O PESO DE UMA PROMESSA

29 CAPÍTULO 29- O PESO DE UMA PROMESSA


Dois anos depois.

O restaurante estava lotado.

Não apenas cheio.

Lotado.

Havia uma diferença, como Rosalie fazia questão de explicar sempre que Elena usava a palavra errada.

Cheio significava todas as mesas ocupadas.

Lotado significava todas as mesas ocupadas, pessoas esperando no bar, três casais perguntando quanto tempo demoraria para liberar uma mesa, dois clientes habituais tentando convencer o maître de que “cinco minutinhos” não faziam diferença e Rosalie andando pela cozinha com a expressão de uma mulher que estava a aproximadamente quarenta segundos de cometer um crime contra um fornecedor.

— Onde estão os tomates?

Elena nem levantou os olhos do prato que finalizava.

— Na bancada.

— Não esses tomates.

— Rosalie...

— Os outros tomates.

Elena finalmente olhou.

— Que outros tomates?

— Os que pedi.

— Você pediu tomates.

— Tomates italianos.

Elena apontou com a pinça.

— Aqueles são italianos.

Rosalie aproximou-se da caixa.

Pegou um.

Examinou.

— Não são os mesmos.

— São tomates, Rosalie.

A amiga virou-se lentamente.

— Retira.

Elena piscou.

— O quê?

— Retira o que você acabou de dizer.

— Que são tomates?

— Sim.

— Eles são.

— Existem diferenças.

— Eu sei.

— Então respeite o produto.

Elena olhou para um dos cozinheiros.

Ele imediatamente abaixou a cabeça.

Não queria participar.

— Você está brigando comigo por causa de um tomate.

— Não estou brigando.

— Está com o tomate na mão como se estivesse prestes a interrogá-lo.

— Porque alguma coisa aconteceu com ele.

Elena olhou para o vegetal.

— Talvez tenha tido uma infância difícil.

Rosalie estreitou os olhos.

— Você está debochando.

— Jamais.

— Elena.

— Talvez os pais tenham sido tomates emocionalmente indisponíveis.

O cozinheiro virou de costas.

Os ombros começaram a tremer.

Rosalie apontou o tomate para ele.

— Você está rindo?

— Não, senhora.

Elena arregalou os olhos.

— Senhora?

Rosalie virou-se.

— Viu? Até ele sabe quem manda.

— Ele está com medo de você.

— Liderança.

— Terrorismo gastronômico.

— Gestão.

Uma voz masculina surgiu na entrada da cozinha.

— Eu acho sexy.

Rosalie fechou os olhos.

— Não.

Emmett estava encostado na porta.

— O quê?

— Não começa.

— Eu só disse que acho sexy quando você ameaça legumes.

Elena colocou a mão na boca.

Rosalie apontou o tomate para ele.

— Vai embora.

— Vim buscar você.

— Estou trabalhando.

— Você disse que sairia às nove.

Rosalie olhou para o relógio.

Nove e vinte e sete.

— Tive problemas.

Emmett olhou para o tomate.

— Percebi.

Elena começou a rir.

Rosalie colocou o tomate sobre a bancada.

— Eu odeio vocês dois.

— Eu amo você também — Emmett respondeu.

— Vai esperar lá fora.

— Posso comer?

— Não.

— Sou praticamente família da dona.

Elena respondeu:

— Isso não dá comida grátis.

— Que tipo de família é essa?

— A que paga a conta.

Emmett pareceu genuinamente ofendido.

— Jacob precisa rever os termos desse casamento.

Elena ergueu uma sobrancelha.

— Por quê?

— Porque aparentemente ele é casado com uma mulher que cobra comida dos amigos.

— Principalmente de você.

— Perseguição.

Rosalie empurrou-o para fora da cozinha.

— Vai.

— Violência no ambiente de trabalho!

— Você não trabalha aqui.

— Exatamente! Então é pior!

A porta fechou.

Elena ficou olhando.

Rosalie respirou fundo.

— Às vezes eu não sei por que continuo com ele.

Da porta fechada:

— PORQUE EU SOU MUITO BONITO!

Rosalie fechou os olhos.

Elena riu.

— Acho que ele respondeu.


O restaurante crescera mais do que Elena imaginara.

No primeiro ano, precisaram aumentar a equipe.

No segundo, as reservas para sexta e sábado começaram a esgotar com dias de antecedência.

Rosalie queria uma segunda unidade.

Elena dizia que ainda precisava pensar.

Rosalie dizia que Elena pensava demais.

Elena dizia que Rosalie pensava de menos.

Emmett dizia que as duas estavam certas.

E normalmente era expulso da conversa.

Mas, naquela noite, quando Elena saiu da cozinha e observou o salão cheio, sentiu a mesma coisa que ainda aparecia de vez em quando.

Orgulho.

Não culpa.

Não obrigação.

Não a sensação de que precisava provar alguma coisa.

Orgulho.

Aquilo era dela.

Dela e de Rosalie.

Um sonho que sobrevivera a tudo.

Elena tocou discretamente o próprio ventre.

O gesto ainda era novo.

Quase involuntário.

E sorriu.

Ninguém percebeu.

Ainda.


Alice Brandon também descobrira que sonhos tinham o péssimo hábito de crescer quando finalmente recebiam espaço.

Seu ateliê começara pequeno.

Duas salas.

Uma funcionária.

Muito mais tecido do que dinheiro.

Seis meses depois, havia quatro funcionárias.

Um ano depois, Alice mudara para um espaço maior.

Agora, dois anos depois, havia clientes esperando meses por determinados vestidos e uma lista de noivas que aceitavam discutir praticamente tudo, exceto a possibilidade de escolher outra estilista.

Alice continuava exatamente a mesma.

O ateliê, porém, era uma representação física de sua personalidade.

Tecidos por toda parte.

Croquis nas paredes.

Manequins.

Flores.

Caixas.

Fitas.

Uma organização que parecia caos para qualquer pessoa que não fosse Alice.

Elena entrou numa terça-feira e encontrou a amiga embaixo de uma mesa.

Parou.

— Devo perguntar?

A voz veio de baixo.

— Não.

— Ótimo.

Elena sentou.

Esperou.

