Notas iniciais
Se puderem comentar e dizer o que estão achando da escrita ficaria muito agradecida

Havia muita fumaça por ali e a primeira reação de Percy foi de abanar a mão na frente do rosto, ao perceber que seria uma atitude pouco útil devido à quantidade de fumaça, resolveu se concentrar no que estava a sua volta e então avistou a garota que lhe abrira a porta segundos antes.

— Obrigado Silena — disse ele – Se tivesse me aberto a porta cinco segundos mais tarde...

Ela o olhou e deu uma leve risada.

— Se você tivesse demorado cinco segundos a mais para se lembrar da senha...

Foi à vez de o garoto rir, evidentemente imaginando que não deveria ter agradecido a ela por coisa alguma, pensou do por que toda aquela segurança, pelo visto aquele tipo de reunião deveria ser mais proibida do que ele imaginava e sugeriu a si mesmo que Silena apenas ficava na porta do chalé para usar seu charme em algum enxerido que aparecesse sem ser convidado e evitar um possível dedo duro. Ele reparou na filha de Afrodite e notou que ela possuía a beleza radiante como em todas as vezes que a vira, a menina usava um vestido florido não tão colado e não possuía traços de maquiagem no rosto, até por que não precisava já que a herança divina a fazia estar sempre linda.

— Entendi – Percy olhou melhor dentro do chalé, os beliches estavam vazios, exceto por um, onde um semideus podia ser visto conversando animadamente com uma ninfa do bosque, as janelas estavam todas fechadas e a densa fumaça que permanecia no ar tinha um forte aroma de chá de folhas de maracujá com uma pitada de suco de uva, pareceu enjoativo por um momento, mas o garoto imaginou que isso não ocorresse sempre dentro do local

— Mas onde estão todos? Pollux me disse que seria uma reunião de amigos não parece ter muita gente por aqui.

— É sua primeira vez aqui, não é? Ele assentiu. — Fácil imaginar, provavelmente Pollux, nunca te chamou por causa do pai, Dionísio não vai muito com a sua cara sabe?

— Bom saber que o sentimento é recíproco.

— Claro que é, acho que Pollux deve ter sentido um pouco de pena pelo seu destino de profecia, mortes e tal – falou Silena – ai te chamou pra aproveitar um pouco, no fim de tudo todos nós vamos acabar morrendo jovens não é mesmo? Talvez essas rixas não valham a pena para nós semideuses.

— Talvez não, espero que o Sr D não se chateie com o filho por minha causa.

O filho de Poseidon sentiu um leve pesar com as palavras de Silena, parecia que não apenas ele, mas todos ali estavam vivendo seus últimos momentos, percebeu que estava sensibilizado pelo convite do filho do deus do vinho, não gostava que sentissem pena dele, mas a atitude de ignorar a rixa que Percy tinha com seu pai para que pudessem comemorar a própria morte eminente como amigos e tira-lo de sua crescente ansiedade o comoveu, ele não acreditava que algum tipo de comemoração podia fazê-lo se sentir melhor consigo mesmo, mas a solidão, ansiedade e curiosidade o fizeram levantar da cama e ir até ali, então seria válido ao menos tentar aproveitar o que viesse pela frente.

— O que vai ter por aqui? Não tem muita gente até agora – Disse olhando ao redor, Silena arregalou os olhos.

— É verdade! É a sua primeira vez por...

A fala da menina foi interrompida pelo forte barulho de algo se abrindo. De um alçapão no assoalho entre os beliches saiu Charles Beckendorf cambaleando como se tivesse sido agredido na cabeça, ele segurava uma taça com um liquido vermelho fogo que borbulhava dentro do recipiente de vidro como lava fervente.

— Lena, que saudades que eu senti de você! – Exclamou o filho de Hefesto antes de olhar o relógio de pulso – Não te vejo a exatamente... Quarenta e dois minutos e... Quatro, cinco, seis segundos.

— Ainda bem que você veio Charles, eu não quero mais ficar na porta, peça pra Drew subir e aproveita pra levar o Percy pra conhecer o alçapão, nos vemos lá em baixo, ok?

Ela encostou a boca de leve na do filho de Hefesto e virou as costas para os dois se voltando para a porta novamente. Os rapazes se viraram instantaneamente e foram em direção ao alçapão, enquanto desciam às escadas o filho do deus do mar notou que era dali que vinha toda a fumaça que pairava sobre o chalé 12.

