
Respondeu a rosada ainda um pouco surpresa. Observou o garoto se sentar no banco de trás e logo fechar a porta, o carro logo deu partida deixando Sakura para trás.
Não sabia porque estava surpresa com isso, afinal se ele estava naquela escola é porque tinha dinheiro. Nunca havia parado para pensar nisso, por isso estava um pouco abobalhada.
Distraída pegou seu caminho de casa, observava pensativa o céu tingido de laranja ferrugem.
— Como será a casa dele? — Pensou em voz alta. — E a família? Será que são rigorosos? Como deveria agir com eles? O que deveria vestir?
Repentinamente a menina começou a ficar nervosa a cada nova pergunta que vinha em sua cabeça. Nem parecia mais que iria fazer um trabalho na casa de um amigo, mas sim que ia conhecer os pais de seu namorado.
Antes que desse conta a mesma já se encontrava em frente à sua casa.
A casa era simples, a pintura estava descascando com o tempo, tinha um pequeno e simples jardim em frente.
Sakura empurrou o pequeno portão enferrujado da entrada, e com este pequeno movimento o velho portão se soltou e foi de encontro com o chão surpreendendo Sakura.
— De novo...
Suspirou cansada. Ignorando aquilo a garota adentrou o pequeno jardim, logo seguindo para a porta de entrada.
— Estou em casa!
Anunciou abrindo a porta.
— Seja bem vinda de volta!
Uma voz feminina veio de um dos cômodos do lugar.
Sakura deixou seus sapatos na porta e adentrou o lugar.
Dando alguns passos seu pé afundou no piso de madeira.
Olhou para baixo e observou o buraco que havia ali. Tinha esquecido complemente daquilo, planejavam a um bom tempo ajeitar, porém não tinham dinheiro suficiente para comprar madeira nova, então apenas colocavam um jornal em cima para esconder o buraco formado ali.
— Mamãe, quando irá concertar aquele buraco?
Perguntou adentrando um dos cômodos. A mais velha se encontrava sentada no chão enquanto mexia em algumas bonecas de pano.
Sakura apenas morava com sua mãe Mebuki, a mesma sustentava a casa vendendo artesanato. Seu pai faleceu a alguns anos em um acidente.
Por sua mãe trabalhar muito para sustentar a casa Sakura tenta tirar as melhores notas nas provas, a garotinha se dedica ao máximo aos estudos. E graças a isso já conseguiu algumas bolsas em escolas boas como está que está agora.
— Não se preocupe querida, em breve estará ajeitado.
— Já é a quinta vez que diz isso... — Resmungou baixo para que sua mãe não ouvisse. — Mamãe, amanhã terei que fazer um trabalho na casa de um amigo. — Rapidamente mudou de assunto. — Posso ir?
— Por acaso é o tal do Sai que você fala tanto?
— Sim, é ele. — Respondeu um pouco envergonhada tirando um risinho de sua mãe.
— Claro que pode. Que horas irei deixá-la lá?
— De uma da tarde.
— Esta bem. — A loira se levantou de onde estava. — Já está na hora de preparar o jantar.
A mesma olhou para o relógio circular pendurado na parede.
— Irei ajudar.
— Ora, não precisa. Apenas vá tomar um banho e fazer suas atividades. Foi um longo dia pra você.
— E pra você também! Passou o dia todo trabalhando, e ainda terá que terminar as bonecas.
— Sakura, não se preocupe, apenas foque em seus estudos, a mamãe é muito forte e pode cuidar de tudo sozinha! — A loira abriu um grande sorriso levantando um de seus punhos. — Agora vá tomar banho e fazer suas atividades!
— Esta bem...
Respondeu a rosada tristonha logo subindo as escadas. Ela tinha um certo medo de sua mãe adoecer por trabalhar de mais, já viu várias vezes sua mãe trabalhando em suas bonecas durante a madrugada, e isso preocupava muito a garotinha.
Aquela noite foi tranquila como todas as outras, a rosada tomou banho, fez as atividades, jantou e logo depois foi dormir.
Mais uma vez a rosada acordou durante a noite. Olhando no relógio já eram uma da manhã. Cuidadosa a garota desceu as escadas, chegando na sala encontrou sua mãe dormindo sobre a mesinha de centro, na mesma havia materiais de costuras, e algumas bonecas inacabadas.
A garotinha se aproximou da mais velha depositando um cobertor na mulher, em uma tentativa de protegê-la da brisa fria da madrugada.
Com isso a mesma voltou para sua cama e voltou a dormir.
No outro dia acordou ansiosa para ir na casa de seu amigo. Não gostaria de admitir, mas ficou horas olhando suas roupas até encontrar algo que agradasse as pessoas da casa de Sai. Não sabia como era o gosto deles, mas pelo menos tentou vestir algo formal, pensava que seria muito exagerado já que apenas iria fazer um trabalho, cada vez que a menina pensava nisso mais confusa ficava.