Trinta segundos depois, Alice saiu segurando uma caixa.

— Achei.

— O quê?

— Botões.

Elena olhou para a caixa.

— Você estava embaixo da mesa procurando botões?

— Eles caíram.

— Todos?

— Não.

— Quantos?

Alice abriu a caixa.

— Um.

Elena ficou em silêncio.

— Você ficou embaixo da mesa por causa de um botão?

— Era francês.

— Claro.

Alice colocou a caixa sobre a bancada.

Então finalmente olhou para Elena.

Parou.

— O que foi? — Elena perguntou.

Alice estreitou os olhos.

— Nada.

— Alice.

— Você está estranha.

O coração de Elena acelerou.

— Não estou.

— Está.

— Não.

— Está.

Elena pegou a bolsa.

— Preciso voltar.

Alice bloqueou a passagem.

— Elena Swan Black.

— Não usa meu nome inteiro.

— O que você está escondendo?

— Nada.

— Você nunca toca na barriga desse jeito.

Elena congelou.

Alice olhou para a mão dela.

Depois para o rosto.

Depois novamente para a barriga.

Os olhos se arregalaram.

— Não.

Elena começou a sorrir.

— Alice...

— NÃO.

— Fala baixo.

— VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA?

— Alice!

O grito ecoou pelo ateliê.

Três funcionárias apareceram.

Elena cobriu o rosto.

Alice começou a chorar.

— Meu Deus!

— Eu queria contar para Jacob primeiro!

Alice imediatamente colocou as duas mãos na boca.

— Ele não sabe?

— Não!

— Eu sou a primeira?

Elena assentiu.

Alice começou a chorar mais.

— Isso é ainda melhor.

— Por quê?

— Porque vou poder dizer que soube antes dele pelo resto da vida.

— Você não vai fazer isso.

— Vou.

— Alice.

— Vou contar para o bebê.

— Alice!

A amiga abraçou-a com cuidado.

Elena fechou os olhos.

— Você está feliz? — Alice perguntou.

Elena sorriu contra o ombro dela.

— Muito.

— Com medo?

Ela pensou.

— Um pouco.

Alice afastou-se.

— Só um pouco?

Elena respirou.

— Talvez bastante.

— Melhor.

— Melhor?

— Significa que você é normal.

Elena riu.

Alice tocou sua mão.

— Já contou para Seth?

— Não.

— Jacob?

— Hoje.

Alice sorriu.

— Ele vai enlouquecer.

— Provavelmente.

— Vai comprar metade de uma loja infantil amanhã.

— Não.

— Elena.

— Eu vou impedir.

Alice olhou para ela com pena.

— Você realmente acredita nisso?

Elena pensou em Jacob.

— Não.


Aos sete anos, Seth Grey já não perguntava todas as noites se estaria na mesma casa quando acordasse.

Aquilo talvez fosse a maior vitória de todas.

Seu quarto mudara.

Os dinossauros continuavam.

Mas agora dividiam espaço com livros, carrinhos, desenhos, uma coleção inexplicável de pedras e um globo terrestre que Jacob comprara depois de Seth perguntar se dava para chegar ao Japão de carro.

Seth continuava chamando aquele lugar simplesmente de casa.

Não “a casa do Jacob”.

Não “a casa da Elena”.

Minha Casa.

Visitava Rachel.

Passava tempo com Billy.

Mantinha as lembranças dos pais.

Falava de Rebecca e Salomon sem que cada memória terminasse em choro.

E falava de Irina também.

Havia uma fotografia dela em seu quarto.

Elena sugerira.

Jacob concordara.

Porque amar alguém depois que essa pessoa morre não exigia apagar seus erros nem fingir que a história fora perfeita.

Exigia apenas permitir que o amor que existira continuasse tendo um lugar.

Naquela tarde, Seth estava na sala com Emmett quando Jacob chegou.

Esse foi o primeiro erro.

O segundo foi perceber que os dois falavam baixo.

Jacob parou.

— O que vocês estão fazendo?

Emmett e Seth olharam ao mesmo tempo.

— Nada — responderam.

Jacob fechou os olhos.

— Isso é exatamente o que duas pessoas culpadas dizem.

Seth tentou esconder alguma coisa atrás das costas.

Jacob apontou.

— O que é isso?

— Nada.

— Seth.

— É meu.

— Eu sei que é seu. Quero saber o que é.

Emmett cruzou os braços.

— Ele não precisa mostrar.

Jacob virou lentamente.

— Você está ensinando meu filho a esconder coisas de mim?

— Não é seu filho biologicamente.

Seth levantou a mão.

— Mas é quase.

Jacob olhou para ele.

O menino sorriu.

Aquilo bastou para destruir qualquer irritação real.

— Mostra.

Seth revelou um pequeno estilingue de brinquedo.

Jacob olhou.

Depois para Emmett.

— Não.

— É educativo.

— Como?

— Coordenação motora.

— Não.

— Física.

— Não.

— Desenvolvimento cognitivo.

— Você aprendeu essas palavras com Rosalie?

Emmett pareceu ofendido.

— Eu sei palavras.

Jacob pegou o brinquedo.

— Confiscado.

— Jacob!

— Não.

Emmett apontou.

— Você é muito rígido.

— E você é uma criança de trinta e tantos anos.

— Isso é etarismo.

Seth olhou para Emmett.

— O que é etarismo?

Emmett abriu a boca.

Jacob apontou.

— Não responde.

— Por quê?

— Porque provavelmente ele também não sabe.

— Sei sim.

— Então explica.

Emmett ficou em silêncio.

Seth começou a rir.

Jacob sorriu.

— Imaginei.

Emmett mudou de assunto.

— Enfim, como padrinho dele, acho que tenho direito a participar da educação.

Jacob congelou.

— Como o quê?

Emmett piscou.

Seth sorriu.

— Meu padrinho.

Jacob virou lentamente para o menino.

— Seu padrinho?

— Sim.

— Quem decidiu isso?

Seth apontou para Emmett.

— Ele.

Jacob fechou os olhos.

— Claro.

Emmett colocou a mão no peito.

— Fui escolhido.

— Por você mesmo.

— Os grandes líderes reconhecem seu chamado.

