O PESO DE UMA PROMESSA

30 EPÍLOGO - APENAS UM DESLUMBRE DO FUTURO


Dezesseis anos depois do nascimento de Isabella.


Jacob Black soube que alguma coisa estava errada no instante em que entrou em casa.

Não havia nenhum indício concreto.

Nenhuma janela quebrada.

Nenhum alarme.

Nenhum carro desconhecido estacionado diante da casa.

Nada.

Ainda assim, ele soube.

Talvez fossem os anos comandando a Black Automotivos.

Talvez fosse experiência.

Talvez fosse instinto.

Ou talvez fosse simplesmente o fato de que havia adolescentes demais em silêncio dentro de sua sala.

Jacob parou na entrada.

Isabella estava no sofá.

Ao lado dela, Sophie McCarty, filha de Emmett e Rosalie, quinze anos.

Na poltrona, Rebecca Lahote, filha de Paul e Rachel, quatorze.

As três olharam para ele ao mesmo tempo.

E ficaram quietas.

Jacob estreitou os olhos.

— Não.

Isabella piscou.

— O quê?

— Não sei ainda.

Sophie começou a rir.

Rebecca abaixou os olhos para o celular.

Jacob apontou.

— Você.

Sophie olhou ao redor.

— Eu?

— Por que está rindo?

— Não posso rir?

— Pode.

— Então...

— Mas não quando entro numa sala e três adolescentes ficam em silêncio.

Isabella cruzou os braços.

— Nós não ficamos em silêncio.

Jacob olhou.

— Ficaram.

Rebecca tentou:

— A conversa tinha acabado.

Jacob virou-se lentamente para ela.

— Rebecca.

— Sim, tio Jacob?

— Você é filha do Paul.

Ela franziu a testa.

— Sou.

— Seu pai é um péssimo mentiroso.

— E?

— Você acabou de fazer a mesma cara que ele faz quando está mentindo.

Sophie soltou uma gargalhada.

Rebecca virou-se.

— Cala a boca.

— Ele te pegou.

— Você também está envolvida.

Jacob apontou imediatamente.

— Envolvida em quê?

Silêncio.

As três meninas se entreolharam.

Jacob respirou fundo.

— Isabella Swan Black.

— Pai.

— O que aconteceu?

— Nada.

Jacob fechou os olhos.

— Claro.

Sophie levantou.

— Acho que eu vou para casa.

— Senta.

Ela sentou.

Rebecca começou a rir.

Jacob apontou para ela.

— Você também.

— Eu nem levantei.

— Não levanta.

Isabella colocou a mão no rosto.

— Meu Deus.

Jacob largou a pasta sobre a mesa.

— Alguém vai falar.

Sophie olhou para Isabella.

Rebecca olhou para Isabella.

Isabella olhou para as duas.

— Vocês são péssimas amigas.

Rebecca respondeu:

— Não falei nada.

Sophie assentiu.

— Nem eu.

— Mas estão olhando para mim!

— Porque a notícia é sua.

Jacob congelou.

— Que notícia?

Isabella fechou os olhos.

— Sophie.

— Desculpa.

Jacob sentou-se lentamente.

— Isabella.

Ela respirou fundo.

— Um garoto me convidou para sair.

Silêncio.

Jacob piscou.

— Um quê?

Sophie mordeu o lábio.

Rebecca desviou o rosto.

— Garoto — Isabella repetiu.

— Eu ouvi a palavra.

— Então por que perguntou?

— Porque estou tentando entender.

— Não tem muito o que entender.

— Tem bastante.

Jacob inclinou-se para a frente.

— Quem?

— Lucas Bennett.

Sophie imediatamente sorriu.

Jacob percebeu.

— Você conhece?

— Sim.

— Como?

— Estudamos na mesma escola.

Rebecca levantou a mão.

— Eu também conheço.

Jacob virou.

— Você também?

— Todo mundo conhece o Lucas.

Jacob não gostou nem um pouco daquela informação.

— Por que todo mundo conhece?

Isabella gemeu.

— Pai...

Sophie respondeu:

— Porque ele joga basquete.

Jacob fez uma careta.