Sua mãe adentrou o quarto tendo a visão de sua filha encarando seriamente as poucas roupas que tinha.
— Parece até que vai para um encontro.
A voz da mais velha assustou a rosada que estava tão concentrada.
— Mamãe! — Repreendeu a rosada envergonhada. A mais velha soltou alguns risos da reação da menina. — É que eu não sei como são as coisas na casa dele, então não quero passar vergonha.
Confessou envergonhada enquanto brincava com uma mexa de seu cabelo.
— Hum... — A mulher se aproximou do guarda roupa branco, logo mexendo nos cabides. — Aqui, vá com este vestido.
A mulher estendeu um belo vestido rosa para a garotinha, era simples porém bonito.
— Tem certeza? — Olhou receosa para a peça.
— É claro! Ficará super fofa nele, irá conquistar vários corações.
— Mamãe! — Repreendeu a rosada.
— Só estou dizendo a verdade. Agora vá se trocar, estarei te esperando lá em baixo.
Assim que a loira saiu do quarto a rosada se trocou. Descendo as escadas pediu para sua mãe amarrar o laço branco que ficava nas costas.
Com isso as duas foram para o endereço que Sai havia dado.
***
As duas observavam admiradas a enorme casa branca que mais parecia uma mansão.
— Estamos realmente no endereço certo? — Perguntou sua mãe ainda admirando a casa.
— Sim...
Respondeu Sakura um pouco nervosa.
O bairro que estavam era realmente bonito, com casas enormes e belas, seus jardins eram grandes e com vários tipos de flores.
Antes que desse conta sua mãe já havia apertado a campainha da bela casa branca.
Em pouco tempo uma mulher vestida de empregada atendeu as duas.
— Você é a Sakura, certo? O mestre Sai está lhe esperando.
Sakura ficou sem palavras.
— Querida, irei vir buscá-la as 4, esta bem?
— Não será necessário, o nosso motorista poderá deixá-la em casa. — Falou a empregada.
— Oh, não precisa eu...
— Por favor eu insisto.
— Hm, esta bem, muito obrigada. — Agradeceu a loira um pouco sem jeito. — Querida nos vemos as 4. Se comporte está bem.
— Sim, tchau mamãe.
As duas se despediram e afobada Sakura adentrou a bela casa. A empregada a guiou por alguns corredores até finalmente deixá-la em frente à uma das portas.
A empregada deu duas batidas na porta, e um "entre" abafado veio do outro lado. A mais velha abriu a porta dando a vista de um quarto masculino totalmente organizado. Sai estava sentada no chão de frente à uma mesinha de centro.
Sem jeito Sakura entrou no local, ouviu a porta sendo fechada atrás de si.
Sem saber o que fazer ficou parada onde estava admirando o grande quarto.
— O que está fazendo aí?
A voz de Sai a tirou de seu transe.
— Você tem um belo quarto. — Comentou se aproximando do garoto.
Percebeu o olhar analisador de Sai, a deixando nervosa.
— O-O que foi? — Perguntou ao moreno que não parava de olhá-la.
— É estranho vela sem o uniforme escolar. — Comentou voltando sua atenção para os papéis em sua em frente.
— Já começou a fazer o trabalho? — Perguntou a rosada se sentando ao lado do moreno.
— Não, estava esperando você chegar para fazer. Então apenas peguei o material necessário.
Sakura observou a mesa com papéis, livros, lápis de cor, régua, e mais alguns materiais necessários.
— É melhor começarmos logo, assim teremos mais tempo livre.
Sakura pareceu animada em poder passar um tempo brincando com Sai, em sua casa não tinha com quem brincar ou conversar já que sua mãe tinha que trabalhar. Rapidamente os dois começaram a fazer o trabalho, ainda tiveram uma pausa para o lanche que a empregada havia trazido porem ainda conseguiram terminar antes das quatro.
— Finalmente! — Cansada Sakura se jogou para trás se deitando no tapete branco do chão. — Que horas são?
— Três e quinze. — Respondeu Sai organizando o que não precisavam mais usar.
— Mamãe disse que eu posso ficar até as quatro. — Resmungou. O quarto ficou em silêncio, apenas ouvia-se os papéis que Sai mexia, Sakura encarava o teto do quarto pensativa. — Sai, onde estão seus pais?
Perguntou sentindo a falta disso, afinal dês que chegará ali não havia visto ninguém além da empregada.
— No trabalho. — Respondeu curto. E mais uma vez o silêncio reinou no cômodo.