Jacob abriu os olhos.

— Você não é padrinho de Seth.

Seth franziu a testa.

— Por que não?

Jacob apontou para Emmett.

— Porque a idade mental dele é menor que a sua.

— Ei!

Seth começou a gargalhar.

— Jacob!

— É verdade.

Emmett pareceu indignado.

— Eu sou perfeitamente capaz de ser padrinho.

— Você deu um estilingue para uma criança dentro da minha casa.

— Educativo.

— Ontem ensinou ele a fazer pegadinha com Paul.

— Desenvolvimento social.

— Semana passada vocês colocaram olhos de plástico em todos os porta-retratos do meu escritório.

Seth interrompeu:

— Aquilo foi ideia minha.

Jacob olhou.

— Não ajudou.

Emmett sorriu orgulhoso.

— Viu? Liderança.

Jacob passou a mão pelo rosto.

— Meu Deus.

Seth aproximou-se.

— Eu quero ele.

— Como padrinho?

— Sim.

Jacob olhou para Emmett.

Depois para Seth.

Depois novamente para Emmett.

— Por quê?

Seth deu de ombros.

— Porque ele é engraçado.

Emmett abriu um sorriso.

— Obrigado.

— E porque ele sempre vem quando eu chamo.

O sorriso de Emmett desapareceu.

Jacob ficou quieto.

Seth continuou:

— E ele fala dos meus pais comigo.

Jacob olhou para o amigo.

Emmett desviou os olhos.

— E ele fala da tia Irina quando eu quero.

Silêncio.

— E quando eu fico triste, ele não fica perguntando por que eu estou triste. Ele só fica comigo.

Jacob respirou fundo.

Emmett coçou a nuca.

— Bom...

Seth terminou:

— Então eu escolhi ele.

Jacob permaneceu alguns segundos sem responder.

Então apontou para Emmett.

— Sem armas.

— É um estilingue.

— Sem estilingues.

— Certo.

— Sem ensinar palavrões.

— Claro.

Seth olhou para ele.

Emmett corrigiu:

— Mais palavrões.

— EMMETT.

— Certo! Nenhum.

— Sem pegar Seth sem avisar.

— Certo.

— Sem alimentar ele só com porcaria.

— Isso está ficando excessivo.

— Emmett.

— Certo.

Jacob estendeu a mão.

— Então está bem.

Emmett olhou.

— Sério?

— Não me faça me arrepender.

Emmett apertou sua mão.

— Padrinho.

Jacob imediatamente apontou:

— Informalmente.

— Padrinho.

— Emmett.

Seth abraçou os dois.

— Agora vocês são amigos de novo.

Jacob olhou por cima da cabeça dele.

— Nós nunca deixamos de ser.

Emmett sorriu.

— Ele me ama.

— Não exagera.

— Ama.

— Emmett.

— Também amo você.

Jacob fechou os olhos.

Seth começou a rir.


A Black Automotivos continuava crescendo.

Jacob continuava chegando cedo.

Continuava lendo cada relatório.

Continuava fazendo perguntas que deixavam diretores desconfortáveis.

Continuava bebendo café demais.

Mas alguma coisa mudara.

Ele já não era o homem que acreditava que controlar cada variável impediria o mundo de desabar.

Aprendera da maneira mais difícil que não impedia.

Podia revisar contratos.

Planejar investimentos.

Antecipar crises.

Proteger a empresa.

Mas não podia controlar a vida.

Então passou a chegar em casa mais cedo.

Nem sempre.

Naquela noite, por exemplo, chegou depois das dez.

Estava exausto.

Jogou as chaves sobre a mesa.

— Elena?

Nenhuma resposta.

Tirou o paletó.

— Seth?

Silêncio.

Franziu a testa.

Subiu.

A porta do quarto estava entreaberta.

Elena estava sentada na cama.

Usava uma camisola clara e os cabelos negros estavam soltos pelos ombros.

Jacob parou.

— Oi.

Ela sorriu.

— Oi.

Ele olhou ao redor.

— Onde está Seth?

— Com Rachel.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não.

— Ele vai dormir lá?

— Vai.

Jacob ficou desconfiado.

— Numa quarta-feira?

— Sim.

— Tem aula amanhã.

— Rachel leva.

— Por quê?

Elena sorriu.

— Porque ele quis.

Jacob entrou.

— Seth nunca quer dormir fora no meio da semana.

— Hoje quis.

— Elena.

— Jacob.

Ele estreitou os olhos.

— Você está estranha.

Ela riu.

— Engraçado.

— O quê?

— Alice disse exatamente isso.

Jacob imediatamente ficou alerta.

— Você esteve com Alice?

— Estive.

— Aconteceu alguma coisa?

— Você sempre faz interrogatório quando chega em casa?

— Quando minha esposa está sentada na cama sorrindo para mim como se soubesse alguma coisa que eu não sei, sim.

Elena levantou-se.

— Você está cansado?

— Muito.

Ela aproximou-se.

Tirou a gravata dele.

— Dia ruim?

— Longo.

Desabotoou o primeiro botão da camisa.

— Comeu?

— Mais ou menos.

— Isso significa não?

— Significa que Emmett apareceu no escritório e comeu metade do meu almoço.

Elena riu.

— Seu compadre.

Jacob fez uma careta.

— Não usa essa palavra.

— Padrinho do seu filho.

— Informal.

— Claro.

— Elena.

Ela beijou sua boca.

— Senti sua falta.

Jacob passou os braços por sua cintura.

— Eu também.

Beijou-a novamente.

Quando se afastou, percebeu uma caixa sobre a cama.

— O que é aquilo?

Elena olhou.

— Para você.

— Meu aniversário não é hoje.

— Eu sei.

— Nosso aniversário de casamento também não.

— Eu sei.

— Fiz alguma coisa?

— Por que você acha que só recebe presente quando faz alguma coisa?

Jacob pensou.

— Porque normalmente você me dá comida.

— Abra.

Ele pegou a caixa.

— O que é?

— Se abrir, descobre.

— Pode explodir?

— Jacob.

— Convivo com Emmett. Preciso perguntar.

Elena riu.

— Abre.

Jacob sentou-se na cama.