— Péssimo começo.

— O que tem a ver?

— Não gosto de jogadores de basquete.

Rebecca perguntou:

— Desde quando?

Jacob ficou quieto.

— Desde agora.

Isabella colocou a mão no rosto.

Sophie gargalhou.

A porta da frente se abriu.

Paul entrou.

— Rebecca, vamos.

Parou.

Olhou para Jacob.

Depois para a filha.

Depois para Isabella.

Depois para Sophie.

O instinto paterno reconheceu imediatamente o ambiente.

— O que aconteceu?

Jacob apontou para Isabella.

— Um garoto convidou minha filha para sair.

Paul ficou imóvel.

— Quem?

Isabella levantou as mãos.

— Por que todo homem faz a mesma pergunta?

Paul ignorou.

— Quem?

— Um tal de Lucas Bennett — Jacob respondeu.

Paul franziu a testa.

— O do basquete?

Jacob virou.

— Você conhece?

— Rebecca falou dele.

Rebecca arregalou os olhos.

— PAI!

Paul percebeu o erro.

— O quê?

— Eu não falei dele desse jeito!

Jacob olhou para Rebecca.

Depois para Paul.

— Desse jeito como?

— Não interessa.

— Rebecca.

— Tio Jacob, isso não tem nada a ver comigo.

Paul estreitou os olhos.

— Espera.

Rebecca ficou imóvel.

Paul olhou para a filha.

— Por que você conhece tanto o Lucas Bennett?

— Eu não conheço “tanto”.

— Você falou dele em casa.

— Porque ele joga basquete!

— Você assiste basquete agora?

Rebecca ficou quieta.

Sophie começou a rir.

Paul virou.

— O que é engraçado?

— Nada, tio Paul.

— Sophie.

— Nada.

Jacob observou Paul.

— Interessante, não?

Paul respondeu:

— Muito.

Isabella arregalou os olhos.

— Vocês esqueceram completamente de mim?

Jacob apontou.

— Não. Voltaremos para você.

— Não precisa.

A porta se abriu novamente.

Emmett entrou.

— Sophie, sua mãe mandou dizer que—

Parou.

Viu todos.

— O que aconteceu?

Sophie respondeu imediatamente:

— Nada.

Emmett estreitou os olhos.

— Você é minha filha.

— Eu sei.

— Conheço esse “nada”.

Jacob apontou para Isabella.

— Ela foi convidada para sair.

Emmett congelou.

— Por quem?

Isabella olhou para o teto.

— Meu Deus.

— Lucas Bennett — Paul respondeu.

Emmett franziu a testa.

— O do basquete?

Jacob levantou-se.

— TODO MUNDO CONHECE ESSE GAROTO?

As três meninas começaram a rir.

Emmett apontou para Sophie.

— Você para de rir.

— Por quê?

— Porque eu ainda não sei o que está acontecendo.

— Isabella vai sair com Lucas.

— Não vai.

Jacob olhou para ele.

— Exatamente.

Isabella levantou-se.

— Vocês dois não têm voto!

Emmett apontou para si.

— Sou padrinho.

Paul fez o mesmo.

— Eu também.

— Padrinho não é pai!

— Graças a Deus — Paul respondeu. — Porque já tenho problema suficiente com a minha.

Rebecca arregalou os olhos.

— O quê?

— Nada, filha.

— Você acabou de dizer que eu sou um problema!

— Não foi isso.

Sophie riu.

Emmett olhou para ela.

— E você não se anima. Você é pior.

— PAI!

Jacob olhou para os dois amigos.

E pela primeira vez sentiu algum conforto.

Eles entendiam.

— Está vendo? — Paul disse. — É isso que acontece quando elas crescem.

Emmett balançou a cabeça.

— Rosalie disse que eu precisava aceitar.

Jacob fez uma careta.

— E aceitou?

— Claro que não.

Paul apontou.

— Rachel fala a mesma coisa.

— E você?

— Finjo que concordo.

Jacob assentiu.

— Sensato.

As três adolescentes olharam para os homens.

Isabella cruzou os braços.

— Vocês percebem que estão tendo essa conversa na nossa frente?

