O Pintor Sangrento
4 A Cor Perfeita

CAPÍTULO 4: A COR PERFEITA
Sai se encontrava mais uma vez encarando os lábios rosados de Sakura.
Não sabia o que estava acontecendo com si mesmo, não conseguia mais tirar o beijo de sua cabeça, dês da primeira vez que sentiu o toque da pele de Sakura ele começou a sentir necessidade de tocá-la novamente.
Havia passado todo seu final de semana apenas pensando do beijo entre os dois, as vezes se pegava tocando os próprios lábios relembrando do toque macio dos lábios da rosada.
— Sai!
O garotinho saiu de seu transe ao ser chamado por Sakura. Percebeu que ainda encarava os lábios rosados da garota.
— O sinal já tocou, vamos logo lanchar.
A rosada se levantou de seu lugar logo esperando Sai fazer o mesmo.
O garoto pegou seu bentô e seu caderno de desenhos e assim os dois foram para algum lugar isolado da escola.
Os dois comiam em uma sombra de uma arvore, Sakura falava de algo aleatório que havia acontecido em seu final de semana, Sai não parecia ouvi-la apenas prestava atenção nos lábios que não paravam um minuto quietos.
O olhar do garoto foi descendo até parar no pescoço nu da garota, Sai nunca havia reparado antes na pele branca de Sakura.
— Sai!
Mais uma vez foi desperto pelo chamado de Sakura.
— Você está bem? Está mais no mundo da lua do que o normal.
Calado o garoto voltou sua atenção para seu bentô.
— Tem algo te incomodando?
Perguntou preocupada.
— Estava pensando... — Falou ainda encarando sua comida. — No beijo.
O olhar de Sai voltou para Sakura ao dizer isso.
Instantaneamente o coração de Sakura acelerou e sua bochechas esquentaram.
— Co-Como assim?
— Dês daquele dia está lembrança vem repentinamente em minha mente, e cada vez mais eu tenho mais vontade de repeti-lo.
Silêncio, apenas o que ouvia era o farfalha dos galhos das árvores. Sakura olhava surpresa para Sai, não esboçou reação, apenas não sabia o que fazer ou o que dizer sobre aquilo.
— Você tinha dito que era normal para pessoas que se gostam fazer isso, então...
O garoto foi se aproximando da rosada que logo se surpreendeu com a ação inesperada dele.
— Si-Sim, ma-mas você...
Envergonhada desviou o olhar dos olhos penetrantes de Sai.
— Vo-Você go-gosta...
A menina não conseguia parar de gaguejar por causa da aproximação do moreno que a olhava tão de perto.
— Se gosto de você?
Perguntou. A rosada confirmou com a cabeça.
— Sim, eu gosto.
Diferente de antes ele disse com mais certeza em sua voz.
— Co-Como tem certeza?
— Você foi a primeira pessoa que conseguiu me fazer falta quando não está por perto.
Sakura o olhou surpresa, não esperava por aquilo. Sai voltou a se aproximar diminuindo ainda mais a distância entre os dois, já conseguiam sentir a respiração um do outro.
— Eca!
Sakura deu um pulo para trás com o susto de uma voz a mais. O casal voltou o olhar para o trio que os olhavam com nojo.
— Não acredito que vocês iam fazer isso.
Sai olhou neutro para o loiro que havia falado, o moreno sentia uma pequena irritação dentro de si. Finalmente iria saciar sua sede e o trio de idiotas apareceram apenas para atrapalha-lo.
— Algum problema nisso?
Sai abriu um de seus sorrisos falsos, deixando o loiro desconfortável, não era acostumado com um Sai expressivo, mesmo que aquilo parecia bem mais uma máscara de porcelana branca.
— É claro, isto é nojento!
O loiro mantéu sua compostura de superior. Os outros dois apenas apoiavam tudo que o loiro falava.
— Isto é nojo, ou inveja?
— O-O que?!
O loiro olhou irritado para Sai.
— Já li em um livro que quando alguém sente inveja de outra ela a crítica e menospreza na frente de outras pessoas.
O loiro ouviu murmúrios vindo atrás de si, mandou um olhar irritado para seus dois capangas que pararam imediatamente o olhando assustados.
— Não fale idiotices, nunca sentiria inveja de um casal esquisito como vocês!
Sakura encolheu os ombros quando o loiro aumentou o tom de voz.
— Sai é melhor voltarmos para a sala.
Murmurou para o garoto ao seu lado que ainda trocava olhares com o loiro.
Sai observou a menina assustada ao seu lado, se fosse por ele, continuaria ali sem se importar com a presença desagradável dos três. Mas Sakura parecia com medo que eles fizessem algo contra os dois.