Os pais de Sai nunca ficavam muito em casa, eles ficam o dia inteiro na empresa da família nunca tendo tempo para seu filho. Por Sai ser o futuro dono das empresas eles exigem bastante do garoto, sempre dizendo o que o garoto deve fazer, assim como uma peça de xadrez.
— Sai, posso ligar a TV? — Perguntou encarando a TV de plasma a sua frente.
— Sim. — Respondeu o moreno do outro lado do quarto guardando o seu material.
A rosada se levantou e pegou o controle do aparelho, logo voltou para o seu lugar se sentando. Apenas ficou passando os canais até encontrar algo de interessante.
Sai se sentou ao lado da rosada que ainda tinha os olhos direcionados a tela. Sakura pode ouvir folhear de folhas ao seu lado, curiosa olhou pelo canto do olho, pode ver Sai mexer em um bloco de notas.
Se esticou um pouco para ver o que continha nele, apenas conseguiu ver algo colorido em uma das folhas.
— Você tentou colorir! — Falou a rosada se aproximando mais do garoto.
— Sim, mas não vi resultados.
— Deixe-me ver.
A rosada pegou o bloco logo o folheando, observava cada pintura com cuidado, achou realmente estranho, era uma mistura de cores escuras o que deixava um pouco deprimente.
— Sakura. — Ouviu Sai a chamar.
— Hm? — Resmungou ainda encarando o bloco de notas.
— Olhe.
A rosada virou suas esmeraldas para o garoto ao seu lado, o mesmo apontava para a TV, ao direcionar sua atenção para a tela logo viu um cena melosa de um casal se beijando.
— Estão apenas se beijando. — Desinteressada ela voltou seu olhar para as folhas.
— E por que estão fazendo isso?
— Porque se gostam. — Respondeu virando a folha para o próximo desenho.
— Então quando gosta de alguém é normal beijá-la?
— Sim.
— Então por que nunca fizemos isso?
Finalmente a garota tirou a atenção dos desenhos olhando para Sai surpresa.
— E você gosta de mim? — A mesma demonstrou uma certa ansiedade em sua pergunta.
— Eu acho que sim. — O mesmo colocou a mão no queixo pensativo, aquilo soou mais como uma pergunta e não uma afirmação, o brilho da garota sumiu repentinamente. — Como é gostar de alguém exatamente?
— Normalmente você não consegue parar de pensar nela, e quando está muito próximo a ela sente seu coração acelerar e suas mãos suarem.
— Você sempre esta nos meus pensamentos, então significa que gosto de você?
Repentinamente a garota sentiu suas bochechas arderem, antes que ela pudesse dizer algo o garoto voltou a falar.
— Sakura vamos tentar isto.
O mesmo foi se aproximando da rosada que ficava cada vez mais vermelha.
— I-Isto o que? — A garotinha sentia seu coração bater mais forte a cada vez que a distância entre eles iam diminuindo.
— O beijo.
Por fim a garota já sentia sua respiração bater contra a dele.
— E-Espera!
Tentando impedir que o mesmo se aproximasse mais a garota deu um leve empurrão em seu peito.
— Você havia dito que me faria conhecer todo tipo de sentimento, e quero saber que tipo de sentimento trás um beijo. Ou você está desistindo?
"Desistir"
Aquela era um palavra que Sakura nunca aceitaria. Afinal ela nunca desistia de algo.
— Esta bem.
Repentinamente a garota ganhou um olhar determinado, deixando Sai um pouco surpreso, porém não demonstrou.
A garotinha fechou os olhos dando permissão para Sai se aproximar mais. Seu coração quase saiu pela boca ao sentir algo macio pressionar contra seus lábios.
O beijo durou por alguns segundos até Sai se afastar dos lábios rosada de Sakura.
— Que estranho, meu coração está normal. — Falou o moreno colocando a mão em seu peito tentando sentir seu batimentos cardíacos.
— I-Idiota...
A rosada resmungou irritada, seu coração batia tão rápido que nem conseguia reclamar de algo, a mesma colocou sua mão em seu peito em uma tentativa falha de acalmar seus batimentos, jurava que estava tão rápidos que Sai conseguiria ouvi-los se não fosse o volume da TV.
— Senhorita. — Algumas batidas vieram da porta do quarto, juntamente com um voz feminina. — O motorista já está a esperando.
— Já estou indo! — Rapidamente a rosada se levantou. Agradeceu mentalmente a empregada por a ter tirado daquela situação constrangedora. — Até segunda Sai.
Se despediu rapidamente do moreno e logo saiu do quarto.
Sai sentiu uma grande solidão assim que Sakura passou pela porta, o quarto parecia silencioso e quieto para ele, mesmo tendo o volume da TV.
Novamente ficaria sozinho enquanto desejava o brilho caloroso da presença de Sakura.
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