Sophie acrescentou:

— Como se fôssemos propriedades.

Rebecca:

— É meio assustador.

Os três homens ficaram quietos.

Então Emmett olhou para Paul.

— Elas combinaram isso.

Paul assentiu.

— Claramente.

Isabella:

— Não combinamos nada!

Sophie:

— Mas poderíamos.

Rebecca sorriu.

— Agora devíamos.

Jacob apontou para as três.

— Não criem sindicato.

Sophie levantou a mão.

— Podemos?

— NÃO.

A voz de Elena surgiu atrás deles:

— O que está acontecendo aqui?

Todos ficaram quietos.

Elena entrou na sala.

Olhou para Jacob.

Paul.

Emmett.

Depois para as três meninas.

Reconheceu imediatamente de que lado estava o problema.

— O que vocês três fizeram?

Jacob pareceu ofendido.

— Por que presume que fomos nós?

Elena olhou para ele.

— Experiência.

Isabella correu até a mãe.

— Lucas me convidou para sair.

Elena sorriu.

— Finalmente.

Jacob virou tão depressa que quase deslocou o pescoço.

— FINALMENTE?

Isabella cobriu a boca.

Sophie começou a gargalhar.

Rebecca fez o mesmo.

Elena percebeu.

— Ah.

Jacob aproximou-se.

— Você sabia?

— Sabia que ele gostava dela.

— Há quanto tempo?

— Algum tempo.

— E não me contou?

— Não era meu segredo.

— Elena.

— Jacob.

Emmett aproximou-se de Paul.

— Eles ainda fazem isso.

Paul assentiu.

— Há décadas.

Elena virou-se.

— E vocês dois estão fazendo o quê aqui?

Paul apontou para Rebecca.

— Vim buscar minha filha.

Emmett apontou para Sophie.

— Também.

— Então por que estão participando?

Paul respondeu:

— Solidariedade paterna.

Emmett:

— Apoio emocional.

Jacob:

— Eles entendem.

Elena olhou para os três.

— Claro.

Depois virou-se para Isabella.

— Você quer sair com Lucas?

— Quero.

— Então vai.

Jacob:

— Não.

Paul:

— Espera.

Emmett:

— Precisamos discutir.

Elena virou lentamente.

— Não.

Os três ficaram quietos.

Sophie sorriu.

Rebecca também.

Isabella cruzou os braços, satisfeita.

Elena apontou para Jacob.

— Pai.

Depois Paul.

— Pai.

Emmett.

— Pai.

Os três assentiram.

— Ótimo. Então deveriam saber melhor.

Jacob franziu a testa.

— Saber o quê?

— Que criar uma filha não significa trancá-la em casa até os trinta.

Emmett levantou a mão.

— Eu estava pensando em vinte e oito.

Sophie:

— PAI!

Paul:

— Vinte e cinco seria razoável.

Rebecca:

— Eu tenho quatorze!

— Exatamente. Ainda temos tempo.

Elena fechou os olhos.

— Meu Deus.

Jacob murmurou:

— Trinta continua melhor.

Isabella:

— Eu odeio todos vocês.

Seth entrou naquele momento.

— Quem ela odeia?

Isabella apontou para os três homens.

— Eles.

Seth olhou.

— Justo.

Jacob apontou para o filho.

— Sua irmã foi convidada para sair.

Seth parou.

— Com quem?

Isabella gritou:

— NÃO!

Sophie caiu na gargalhada.

Rebecca se jogou contra o sofá.

Até Elena começou a rir.

Seth franziu a testa.

— O quê?

Isabella apontou.

— Você é igual!

— Igual a quem?

— Eles!

Seth olhou para Jacob, Paul e Emmett.

Fez uma careta.

— Isso foi ofensivo.

Jacob:

— Lucas Bennett.

Seth pensou.

— O do basquete?

Isabella soltou um grito frustrado.

— EU VOU EMBORA DE CASA!

Jacob respondeu imediatamente:

— Não vai.

— Era modo de falar!

— Ainda bem.

Seth começou a rir.

Elena levantou a mão.

— Chega.

