Notas iniciais
Eu disse que não ia demorar! Ò___Ô /HA qiso

Arregalei os olhos ao ver o numero ja conhecido por mim. Aoi veio da cozinha a passos calmos, fazendo sinal para que eu ficasse calado. Eu ia questiona-lo, dizer para que não atendesse e que jogasse o telefone na privada e trocasse de numero, mas não pude. Reita me puxou quando eu ia levantar, fazendo com que eu sentasse novamente. Com uma das mãos prendia meu pulsos e eu duvidava que ele estivesse fazendo força, sempre fui um tanto fraco. Eu não podia me soltar mas ainda poderia gritar com Aoi até que ele desistisse dessa ideia idiota de atender o aparelho. E se não fosse a outra mão de Reita, eu o faria. Ele tapou minha boca, impedindo que qualquer som escapasse dali. E mesmo assim eu esperneava. Inutil. Kai parecia que iria explodir de tanto rir da situação.

— Alô? Ah, senhora Matsumoto! — disse como se ja não soubesse quem era antes mesmo de atender — Assassinado? Nããão... — provavelmente, pelo desespero, ela não notou o sarcasmo na voz dele (coisa que até um surdo notaria, tratando-se de Aoi) — O Takanori? — ele parou um minuto e olhou para mim, rindo sadicamente — Não. Ele não está aqui. — riu baixo — Eu não sei onde ele está. Uhum. Não, não. Tudo bem. Eu aviso se souber de qualquer coisa.

Aoi desligou e os tres riram. Reita me soltou e eu fiquei olhando-os, como se não tivesse entendido o que havia acontecido.

— Você realmente achava que eu ia contar pra sua mãe, Ruki? — Aoi perguntou em meio aos risos.

— Eu não sei. Não duvido de nada quando se trata de você. — falei, emburrado.

— Nee, chibi... Não seja tão insensivel! — falou quase que manhoso, logo voltando a falar normalmente — Você sabe que eu nunca faria nada que o prejudicasse. Nem eu, nem Kai, nem Reita.

Kai veio, finalmente, até nós tres. Parou a minha frente e se ajoelhou para poder ficar a altura do meu rosto.

— Não precisa ter medo de nos contar nada. Mesmo que sejam coisas assim. Ou será que você não confia em nós? — perguntou.

— Kai-kun... Não é isso! — respondi.

— Tudo bem. Eu e Aoi estamos indo a cozinha preparar alguma coisa para comer. — levantou-se, ja puxando Aoi pelo braço — Vão querer alguma coisa em especial?

— Não. — Reita respondeu por nós dois.

— Então está bem. — e sumiu com Aoi na cozinha.

Restamos somente eu e Reita na sala. Ajeitei-me no sofá, repousando as costas no encosto do mesmo e Reita repetiu o gesto. Não conseguia fita-lo diretamente.

— Me desculpe. — falei num quase sussurro.

Ele abriu a boca para falar, mas fomos interrompidos novamente. Dessa vez por seu celular¹. Ele me pediu licença e olhou na pequena tela pra ver quem era. Sua expressão foi de uma quase surpresa.

— Alô? Aconteceu alguma coisa, Uru? — demorou um pouco escutando o que o outro falava. Eu quase pude escutar tambem porque essa tal Uru \"falava\" gritando — Não. Olha, espera um minuto.

Ele se levantou do sofá e foi para a sacada, debruçando-se no parapeito. Fiquei me sentindo quase que um \"intruso\". Tal pessoa era tão importante assim para que Reita não quisesse que eu ouvisse sua conversa com ela?

~

Ele voltou a sala e sentou-se no mesmo lugar em que estava antes. E, como sempre fui uma pessoa muito curiosa, não pude segurar minha lingua.

— Quem era?

— Porque quer saber? Ah, não me diga!? Você está com ciumes? — ele me lançou um olhar que, eu juro, não poderia ser mais malicioso que aquilo.

— Eu? Pff... Eu? com ciumes de você? Pff! Pff...


— Ah,é? Então... Vamos fazer uma aposta. — seu tom era casual.

— Que... Que tipo de aposta? — falei meio assustado.

— Eu aposto... Que faço você se apaixonar por mim. Em uma semana.

— E... Qual é o prêmio?

— O prêmio? — ele riu — Tem coisa melhor do que se apaixonar por mim?

— Convencido! — bati nele com uma almofada. Meu tom de voz levemente alterado e feminino, quase magoado.

Ele ria, se defendendo.

— Mas não é verdade?!

— Então está apostado! — sorri, enfim.

Kai e Aoi voltaram a sala sorrindo, trazendo algo que parecia realmente estar bom. Duvido que Aoi tenha ajudado a fazer algo. Ele nunca cozinhou bem!

É... Seria uma longa semana. Seria bom se distrair com algo assim, após o que havia acontecido. Eu não poderia viver o resto da minha vida com \"eu matei uma pessoa\". Não! Agora eu deveria recomeçar. Ja sabia que meus amigos por mais estranhos que fossem estariam sempre comigo! E eu agradeço por ter pessoas que se preocupam tanto assim comigo.

Notas finais
¹: Nessa fic o toque do celular do Reita é Zetsu. *-* /nãoperguntemporque,esim,issonãotemnadaaver.