O Perdedor

12 Ultimo dia.


Notas iniciais
Não, ainda não é o final feliz.

− Mentiroso! – O moreno berrou histérico, fazendo com que eu, Reita e Uruha (que já estava incluso em nossa roda de amigos) ríssemos descontroladamente.

− Mas é verdade, Aoi! Não fizemos nada, só dormimos! − defendi-me.

− Aham, Ruki! E eu sou Buda! – rebateu.

− Ah, é?! Então, senhor Buda, porquê não me conta o que você e o loirinho ali – apontei para Uruha. – Fizeram ontem, no caminho de casa?!

Uruha foi o primeiro a começar a rir, depois Aoi e, por ultimo, Reita, que se aproximou logo em seguida.

− Nee, Koi-...

− “Koi”, hmmm...?! – Uruha e Aoi se entreolharam enquanto falavam em uníssono, segurando o riso.

Reita riu levemente com a “surpresa” dos dois.

− Koi... Sinceramente, você deveria parar de usar, seja lá o que você esteja usando. Coisas que viciam não fazem bem para a saúde.

“ Então afaste-se de mim, porque você é o pior tipo de droga que existe. “ – sim, esse pensamento tolo me fez rir sozinho.

− A-ah... por que? – perguntei. Ainda não havia entendido.

− Porque nós fomos deixá-los em casa ontem.

Parei um minuto olhando para a cara dos outros. Eu provavelmente estava fazendo uma expressão bem idiota, porque eles começaram a rir novamente.

− E as roupas para o festival do templo... Vocês já escolheram? – Aoi perguntou.

− Já... Nós vamos com roupas normais. – Reita respondeu por nós dois.

− É? E os yutakas¹? – Dessa vez foi Uruha que perguntou, um tanto surpreso.

− Yutakas são difíceis de tirar e não esbanjam sensualidade.

− É... E não. Esse argumento não foi meu. – Disse, me levantando do sofá. – E yutakas não são nada difíceis de tirar.

Estávamos na casa de Uruha. O que fazíamos ali? Bem... Era uma pseudo-festa-do-pijama, só que estava de dia... E não estávamos de pijamas... Ah! E também não éramos garotas.

Na verdade nós estávamos nos “arrumando” para o festival ( pintando as unhas, ajeitando o cabelo... ).

− Errr... Bem, eu vou embora. Tenho que trocar de roupa e... Você vai comigo, Yuu?

− Vou. Só me deixa pegar minhas coisas no quarto do Uru...

− Coisas, é?! – ri baixo, me despedindo de Reita e do outro loiro.

~

Reita havia ficado na casa de Uruha, enquanto eu e Aoi íamos para nossa própria.

− Nee, Chibi – me chamou baixo.

Só então fui tirado dos meus pensamentos. Resmunguei qualquer coisa para avisar que eu estava ouvindo, não deixando de fitar o céu, a lua – àquela hora já havia começado a aparecer.

− Você não parece estar bem... Até me chamou de Yuu... Aconteceu alguma coisa?

Suspirei pesado, parando.

− Ah, Panther-chan,− riu com o apelido. − É que hoje é o ultimo dia da aposta e eu...

− Conte pra ele, Ruki. – interrompeu-me.

− Contar? E se-...

− Não vale a pena arriscar? Pelo menos você não irá morrer de arrependimento de nunca ter tentado nada.

Minha expressão transformou-se de um nada para um sorriso enorme, de imediato. Percebi que Aoi já estava bem na frente e corri para alcançá-lo.

~

Dei uma ultima ajeitada no cabelo – agora ruivo. Eu havia pintado ele logo que chegamos em casa. Queria fazer uma surpresa para Akira.

− Está bom assim? – me virei para Aoi.

Usava uma camisa branca de botões com mangas compridas, que tinha alguns detalhes em preto – inclusive um dragão que dava a volta nela toda. Uma calça Skini, preta e um creeper branco com detalhes em preto.

− Juro que se você não fosse quase um irmão para mim, eu ia A-M-A-R te levar pra minha cama e –

− AOI! – interrompi-o, rindo.

− Ah! Mas falta uma coisa.

− Hn?