Silêncio.

Até Seth ficou quieto.

— Isabella vai sair com Lucas.

Jacob abriu a boca.

— Não.

Elena olhou.

Ele fechou.

— Sophie e Rebecca não vão espioná-la.

As duas pareceram ofendidas.

— Nós não faríamos isso — Sophie respondeu.

Rebecca olhou para ela.

— Faríamos.

— Cala a boca.

Elena continuou:

— Paul e Emmett definitivamente não vão espioná-la.

Paul:

— Nem pensei.

Emmett:

— Eu pensei.

Sophie:

— Pai!

— O quê? Honestidade é importante.

— E Seth não vai intimidar o garoto.

Seth ergueu as mãos.

— Nem falei nada.

— Conheço você.

— Certo.

Finalmente, Elena olhou para Jacob.

— E você vai conhecer Lucas.

Jacob sorriu lentamente.

Isabella fechou os olhos.

— Mas — Elena continuou — será educado.

O sorriso diminuiu.

— Sou sempre educado.

As três meninas começaram a rir.

Paul tossiu para esconder o próprio riso.

Emmett nem tentou.

— Sem interrogatório.

— Conversa.

— Sem ameaças.

— Não ameaço adolescentes.

Seth murmurou:

— Diretamente.

Jacob virou.

— Você está do lado de quem?

— Da minha sobrevivência.

Elena apontou para todos.

— Isabella tem dezesseis anos. Sophie tem quinze. Rebecca tem quatorze. Vocês têm filhas adolescentes. É melhor começarem a entender uma coisa agora, porque eu não vou repetir pelos próximos dez anos.

Paul e Emmett ficaram sérios.

— Elas vão crescer.

Silêncio.

— Vão namorar.

Paul fez uma careta.

Emmett olhou para Sophie.

Jacob olhou para Isabella.

— Vão se apaixonar.

— Não precisa — Emmett murmurou.

Elena ignorou.

— Vão fazer escolhas que vocês não fariam.

Paul cruzou os braços.

— Isso parece perigoso.

— Vão errar.

Jacob não gostou.

— Vão sofrer algumas vezes.

Nenhum dos três gostou.

— E a função de vocês não é impedir que elas vivam.

Elena olhou para Jacob.

Depois Paul.

Depois Emmett.

— É garantir que saibam que podem ligar para vocês quando precisarem.

As meninas ficaram quietas.

— Se vocês transformarem amor em vigilância, elas vão aprender a esconder.

Aquilo atingiu os três.

— Se transformarem proteção em ameaça, elas vão parar de contar.

Elena respirou.

— Vocês querem filhas que nunca errem ou filhas que saibam que podem voltar para casa depois de errar?

Silêncio.

Jacob olhou para Isabella.

Paul para Rebecca.

Emmett para Sophie.

Nenhum respondeu.

Não precisava.


Lucas apareceu no sábado.

Às sete em ponto.

Mas não encontrou apenas Jacob.

Encontrou uma situação muito pior.

Jacob e Elena estavam na sala.

Seth estava na cozinha, supostamente pegando água havia quinze minutos.

Paul tinha aparecido para buscar Rebecca.

Emmett tinha aparecido para buscar Sophie.

Nenhum demonstrava qualquer pressa.

Rebecca e Sophie estavam no quarto de Isabella ajudando-a a se arrumar.

Quando a campainha tocou, os cinco homens olharam para a porta.

Elena fechou os olhos.

— Não.

Jacob levantou.

— É minha casa.

— Você pode atender.

Paul também levantou.

— Eu já estou indo.

Elena apontou.

— Senta.

Ele sentou.

Emmett tentou:

— Eu preciso—

— Senta.

Sentou.

Seth permaneceu de pé.

Elena olhou.

— Você também.

— Eu estava pegando água.

— Há quinze minutos?

— Estou hidratando.

— Senta.

Ele sentou.

Jacob olhou para os três.

— Patéticos.

Elena apontou para ele.

— Você é o pior.

Abriu a porta.

Lucas estava do outro lado.

Camisa simples.

Flores pequenas nas mãos.

Nervoso.

