O Perdedor
13 Mentirosa.
Notas iniciais
E o capitulo ta um lixo só.'
Dois meses... Fazia dois meses que nós estávamos juntos. Não havia mais tido notícias de minha mãe desde aquele dia. Eu agora trabalhava num pequeno, mas bastante “chique” – se é que podemos chamar assim −, café. Assim eu podia ajudar Aoi com as contas de casa. E era exatamente isso o que eu estava fazendo nesse momento: trabalhando. Mas algo tirou minha atenção da caixa registradora. Uma mulher muito elegante entrava no estabelecimento. Usava um vestido vermelho com poucos detalhes em branco, e um casaco felpudo de tom bege. Também tinha um óculos escuro grande que, ao se debruçar sobre o balcão, foi tirado de seu rosto e levado ao topo de sua cabeça.
Seu rosto, agora à mostra, não me era nada estranho.
− Eu gostaria de falar com Takanori. Matsumoto Takanori. Você o conhece? É aqui que ele trabalha? − Falava com Bou, meu colega de trabalho.
− Ah, claro. Ele está bem aqui. − respondeu o loiro, apontando para mim, que até então estava completamente aéreo.
Me virei completamente para ela, sorrindo − claro, tinha que parecer simpático, afinal ela ainda era uma cliente.
− Pois não? − Perguntei inocente.
− Ah, Matsumoto-san... Eu sou Naoki Shizume. Sei que não me conhece, mas eu o conheço.
− Você... Me conhece?
− Mais do que você imagina. Mas não é sobre você que eu vim falar... Quer dizer, você está envolvido. Na verdade o assunto principal é Suzuki Akira.
Me surpreendi ao ouvir o nome de Reita sair dos lábios pintados daquela mulher. O que ela queria com o meu Akira? Ah, coisa boa não seria... E agora eu tinha mais certeza ainda. E porquê? Por que eu havia lembrado dela. Era a tal mulher que havia tentado agarrar Reita no dia que fomos à tal boate.
Pedi que Bou me desse cobertura, enquanto eu ia saindo do estabelecimento acompanhado de Shizume.
~
Havíamos ido à um outro café ali perto, já que seria um problema se meu chefe me visse conversando em horário de trabalho.
Sentamos em uma mesa mais reservada. Eu me mantinha em silêncio o tempo todo, até que ela começou.
− Você é o que de Akira?
− Eu sou namorado dele. − Foi algo que saiu mais que por impulso, e logo que percebi o que havia dito corei instantaneamente.
Não que eu tivesse vergonha, é só que... Era a primeira vez que eu falava da nossa relação para alguém. Ela riu, descrente.
− Estou falando sério, Matsumoto-san...
− Eu também. − respondi sem entender porque ela havia dito aquilo.
− Deve estar havendo um engano, porque eu tenho uma relação com Akira há dois anos. Você deve ter confundido.
− Não, Naoki-san. − interrompi-a. − Eu não confundi nada e não acredito que Reita possa estar me traindo com você.
− No caso, pequeno, ele estaria me traindo com você.
− Não importa, Naoki-san! − quase elevei o tom de voz. Algumas pessoas até chegaram a se virar para nós dois. − Eu simplesmente não acredito.
− Eu sabia que não acreditaria. − disse pausadamente, mexendo na bolsa. − Foi por isso que eu trouxe isso.
Ela me estendeu algumas fotos e, meio hesitante, eu as tomei de sua mão. Imediatamente senti meu rosto ser queimado por filetes de algo quente escorrendo de meus olhos. Eu estava chorando. Chorando por saber a verdade de uma maneira tão fria. Chorando por alguém que havia mentido para mim. Traição, pensei. Eu me sentia traído. Eu havia sido traído.
De fato Akira e Naoki-san estavam juntos e as datas das fotos comprovavam aquilo.Uma delas havia sido tirada há duas semanas. Eu me lembro de Reita não ter me dado noticias o dia todo. Mas não desconfiei que ele estivesse com outra pessoa em momento algum. Nessa mesma foto, estava a seguinte imagem: Akira e Naoki de corpo inteiro, abraçados de forma visivelmente carinhosa e beijando-se; Reita havia estendido a mão para a câmera como se para impedir que a foto fosse tirada. Atrás havia a linda paisagem do parque da cidade, algumas pessoas fazendo piquenique, umas crianças brincando, e o grande letreiro um pouco ao longe, mas mesmo assim visível, indicando a data, hora e até mesmo temperatura em cores berrantes e fluorescentes de vermelho. Daqueles que ficam dando informações desse tipo ou que eventos terão no dia...
Naoki me olhava de forma preocupa, mas eu sabia que no fundoela não dava a mínima importância para como eu estava me sentindo.
− Matsumoto-san... Eu... Eu sinto muito se Akira não é o que aparenta. Eu queria tê-lo avisado antes, mas... Me desculpe.
− Não, Naoki-san... Ele é exatamente o que aparenta.
Soltei as fotos, me levantando e seguindo para a rua.
Caminhei algum tempo sem direção nenhuma, deixando que meus pés me levassem até onde eles quisessem. Vez ou outra eu levava minha mão à cabeça, puxando meus fios de cabelo – que novamente eram loiros −, devido a dor que sentia ali.
Não chorava mais. Não tinha forças. Cheguei em casa e fui direto para o quarto. Por sorte Aoi não estava e por isso eu não teria que responder seu interrogatório do porque de eu estar daquele jeito.
Como fui idiota... Idiota e ingênuo!
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