Ele se levantou de minha cama e foi até o seu quarto, logo voltando com um anel prateado de caveira.

− A-Aoi... Ele é lindo. − disse quase babando enquanto ele me estendia o acessório. – E-Eu não posso aceitar!

− É falta de respeito não aceitar presentes! – fez um bico. Segurou, então, a minha mão esquerda e pôs o anel no meu dedo do meio.

− A-Ah... Obrigado, Aoi... Eu... Obrigado! – Respondi nervoso, atropelando quase todas as palavras.

− Nada, Taka... – Sorriu-me, fazendo um coração com as mãos.

~

− Nee, Miyavi! Me dá esse urso! – Reita berrava, “deitado” na mesa, tentando pegar o urso que havia ganhado numa das barraquinhas, e tenho certeza de que ele iria me dar.

− Há! Não dou! Vou dar pro Kai-chan! – Mostrou a língua, rindo.

− Se você não me der... Eu não pinto mais as suas unhas do pé! – Falou ameaçadoramente.

Eu estava chegando, então acho que ainda não haviam me visto. Sem contar que eu estava diferente.

− Reita... O Taka... Ele...

− Ele chegou. – Aoi terminou a frase do mais alto, rindo levemente pela sua surpresa.

− Ei, baixinho! – Miyavi levantou, aproximando-se de mim, rindo. Enquanto isso, Reita pegava o ursinho que Miyavi havia derrubado propositalmente.

Reita – enfim – virou-se, derrubando a pelúcia e entreabrindo os lábios. Ri levemente, aproximando-me de forma felina, abraçando sua cintura e erguendo a cabeça para olha-lo. Miyavi e Aoi estavam quase explodindo de rir. E Reita... Estava meio sem reação, apenas me olhava, sem conseguir retribuir o abraço.

− Vê se da próxima vez você traz um babador pra ele. – Implicou o moreno mais baixo.

Me virei para ele, rindo baixo. Reita corou tão violentamente que quase ficou fluorescente. Escarlate. Acabou estressando-se, bufou e mostrou o dedo do meio. Virei-se, fazendo um pequeno gesto para que saíssem. Logo que o fizeram, eu soltei Reita e ouvi-o comentar baixo e sem jeito:

− Ruki... Ficou perfeito. Não que não estivesse antes. Mas agora ficou diferente e... Uau!

Ri baixo, cobrindo os lábios com a mão e murmurei, de forma baixa e infantil:

− Você realmente é uma graça, Aki...

~

Eu e Reita havíamos sentado numa mesa na frente de uma das barracas. Aoi e Uruha estavam jogando na mesma, Miyavi ajudava Kai a terminar a organização dos fogos de artifício, e Reita havia ido comprar algo para bebermos. Eu estava simplesmente sentado, pensando a razão de Aoi ter vindo com um Kimono – quando deveria ser um yutaka – que, ainda por cima era dourado, cheio de detalhes e, obviamente, bastante chamativo.

− Mas vejam só, se não é o pequeno polegar...! – ouvi a voz já conhecida vindo de trás de mim, num tom irritante de implicância. – Cadê seus amiguinhos e o resto da parada gay?!

− Ah, muito engraçado! – virei-me sério, levantando. – Mas não acho que a piada ofenda só a mim, uma vez que você foi meu namorado por três anos, que, diga-se de passagem, foram os piores da minha vida. Então pense melhor antes de fazer uma piadinha ofensiva, Zero.

Vi-o perder toda a pose de ‘badboy’ na minha frente, e a menina que estava com ele riu levemente – parando só no momento em que ele a olhou.

Era difícil admitir, mas... Ver Zero me fazia ter recaídas. Porém eu NUNCA demonstraria fraqueza na sua frente. Não mesmo! Ele me humilhou e o que ele fez não se faz com ninguém. Mas isso não é nada que tenha que ser comentado agora.

− O Pigmeu agora ta querendo dar uma de espertinho, é? – falou entre dentes, quase roçando os lábios nos meus. – Acho que a melhor coisa que eu devo ter feito na minha vida, foi ter te traído com a Sayaka e-...

