O Patrono Perdido
12 Capítulo 11: A Formação de Um Cúmplice
Notas iniciais
Do lado de dentro de Severo Snape, a guerra era grande.
Tudo o que tinha aprendido ao longo da vida. Uma vida sensata e contida, basicamente permeada pelo estudo das Poções e das Artes das Trevas. De que lhe servia? De que lhe servira?
Há dois dias, não pregava os olhos. Estivera com uma única memória na cabeça; uma memória que nunca fora de grande importância, mas que, agora, passava a mudar tudo.
Alterar o passado. Remo Lupin tinha mesmo sido presenteado. Se é que se podia chamar aquilo de presente.
Ao contrário de Remo, desde que a insanidade começara, Snape teve muito pouco trabalho. Na verdade, o seu trabalho foi apenas juntar as palavras proferidas por Remo: "Snape", "Sirius", "Salgueiro", "Dementadores", "Patrono", "Cachorro". Então, a sua mente encarregou-se, sozinha, de lhe apresentar uma sequência real de fatos que envolvia aquelas palavra. Afinal, só fora atacado — e salvo — de dementadores nas proximidades do Salgueiro Lutador, ao lado daqueles grifinórios, uma única vez na vida.
A conclusão era uma só: Remo não estava preso em uma realidade ilusória, mas voltando ao passado. E decerto já o tinha alterado.
Não era possível a Severo deduzir se alguma alteração já tinha ou não sido feita. Pois, mesmo que aquela sequência de fatos com os dementadores não tivesse acontecido na versão original do passado, as suas memórias englobariam apenas a nova versão, já alterada. Assim, a nova versão passaria a ser a única, a original; e a antiga versão passaria simplesmente a não existir mais.
Aquele conjunto de fatos significava que Severo jamais poderia descobrir se a sua memória refletia um passado original ou um passado já alterado por Lupin. Mas uma coisa era certa: ele estava voltando. E se estava voltando, podia sim, muito bem, alterar o que quer que fosse.
Eram exatamente aquelas ideias que estavam destruindo a parte sensata do seu ser.
Tentou de tudo com a varinha. Durante dois dias, não viu a luz do dia, tentando descobrir como, por quê, de onde ela viera.
Esperava que, depois de ter aplicada sobre si uma quantidade enorme de feitiços, a varinha enfim cederia e revelaria seu segredo. Mas não revelava. E pior do que isso, não o levava consigo. Não o transportava como fazia com Remo — para a sua mais profunda infelicidade.
Sabia muito bem que era errado fazer alterações. O tempo era, de todos os fenômenos do mundo bruxo e trouxa, o mais decisivo e perigoso. Coisas terríveis e inimagináveis podiam acontecer quando se alterava algo que estava no passado. O risco estava acima de quaisquer expectativas; e Severo já não tinha muitas. Mas algo o mantivera acordado, atordoado, dividido durante aquelas quarenta e oito horas.
Um tempo de dois dias, divido entre justamente duas atividades: uma, tentar desfazer — ou compreender, ou reproduzir — a maldição embutida na varinha; e a outra, analisar a pena de uma caneta de tinta que mantinha guardada em seus pertences.
Tinha somente a pena, mas a caneta em si, não a tinha; francamente, não sabia nem mesmo a qual caneta aquela pena devia ter pertencido. Mas sabia que a caneta, por sua vez, pertencera a Lílian Evans.
Ele a tinha pego em uma dia qualquer, após uma aula qualquer. Não havia muitas aulas em que grifinórios e sonserinos ocupavam a mesma sala, na mesma hora; mas havia algumas. Em uma daquelas aulas, a pena havia descolado do restante da caneta, e Lílian, não tendo muito interesse em repará-la, optou por guardar apenas a parte funcional que envolvia a tinta. Quanto à pena, permaneceu na mesa até ser recolhida por Severo. Ele não chegou a devolvê-la.
Agora, depois de vinte anos, voltava a analisar aquela pena. Uma pena em tons de azul claro, com poucos detalhes mais escuros ao longo de sua extremidade. Aqueles detalhes sempre estiveram ali ou ela tinha sido manchada ao longo do tempo?