Retirou a fita.

Abriu a tampa.

Parou.

Dentro da caixa havia um par de sapatinhos brancos.

Minúsculos.

Jacob não respirou.

Elena observou.

Um segundo.

Dois.

Três.

Ele olhou para os sapatinhos.

Depois para ela.

Depois novamente para os sapatinhos.

— Elena...

Ela começou a chorar.

E sorriu.

Jacob levantou tão depressa que a caixa quase caiu.

— Você está...

Elena assentiu.

Ele ficou imóvel.

— Grávida?

Ela riu entre as lágrimas.

— Estou.

Jacob olhou para a barriga dela.

Depois para o rosto.

— Tem um bebê?

Elena riu.

— Normalmente é assim que funciona.

— Nosso?

Ela arregalou os olhos.

— Jacob!

Ele percebeu.

— Não! Não foi isso que eu quis dizer!

Elena começou a rir ainda mais.

— Meu Deus.

— Eu quis dizer...

Ele passou as mãos pelo cabelo.

— Nosso bebê?

A voz saiu completamente diferente.

Elena suavizou.

— Nosso bebê.

Jacob olhou novamente para os sapatinhos.

Então para ela.

E começou a chorar.

Elena perdeu o sorriso por um segundo.

— Ei.

Ele foi até ela.

Segurou seu rosto.

— Tem certeza?

— Fiz três testes.

— Três?

— Porque não acreditei no primeiro.

— Médico?

— Já marquei.

— Quando?

— Sexta.

— Eu vou.

— Eu sei.

— Não marca nada sem mim.

Elena ergueu uma sobrancelha.

Jacob corrigiu imediatamente:

— Quer dizer... se você quiser que eu vá.

Ela sorriu.

— Quero.

Jacob olhou para sua barriga.

Tocou com uma delicadeza quase absurda.

— Está aqui?

Elena colocou a mão sobre a dele.

— Está.

Ele riu.

Chorando.

— Meu Deus.

— Você está bem?

Jacob olhou para ela como se a pergunta fosse completamente absurda.

— Eu vou ser pai.

Elena ficou quieta.

Jacob percebeu.

Olhou para ela.

— O quê?

— Nada.

— Elena.

Ela respirou fundo.

— Você já é.

Ele ficou imóvel.

— Seth.

Ela assentiu.

Os olhos dele se encheram novamente.

— Você já é pai há muito tempo, Jacob.

Ele abaixou a cabeça.

Elena tocou seu rosto.

— Esse bebê só vai ter a sorte de conhecer você desde o começo.

Jacob fechou os olhos.

— Não faz isso comigo.

— O quê?

— Fala essas coisas.

— Você gosta.

— Gosto.

Então ele a pegou no colo.

— Jacob!

Ela riu.

Ele a girou.

— JACOB!

— Nós vamos ter um bebê!

— Me põe no chão!

— Nós vamos ter um bebê!

— EU SEI! EU ESTOU GRÁVIDA!

Ele riu.

Rodopiou novamente.

— Jacob Black, me põe no chão!

— Não.

— Eu vou vomitar em você.

Ele parou imediatamente.

Colocou-a no chão.

Elena começou a gargalhar.

Jacob estreitou os olhos.

— Você não ia vomitar.

— Funcionou.

— Isso foi baixo.

— Estou grávida. Vou usar enquanto puder.

— Você descobriu há quanto tempo?

— Ontem.

— E já está usando?

— Claro.

Jacob riu.

Depois ficou sério.

— Seth sabe?

— Não.

— Quando contamos?

— Depois da consulta.

Jacob assentiu.

— Juntos.

— Juntos.


A consulta confirmou.

Tudo estava bem.

Era cedo.

Muito cedo.

Mas havia uma pequena vida começando.

Jacob saiu do consultório com a fotografia do primeiro ultrassom nas mãos como se estivesse carregando um documento histórico.

Elena precisou pedir três vezes para ele guardar antes que amassasse.

Naquela noite, chamaram Seth para o quarto.

O menino entrou desconfiado.

— Eu fiz alguma coisa?

Jacob franziu a testa.

— Por que sempre acha que fez alguma coisa?

Seth pensou.

— Porque normalmente fiz.

Elena virou o rosto para esconder o sorriso.

Jacob apontou para a cama.

— Senta.

Seth sentou.

Olhou para os dois.

— Isso está estranho.

— Por quê? — Elena perguntou.

— Vocês estão sorrindo.

Jacob olhou para Elena.

— A gente sorri.

Seth fez uma expressão pouco convencida.

— Assim não.

Elena sentou-se ao lado dele.

— Temos uma coisa para contar.

Seth imediatamente arregalou os olhos.

— Vamos viajar?

— Não.

— Compraram um cachorro?

Jacob respondeu:

— Não.

— Posso ter um cachorro?

— Seth.

— Só perguntei.

Elena pegou a fotografia do ultrassom.

— Olha.

Seth examinou.

Virou.

— O que é?

— Uma fotografia.

— Eu sei. Fotografia de quê?

Elena olhou para Jacob.

Depois voltou para o menino.

— De um bebê.

Seth franziu a testa.

— Onde?

Jacob apontou.

— Aqui.

Seth aproximou o rosto.

— Isso?

— Isso.

— Parece um feijão.

Elena riu.

— Um pouco.

— De quem é?

Silêncio.

Jacob sorriu.

— Nosso.

Seth ergueu lentamente os olhos.

— Nosso?

Elena assentiu.

— Tem um bebê na minha barriga.

O menino ficou imóvel.

— Agora?

— Agora.

Seth olhou imediatamente para a barriga dela.

— Aí?

— Aí.

Ele desceu da cama.

Aproximou-se.

Colocou o ouvido na barriga de Elena.

Jacob sorriu.

— Você não vai ouvir ainda.

— Shhh.

Jacob levantou as mãos.

Seth ficou alguns segundos.

Depois olhou para Elena.

— Ele sabe que eu estou aqui?

A pergunta apertou o coração dela.

— Acho que ainda não.

— Quando vai saber?

— Daqui a algum tempo.

Seth pensou.

— Eu posso contar?

— Contar o quê?

— Que sou o irmão.

Elena começou a chorar.

