Notas iniciais
Espero que gostem! demorei pois estive doente mas agora meu cosmo está no 8 sentido :P boa leitura!

Já passava das oito quando acordou, tinha chorado até dormir profundamente, coisa que não conseguia fazer desde que Andrea desaparecera. Seu corpo ainda doia muito, mas sua mente estava...calma, estranhamente calma. Parecia que um véu fora retirado de sua consciencia e agora começava a processar os últimos acontecimentos, estava vivo mas não se sentia mais o mesmo..."quem sou eu? não me sinto mais Shun Amamiya"...estava preso, condenado a prisão perpétua; Andrea estava morto e tudo que fora de sua familia havia sido tomado para pagar a divida deixada pela falencia do Alfa Sanctuarium.
"Alguém pegou o dinheiro”, pensava, “mas por que Andrea me tornou sócio um dia antes de morrer? aliás, é muita coincidencia ele morrer justo um dia após me tornar sócio"...."faltam peças nesse quebra-cabeça, algo que ainda não entendi mas quando eu conseguir, poderei provar minha inocencia e a de Andrea" nisso, o Dr. Siegfried entra no quarto para examina-lo, pergunta se está sentindo alguma e diante da negativa de Shun, avisa ao carcereiro que ele já estava liberado.

Shun voltaria para a mesma cela onde fora agredido por Cársius, aquilo era normal entre presos e Shun não era diferente! dissera o diretor Tatsume, -eu avisei que aqui não era o céu....andando devagar por causa do gesso no tornozelo e apoiando o braço também engessado numa tipóia mal feita, seguia calado mas com a mente fervilhando; diante do silêncio, Jamian, que o escoltava, decidiu puxar conversa:

— então docinho, tá pronto pra outra?kkk

—tô, mas não pense que vou morrer aqui! disse Shun seco.

Olhando para ele, Jamian estranhou o jeito como falou, "o que houve, será que a cabeça dele pirou? ele tá estranho, a cara bonita continua a mesma apesar dos machucados mas”....

— ei docinho, o que pretende? perguntou desconfiado.

—nada, ainda....disse Shun com enfado e Jamian entendeu "o olhar! é isso, não é mais o olhar do menino medroso, não há medo ou desespero é algo como...revolta?"

Pelo caminho ouvia-se os outros presos ameaçando ou dizendo palavrões, mas também tinha os que jogavam cantadas e chamavam Shun de bombonzinho gostoso... Antes de entrar na cela, Jamian puxou Shun para o lado e disse:

—ei docinho, não sei qual é a sua mas entende uma coisa, aqui é uma selva e só existem dois grupos: a caça e o caçador, portanto, veja bem de que lado você fica se quiser continuar vivo mais algum tempo.

—obrigado pelo aviso Jamian. disse Shun e entrou. Esperou algum ataque de Cársius que estava deitado na cama mas este apenas o olhou e virou-se para a parede tentando cochilar enquanto Seiya continuou lendo um livro. Mesmo com dificuldade e sentindo muita dor, subiu para sua cama na beliche e ficou olhando para o teto embolorado pensando "caça ou caçador...não posso morrer aqui"

O primeiro mês arrastou-se como uma lesma; com o braço ainda se recuperando da fratura, Shun foi poupado do trabalho no campo mas fora mandado para a lavanderia onde era encarregado de recolher a roupa já limpa e entregar no setor onde eram passadas. Nenhum preso falava com ele, nem mesmo Cársius ou Seiya, que o travam como se fosse invisível na cela; fora ignorado por todos, nem comentários maldosos eram feitos.

—você e o seu amante roubaram pobres que nem nós, você não vale o esforço pra te matar aliás se tu morrer logo vai sair no lucro, vai apodrecer aqui isso sim! disse um preso. "caça ou caçador"....essa frase martelava na cabeça de Shun e ele pensava" se estou vivo ainda, sou um caçador de qualquer forma" Tentou diversas vezes falar com Afrodite mas sempre caia na caixa postal tanto o fixo como o celular, escreveu uma carta pedindo ajuda para saber o que faria, mas não teve resposta.