Como disse: Tenho recaídas. E, para ele citar isso, deve saber. Parei de ouvir o que ele dizia daquela parte, e só via seus lábios se mexendo. Meu corpo todo entorpeceu e meus olhos encheram-se de lágrimas. Vi-o afastar-se bruscamente de mim. Miyavi o estava segurando pela gola da camisa – sim, Miyavi era mais alto que ele. Kai nem se mexeu, apenas sorriu. Sabia que o namorado resolveria a situação da melhor forma possível. Uruha pareceu ter notado o meu quase desespero, porque falou algo para Aoi, que o fez me olhar e logo se aproximar, me abraçando e dizendo para que eu tivesse calma e que não deixasse um idiota qualquer acabar com a minha noite.

Aoi parecia mostrar certo, no momento certo. O ultimo a aparecer foi Reita que me viu aos prantos. Deve ter deduzido o que aconteceu, mas não demonstrou nenhum tipo de perca de controle externa. Ele caminhou, calmamente, até Zero, e sorriu, cínico. Sádico. Olhou para Miyavi e perguntou, seco:

− Quem é o idiota?

O moreno mal teve tempo de abrir a boca, porque foi interrompido por Zero.

− Você deve ser o novo ‘bofe’ do Matsumoto! – riu da própria “piada”.

− Sim. Eu sou o novo namorado do Ruki. – Acredite se quiser, mas quando ele terminou de dizer isso, o sorriso que me deu quase me fez explodir de felicidade. – E você, quem é? Oh, espere... Isso não vai acrescentar nada a minha vida; sendo assim, eu realmente não me importo. Mas, escuta... Se você fizer qualquer coisa que seja, ao Takanori, nem queira saber o que vai acontecer à você.

− Ah, que bonitinho! O príncipe defendendo a princesinha. Que meigo! – falou em tom de deboche.

Reita o chutou no meio das pernas, algumas pessoas em volta já paravam para prestar atenção no que não interessava de modo alguma, a elas. Miyavi o soltou e ele caiu, encolhido no chão. Reita agachou-se, deixando os braços “soltos” sobre os joelhos.

− Não brinque comigo... Você não me conhece e, não sabe do que sou capaz. – riu cínico e levantou-se indo até a mim e Aoi.

Yuu sorriu-me terno e afastou-se.

− Ta tudo bem, Takanori?

− Depois de saber que nós estamos namorando? Claro que está.

Ele sorriu e afagou meus cabelos. Logo fomos olhar as outras barracas.

~

Havia começado a ficar tarde e, ao contrario de quando ainda eram três horas da tarde, estava frio. O céu estava fechado, com muitas nuvens carregadas. Iria chover muito, provavelmente. Meu pensamento não demorou para se concretizar. O pouco que senti e ouvi antes de já estar completamente ensopado, foi o braço de Reita me puxando para o meio do templo e gritos estridentes de alguma garotas.

− Suzuki Akira, o que você pensa que está fazendo?! – minha voz havia saído mais alta e afetada do que eu desejava, fazendo-me estapear mentalmente.

− Te puxando pra tomar banho de chuva. – sorria inocente. Acreditem: quando ele diz “puxando” é no sentido real da palavra, porque eu ainda tentava me soltar dele, para poder me abrigar no templo junto com as pessoas normais.

Reita era capaz de mandar minha sanidade para o outro lado do mundo, tanto que eu já não me debatia. Senti a água fria bater contra meu corpo tépido. Apesar de tudo, era uma sensação boa. Cruzei os braços sobre o peito, afim de esconder pelo menos parte do meu tronco. Afinal minha blusa era branca e fina, e o contato com a água a deixou praticamente transparente. Corei intensamente ao lembrar disso. Reita, ao notar, riu levemente e me puxou pelo pulso. Quase que instantaneamente me aninhei ao seu corpo. Mesmo molhado, ele ainda era quente e muito apertavel.

− Eu te amo, Koi... Muito. – falei baixo devido a minha voz já estar embargada pelo meu choro silencioso em que minhas lágrimas misturavam-se as gotas de chuva.

− Eu também te amo, Takanori. – falou fazendo com que eu escondesse o rosto na curva de seu pescoço.

Notas finais
¹: Yutakas parecem kimonos só que são mais frescos e normalmente usados no verão. D:'