O Outro Lado Da Escuridão
9 Oferenda à Deusa
Notas iniciais
—Mas vender a mansão por quê? perguntou Shun abatido. Entorno de uma mesa os curadores de Andrea estavam reunidos com Shun e Afrodite.
— infelizmente Sr Shun, o seu companheiro negociava sempre dando seus bens como garantia, agora os credores exigem o pagamento e como o Alfa Sanctuarium não tem como saldar a divida, todos os bens disponiveis devem ser vendidos, mesmo os que lhe pertenciam antes de seu relacionamento com andrea já que o Sr deu-lhe plenos poderes para dispor de seus bens.
— eu o quê? como assim? não lembro de ter feito isso!
— Shun, no dia da cerimonia....o documento que você assinou era uma procuração tornando Andrea seu curador e com isso podendo administrar seus bens da forma como achasse adequada... disse Afrodite sem jeito ao notar o olhar de censura que Isaac Greenville, o curador chefe lhe lançara.
—não falei nada porque pensei que ele havia lhe explicado....
—de qualquer modo Sr Amamiya, retomou o curador, a cada dia aumentam os indicios de que Andrea estava envolvido em alguma atividade fraudulenta que terminou na falencia do Alfa, portanto, enquanto uma solução não for
encontrada ou o dinheiro apareça o Sr não pode dispor de seus bens e os imóveis serão vendidos para pagar os credores mais antigos, sinto muito mas a mansão será vendida.
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Afrodite levara Shun para morar em sua casa já que ele não teria para onde ir, durante o jantar Shun não tocara na comida o que deu margem a Misty para começar sua humilhação.
— coma Shun, nessa casa a regra é nunca desperdiçar boa comida não é Dite? este lhe repreendera com o olhar mas fora ignorado
— perdão, não aguento mais preciso ir dormir....nisso a empregada se aproxima anunciando que um policial deseja falar com ele.
— não! por favor Afrodite hoje não! peça para vir amanhã sim...implorou mas Misty que estava se deliciando com a situação foi logo dizendo
—isso não é uma visita social, ele é da policia!...virando-se para a moça disse: — diga que Shun o atenderá em um minuto.
Quando se acalmou mais um pouco foi conversar com o policial, pensava que encontraria um brutamontes, mas era um jovem que, quando o viu ficou encantado com sua beleza " ele não pode ser um criminoso, tão lindo..."
boa noite Sr policial! Disse gentil ainda que sem vontade, “ele está apenas fazendo o seu trabalho”.
boa noite Sr Amamiya! disse saindo do devaneio.– tenho noticias...sinto ter que lhe dizer isso mas, um corpo foi encontrado e acreditamos que seja do Sr Andrea, é necessário que o Sr faça o reconhecimento do cadáver.
Camus e Radamanthys estavam no escritório do promotor, eles sabiam que os pais de Lune Balmong tinham sido atingidos pela falencia do Alfa, Lune era um gênio juridico mas Camus achava que naquele caso o emocional iria ditar as ações do promotor...
—então o corpo apareceu? será que poderei ver a cabeça numa bandeja? disse Lune com raiva.
—talvez não seja ele, o Companheiro irá fazer a identificação do que restou do corpo..."droga"! se for ele, não haverá punição e os milhares de prejudicados ficarão a mingua....
—conseguiram algo com Gesle ou Abnara? perguntou Lune
— não, não até agora, já os interrogamos seis vezes, meu instinto diz que eles escondem algo mas não tenho como provar...no entanto, Radamanthys descobriu algo importante.
—o que é?
—um dia antes do acidente, Andrea mudou a estrutura do Alfa Sanctuarium e tirou Afrodite Gesle da condição de sócio. Disse Radamanthys
—droga! se Andrea não tinha mais sócios, não haverá punição! Lune bateu com a mão na mesa com raiva.
—e eu disse que ele não tinha? perguntou debochado Radamanthys
—mas então?
—ora ora promotor, Andrea tirou as ações que eram de Afrodite Gesle e as passou para o nome do companheiro, Shun Amamiya, que assumiu a condição de sócio do alfa Sanctuarium!
No necrotério Shun foi levado para identificar o que restara de um corpo, — se concentre na aliança, assim será mais rápido, dizendo isso o perito levantou o lençol, ao olhar, Shun caiu de joelhos e gritou.
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Na sala de interrogatório Afrodite já estava cansado de ver aquele documento e ouvir as mesmas perguntas de Camus.
— já disse que deve haver um erro, falou Afrodite exausto.
— não tem erro Afrodite, mandamos a pericia analisar, as assinaturas são verdadeiras tanto a de Andrea quanto a de Shun; encare a verdade, você foi usado e enganado pelos dois..disse Camus de modo frio
—NÃO! ANDREA NUNCA FARIA ISSO COMIGO!
—acorde Afrodite! esta ai nesse documento, Andrea tirou suas ações e as deu ao companheiro dele!