Seth imediatamente ficou preocupado.

— Você está triste?

— Não.

Ela riu entre as lágrimas.

— Estou muito feliz.

Seth colocou a mão sobre a barriga.

— Oi.

Jacob e Elena ficaram em silêncio.

— Eu sou Seth.

Pausa.

— Eu sou seu irmão mais velho.

Elena cobriu a boca.

Jacob desviou os olhos por um instante.

— Eu tenho sete anos.

Seth continuou:

— Eu sei um monte de coisas.

Jacob murmurou:

— Isso é discutível.

Seth olhou.

— Jacob.

— Desculpa.

O menino voltou para a barriga.

— Eu vou te ensinar dinossauros.

Elena sorriu.

— Isso é importante.

— E chocolate.

Jacob interrompeu:

— Não.

— Quando ele crescer.

— Ainda não.

— E vou mostrar onde Jacob esconde.

— Definitivamente não.

Seth sorriu.

Então ficou sério.

— Ele vai morar aqui?

Elena percebeu imediatamente a pergunta por trás da pergunta.

Jacob também.

— Vai — respondeu.

— No meu quarto?

— Não.

Seth pareceu aliviado.

— Vai ter o quarto dele.

— Então minhas coisas ficam no meu quarto?

Jacob sentou-se diante dele.

— Todas.

Seth olhou.

— E eu continuo morando aqui?

O coração de Jacob apertou.

— Claro que continua.

— Mesmo com o bebê?

— Principalmente com o bebê.

Seth ficou quieto.

— Por quê?

Jacob segurou seus ombros.

— Porque esta é sua casa.

Os olhos do menino ficaram úmidos.

— Para sempre?

Jacob pensou antes de responder.

— Pelo tempo que você quiser que seja.

Seth abraçou-o.

Forte.

Elena abraçou os dois.

Poucos segundos depois, Seth afastou-se.

— Posso escolher o nome?

Jacob e Elena responderam juntos:

— Não.

Seth fez uma careta.

— Eu nem falei.

— Conhecemos você — Jacob disse.

— Tiranossauro seria bonito.

Elena começou a rir.

— Para menina também?

Seth pensou.

— Tiranossaura.

Jacob fechou os olhos.

— Acabou a reunião.


A notícia se espalhou rapidamente.

Primeiro Billy.

Depois Rachel.

Alice já sabia e fez questão de lembrar a todos.

Rosalie chorou.

Sue chorou.

Embry abraçou Jacob.

Paul demorou exatamente vinte segundos para criar um problema.

— Eu sou o padrinho.

Emmett, que estava bebendo refrigerante, quase engasgou.

— O quê?

Paul olhou.

— Do bebê.

— Quem disse?

— Eu.

Emmett colocou o copo na mesa.

— Você não pode simplesmente se nomear padrinho.

Jacob virou lentamente.

— Interessante ouvir isso de você.

Elena começou a rir.

Emmett ignorou.

— Eu tenho experiência.

Paul arregalou os olhos.

— Experiência em quê?

Emmett apontou para Seth.

— Já sou padrinho.

Jacob respondeu:

— Informal.

— Padrinho.

— Informal.

— Seth me escolheu.

Seth, sentado no sofá, levantou a mão.

— Escolhi.

Emmett abriu os braços.

— Caso encerrado.

Paul cruzou os braços.

— Isso não faz você automaticamente padrinho do bebê.

— Faz de mim candidato preferencial.

— Segundo quem?

— A tradição.

— Que tradição?

— A minha.

Paul olhou para Jacob.

— Eu sou seu melhor amigo há anos.

Emmett pareceu ofendido.

— E eu sou o quê?

Jacob respondeu:

— Neste momento, um problema.

Elena riu.

Paul apontou para Emmett.

— Ele tem idade mental menor que a do Seth.

Jacob levantou a mão.

— Finalmente alguém me entende.

Emmett colocou a mão no peito.

— Isso é uma campanha difamatória.

Paul aproximou-se.

— Eu sou responsável.

Todos ficaram em silêncio.

Rachel foi a primeira a rir.

Depois Elena.

Depois Jacob.

Emmett quase caiu no sofá.

Paul olhou ao redor.

— Qual é a graça?

Jacob tentou falar.

Não conseguiu.

Emmett enxugou uma lágrima.

— Você?

— Sim.

— Responsável?

— Mais do que você!

— Isso é uma barra muito baixa.

Seth levantou a mão.

— Eu tenho uma ideia.

Todos olharam.

— O quê? — Elena perguntou.

— Os dois.

Silêncio.

Paul olhou para Emmett.

Emmett olhou para Paul.

Jacob respondeu imediatamente:

— Não.

Elena virou.

— Por que não?

— Porque um já é demais.

Emmett abriu os braços.

— Eu aceito.

Paul fez o mesmo.

— Também.

— Eu disse não.

Elena colocou a mão sobre a barriga.

— Eu gostei.

Jacob olhou para ela.

— Você está usando a gravidez contra mim.

— Sim.

— De novo.

— Sim.

— Isso é injusto.

— Muito.

Emmett aproximou-se de Paul e estendeu a mão.

— Copadrinho?

Paul olhou.

— Ainda acho que eu seria melhor sozinho.

— Eu também.

Apertaram as mãos.

Jacob fechou os olhos.

— Meu filho ou filha nem nasceu e já tem dois adultos incompetentes disputando influência.

Seth corrigiu:

— Três.

Jacob abriu os olhos.

— Quem é o terceiro?

Seth apontou para si.

— Eu.

Emmett sorriu.

— Ele aprende rápido.

Jacob passou as mãos pelo rosto.

— Eu vou enlouquecer.

Elena beijou sua bochecha.

— Você já enlouqueceu há anos.


Os meses passaram.

A barriga cresceu.

E Jacob Black tornou-se absolutamente insuportável.

— Você carregou isso?

Elena olhou para a sacola.

— Tem pão.

— Está pesada?

— Jacob.

— Estou perguntando.

— Tem pão.

— Quanto pão?

— Dois.

— Me dá.

— Não.

— Elena.

— Estou grávida, não inválida.

— Eu sei.

— Não parece.

Ele pegou a sacola mesmo assim.