Ignorando a presença dos três, Sai pegou sua coisas e se levantou. Sakura fez o mesmo.
— Ei! Onde pensam que vão?! Ainda não terminei de falar com vocês!
Sai apenas ignorou o loiro e foi pegando seu caminho. Irritado o garoto o agarrou pela gola da camisa.
— Odeio quando me ignoram...
O loiro parecia mais furioso que antes deixando Sakura com medo.
— Ei crianças, o que estão fazendo!
Uma voz de um mais velho foi ouvido assustando os três. Quem se aproximava era o zelador, parecia que ia guardar alguns produtos de limpeza.
— Não pense que isso acabou por aqui!
O loiro deixou como um aviso para os dois e logo saiu dali o mais rápido possível.
— Sai...
A rosada se aproximou do moreno preocupada.
— Vamos para a sala.
O moreno abriu um sorriso amigável para Sakura, o que a deixou mais preocupada ainda.
***
As aulas passaram e o loiro não parava de encará-los com raiva nos olhos. Sakura agradeceu mentalmente por chegar o final das aulas e os três não terem vindo ao encontro dos dois.
Por sorte todos foram tranquilamente para casa.
***
Era manhã e Sakura já se encontrava em frente à escola, chegando perto dos portões avistou um carro preto muito familiar, a porta de trás do carro se abriu descendo um garotinho pálido e inexpressivo.
— Sai, bom dia!
Sakura apressou os passos se aproximando sorridente do garoto, o moreno pareceu apreciar o lindo sorriso de Sakura.
Os dois foram juntos para a sala de aula, por todo o caminho Sakura não parou um minuto quieta, sempre falando de coisas aleatórias que não o interessava, mas que ele fazia questão de prestar atenção.
Assim que Sai abriu a porta da sala foram recebidos por olhares de toda a sala, alguns cochichos e risos foi ouvido pelos dois, Sakura sentiu um grande mal pressentimento.
Sai começou a entrar na sala, e Sakura logo o seguiu, quase trombava nele quando o garoto parou repentinamente. Sem entender a rosada o olhou o mesmo encarava o quadro negro.
Sakura direcionou sua atenção para aquele mesmo ponto, e se assustou com o que viu.
No quadro havia um casal mal desenhado, os dois se beijavam, em baixo dos bonecos mal feitos estava escrito, "Coração de pedra e Testa de marquise", em cima do desenho completava com um "Casal de esquisitões".
— Parece que os dois se beijam pela escola.
— Que nojo!
Repentinamente a sala foi preenchida por comentários maldosos sobre os dois.
— Quanto mal gosto se aproximar de um garoto desses.
— Ela realmente acha que ele sente algo por ela?
— Tá brincando, ele nem mesmo tem sentimentos.
Ofensas e mais ofensas foram direcionadas a Sai, que não demonstrava se importar, porém Sakura parecia furiosa com o que diziam sobre o garoto.
Os olhos esmeraldas pararam no loiro sentado em cima da mesa, o mesmo encarava eles com um sorriso vitorioso.
— Parem com isso!
Gritou a rosada furiosa. Todos olharam surpresos para a menina que até então era apenas uma medrosa covarde.
— "O Sai isso, o Sai aquilo.", vocês apenas sabem julgá-lo sem conhecê-lo, falam que ele não tem sentimentos, mas ele continua sendo um ser vivo, e todo ser vivo tem sentimentos!
— Cale a boca.
Todos direcionaram a atenção para o loiro sentado na mesa.
— Você fala muita porcaria.
Todos da sala ficaram do lado do loiro.
— Isto é desespero por atenção?
Se pronunciou Sai que até o momento estava em silêncio.
— Hur? — O loiro olhou irritado para o moreno. — Você não sabe de nada, então apenas fique quieto.
— Seus pais preferem seu irmão mais velho por ser mais inteligente e o futuro da empresa. — O loiro o olhou espantado. — Ele sempre foi o orgulho deles, sendo assim eles sempre jogam você de lado, eles apenas o vêem como um fracasso.
— Cale a boca! Você...
— E claro, você nunca recebeu atenção deles, ou até mesmo um "estou orgulhoso", nem mesmo o tratam como filho. Você sempre tenta tirar as melhores notas para chamar atenção, mas eles apenas enxergam o seu irmão. Então você faz de tudo para chamar atenção na escola, todos estes que te rodeiam apenas estão aí porque você tem algo a oferecer.
Repentinamente a sala ganhou um ar pesado e tenso, agora todos encaravam o loiro que estava em choque, Sakura olhava surpresa para Sai.
Pela cara do loiro parecia que tudo que o moreno havia dito era verdade, Sakura se perguntava como Sai sabia de tudo aquilo.