— Cara, odeio quando Silena usa o charme pra cima de mim – Disse Beckendorf descendo com cuidado excessivo pelos degraus tentando equilibra a taça nas mãos – Não me leve a mal, eu amo essa garota, só que namorar com uma filha de Afrodite tem dessas, quando ela me pede uma coisa não posso negar.

Percy ficou surpreso, não havia percebido que a garota usara seu charme momentos antes, se espantou com a sutileza e o quão natural aquilo parecia, e pensou se Beckendorf não fazia o que a namorada pedia simplesmente por que quisesse. O ferreiro sorriu.

— Não imagino você e Annabeth tendo esse tipo de problema.

— Não estamos juntos – Respondeu Percy com um leve rubor, se lembrando da amiga e das discordâncias que vinham tendo ultimamente, que eram principalmente relacionadas à mortal Rachel Elisabeth Dare – Somos amigos...

— Amigos? – Ele gargalhou alto – Do jeito que ela chorou quando você “morreu”? Acho que não cara.

O filho de Poseidon não soube o que dizer em relação a isso, seus sentimentos estavam uma bagunça e ele não queria esforçar seus pensamentos no momento, Annabeth parecia complicada a seu ver, e complicações não eram uma coisa que ele queria no momento, resolveu não continuar a conversa, foi fácil, por que assim que terminaram de descer as escadas Beckendorf levantou o copo e disse.

— Seja bem vindo ao alçapão cara, espero que tenha uma ótima primeira vez!

O rosto de Percy parecia se dissolver, ele não entendeu absolutamente nada, como algo daquele porte poderia estar escondido em baixo do chalé número doze? O lugar era gigantesco, assim que se desciam as escadas do alçapão era possível reparar em uma enorme sala de estar com piso de madeira e paredes pintadas de roxo, naquele local havia vários sofás com estampa de leopardo encostados às paredes. No centro a esquerda a sala possuía uma enorme mesa com uma fonte onde pairava uma estatua de Dionísio nu que ejaculava de seu falo o mais puro vinho tinto, ao redor da fonte estavam varias garrafas das mais variadas bebidas alcoólicas nunca vistas antes pelo semideus de Poseidon. Já no centro da sala um pouco mais a direita era possível ver uma mesa de jogo cercada por quatro rapazes, os irmãos Connor e Travis Stoll sentados de frente para o outro, e cruzado com eles estavam o anfitrião Pollux e Jake Mason, eles berravam e se divertiam em uma partida de truco. Mais pessoas enchiam seus copos de bebida ao redor da fonte e outros fumavam cigarros e conversavam de pé ou nos sofás.

— Aqui é a sala principal, é basicamente aonde a galera vem pra socializar, bebendo da fonte, jogando truco, fumando, flertando, e é isso – Beckendorf disse tomando mais um gole de sua bebida – Quer?

Apesar de impressionado com o lugar, a curiosidade de Percy sobre a bebida que o filho do deus do fogo carregava falou mais alto.

— Que merda é essa? Parece lava. — Isso meu caro, é o puro néctar dos deuses, chamam de cuspe de Hefesto?

— Cuspe?

— Relaxa, não é cuspe de verdade, apenas uma mistura de morangos dos jardins de Hefesto, sementes de romã e álcool 74%.

— 74%? Que tipo de maluquice é essa? – Exclamou o semideus de Poseidon, mas Charles apenas riu de deboche.

— Você é bem inocente – Constatou – Nunca deve ter bebido álcool.

Não era verdade, ele já havia furtado algumas doses de Tequila das garrafas de seu padrasto Paul, e houve uma vez em que ele e Rachel tomaram algumas cervejas quando Percy a visitou em sua mansão há alguns meses, mas de fato ele nunca ficara nada além de sóbrio.

— Somos semideuses Percy – Continuou Beckendorf – O DNA divino faz com que o nosso metabolismo libere substancias muitas vezes mais rápido que um mortal, ou seja, precisamos de mais.