Elena soltou.

— Você é impossível.

— E você está carregando minha filha.

Ela parou.

— Sua filha?

Jacob percebeu.

Ainda não sabiam.

— Ou filho.

— Você disse filha.

— Foi modo de falar.

— Sei.

Seth apareceu.

— Eu acho que é menina.

Jacob olhou.

— Por quê?

— Porque sim.

— Excelente método científico.

Seth deu de ombros.

— Elena acha?

Ela sorriu.

— Também acho.

Jacob olhou para a barriga.

— Então estou em desvantagem.

— Por quê?

— Três contra um.

Seth corrigiu:

— Quatro.

— Quem é o quarto?

— O bebê.

Jacob suspirou.

— Claro.


Era menina.

Jacob chorou no ultrassom.

Negou depois.

Elena contou para todos.

Emmett mandou fazer uma camiseta escrito PADRINHO DE MENINA.

Jacob ameaçou demiti-lo de uma empresa na qual ele nem trabalhava.

Seth começou a chamar a barriga de “ela” no mesmo dia.

E foi ele quem perguntou primeiro:

— Qual vai ser o nome?

Elena e Jacob se olharam.

Ainda não tinham decidido.

Havia listas.

Nomes riscados.

Nomes aprovados por um e rejeitados pelo outro.

Seth sugerira doze.

Onze eram nomes de dinossauros ou personagens.

O décimo segundo era Rosalie.

Rosalie apoiou imediatamente.

Jacob vetou.

Até uma noite, Elena acordar com uma certeza.

— Isabella.

Jacob, quase dormindo, abriu os olhos.

— O quê?

— Isabella.

Ele ficou quieto.

Elena olhou para o teto.

— Isabella Swan Black.

Jacob entendeu imediatamente.

Não perguntou por quê.

Apenas encontrou a mão dela.

— Tem certeza?

Elena sentiu os olhos se encherem.

— Tenho.

Jacob levou a mão dela aos lábios.

— Então Isabella.

Elena chorou.

— Bella ia achar exagerado.

— Provavelmente.

— Ia reclamar que eu coloquei o nome dela.

— Muito.

— Depois ia contar para todo mundo.

— Com certeza.

Elena riu entre lágrimas.

Jacob tocou sua barriga.

— Isabella Swan Black.

A bebê se mexeu.

Os dois pararam.

— Ela chutou.

— Eu senti.

Jacob aproximou o rosto.

— Você gostou?

Outro movimento.

Elena riu.

— Acho que sim.

Jacob beijou sua barriga.

— Isabella.

E, pela primeira vez em muitos anos, aquele nome não trouxe apenas dor.

Trouxe futuro.


Isabella Swan Black nasceu numa manhã de primavera.

E, apesar de Jacob ter passado meses dizendo que estava preparado, ficou absolutamente inútil quando chegou a hora.

— Jacob.

— Estou aqui.

— Minha bolsa.

— Está aqui.

— Essa é a sua pasta do trabalho.

Ele olhou.

— Certo.

— A bolsa está no closet.

— Certo.

Saiu.

Voltou dez segundos depois.

— Onde?

Elena fechou os olhos durante a contração.

— NO CLOSET.

— Certo.

Seth apareceu no corredor completamente vestido.

— Eu achei.

Carregava a bolsa.

Jacob olhou.

— Como?

— Estava no closet.

Elena soltou uma risada misturada com dor.

— Obrigada, Seth.

Seth entregou.

Depois olhou para Jacob.

— Você está nervoso.

— Não estou.

— Está.

— Não estou.

Elena respirou fundo.

— ELE ESTÁ.

Jacob olhou.

— Vamos.

— Estou tentando!

Seth cochichou para Elena:

— Ele está pior que você.

— Eu ouvi — Jacob respondeu.


Horas depois, Jacob estava ao lado da cama.

Segurando a mão de Elena.

Sem piadas.

Sem empresa.

Sem controle.

Sem qualquer coisa além dela.

— Olha para mim — ele dizia.

Elena apertava sua mão.

— Estou olhando.

— Eu estou aqui.

Ela chorou.

— Eu sei.

As mesmas palavras.

Outra vez.

Mas agora não havia galpão.

Não havia medo de morte.

Não havia Edward.

Havia vida chegando.

Quando o primeiro choro de Isabella encheu o quarto, Jacob Black simplesmente parou.

Elena chorava.

Ele também.

A pequena foi colocada junto dela.

Cabelos escuros.

Rosto vermelho.

Minúscula.

Perfeita.

Jacob olhou como se nunca tivesse visto nada parecido.

— Ela está aqui.

Elena riu chorando.

— Está.

— Ela está mesmo aqui.

— Jacob...

Ele beijou Elena.

A testa.

O rosto.

A boca.

— Obrigado.

Elena segurou seu rosto.

— Nós fizemos juntos.

Jacob olhou para a filha.

— Isabella.

Elena passou um dedo pela bochecha minúscula.

— Isabella Swan Black.


Seth entrou algum tempo depois.

Muito devagar.

Como se tivesse medo de fazer barulho.

Jacob estava sentado ao lado da cama.

Elena segurava Isabella.

— Vem — chamou.

Seth aproximou-se.

Olhou para a bebê.

Ficou completamente imóvel.

— Ela é pequena.

Jacob sorriu.

— Bastante.

— Ela vai crescer?

Elena riu.

— Essa é a ideia.

Seth aproximou um dedo.

Isabella fechou a mão ao redor dele.

O menino arregalou os olhos.

— Ela pegou.

— Pegou — Jacob respondeu.

Seth ficou olhando.

— Oi, Isabella.

A bebê não respondeu.

— Eu sou Seth.

Elena começou a chorar novamente.

— Seu irmão mais velho.

Seth sorriu.

— Eu vou ensinar dinossauros.

Jacob suspirou.

— Claro.

— E chocolate.

— Seth.

— Quando ela crescer.

— Ainda vamos discutir.

Seth olhou para Isabella.

— Jacob é meio chato.

Elena riu.

— Seth!

— Mas ele é legal também.

Jacob ergueu uma sobrancelha.

— Obrigado.

Seth aproximou-se mais.

— Elena faz comida boa.