— Boa noite, senhora Black.

— Boa noite, Lucas.

Ele olhou por cima do ombro dela.

Viu Jacob.

Depois Seth.

Depois Paul.

Depois Emmett.

Seu rosto perdeu um pouco da cor.

Elena virou-se.

Os quatro homens estavam sentados em silêncio.

Observando.

— Meu Deus.

Lucas entrou.

Jacob levantou.

— Lucas.

— Senhor Black.

Apertaram as mãos.

— Jacob.

— Certo, senhor.

Emmett cochichou para Paul:

— Gostei.

Paul:

— Também.

Elena ouviu.

— Vocês dois, silêncio.

Lucas percebeu que havia mais gente.

Jacob apresentou:

— Seth. Irmão da Isabella.

Seth apertou a mão dele.

— Oi.

— Oi.

— Paul. Padrinho.

Paul apertou.

— Olá.

— Emmett. Outro padrinho.

Emmett sorriu.

— Eu sou o principal.

Paul:

— Não começa.

Lucas parecia cada vez mais confuso.

Elena explicou:

— Eles estavam indo embora.

Os três homens responderam juntos:

— Sim.

Ninguém se moveu.

Elena olhou.

— Agora.

Paul levantou.

— Rebecca!

Emmett:

— Sophie!

As duas desceram com Isabella.

Lucas olhou.

E esqueceu todos os homens da sala.

Isabella usava um vestido simples e bonito, cabelos soltos.

Sophie percebeu o olhar dele.

Sorriu.

Rebecca também.

Jacob percebeu.

Não sorriu.

Seth percebeu.

Também não.

Paul e Emmett olharam para Jacob e Seth.

A solidariedade masculina foi imediata.

— Isabella — Lucas disse. — Você está linda.

Ela corou.

Jacob respirou fundo.

Seth cruzou os braços.

Emmett cochichou:

— Difícil.

Paul respondeu:

— Muito.

Sophie olhou para o pai.

— Eu estou ouvindo.

Rebecca apontou para Paul.

— Eu também.

Elena colocou as mãos na cintura.

— Vocês três vão embora.

Emmett apontou para Jacob.

— E ele?

— Mora aqui.

— Injusto.

Sophie puxou o pai.

— Vamos.

Rebecca fez o mesmo com Paul.

— Anda.

Paul olhou para Lucas.

— Boa noite.

O tom significava várias outras coisas.

Rebecca empurrou.

— Pai.

— Estou indo.

Emmett passou por Lucas.

— Divirtam-se.

Sophie arregalou os olhos, surpresa.

Emmett continuou:

— Com responsabilidade.

— Pai!

— O quê?

— Vai!

As portas se fecharam.

Jacob respirou aliviado.

Elena olhou para Seth.

— Você também.

— Eu moro—

— Não mora mais.

— Verdade.

Seth olhou para Isabella.

— Onze?

— Onze.

— Celular ligado?

Isabella cruzou os braços.

— Seth.

Ele levantou as mãos.

— Certo.

Passou por Lucas.

— Divirtam-se.

Isabella piscou.

— Só isso?

Seth sorriu.

— Só.

Ela pareceu surpresa.

Seth aproximou-se da irmã.

Beijou sua testa.

— Se precisar, liga.

A expressão de Isabella suavizou.

— Ligo.

— Qualquer hora.

— Eu sei.

Jacob observou.

Talvez fosse aquilo.

Seth aprendera.

Melhor que todos eles.

Não impedir.

Estar disponível.

Seth foi embora.

Jacob ficou.

Elena aproximou-se do marido.

— Sua vez.

— Eu não vou embora. Moro aqui.

— Não. Sua vez de aprender.

Jacob olhou para Isabella.

A filha esperava.

Ele respirou fundo.

— Onze horas.

Ela sorriu.

— Onze.

— Celular—

Elena apertou seu braço.

Jacob corrigiu:

— Divirtam-se.

Isabella abriu um sorriso enorme.

— Obrigada, pai.

Abraçou-o.

Jacob fechou os olhos.

— Eu amo você.

— Também amo você.

Ela se afastou.

Lucas abriu a porta.