Vinte anos não eram vinte dias. Voltar no tempo e alterá-lo era alterar tudo. Não era só a vida de Lílian Evans que podia ter sido salva ao longo daqueles vinte anos; apesar de que a sua certamente valia mais do que as demais na concepção de Severo.
Se um único aspecto do passado pudesse ser alterado, seria como se todos aqueles que haviam partido pudessem voltar à vida. Seria como se nunca tivessem morrido; seria como se a verdade passasse a ser outra, enquanto a antiga verdade seria instantaneamente esquecida, por deixar de ser real.
Seria como se Snape nunca a tivesse perdido, apesar de nunca tê-la tido, realmente, para si. A sua ressurreição talvez valesse o risco e o esforço. Se Remo conseguisse voltar mais uma vez e alterar aquela sinistra sequência de fatos, talvez o seu destino pudesse ter sido diferente.
Mas o que era certo fazer?
E se alterar o passado e trazer Lílian de volta não era a coisa certa, então como poderia convencer Lupin a fazê-lo?
*~*~*
Agora, estavam frente a frente. Remo acabava de voltar de uma viagem pela memória de Snape; uma memória que envolvia todas as palavras proferidas por ele em seu estado inconsciente.
Estava cansado. Estava acabado.
A sua confusão era tamanha, que não conseguia sequer organizar os próprios pensamentos. A conclusão à qual acabava de chegar era que não estivera dentro de uma Ilusão de Lacre, mas dentro do passado. Pois só a hipótese de ter voltado ao passado combinava com a existência daquela memória em Severo.
"Snape...", murmurou ele, como em um pedido de ajuda.
"Achei que não fosse possível", respondeu o sonserino, antes mesmo de ouvir a sua pergunta. Os pensamentos de ambos, de alguma forma, pareciam coincidir.
A sala de Dumbledore parecia mais escura que nunca. Nenhum barulho se fazia ali dentro, à exceção de um Relógio Bruxo à parede, que tiquetaqueava, indicando que o tempo ainda não havia parado. Mas para Remo já havia parado; parecia-lhe que sempre estivera parado.
Não conseguiu dizer mais nada por alguns minutos.
Uma mistura de sensações apoderava-se da sua pessoa. Parecia-lhe que, a qualquer momento, um amigo falecido abriria a porta da sala de Dumbledore e por ela entraria, ressuscitado; ou que qualquer pessoa que estivesse próxima, ainda viva, poderia abruptamente vir a morrer de uma hora para a outra; ou que ambas as coisas poderiam acontecer ao mesmo tempo, e então todos ficariam ali, tranquilamente passeando e alternando entre vida e morte, presente e passado, realidade e fantasia.
O limite entre vida e morte parecia mesmo tão tênue.
"Eu posso usar o Portal mais de sete vezes. Não posso?", sussurrou ele. Atualmente, era a única informação que parecia ter qualquer importância.
Mas Snape estava alheio à conversa. Mantinha-se apenas dentro dos seus próprios pensamentos, os quais não dividia. A sua postura rígida e silenciosa causava em Lupin alguns calafrios; no entanto, já estava mesmo se acostumando àqueles calafrios, que se haviam tornado cada vez mais frequentes nos últimos dias.
A sua vida estava mesmo de cabeça para baixo. A quem estava tentando enganar? Severo prosseguia em um assunto paralelo:
"Não achei que fosse possível você voltar ao passado. Nem que fosse possível alterá-lo."
Alterá-lo.
Sim. Era uma possibilidade.
Se Remo estivera voltando e alterando o passado durante todo aquele tempo, fazia todo o sentido o fato de que não se lembrava de nenhum daqueles acontecimentos antes de tê-los vivido recentemente. Claro: no seu passado original, ele não tinha se afastado dos Marotos; não tinha sentido aquele interesse por Sirius Black, nem tampouco o tinha beijado; não conhecera nenhum Jardim das Sombras; nem sequer se lembrava de ter tido um Patrono em forma de cachorro. Pois, pelo que sabia, seu Patrono sempre tinha sido uma lebre.