O semideus do mar sentiu certa vergonha por não saber esse tipo coisa sobre ele mesmo, mas como havia decidido não pensar em coisas complicadas, apenas deixou o sentimento de lado e decidiu que entendia por que Rachel ficara muito mais feliz que ele quando os dois dividiram aquelas cervejas, ele imaginou quanto o namorado de Silena não havia bebido para seguir cambaleando pela casa de Dionísio, visto que nas palavras dele “os meio-sangue precisam de mais”.

— Se não acredita em mim, prove você mesmo – Desafiou Charles, estendendo a taça até Percy, que encarou a lava borbulhante com uma leve duvida, até pegar e sentir o cheiro da substancia que mais parecia uma mistura de enxofre com morangos. Ele relaxou os ombros e esvaziou a mente, nesse pequeno momento da paz deixou todos os seus problemas de lado enquanto virava o liquido da taça com um gole. A reação seguinte foi a de se engasgar com o forte gosto da bebida, alem de ser amparado por Charles que se mostrou risonho com a situação, e dentre um ou outra tapinha nas costas do amigo questionou.

— Curtiu?

O filho de Poseidon não soube o que responder, por que apesar de engasgar com a bebida e não ter apreciado muito o gosto, se sentiu aquecido por dentro, era primeira vez que isso acontecia e a sensação era tão boa que Percy sorriu satisfeito e com um pouco mais de certeza do que estava fazendo.

— Acho que sim, tem outra dessas?

— Quanto quiser, mas pra você eu tenho uma idéia melhor – disse o filho de Hefesto, que caminhou até a beira da fonte e pegou uma taça — Um pouco de mijo de pégasus, absinto e alga batida.

Num piscar de olhos a bebida de coloração azul marinho estava pronta nas mãos de Percy.

— E como chama essa? — perguntou ele.

— Esse é famoso sangue de Tritão – respondeu Bekendorf – Acho que você vai gostar mais desse.

Percy assentiu e tomou um gole, e no mesmo instante o gosto doce e ardente da bebida atingiu o seu corpo o fazendo tremer levemente como se tivesse nadando sobre o oceano ártico, mas logo a sensação mudou para um calor como o do pacífico, que fez o corpo do menino relaxar. O mix de sentimentos diferentes tomou conta do interior do peito do filho de Poseidon que sorriu abobalhado, estava sentindo o inicio do efeito da bebida e estava adorando. Ele olhou em volta, a fumaça permanecia no ar, o aroma de maracujá se misturava com o odor do tabaco criando um cheiro indefinido, as pessoas continuavam conversando.

— Me sinto abraçado, e leve.

— Maravilha, essa é a idéia – Sorriu Charles.

Os dois seguiram ate o corredor próximo e caminharam por ele, haviam varias pequenas salas onde alguns semideuses conversavam em grupos mais particulares, a decoração seguia sendo a mesma com o piso de madeira e as paredes pintadas de roxo.

— Aqui é o corredor, e se você quiser um lugar calmo sem a gritaria da sala principal ou a musica do palco é só vir pra cá e entrar em alguma sala vazia.

— Legal – Disse Percy tomando mais um gole de seu sangue de Tritão – Esse lugar é enorme, onde fica esse palco?

— Nós já vamos pra lá, eu só preciso encontrar a Drew – Beckendorf analisava as salas em que passavam – Ali!

Os filhos de Hefesto e Poseidon se adiantaram até uma das portas. Dentro da sala estava Drew, que se encontrava sentada em um sofá, fervorosamente aos beijos com um de seus irmãos do chalé de Afrodite, Percy não se surpreendeu, era comum esse tipo de relação incestuosa entre alguns semideuses e o menino estava tão acostumado a ver esse tipo de coisa pelo acampamento nem deu bola.

— Ei Drew, Silena disse pra ir trocar com ela – disse Charles adentrando o quarto. A garota interrompeu o beijo com seu irmão,

— Ainda tenho 7 minutos – disse ríspida, o filho do deus do mar sabia que Drew e Silena apesar de irmãs não se bicavam.

— Vai ter que falar pra ela – respondeu Beckendorf, e antes que ela pudesse reclamar sobre algo, puxou Percy de volta para o corredor e juntos os dois seguiram até a porta que havia mais ao fundo do lugar.