Jacob chamou:

— Lucas.

O garoto virou.

Jacob hesitou.

Mil ameaças passaram pela cabeça.

Nenhuma saiu.

— Cuida bem dela.

Isabella imediatamente:

— Pai.

Jacob olhou.

Ela estava certa.

Tentou novamente.

— Cuidem um do outro.

Isabella sorriu.

Lucas assentiu.

— Sim, senhor.

— Jacob.

— Sim, senhor.

Jacob quase sorriu.

Os dois saíram.


No carro de Emmett, Sophie estava no banco do passageiro.

— Você foi ridículo.

— Fui ótimo.

— Você ficou encarando o Lucas.

— Observação paterna.

— Você não é pai da Isabella.

— Sou padrinho.

Sophie revirou os olhos.

— Você vai fazer isso quando eu namorar?

Emmett freou um pouco mais forte do que precisava.

— Quando você o quê?

Sophie sorriu.

— Nada.

— Sophie.

— Dirige, pai.

— Você está gostando de alguém?

— Pai.

— Quem?

— Dirige.

— É da escola?

— PAI!

Emmett pegou o celular no primeiro sinal vermelho.

— Vou ligar para Paul.

Sophie arregalou os olhos.

— Por quê?

— Preciso de apoio.

— Você tem quarenta e tantos anos!

— Exatamente. Estou vulnerável.


No carro de Paul, a situação não era melhor.

Rebecca estava olhando pela janela.

— Pai.

— O quê?

— Você foi constrangedor.

— Eu mal falei.

— Seu rosto falou.

— Meu rosto é meu.

— Parecia que queria prender Lucas.

— Não queria.

— Queria.

Paul ficou quieto.

Rebecca sorriu.

— Se eu aparecer com namorado um dia, você vai fazer isso?

— Você tem quatorze anos.

— Não respondi que seria agora.

— Ótimo.

— Mas um dia.

Paul apertou o volante.

— Podemos conversar sobre faculdade?

Rebecca começou a rir.

— Pai.

— Pós-graduação?

— PAI!

— Doutorado?

— Você é pior que o tio Jacob.

Paul fez uma careta.

— Não exagera.


Naquela noite, quando Isabella voltou para casa, Jacob estava no sofá.

Elena também.

Seth tinha mandado mensagem.

Paul também.

Emmett enviara quatro.

Todos perguntando a mesma coisa.

Chegou?

Às dez e cinquenta e oito, Isabella entrou.

Sorrindo.

Jacob percebeu.

Elena também.

— Oi — Isabella disse.

— Oi — Elena respondeu.

Jacob tentou parecer casual.

— Foi bom?

— Foi.

— Só bom?

Elena olhou.

— Jacob.

— Pergunta normal.

Isabella riu.

— Foi muito bom.

Pior.

Muito pior.

— Lucas é legal — ela acrescentou.

Jacob fez uma careta.

— É.

Isabella congelou.

— Você acabou de admitir?

— Não exagera.

— Você gosta dele.

— Tolero.

— Pai.

— Talvez ele não seja completamente péssimo.

Ela abriu um sorriso.

— Isso vindo de você é praticamente uma bênção.

Jacob apontou.

— Não é.

Isabella aproximou-se.

Beijou sua bochecha.

— Boa noite.

— Boa noite, princesa.

— Dezesseis anos.

— Não importa.

Ela começou a subir.

Parou.

Virou.

— Pai?

— O quê?

— Obrigada por não assustar ele.

Jacob olhou para Elena.

— Eu fui bem.

— Foi — Elena admitiu.

Isabella sorriu.

— Boa noite.

Subiu.

Jacob esperou até desaparecer.

Depois pegou o celular.

Digitou no grupo:

ELA CHEGOU.

Paul respondeu imediatamente:

TUDO CERTO?

Emmett:

BEIJOU?

Seth:

NÃO PERGUNTA ISSO.

Emmett:

VOCÊ NÃO QUER SABER?

Seth:

QUERO. MAS NÃO PERGUNTA.

Paul:

CONCORDO COM SETH.

Emmett:

COVARDES.