—ele deve ter algum motivo...
—então não se importa de ter sido roubado?
— não fui roubado, se Andrea estivesse aqui poderia se defender...
— sabe, disse Camus, você é um gênio, estudou na melhor universidade do pais mas não era muito ...sociável, por que Máscara, era esse o apelido dele não? pois bem, um sujeito que saiu da criminalidade decide se unir a um homem tão diferente dele...
—éramos amigos, enfrentamos diversos preconceitos juntos...
—é mesmo? pois nessa amizade você foi usado! era apenas o cachorrinho dele que o obedecia e confiava cegamente...
—EU NÃO ERA UM CACHORRINHO, EU ERA AMIGO DELE!
—cade o dinheiro Gesle?
— não sei, era um segredo dele
— diga a verdade....
— já disse, vai me matar?
no outro lado do espelho Lune junto com o psicólogo analisava o caso
—ele não está mentindo, disse o psicólogo — saber dessa traição acabou com ele...
Em outra sala, Shun era interrogado por Radamanthys; assim que vira os restos mortais de Andrea — reconhecera pela aliança já que o rosto estava desfigurado, foi detido e levado para a sede da FBI por outra entrada para não chamar atenção
— CADÊ O DINHEIRO SHUN?
— não sei onde está, nem sabia desse dinheiro que havia sumido.
Empurrando uma cópia de documento, Radamanthys com o rosto bem proximo ao seu rosnava como um cão raivoso.
— reconhece a letra? agora ousa dizer que não sabia que era sócio do Andrea?
— lembro de ter assinado mas Andrea disse que era burocracia do governo que queria saber quem eram os dependentes e sócios, eu era dependente e...
— não minta pra mim ou vai se arrepender!
— não estou mentindo eu...eu ...eu...
— eu o que Amamiya?
— eu preciso de um advogado! disse Shun em desespero.
— o quê? perguntou incrédulo Radamanthys
— eu... tenho direito a um advogado!
o fuzilando com os olhos o agente disse: interrogatório encerrado.
Os jornais no dia seguinte cobriram todos os detalhes da prisão de Shun e do sepultamento do que restou de Andrea. Segundo os legistas, ele havia cometido suicidio por afogamento jogando-se ao mar antes que a tempestade chegasse...diante das noticias, três casais que eram próximos de Shun e Andrea tiveram reações diferentes:
— encontraram o corpo de Andrea e Shun está preso! exclamou Shina trazendo consigo o jornal.
— eu sei, já li o jornal disse Shura com enfado.
— e o que faremos?
— faremos? nada! ou melhor, vamos esquecer que já tivemos envolvimento com esse pessoal.
— mas Shura, eles eram nossos amigos e...
— ah Shina não enche! você acha que vou arriscar a reeleição ao Senado por causa do bolinho de arroz? ele que se vire! e agora me passa o café porque estou com fome....
Aldebaran ficou horrorizado quando soube e já ia se dispor a ajudar quando Mu o impediu.
— você é louco? agora que as coisas nos negócios estão melhorando você quer se sujar com aquele idiota?
— Mu, nem te reconheço! eles eram nossos amigos!
— sim, e quando você estava em crise ele te ajudou? e o dinheiro que você investiu no Alfa e perdeu? aqueles dois nos enganaram e aposto que o dinheiro está em algum paraiso fiscal.
Para Marin aquilo era como um ato de ópera...-estão dizendo que os dois roubaram os investidores, Aioria!
"pelo menos por enquanto estou livre" pensava ele enquanto Marin se divertia com o escandalo
— vou comprar um vestido novo para ir ver o julgamento e...
—ISSO NÃO É UM FILME MARIN! O FBI VAI INVESTIGAR A TODOS INCLUSIVE A MIM!
—não se preocupe, o FBI já escolheu a oferenda para sacrificar aos deuses, será o bolinho de arroz! ele será condenado.
"tomara que apodreça na cadeia!" ao se dar conta do que pensara a consciencia pesou " Marin, no que me transformei por sua causa meu amor"
— já entrei com pedido de fiança, logo você sairá daqui! disse Julian Solo, advogado contratado por Afrodite após diversas desistencias de outros profissionais que não viam meios de defender Shun, as provas eram fortes e o processo foram bem elaborado, o promotor Lune estava disposto a acabar com ele.
— não sei se você sabe mas...não tenho dinheiro, não terei como pagá-lo
— não se preocupe, já me acertei com Afrodite, apenas confie em mim e faça o que eu mandar sem contestar....Shun teve esperança de ser inocentado, mas isso não aconteceu, fora condenado a prisão perpétua...
E a escuridão veio.
Ao ser levado para o camburão que o levaria do tribunal ao presidio, foi esmurrado por alguém no queixo, mesmo assim fora deixado numa cela enquanto aguardava a hora de ser levado, às 6 da manhã pode telefonar para alguém e lembrou-se de Shina.