Portanto, só podia estar vivendo aquela sequência absurda de fatos porque estivera alterando o passado, mesmo que por acidente.
"Você percebe?", perguntou Severo, finalmente encarando-o como se estivessem mesmo em um diálogo.
"Percebo o quê?", perguntou Remo, exausto demais para perceber qualquer coisa que não estivesse bem sob o seu nariz.
A única coisa que percebia era que podia voltar ao passado quantas vezes quisesse, sem ficar preso. Percebia que poderia reviver a sua juventude com os amigos pelo tempo que quisesse, como bem entendesse. É claro que aquilo, agora, envolveria alguns riscos — pois voltar ao passado envolve o risco de alterá-lo, o que pode trazer drásticas consequências -, mas Remo tomaria cuidado para não alterá-lo excessivamente. E ainda que o alterasse um mínimo... Bem, que mal faria uma alteração mínima, se fosse por um bom motivo?
Remo era um homem bom e lúcido, mas não estava à luz da sua razão. Na verdade, fazia algum tempo que não se sentia estar sob luz alguma.
"Que você pode salvá-los", respondeu Severo.
Salvá-los.
Severo soltou um longo e lento suspiro, como tentasse acalmar a si mesmo, antes de prosseguir:
"Se você voltasse e convencesse os Potter a não confiarem seu Segredo à pessoa errada... Talvez Lílian e Tiago não tivessem morrido. Talvez você pudesse ir com antecedência a todos os lugares onde sabemos que Você-Sabe-Quem foi...", e, conforme ia falando, um brilho estranho surgiu nos seus olhos, como se ele desejasse, mais do que tudo, que aquela possibilidade existisse. "Talvez Harry Potter ainda tivesse seus pais; talvez não existisse nem a Primeira Guerra Bruxa", concluiu.
Os olhos de Lupin residiam sobre o chão.
Aquilo não era errado? Mudar tanto assim o passado; trocá-lo por algo incerto. Trocá-lo por algo que, talvez, fosse pior. Ou imensuravelmente melhor.
"Talvez Sirius Black não tivesse sequer sido preso. Talvez você não precisasse nem salvá-lo", prosseguia Snape.
Era jogar uma roleta-russa. Um tiro no escuro.
"Dumbledore disse que não podemos trazer os mortos de volta", murmurou Lupin, cujo olhar já estava distante, em algum lugar sobre o chão. Bem, a verdade é que já não sabia se realmente acreditava nas palavras de Dumbledore. Mas ainda assim, por que justamente Severo Snape queria salvá-los? Por que falava sobre trazer de volta pessoas com as quais nem sequer tinha afinidade? Com as quais nem mesmo se identificava?
"Severo, você sabe tanto quanto eu que não se pode mudar o passado", mentiu. Nenhum deles tinha mais tanta certeza.
Mas era mesmo uma opção tentadora. Ter os amigos de volta. Não ter mais de voltar vinte anos no tempo para reencontrá-los. Não ter mais que aproveitar a presença de Sirius como se ele fosse um fantasma, prestes a sumir a qualquer instante.
"Eu não estou dizendo para você mudar o passado", justificou-se Severo, aparentemente temendo ser culpado caso as coisas não corressem tão bem. "Mas você já alterou, Remo. Você tem alterado. E nós ainda estamos aqui."
"E o que você sugere? Que eu volte e mande Tiago confiar o Segredo a quem?", perguntou Remo, agora incomodado. Sentia-se próximo do seu limite de negar uma proposta como aquela. "A Sirius é que não vou deixar. Eles vão matá-lo. Prefiro eu mesmo ser o Fiel."
Um novo silêncio instalou-se sobre o cômodo antes que o sonserino retomasse a palavra:
"Seria trocar uma morte pela outra. Você e Sirius seriam óbvios demais. Além disso, você deve voltar aqui, ao presente, e verificar se tudo foi mesmo alterado. Você não pode correr tantos riscos".
Voltar e verificar se tudo foi mesmo alterado. Por um breve instante, Remo visualizou-se aparatando e descobrindo um futuro cem vezes pior do aquele, com Lord Voldemort no poder, sem Harry Potter, sem seus amigos, sem a Ordem da Fênix. Na sequência, viu o oposto: Voldemort destruído, a Ordem com mais membros e mais fortalecida, inúmeras vidas poupadas, incluindo a de Sirius.
