O Outro Lado do Acampamento
1 Capítulo 1
Era mais um verão no acampamento meio sangue e Percy se sentia sobrecarregado. No ano anterior juntamente com seus amigos Annabeth, Grover e seu irmão Tyson ele partira em uma missão no labirinto de Dédalo, e o resultado havia sido uma batalha de proporções terríveis resultando em destruição e mortes, o que para muitos seria uma coisa anormal, para Percy foi apenas mais um verão na pele de um semideus. Para piorar faltavam algumas semanas para que ele completasse 16 anos e de acordo com a grande profecia fizesse a escolha que salvaria ou destruiria o olimpo, com um peso desse tamanho sobre as costas restava ao garoto esperar seu destino sendo ele trágico ou não.
Como de costume Percy estava fazendo da pratica da esgrima seu escape, durante esses momentos ele deixava de pensar em seus maiores problemas e se concentrava apenas nos alvos. Enquanto o garoto praticava sua atividade preferida a cadela infernal Sra. O'Leary hora o observava e hora mastigava um enorme pneu de trator dado a ela de presente por um dos rapazes do chalé de Hefesto.
Após acabar a atividade ele estava melecado de suor e resolvera tomar um banho e quem sabe encontrar algum de seus amigos no acampamento, talvez conversar um Pouco com Beckendorf, ou um jogo de cartas com os rapazes de Hermes, apesar de estar no acampamento se sentia solitário visto que Annabeth, que era a pessoa mais próxima a ele ainda não estava lá, sentia saudades dela, mesmo que estivessem discordando muito ultimamente, mas Percy não queria pensar nesse tipo de coisa, queria apenas encontrar uma maneira de relaxar e se sentir bem consigo mesmo. Após alguns segundos de caminhada e com a cabeça nas nuvens acabou por esbarrar em alguém.
—Foi mal cara — disse ele ao perceber que a pessoa em quem havia esbarrado era do sexo masculino — Como vai... Polllux?
—E ai Percy — disse sorridente — não vai me dizer que depois desse tempo aqui ainda não memorizou meu nome.
Ele tinha razão, Percy se sentiu envergonhado ao perceber que só descobrira o nome de Pollux quando o vira queimar a mortalha de seu irmão gêmeo Castor após a batalha do labirinto.
—Desculpe cara — ele coçou a cabeça — não tem sido minha melhor fase não suporto mais esse papo de herói da profecia e tudo mais, não tenho conseguido me concentrar muito ultimamente.
Pollux o avaliou por um instante e Percy pensou ter visto um brilho maniaco nos olhos do garoto, um brilho muito parecido com o do pai Dionísio, talvez pudesse ser a loucura hereditária do deus do vinho.
—Entendo, deve ser uma merda, se eu fosse você provavelmente explodiria — Ele se virou — eu vou indo cara, até mais.
Os dois se despediram e apos dar alguns passos Pollux o chamou novamente.
—Ei Percy, o que acha de aparecer hoje a noite lá pelas 22:00 no chalé de Dionísio?
Percy estranhou a proposta, os dois nunca foram chegados, então por que Pollux o estaria convidando pro seu chalé? Principalmente em um horário apos o toque de recolher.
—As 22:00? Por que eu iria lá nesse horário?
O filho de Dionísio riu.
—Nada demais é apenas uma reunião de amigos, o que acha?
Percy pensou um pouco, não sabia o que esperar mas poderia ser sua chance de se divertir e esquecer das coisas ruins que vinham acontecendo.
—Ok, talvez eu apareça.
—Talvez? Certo... — ele pareceu se ofender com o"talvez"- Apareça quando quiser depois das 22:00 a senha é "Vai à Merda".
—Vai à Merda?
—Vai à Merda — confirmou o filho do deus do vinho, com isso se virou e saiu andando.
22:17 Chalé de Poseidon
Percy permaneceu deitado em seu beliche após as 22:00, estava frustrado e após seu treino tentara achar alguém com quem conversar, procurou os irmãos Stoll mas eles estavam estranhamente ocupados com afazeres, imaginou que estivessem pregando alguma peça mas estranhou ao perceber alguns engradados suspeitos em meio ao que carregavam. Depois de um tempo decidira procurar Beckendorf mas o mesmo permanecia trabalhando em algo na forja.
—O que esta fazendo? — Disse o filho de Poseidon com a intenção de puxar assunto — É alguma arma?
—Não- falou Beckendorf prestando atenção no que estava fazendo.
— Um automato?
— Não.
— O que é?
Beckendorf riu.
— Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde — e deu mais uma martelada no cilindro de bronze celestial.
Depois de Beckendorf, Percy tentou interagir com mais alguns campistas, Katie Gardner de Deméter estava radiante com um vestido verde, lendo um livro sobre vegetação tropical, quando avistou o filho do deus do mar apenas deu um tchauzinho e retornou ao seu livro, os campistas de Apolo ensaiavam algumas musicas na porta de seu chalé, em contrapartida os filhos de Ares não estavam a vista, o garoto pensou em ligar para Rachel, mas desistiu devido ao trabalho que teria para ir ao orelhão mais próximo, visto que o acampamento não possui telefone, por fim desistiu de ter companhia e retornou ao chalé de número 3.
Ja eram 22:21 quando Percy se lembrou da conversa que tivera mais cedo com Pollux, o que o fez ficar encucado, o rapaz o havia chamado para uma reunião de amigos em seu chalé, o curioso nessa situação foi que não se ouvia nada la fora nem uma única movimentação, se houvesse alguém se reunindo ele saberia, ou não?
O garoto decidiu que poderia dar uma olhada, ele não estava com sono e quebrar as regras lhe pareceu exitante naquele momento, uma leve aventura para esquecer um pouco seus problemas, sua decisão final veio quando pensou em Annabeth e percebeu a falta que ela vinha lhe fazendo, decidiu então que no meio daquilo tudo precisava aprender a se divertir no acampamento sem que ela estivesse ali com ele, ainda mais pensando no fato de que poderia não estar vivo daqui a algumas semanas.
Ele se levantou da cama colocou um casaco decente e saiu devagar do chalé 3, observando tudo a sua volta continuou com o pensamento de que nada estava acontecendo e quase desistiu ao ver que o chale de Dionísio parecia completamente silencioso, já estava bem próximo da construção quando se virou com a intenção de voltar, provavelmente havia sido alguma brincadeira de mal gosto de Pollux, mas ao ver que as Harpias se aproximavam dos chalés, certamente com a intenção de devorar algum campista que estivesse fora da cama não teve outra escolha se não acreditar que o filho do deus do vinho lha falara a verdade.
Percy foi em disparada para a entrada da casa de numero 12, ao encostar bateu na porta 3 vezes, de certa forma deve ter parecido desesperado por que rapidamente alguém abriu uma pequena janela no centro da porta e disse.
— Senha por favor.
— Abre essa porta — falou ele apressado — As Harpias estão chegando perto.
— Senha por favor.
Dessa vez o semideus se acalmou percebendo que a voz que falara era uma de uma garota, e vendo que Dionísio não tinha uma filha semideusa só o fez crer que Pollux não havia mentido e que essa "reunião de amigos" realmente estava acontecendo, mas como era possível?
Vendo que a garota não abriria a porta sem a senha ele forçou sua memória até se lembrar da conversa que tivera mais cedo com o morador do chalé, até que se lembrou.
— Vai a Merda.
— Ok — disse a garota.
As harpias se aproximavam mais e mais e Percy escorregou pra dentro, o que ele não imaginava e que sua estadia no acampamento nunca mais seria a mesma.
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