O Perdedor
5 Primeiro dia.
Notas iniciais
É... Eu estou aqui, num sabado consideravelmente frio, esperando o Reita chegar para o primeiro dia da nossa aposta. E, adivinhem! Nós escolhemos um parque de diversões. O unico problema é que eu não sabia que a manhã seria tão fria assim e acabei saindo de casa somente com um casaco que mal esquenta meus braços.
Encostei na parede ao lado da bilheteria; Olhava a hora no celular a cada segundo. Quando eu menos esperava, vi um vulto de faixinha atravessando a rua com mais uma manada de pessoas. Pude sentir meus labios se abrirem num enorme sorriso. Ele certamente ja havia me visto tambem porque sorriu de volta. Ele parou a minha frente. Fiz uma expressão falsamente magoada.
— Está atrasado, idiota! — meu tom saiu num falso manhoso e minha mão foi de encontro ao ombro dele, dando um leve soco no local.
— Oh, me desculpe, senhor Ruki. Tive problemas no trânsito.
Nós dois rimos e mais uma vez soquei seu braço.
— Você não veio de carro. Não adianta tentar mentir pra mim! — brinquei.
~
Fomos em varios brinquedos e a cada minuto que passava ficava mais frio. Inclusive ja estava quase de noite e eu juro que poderia morrer congelado ali mesmo! Eu e Reita estavamos sentados num dos varios bancos do parque. Eu tentava inutilmente aquecer os braços, passando as mãos por eles insistentemente.
Senti algo passar por minhas costas e ficar seguro em meus ombros. Olhei para Reita e notei que ele não usava mais o casaco com que havia chegado, só assim raciocinei sobre o que ele havia posto em mim.
— Você...parecia estar com frio. — falou quase que desconcertado, coçando a nuca. Pude ver que seu rosto estava rubro, mesmo com a faixinha. OH, MEU DEUS, COMO UMA PESSOA SÓ PODIA SER TÃO ADORÁVEL?
— Você é uma graça, sabia? — ele corou mais, fazendo-me rir.
~
Eu e ele caminhavamos pelo parque escolhendo o ultimo brinquedo em que iriamos. Seu casaco ainda estava jogado sobre mim e um de seus braços passados por cima de meus ombros, juntando-nos. Ignoravamos todas as pessoas que nos olhavam visivelmente \"enojadas\" e incomodadas. Preconceituosos! Eu juro, mataria uma a uma se pudesse. O outro braço do loiro estava jogado ao lado do corpo, com a mão no bolso.
— Nee, Rei-chan... — falei manhoso.
— \"Rei-chan\"? — ele riu pelo novo apelido — Hn?
— Porque não vamos na roda gigante? É um brinquedo bastante romantico e pode ser que te faça ganhar a aposta.
Ele riu enquanto nos dirigiamos ao brinquedo.
~
Nossa cabine estava bem no alto nos dando uma bela vista de todo o parque assim como tambem de uma boa parte da cidade de Tokio. E, admito: era uma vista realmente linda, que nenhum dos meus antigos namorados e namoradas tinham me dado ao luxo de ver. Num minuto nossa cabine parou, ainda bem la no alto. Reita levantou-se e veio se sentar ao meu lado.
— É lindo, não é? — sorriu para mim, quando passei a fita-lo.
— Ah, é sim... — sorri de volta.
— Ja havia visto?
— Err... Não exatamente.
— Então como sabia que era tão romantico assim, se nem havia experimentado?
— Filmes. — ri.
— Hum. — cinco segundos de silencio se seguiram, até que sua voz rouca o cortou — Então... já está funcionando? — falou divertido.
— Oque, Rei-chan?
— Você ja está começando a se apaixonar?
Nós dois rimos e quando paramos senti sua cabeça repousar em meu ombro.
— Eu... não sei. — sorri discretamente — Realmente não sei. — falei baixo, mais para mim do que para ele, enquanto uma de minhas mãos fazia um leve afago nos fios loiros.
~
Ja de noite, eu e ele caminhavamos pela rua quase \"deserta\" — ninguem corria o risco de sair numa noite de sabado, a pé. Reita ia me deixar na casa de Aoi antes de ir para a sua, pois preocupava-se comigo. Jogávamos conversa fora, ríamos, falávamos alto sem nos importar se acordaríamos ou não as pessoas que dormiam, até chegarmos.
Antes que ele fosse embora,perguntei sem receio algum:
— Aonde vamos amanhã? — fitei-o, segurando a porta de vidro que dava para as escadas do prédio.
— Segredo. — sibilou, despedindo-se com um selo rapido mas mesmo assim carinhoso.
Só pude sorrir mais ainda com isso.
Subi as escadas realmente satisfeito com o meu dia. Estava ansioso para saber o que aconteceria no segundo dia da aposta. Reita era muuuito imprevisivel e eu adorava aquilo. Assim como adorava seu sorriso, sua voz...na verdade, ainda estou tentando encontrar alguma coisa que eu não goste nele. Esse pensamento bobo acabou me fazendo rir por dentro.
Logo que entrei no apartamento desabei ao lado de Aoi, que estava no sofá assistindo um filme de alguma coisa...um trash dos classicos, acho. De qualquer forma não dei muita atenção a televião.
Conversamos um pouco e fomos dormir...digo, Aoi foi dormir. Eu não consegui pregar os olhos em momento algum. Tudo que se passava por minha cabeça eram milhões de perguntas relacionadas ao loiro. Reita poderia ser considerado um novo tipo de droga...Pelo menos pra mim.
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