"Eu tenho condições de enfrentar Você-Sabe-Quem, mesmo que seja para fazê-lo perder tempo. Eu também sou a opção menos óbvia do círculo social dos Potter", continuou Severo.
A opção menos óbvia? Snape sequer estava no círculo social dos Potter. Remo não pôde acreditar no que pensava estar entendendo daquela conversa; mas foi no segundo seguinte que comprovou suas hipóteses, quando o outro concluiu:
"Você deve convencê-los a confiar o Segredo a mim."
O grifinório arregalou os olhos assustados na direção daquele homem. Arriscar a própria vida para salvar pessoas que pouco lhe fariam diferença?
"Severo...", gaguejou, tentando ainda entender o que se passava ali. "Isso não é... Errado?"
"Eu não sou a pessoa mais indicada pra responder."
Que ele estava dizendo? Em que estavam pensando?
Severo Snape também era, no fundo, um homem bom e muito lúcido; mas, se agora estava imerso em qualquer coisa, era na sua própria obscuridade. Parecia obcecado com algo que não se podia definir; algo profundo e inquieto, como uma obstinação. Como uma missão de vida.
Para sua maior surpresa, Remo também passava a pensar que, como ele, tinha uma missão de vida. Não era possível, afinal, que aquele Portal de Tempo tivesse caído em suas mãos sem razão alguma. Tinha de haver algo por trás.
"E se der errado..."
"Ninguém pode saber", murmurou Snape, como temesse que as paredes pudessem ouvir. "Em nenhuma hipótese."
Lupin assentiu com a cabeça. Ambos estavam distantes de seu melhor juízo. A última pessoa no mundo que esperava ter como cúmplice era Severo Snape, mas a necessidade falava mais alto. Os olhos de Sirius, escuros e silenciosos, ainda era reproduzidos dentro da sua cabeça, em um filme infinito. Precisava vê-los mais uma vez, mesmo que fosse para dar o último adeus.
Não esperava conseguir salvar a todos. Mas se conseguisse salvar a vida de um deles, então tudo já teria valido a pena.
"Metade você, metade eu", resolveu Remo.
O outro estreitou os olhos em sua direção, sem compreender o que aquilo significava. A explicação veio a seguir:
"Vamos usar dois feitiços diferentes. Você fica com o Segredo de Lílian e Harry, e eu fico com o de Tiago e Sirius."
"Sirius Black não precisa de proteção", rosnou Snape. "Ele não corre o mesmo risco."
"Independente disso, eu vou escondê-lo".
Houve uma nova pausa, até que Lupin estendeu-lhe a mão, como se realmente selassem um acordo: "Você tem menos a perder. Se um de nós for pego, o outro sobrevive. E você não vai precisar correr riscos por alguém que sempre detestou", concluiu, referindo-se a Tiago.
O acordo pareceu a Severo justo o suficiente para que ele lhe estendesse a mão em retorno, como se realmente fossem amigos e estivessem planejando algo em conjunto. E se já era estranho o suficiente voltar a ser parceiro de Rabicho, uma potencial amizade com Snape era como a introdução de um filme de terror.
Ainda assim, as circunstâncias falavam mais alto.
Se Remo tivesse tido a chance de escolher o momento em que voltaria ao passado, não escolheria aquele exato instante. Por mais que estivesse decidido a tomar aquela atitude, sabia quais possíveis consequências estavam por vir.
Havia chances de não ver mais Dora, ou Dumbledore, ou mesmo Harry Potter. Podia ser que não visse mais nenhum dos seus atuais e verdadeiros amigos, porque, a partir de então, o destino de todos seria incerto. E tudo, tudo cairia sobre sua responsabilidade — e a do homem que tinha à frente.
Portanto, o seu desejo ainda era pensar por algum tempo, ou ao menos ter a chance de se despedir daquelas pessoas de quem tanto gostava. Mas não teve a chance de opinar. Pois, juntamente na mão que estendeu para apertar a de Remo, Severo carregava também a varinha de Sirius Black. E quando o acordo foi fisicamente selado — por um movimento rápido do sonserino -, o Portal foi estrategicamente entregue às mãos de Lupin, antes que mesmo que ele se desse conta.
