O Perdedor
6 Segundo dia.
Notas iniciais
Eu estava a quase dez minutos esperando Reita, na frente do prédio de Aoi. Por todos os demônios do inferno, ele deve ser muito narcisista pra sempre se atrasar assim!
Quando eu menos esperava um carro bastante bonito parou a minha frente, e adivinha quem saiu dele? Isso mesmo...Reita¹. Seu sorriso era quase que orgulhoso. Fiquei me perguntando de onde ele tirava tanto dinheiro para comprar um... um... Bem, não reconheci o carro, nunca me interessei por coisas desse tipo. Mas parecia ser realmente caro.
— Você está atrasado. De novo. — meu tom era falsamente magoado, meus lábios tonaram-se um bico bastante infantil.
— Problemas no trânsito... — ele sorriu, dando a volta no carro e encostando-se na frente da porta fechada, do passageiro.
Eu me aproximei felinamente, quase receoso. Meu corpo pendeu para frente e \"deitou\" sobre o seu, como se ele fosse um apoio — e era. A distancia entre nós dois era quase nula, não fosse pelos labios que estavam ainda a uma distancia de consideraveis poucos centimetros.
Uma de minhas mãos repousou sobre seu ombro, enquanto as suas voaram para minha cintura, segurando-a suavemente. Minha outra mão foi para seu cabelo, ajeitando alguns fios que eu supuz estarem fora do lugar.
Era a primeira vez que ficavamos tão proximos um do outro e eu... Gostei daquilo. Gostei muito.
— Não é legal dar a mesma desculpa duas vezes. — comentei. Minha voz saindo infantil.
— Você não me deixou terminar. — riu fraco — Tambem tive alguns problemas no trabalho.
— Trabalho... num domingo? — perguntei, descrente.
— É. Eu até gosto um pouco do meu trabalho, apesar de tudo. — ele parou — Bem, vamos. Ainda temos um lugar para passar antes.
— E aonde vamos?
— Pare de ser tão curioso!
~
Paramos na frente de uma casa realmente luxuosa.
Reita abriu a porta do carro mas parou antes mesmo de pensar em por um de seus pés para fora do veiculo.
— Não desça. Vim apenas pegar um dinheiro e ja volto. — advertiu, descendo.
Ele fechou a porta e deu a volta no carro. Parou na frente da porta da casa, onde tocou a capainha. A pessoa demorou um pouco para atender, mas logo uma moça realmente bonita apareceu. Pelos gestos que fazia acho que estava convidando-o para entrar, mas ele recusou.
Ela fechou a porta e Reita ficou esperando, encostado na parede ao lado do hall; as mãos no bolso. A mulher não demorou muito dessa vez. Entregou o dinheiro ao loiro e quando ele ja estava se virando para voltar ao carro, ela segurou seu braço. Reita parecia não mostrar nenhum tipo de afeto por ela. A mulher laçou-lhe o pescoço e tentou beija-lo. E eu juro que se não fosse tão obediente e controlado, eu sairia daquele carro no mesmo instante e marcaria territorio no Reita naquele momento!
Mas não foi preciso eu fazer nada do que estava se passando pela minha cabeça. Reita a empurrou e simplemente fingiu que ela não estava falando nada. E parecia estar xingando de todas as coisas possiveis. Quando entrou no carro, suspirou cansado, passando a mão pelos cabelo e guardando o dinheiro no bolso da calça. O que diabos havia sido aquilo?
Fiquei fitando-o preocupado. Ele, ao perceber, direcionou o olhar pra mim e sorriu. Um sorriso que me fez perceber que só aquilo bastava. Era como um \"não se preocupe\".
Ele tirou algo do bolso em que não havia guardado o dinheiro e... ah, uma venda! Ele passou por meus olhos e, mesmo com as minhas duvidas, eu sorri.
— Mas oque-...?! — Parei quando um de seus dedos pousou em meus labios, pedindo silêncio.
— Shh... Não pergunte. Só...confie em mim. — seu tom era calmo e o imaginei sorrindo, do jeito que havia acabado de fazer.
— Eu confio... Mais do que deveria. — falei somente para mim,não deixando que ele ouvisse.
~
Quando chegamos ao local ele tirou a venda de meus olhos, fazendo com que eu me surpreendesse: Era uma boate fechada, daquelas que só se entra com convite. Estava sempre cheia, com uma fila para a entrada sempre maior, e hoje não era diferente. Porem, Reita pareceu ignora-la e foi direto para seu começo, falando com um dos seguranças que nos deixou passar, mesmo com todos os protestos das outras pessoas. Ele é realmente imprevisivel.
Ja dentro do local fomos ao bar. Bebemos um tanto consideravel de tudo oque tinhamos direito, inclusive algumas das bebidas mais caras do local. Perguntei como ele pagaria por tudo aquilo e ele simplesmente disse que eu não me importasse com aquilo agora.
E assim o fiz.
~
Ja haviamos dançado a ponto de parecer que haviamos tomado banho e fomos a uma parte mais \"reservada\" da boate. Tinham poucas pessoas por ali e noventa por cento das que estavam eram casais.
Eu e Reita desabamos em um dos sofás dali. Minha cabeça e parte de meu corpo, deitado sobre o seu. Um de seus braços passados por meu ombros, a mão acariciava delicadamente meus fios loiros. Eu adorei aquele toque.
Vez ou outra ele me dizia coisas melosas em sussurros e eu respondia de mesma forma. Mas estavamos bêbados! É normal que bêbados fiquem mais sensiveis, melosos e chorões... De qualquer modo, eu sabia que oque sentia por Reita ja era mais do que algo fraternal... Mais que uma afeição. Estava me sentido tão calmo e leve ali, com ele que nem me dei conta de quando comecei a perder os sentidos e... Dormi.
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