Quando adentraram o lugar a fumaça constante que permanecia no alçapão agora se misturava com a densidade do gelo seco, ali era de longe o lugar mais lotado que Percy se deparara até o momento. Havia um pequeno palco com uma altura a trinta centímetros do chão, e sobre ele Percy avistou Will Solace e Lee Fletcher respectivamente no baixo e bateria, eles formavam banda com outros dois de seus irmãos do chalé de Apolo, mas que o filho de Poseidon, não recordava os nomes, eles animavam a platéia com um cover de “Take on Me” da banda A-há, ele jurava ter escutado algo sobre um dos membros dessa banda ser um filho de Apolo, só não se lembrava seu nome. Beckendorf abria caminha entre as pessoas ali agrupadas até que encontrou mais uma parede roxa e se encostou bebericando sua taça, atitude que fez com o filho do mar se lembrasse e desse mais um gole de seu sangue de Tritão. O menino havia dado tanta atenção para a banda que havia se esquecido de reparar mais a sua volta, reparou em algumas estátuas em homenagem a Dionísio e um quadro com a imagem de videiras se entrelaçando, algumas tochas iluminavam as paredes e elas pareciam ter as chamas mais ardentes que já se viu. O piso ali também e amadeirado como nos outros lugares, mas o que mais chamou a atenção de Percy era o comportamento dos seus companheiros semideuses, todos dançavam como se não houvesse amanhã (De fato não havia), outros se beijavam e se amassavam pelas paredes com seus conjugues, todos os tipos de casais possíveis de serem formados, semideuses com semideusas, semideuses com semideuses, semideuses com ninfas do bosque, e provavelmente havia mais que o filho de Poseidon conseguira ver.

— É isso, esse é o alçapão – disse Charles – espero que tenha gostado, provavelmente será um dos últimos antes da batalha.

— É incrível – respondeu Percy tomando mais um gole de sua bebida, os membros de seu corpo se mexiam sozinhos com a musica, a bebida estava subindo a todo vapor ao seu cérebro – Mas eu não entendi um coisa.

Beckendorf o olhou esperando pela pergunta.

— Como ninguém descobriu isso... Digo, Quíron ou Sr D, eles provavelmente descobririam certo?

O filho de Hefesto levou a mão no queixo como se tentasse se lembrar de algo muito importante.

— Boa pergunta. Pelo que eu ouvi esse era um antigo templo em homenagem a Dioniso, por isso as estátuas, cores, fonte e tal – Percy assentiu e continuou ouvindo – mas tem uns bons anos que os filhos dele ao invés de realizarem oferendas como todos fazem nas refeições, decidiram homenagear o pai de outra forma, e que pelo visto funcionou muito bem, o que deixaria o cara que é praticamente o deus da putaria mais feliz do que putaria.

— Então ele sabe – Afirmou o filho do mar.

— Sabe sim, mas não é com eles que temos que nos preocupar, a única coisa que botaria tudo isso abaixo seria Quíron, e não por implicância ou regras, mas sim por que os centauros ficam muito destrutivos em meios as festa, você não imagina o que são os pôneis de festa bêbados ou drogados. Quiron e seus primos costumavam comparecer em algumas festas, mas não foram mais convidados por causa de vários tumultos que arrumaram das últimas vezes que vieram, e desde então fazemos de tudo para que informações sobre quando nos reunimos não cheguem até eles – Charles deu mais um gole na sua bebida — se um dia entrar em uma partida de truco com os centauros apenas tente não vencer, principalmente se alguns dracmas estão em jogo.

Percy ficou surpreso, era difícil imaginar seu monótono professor de latim e esgrima perdendo o controle numa festa, mas no final acabou achando graça, não sabia se gostaria de ter visto as ações dos pôneis, mas constatou que devia ser uma história um pouco sinistra, visto que aparentemente os centauros ainda mantinham parte de seus comportamentos das eras mitológicas, verdadeiros festeiros com poucos limites.

— Isso me parece um pouco assustador, ganhe no truco e leve uma flechada na testa – disse o semideus.

— Na verdade... Foi mais ou menos assim – Beckendorf sorriu olhando para o palco – Vem, vamos voltar, quero ver minha garota.

O filho de Poseidon assentiu, viu a banda anunciar uma pausa, e entre vaias e aplausos seguiu Charles até a saída do Palco.

Notas finais
Obrigado aos que leram. Não se esqueçam de deixar suas opiniões.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.