— Isso é verdade — Jacob respondeu.

— E eu vou cuidar de você.

Elena ficou imóvel.

A frase atravessou-a.

Seth olhou para a irmã.

— Eu prometo.

Elena sentiu o passado inteiro retornar.

Uma menina de seis anos.

Um hospital.

Um pai morrendo.

Uma promessa grande demais.

— Seth.

Ele olhou.

Elena estendeu a mão.

— Vem aqui.

Seth aproximou-se.

Ela segurou seu rosto.

— Você não precisa prometer cuidar dela.

Ele franziu a testa.

— Não?

— Não desse jeito.

— Por quê?

Elena respirou.

Jacob percebeu.

Ficou em silêncio.

— Porque você é irmão dela.

— Eu sei.

— Sua função não é impedir que tudo de ruim aconteça com Isabella.

Seth escutava.

— Você não precisa proteger ela do mundo inteiro.

— Então o que eu faço?

Elena sorriu.

— Ama.

Seth olhou para a irmã.

— Só?

— Parece pouco?

Ele pensou.

— Não.

— Então ama ela. Brinca. Ensina dinossauros. Briga às vezes.

Jacob interrompeu:

— Pouco.

Elena sorriu.

— Faz as pazes. Fica do lado dela quando precisar.

Seth assentiu.

— E chocolate?

Jacob respondeu:

— Não.

Elena:

— Talvez.

— Elena.

Ela riu.

Seth olhou novamente para Isabella.

— Então eu prometo amar ela.

Elena sentiu uma lágrima escorrer.

— Essa promessa eu gosto.


A notícia de que Isabella nascera trouxe Paul e Emmett ao hospital quase ao mesmo tempo.

Quase.

Emmett chegou quarenta segundos primeiro.

E fez questão de registrar.

— Tecnicamente, fui o primeiro padrinho a chegar.

Paul entrou atrás.

— Você estacionou na vaga errada.

— Detalhes.

— Era de ambulância.

— Estava nervoso.

Jacob apareceu na porta.

— Vocês não vão entrar discutindo.

Emmett apontou para Paul.

— Ele começou.

— Você tem quase quarenta anos — Paul respondeu.

— E você continua contando.

Jacob fechou os olhos.

— Minha filha nasceu há poucas horas.

Os dois ficaram quietos.

— Minha esposa acabou de passar por um parto.

Silêncio.

— Seth está conhecendo a irmã.

Mais silêncio.

— Se vocês entrarem naquele quarto discutindo sobre quem é padrinho, eu juro que—

Emmett levantou a mão.

— Entendido.

Paul assentiu.

— Perfeitamente.

Entraram.

Cinco segundos depois:

— Ela parece comigo — Emmett disse.

Jacob virou lentamente.

— O quê?

Paul soltou uma gargalhada.

— Em quê?

— Carisma.

— Ela tem quatro horas.

— Já dá para perceber.

Jacob apontou para a porta.

— Sai.

Elena começou a rir da cama.

— Deixa ele.

— Elena.

Emmett aproximou-se do berço.

— Oi, afilhada.

Paul apareceu do outro lado.

— Nossa afilhada.

Emmett olhou.

— Não estraga.

— Você aceitou dividir.

— Sob protesto.

Seth apareceu entre os dois.

— Eu sou mais importante.

Emmett olhou.

— Como assim?

— Sou irmão.

Paul assentiu.

— Ele tem um ponto.

Emmett pensou.

— Certo. Hierarquia: pais, irmão, padrinho principal, padrinho secundário.

Paul virou.

— Quem é principal?

— Eu.

— Por quê?

— Cheguei quarenta segundos antes.

— Você estacionou ilegalmente!

Jacob passou a mão pelo rosto.

— Eu sabia.

Elena ria.

— Sabia o quê?

— Que isso seria um erro.

Emmett apontou para Isabella.

— Ela está sorrindo para mim.

Paul olhou.

— Ela está dormindo.

— Sonhando comigo.

— Meu Deus.

Seth aproximou-se de Jacob.

— Eles são piores que eu.

Jacob colocou a mão no ombro dele.

— Eu venho dizendo isso há anos.


Naquela noite, depois que todos foram embora, o quarto ficou silencioso.

Seth estava com Billy e Rachel.

Isabella dormia no pequeno berço ao lado.

Elena observava.

Jacob estava numa poltrona.

Também observando.

— Você vai ficar olhando a noite inteira? — Elena perguntou.

— Provavelmente.

— Ela vai continuar aí.

— Eu sei.

— Precisa dormir.

— Você também.

— Eu dormi.

— Quarenta minutos.

— Foi suficiente.

Jacob levantou.

Aproximou-se da cama.

Elena abriu espaço.

Ele sentou.

Os dois olharam para Isabella.

— Isabella Swan Black — Jacob murmurou.

Elena sorriu.

— Bonito, não?

— Muito.

Ficaram em silêncio.

— Você acha que Bella gostaria?

Elena demorou a responder.

— Acho que primeiro ia reclamar.

Jacob sorriu.

— Também acho.

— Ia dizer que eu não tinha criatividade.

— Provavelmente.

— Depois ia tirar mil fotos.

— Com certeza.

Elena sentiu as lágrimas.

— Eu queria que ela conhecesse Isabella.

Jacob segurou sua mão.

— Eu sei.

— Queria que minha mãe conhecesse.

Ele apertou os dedos dela.

— Eu sei.

— Meu pai.

— Eu sei.

— Rebecca.

— Eu também.

— Salomon.

Jacob assentiu.

— Irina.

Silêncio.

— Sim.

Elena encostou a cabeça no ombro dele.

— Tem muita gente faltando.

Jacob beijou seus cabelos.

— Tem.

— E mesmo assim parece que tem tanta gente aqui.

Ele entendeu.

Seth.

Billy.

Rachel.

Alice.

Rosalie.

Emmett.

Paul.

Embry.

Sue.

Leah.

Eles.

Isabella.

— Tem — respondeu.

Elena olhou para a filha.

— Talvez seja isso.

— O quê?

— A gente não substitui quem perdeu.

Jacob ficou quieto.

— Só abre espaço para quem chega.

Ele beijou sua testa.