Jacob digitou:

NINGUÉM VAI PERGUNTAR.

Três segundos.

Emmett:

VOCÊ JÁ PERGUNTOU PRA ELENA?

Jacob bloqueou o celular.

Elena estava rindo.

— O quê?

— Nada.

— Você sabe?

Ela sorriu.

— Talvez.

Jacob fechou os olhos.

— Eu odeio essa família.

Elena sentou no colo dele.

— Mentiroso.

Jacob abraçou sua cintura.

— Muito.


No andar de cima, Isabella estava deitada na cama.

Sophie e Rebecca estavam em uma chamada de vídeo.

Sophie apareceu primeiro.

— E?

Rebecca:

— E?

Isabella sorriu.

— Foi perfeito.

As duas gritaram.

— FALA!

Isabella riu.

— Ele me beijou.

Sophie colocou as mãos na boca.

Rebecca se jogou para trás.

— EU SABIA!

— Fala baixo!

— Eu estou na minha casa!

— Meu pai pode ouvir através das paredes.

Sophie riu.

— Seu pai provavelmente instalou equipamento.

Rebecca:

— O meu instalaria.

Sophie:

— O meu pediria ajuda para instalar e faria errado.

Isabella gargalhou.

— Não fala assim do tio Emmett.

— Você só defende porque consegue tudo dele.

— Não consigo tudo.

As duas ficaram em silêncio.

Isabella pensou.

— Quase tudo.

Rebecca riu.

— Você faz meu pai de gato e sapato também.

— Seu pai é fácil.

— Para você!

Sophie:

— Meu pai também.

Isabella sorriu.

— Vocês têm que saber pedir.

Rebecca apontou para a tela.

— Está vendo? Manipuladora.

— Estratégica.

Sophie:

— Filha do Jacob.

Isabella fez uma careta.

— Minha mãe diz que eu pareço com ele.

— Muito — as duas responderam.

— Traidoras.

As três riram.

E, naquele quarto, Isabella não era a filha de Jacob Black.

Não era a irmã de Seth.

Não era a afilhada protegida por Paul e Emmett.

Era apenas uma menina de dezesseis anos contando às melhores amigas sobre o primeiro encontro com um garoto de quem gostava.

Exatamente como deveria ser.


Talvez aquela fosse a parte que Jacob, Paul e Emmett demorariam mais para compreender.

As meninas que eles haviam carregado no colo não permaneceriam meninas para sempre.

Isabella tinha dezesseis.

Sophie, quinze.

Rebecca, quatorze.

Em poucos anos, todas fariam escolhas que os pais não poderiam controlar.

Amariam pessoas que eles talvez não escolhessem.

Errariam.

Partiriam.

Voltariam.

E Elena sabia que o verdadeiro teste de tudo que haviam aprendido não seria manter aquelas meninas protegidas dentro de casa.

Seria vê-las atravessar a porta.

Confiar.

Esperar.

E manter a luz acesa para quando voltassem.

Porque filhos não eram promessas que precisavam ser cumpridas.

Não eram dívidas.

Não eram propriedades.

Eram pessoas.

Pessoas que um dia aprenderiam a viver sem pedir autorização.

Jacob ainda teria ciúmes.

Seth também.

Paul provavelmente interrogaria o primeiro namorado de Rebecca.

Emmett certamente seguiria Sophie pelo menos uma vez e seria descoberto em menos de dez minutos.

Elena continuaria colocando ordem.

As meninas continuariam reclamando.

E todos continuariam aprendendo.

Porque talvez amar os filhos fosse exatamente isso.

Passar anos ensinando-os a caminhar.

E depois reunir coragem para soltá-los quando finalmente soubessem.

Sem deixar de estar por perto.

Sem fechar a porta.

Sem apagar a luz.

Naquela casa, muitos anos antes, Seth perguntara se poderia parar de fazer malas.

Agora Isabella começava a descobrir o mundo além daquela porta.

E a resposta para os dois continuava sendo a mesma.

Vá.

Viva.

Ame.

Erre.

Aprenda.

E, quando quiser voltar, você sabe onde fica sua casa.

FIM

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.