O sinal das aulas tiraram todos daquela tenção, repentinamente todos voltaram para seus lugares.
— Sakura, obrigado...
Sai agradeceu a rosada que o olhava surpresa. O moreno pegou o apagador e apagou o que estava no quadro antes que a professora aparecesse.
As aulas seguiram normais, menos para o loiro que continha uma auria estranha.
— Sai.
A rosada o chamou em um sussurro para que apenas ele ouvisse.
— Como você sabia de tudo aquilo?
Perguntou assim que o moreno a olhou.
— Sakura, tem coisas que é melhor você não saber...
Foi a única coisa que disse deixando a rosada mais curiosa ainda.
***
Já era fim de tarde e as aulas haviam acabado, como sempre Sai e Sakura foram os últimos a sair da sala.
***
Alguns dias se passaram dês daquele acontecimento, depois do que Sai disse repentinamente as pessoas ao redor do loiro foram diminuindo, como se ele tivesse perdido o poder que tinha sobre elas. Pensava que todos o enxergavam como um fracassado, assim como seus pais. Com o orgulho ferido o garoto foi consumindo apenas mais ódio contra os dois.
***
Finalmente chegará o dia da entrega dos trabalhos.
Ao virar a esquina Sakura avistou o conhecido carro preto parado em frente à escola, avistou Sai prestes a passar pelos portões.
— Sai!
O chamou apressando seus passos, o mesmo parou e observou a rosada se aproximar.
— Bom dia!
Falou a rosada sorridente já ao lado do moreno.
— Bom dia.
Respondeu o moreno calmo abrindo um pequeno sorriso.
Os dois adentraram os portões da escola, assim como todos os dias Sakura falava algo aleatória com Sai. Distraídos não perceberam a aproximação das duas pessoas que os arrastaram bruscamente para trás do prédio.
Sakura gemeu de dor ao ser arremessada na parede juntamente com Sai.
— Vocês realmente acharam que iam se safar dessa.
Sakura tremeu com a voz tão conhecida para ela. Olhou os três que os cercavam, o loiro tinha um olhar assustador.
— Vocês dois, peguem as mochilas.
Os dois fizeram como o loiro mandou, arrancaram a mochila do casal que não protestaram.
— Abram.
Assim como ele mandou os dois abriram a mochila e despejou tudo no chão. Os dois vasculharam os pertence jogados no chão logo pegando algo em específico entregando para o loiro.
— Que belo trabalho. — Falou observando os papéis em mão. — Com certeza iriam tirar uma bela nota com isso.
O garoto puxou as folhas fazendo um pequeno rasgo no meio.
— Não!
Sakura se jogou em cima do loiro tentando impedi-lo.
— Tsc! Saia daqui garota irritante!
Sem pensar o garoto deu um soco no rosto delicado de Sakura, a mesma caiu no chão desnorteada.
Sai sentiu aquele sentimento novamente, o sentimento de raiva, porém bem mais forte.
O mesmo se levantou furioso.
— Uh, por acaso está com raiva?
Olhou debochado para o moreno que se aproximava.
— Acho bom não tentar nada.
O loiro tirou um pequeno canivete do bolso apontando para Sai.
Antes que se desse conta o punho de Sai já se encontrava em seu nariz, o loiro deu alguns passos para trás pelo impacto.
Irritado ele tentou apunhala-lo, porém Sai foi mais rápido o pegando pelo pulso, mesmo com aquela aparência o garoto pálido tinha uma força incrível, e graças às aulas que seus pais o obrigavam a fazer ele tinha ótimas habilidades na luta.
O loiro grunhiu de dor ao ter seu pulso quebrado, Sai aproveitou que o mesmo havia soltado o canivete e rapidamente o pegou do chão.
Os outros dois foram para cima de Sai. Facilmente o moreno derrubou o magrelo no chão, o maior tentou atacá-lo, porém Sai desviou facilmente logo apunhalando o braço do garoto que caiu no chão gritando.
O magrelo novamente tentou atacá-lo, porém levou um soco no estômago que o fez colocar tudo pra fora.
Sai parecia um pouco ofegante, passou as costas de suas mãos em sua testa tirando o pouco de suor que escorria ali, olhou a sua mão suja de sangue que segurava o canivete.
Aquele vermelho vivo o chamou atenção.
— Sai...
A voz doce de Sakura fez o mesmo se virar, a mesma o olhava assustada.
O garoto soltou o canivete e se aproximou da rosada que não se afastou.
Aproximou sua mão suja de sangue no rosto da pequena, logo fazendo um traço curvado em sua bochecha, que até mesmo parecia um sorriso.
Observou aquela perfeita cor que se destacava na pele branca de Sakura.
— Sakura, eu encontrei minha cor perfeita...
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