— Gosto disso.


Durante grande parte da vida, Elena Swan acreditou que uma promessa era uma dívida.

Aos seis anos, diante do pai morrendo, prometera cuidar da irmã.

Levou aquelas palavras consigo por dezoito anos.

Como amor.

Como obrigação.

Como culpa.

Principalmente como culpa.

Acreditou que cuidar significava impedir que qualquer coisa ruim acontecesse.

Que proteger significava controlar o destino.

Que amar alguém era assumir a responsabilidade de mantê-lo inteiro.

Então Bella morreu.

E Elena acreditou que havia quebrado sua promessa.

Até compreender que uma criança de seis anos jamais poderia ter prometido vencer a morte.

Anos depois, em um quarto de hospital, ouviu Seth dizer à pequena Isabella:

Eu vou cuidar de você. Eu prometo.

E pela primeira vez Elena teve a oportunidade de fazer por outra criança aquilo que ninguém conseguira fazer por ela.

Retirar o peso antes que ele se tornasse culpa.

Você não precisa salvar sua irmã.

Apenas ame.

Talvez aquela fosse a verdadeira herança que Elena queria deixar aos filhos.

Não a obrigação de proteger uns aos outros de todas as dores.

Mas a certeza de que nunca precisariam enfrentá-las sozinhos.

Seth não precisava ser pai de Isabella.

Era irmão.

Jacob não precisava controlar o mundo para proteger sua família.

Era marido.

Era pai.

Elena não precisava salvar todos que amava para merecer ser amada de volta.

Era esposa.

Era mãe.

Era simplesmente Elena.

E Isabella não nascera para substituir Bella.

Nunca poderia.

Nunca deveria.

Recebera aquele nome porque algumas pessoas partem e ainda deixam amor suficiente para atravessar gerações.

Bella seria sempre a menina que Elena prometera proteger.

Seria sempre a adolescente que a enlouquecera.

A irmã que errara.

Que a magoara.

Que amara.

Que morrera cedo demais.

Mas seu nome já não pertencia somente à perda.

Agora também pertencia a uma menina de cabelos escuros que dormia num berço, cercada por uma família barulhenta demais, imperfeita demais e apaixonada demais.

Uma menina que tinha um irmão mais velho decidido a ensinar dinossauros.

Dois padrinhos incapazes de decidir qual deles era o principal.

Um pai que provavelmente compraria uma loja infantil inteira se Elena não o impedisse.

Uma mãe que aprendera que amor não precisava ser uma sentença.

Naquela noite, Jacob adormeceu na poltrona com a cabeça inclinada para o lado.

Elena acordou e o encontrou assim.

Sorriu.

— Jacob.

Ele despertou imediatamente.

— O quê? Ela acordou?

— Não.

— Está tudo bem?

— Está.

— Você está bem?

— Estou.

— Então o que foi?

Elena estendeu a mão.

— Vem aqui.

Jacob levantou-se.

Deitou cuidadosamente ao lado dela.

Elena encaixou-se contra seu peito.

— Você está feliz? — perguntou.

Jacob olhou para Isabella.

Depois para Elena.

Pensou em Seth.

— Mais do que eu sabia que era possível.

Ela sorriu.

— Eu também.

Jacob beijou seus cabelos.

— Boa noite, esposa.

— Boa noite, marido.

Do berço veio um pequeno som.

Os dois olharam imediatamente.

Isabella voltou a dormir.

Elena riu baixinho.

— Estamos perdidos.

— Completamente.

— Com medo?

Jacob pensou.

— Muito.

— Eu também.

Ele entrelaçou os dedos nos dela.

— Então fazemos com medo.

Elena reconheceu as palavras.

Sorriu.

— Juntos.

— Juntos.

E talvez aquela fosse a única promessa de que realmente precisavam.

Não a promessa impossível de nunca se perderem.

Não a promessa arrogante de impedir a dor.

Não a promessa de controlar o amanhã.

Apenas a promessa de continuar escolhendo uns aos outros enquanto houvesse um amanhã para escolher.

Na manhã seguinte, Seth entraria naquele quarto cedo demais.

Emmett e Paul provavelmente voltariam a discutir sobre padrinhos.

Alice apareceria com alguma roupa que Isabella só conseguiria usar durante aproximadamente três semanas.

Rosalie reclamaria que Elena estava pensando no restaurante durante a licença.

Jacob tentaria controlar horários, mamadas, temperatura, visitas e provavelmente a rotação do planeta.

Elena brigaria com ele.

Depois ririam.

Depois fariam as pazes.

A vida continuaria.

Imperfeita.

Imprevisível.

Barulhenta.

Às vezes dolorosa.

Maravilhosamente comum.

Elena passou anos acreditando que precisava cumprir uma promessa feita no pior dia de sua infância.

No fim, descobriu que não precisava.

Porque algumas promessas não existem para nos prender ao passado.

Existem para nos ensinar a escolher o futuro.

Ela olhou para Isabella.

Depois para Jacob.

Pensou em Seth.

E compreendeu, finalmente, que cuidar de alguém não significava carregá-lo.

Significava caminhar ao lado.

Não significava impedir todas as quedas.

Significava oferecer a mão quando fosse possível levantar.

Não significava prometer:

Eu nunca vou perder você.

Mas dizer:

Enquanto estivermos aqui, você não estará sozinho.

Naquela família havia mortos que jamais seriam esquecidos.

Havia cicatrizes que não desapareceriam.

Havia erros que não poderiam ser desfeitos.

Mas havia também uma criança que finalmente deixara de fazer malas.

Uma menina que acabara de chegar.

Um homem que aprendera a amar sem controlar.

E uma mulher que, depois de passar quase toda a vida carregando o peso de uma promessa, finalmente compreendera que também tinha direito a viver.

Elena fechou os olhos.

A mão de Jacob permaneceu entrelaçada à dela.

Isabella dormiu.

E, pela primeira vez, o nome de sua irmã não terminou uma história.

Começou outra.

Isabella Swan Black.

Uma lembrança.

Uma continuação.

Uma nova vida.

E a prova de que o amor não impede os finais.

Mas, algumas vezes, depois deles, encontra coragem para começar de novo.

FIM