Desaparatou antes que pudesse pedir a Snape que ele lhe desejasse boa sorte.
*
Apareceu, à sua frente, um pátio banhado pela luz do entardecer. Uma antiga fonte ao centro do recinto e quatro estátuas de aves que a adornavam entregaram a Remo sua localização: estava, mais uma vez, no Pátio da Torre do Relógio. Mas agora estava de pé, distante da fonte e dos poucos alunos que se acumulavam ao redor dela.
O vento frio do Outono passou e agitou sua longa capa da Grifinória. Era estranho perceber a forma como seu corpo vinha mudando a cada vez que aparatava naquela época; não era apenas o seu lado externo que demonstrava vinte anos de rejuvenescimento, mas também o seu interior passava a expressar uma agitação que não lhe era comum.
De alguma forma, parecia que seu coração pulsava mais rápido e uma adrenalina atípica passava a correr pelo seu sague. Seriam aqueles realmente os sinais do seu rejuvenescimento, ou ficava sempre um tanto nervoso a cada vez que voltava no tempo?
"Ei, Remo!", gritou uma voz conhecida, chamando a sua atenção.
Identificou, em um dos bancos que ocupavam o parque, Tiago Potter acenando em sua direção. Ele sorria, como se estivesse se divertindo com algo ali. Ao seu lado, estava ninguém menos que Pedro Pettigrew, que também ria. Não muito distante, mas mais adiante, estava Lílian Evans, que conversava animadamente com outro grupo de amigos.
Havia mais alguns alunos, o que incluía Severo Snape retraído a um canto, mas não havia sinal de Sirius Black.
No momento em que Remo chegou, pareceu-lhe que todas as atenções voltaram-se na sua direção. Era como se as pessoas que estavam presentes tivessem reparado que algo tinha acontecido ali — por mais que Lupin tivesse a esperança, e quase a certeza, de que não sabiam exatamente do que se tratava.
Ficou imensamente feliz em ver novamente aqueles amigos. Como sempre, quase teve o ímpeto de correr na direção deles e abraçá-los. Era tão melhor não ter que viver e encarar o presente.
Tudo o que fez, porém, foi acenar de volta a Pontas. Por algum motivo, o bom humor estampado no rosto do Potter e de Rabicho causaram nele uma sensação de que algo estava errado. Não era como se Lupin estivesse apenas desconfiando de mais uma travessura à moda dos Marotos; não. Dessa vez, teve um pressentimento muito pior. Teve a sensação de que eles riam dele.
A sensação de que riam da sua situação, como se a conhecessem. Como se não fossem realmente seus amigos, mas apenas outras pessoas que ocupavam seus corpos, enganando-o. Como se Remo não estivesse de fato no passado, mas apenas em uma ilusão qualquer, causada por um alguém qualquer que lhe desejava mal. Mas, acima de tudo, como se ele tivesse caído como uma isca em um plano bem bolado, optando por tocar o Portal pela sétima vez, sob o delírio de acreditar que poderia mudar o passado e trazer alguém de volta.
"Você vem ou não?", perguntou Rabicho.
Mas... Ora, que besteira. É claro que eram seus verdadeiros amigos. Estava desconfiado demais de tudo e todos, e por isso é que estava com aquelas ideias. Mas era besteira. Um fruto da sua imaginação.
Não trazia sorte ficar tendo ideias tão negativas. Precisava se acalmar. Precisava relaxar.
"Vou", murmurou, ainda tenso.
Andou por toda a extensão daquele parque tentando convencer-se de que tudo estava dentro da mais perfeita normalidade. Quando se sentou ao lado de Tiago e Pedro, suava frio como quem pressente que caminha em direção à morte. Mal sabia ele, naquele instante, que o curso do seu dia estaria, a cada, vez mais e mais distante do que considerava dentro da normalidade.
E onde poderia estar o maldito do Sirius Black em uma hora como aquela?
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