— alô? disse ela sonolenta
—Shina sou eu Shun, não sei o que aconteceu, meu advogado disse que eu seria liberto mas...
—onde você está?
—numa cadeia ainda aqui na cidade, mas depois vão me levar para Bedford, pode me ajudar? fale com Shura se ele...
—Não!
—mas Shina eu..
—Shun, lembra do que te disse na praia? chegou a hora de você se cuidar sozinho, não posso prejudicar Shura, ele é candidato e você...foi considerado culpado. Por favor não me ligue mais adeus! e desligou.
A viagem até o presidio foi terrivel, estava frio e todos os outros presos olhavam com ódio para Shun que fechou os olhos tentando manter a sanidade, lembrou de quando era criança e brincava com Ikki, depois a adolescencia de atleta por fim a cerimonia com Andrea e...
— pra fora! haviam chegado e Shun só percebeu quando foi puxado de dentro do camburão, era fim de tarde e todos ficaram em fila num pátio aguardando a escolta que os levaria ao interior do presidio.
—Bem vindos a Bedford Hills cavalheiros, espero que as acomodações estejam ao vossos gostos! kkkkkkkkkkkkkkk disse Jamian o carcereiro que mais parecia um corvo em forma humana.
Antes de chegar a cela, Shun e os demais foram para a higienização, ficaram nus enquanto um médico analisava seus órgãos genitais e o anus para identificar se havia droga escondida, depois fora o corte de cabelo, com tristeza e se segurando para não chorar, viu um homem mal encarado deixar seu cabelo como o de um soldado do exército, suas roupas foram tiradas assim como o pingente em forma de pentagrama, nunca mais o viu; tudo que o lembrava de que ele era foi tirado restando apenas o corpo inerte vestindo um uniforme de detento dois números maiores que o seu, só tinha direito além do uniforme a mais 3 cuecas, dois pares de meias e um lençol que mal protegia do frio de tão fino.
Ao chegar na cela, criou coragem para falar a Jamian
— acho que houve um erro...aqui é uma penitenciária de segurança máxima
—é mesmo? sabe que nem notei! disse o agente debochando
— é que, bem eu gostaria de falar com o diretor se possivel...
—verei se ele pode te receber, agora docinho fica na tua! e fechou a porta da cela. percebendo o olhar dos outros detentos, decidiu ficar perto da porta esperando até que Jamian voltasse.
— você tem sorte, ele disse que vai te atender..
—então, o que quer Sr Amamiya? perguntou o diretor Tatsume Iamamoto
—bem é que o crime pelo qual fui condenado não é violento então...eu não deveria estar aqui.
—concordo, mas caso não saiba, meio mundo quer matá-lo e meus superiores acham que aqui é o único lugar onde estará protegido o que eu acho uma besteira mas...se acontecer algo contigo, será que eles mudam de ideia? nesse momento shun teve certeza "serei morto aqui dentro e não poderei provar a minha inocencia nem a de andrea!"
—vou mudá-lo de ala, pode ser que seja melhor,agora tchau.
Na outra ala, Shun teria dois companheiros de cela, Carsius montezuma, um traficante de drogas de mais de 100 kg de puro músculos e um belo japonês de pele bronzeada quase da mesma que Shun chamado Seiya Minamino, que havia matado o namorado da irmã.
—os dois pegaram perpétua que nem você docinho, portanto terão muito tempo para serem amigos! kkkkkkkkkkkkkkkk
Ainda parado perto da grade, Shun olhava desconfiado para os dois e quando Carsius indicou que sua cama seria a de cima no beliche, subiu com o máximo de silencio, porém o traficante estava afim de conversa:
— e ai bonequinho de neve, qual o teu nome?
com medo e encolhido, respondeu baixinho....
— Shun, meu nome é Shun.
— olha ai Seiya, mais um japinha na área! vocês querem dominar o mundo mesmo né? kkkkkkkkkkkk Seiya olhou de relance para ele e continuou lendo sua revista de esportes.
— então que que tu fez pra vim pra cá?
bem hum... fraude mas eu sou inocente e.......
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk olha Seiya um golpista e ainda mais inocente! a justiça tá cada vez pior e, epa, perai, qual teu nome mesmo hein?
—Shun,...
— Shun de quê? o sorriso tinha morrido — Shun de quê? Repetiu já se aproximando dele.
Amamiya...
Foi o bastante, Carsius puxou Shun de cima do beliche e começou a agredi-lo, sem ter como se defender, sentiu quando seu nariz quebrou com o soco que levou e depois sentiu seu braço sendo dobrado como se fosse de papel e depois se sentiu voando ao ser arremessado contra o beliche e tinha certeza de que seu tornozelo se partira. Enquanto isso Seiya continuava lendo como se nada acontecesse. Shun estava sendo torturado, quebrado, já nem sentia mais dor, a última lembrança que teve foi a da cara de corvo do Jamian dizendo que se ele morresse, Carsius e Seiya teriam que se livrar do corpo....
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