A rotina no presidio se resumia a trabalho, alimentação, momento de lazer e exercicios fisicos ao fim do dia, estudo para quem quisesse e dormir. O dia começava s quatro da manhã e terminava às vinte e duas horas; Shun cumpria suas atividades de modo exemplar "quem diria, eu que não sabia nem onde ficava a lavanderia lá de casa, agora tô dando conta de tudo aqui, logo vão me colocar até para passar roupas" pensava, mas sentia-se bem, pelo menos o dia passava rápido; Jamian era o único que lhe falava e Shun aproveitava para não esquecer de como era sua própria voz.

— ei docinho, afinal quem ficou com a grana já que tu se deu mal e veio pra cá pra sempre? Shun havia reclamado diversas vezes para não ser chamado de docinho mas como Jamian não parou decidiu ignorar o apelido.

— não sei Jamian, acredite, nunca entendi de negócios, meu irmão cuidava de tudo e depois Andrea, ele junto com Afrodite e Aioria cuidavam do Alfa, disse enquanto pegava mais uma cesta de roupas da máquina.

— seja como for docinho você foi quem se deu mal e quem ficou com a grana está torcendo para que você morra logo...

— porque diz isso? Shun perguntou estranhando

— ora docinho,disse Jamian dando de ombros, pensa! você diz que é inocente, se o dinheiro aparecer você sai daqui.

— é verdade. suspirou Shun. — Jamian, acha que vão me matar ou melhor, você tá sabendo de alguma coisa? perguntou desconfiado

—não docinho, se te matarem o diretor vai ter problemas e ele não quer isso, além disso você é simbolo da corrupção, tem que continuar vivo e preso para que a sociedade se sinta vingada pelo que Andrea fez, tô te dizendo, nunca vão te deixar sair daqui....

—hum Jamian já comeu o docinho!....e aí ele é gostoso como parece? perguntou um dos presos que há dias notava a "amizade" entre Jamian e Shun

— olha, ele é gostosinho sim, mas ao invés dele preferi comer a tua mãe. disse com uma gargalhada

— o que foi que você disse? e o preso avançou na direção de Jamian mas foi imobilizado com uma pistola de choque.

— cuidem da merda de vida de vocês e não se metam em meus assuntos! com isso todos os presos se afastaram.

—Jamian, por que você tá sendo legal comigo? Perguntou curioso mas ao mesmo tempo com medo da resposta, pelo visto nada era de graça e ele tinha medo do que o agente pudesse querer em troca. Mas tudo que ele disse foi: tudo tem seu tempo docinho, aprenda a viver primeiro.

Já era madrugada quando Shun começou a sonhar, mas não era um sonho comum, parecia uma lembrança...no dia do desaparecimento de Andrea nem Afrodite nem Aioria estavam na mansão e eles eram os únicos que entendiam das finanças do Alfa junto com Andrea... Claro! um deles, foi um dos dois quem matou Andrea! EU ENTENDI, UM DOS DOIS MATOU ANDREA E FICOU COM O DINHEIRO!

—cala a boca Shun! disse alguém com a mão em sua boca e demorou um pouco até ele entender que era Seiya.

—Se acordar Cársius será um cara morto!

— o que eu fiz? perguntou Shun, estava banhado em suor e ainda agitado com a revelação. — Estava gritando, disse Seiya sentado perto dele, tem sorte do sono dele ser pesado e o meu leve, se ele acorda e fica nervoso....

— eu que sei como é, ele quase me matou! disse mais calmo e surpreso por Seiya estar falando com ele, era a primeira vez que fazia isso.

— docinho, ele não te matou porque não quis, te achou fraco demais e não teria graça; ele só estava descontando a raiva porque o irmão dele, o Dócrates, foi demitido quando a loja onde ele trabalhava faliu.

— e por que você não fez nada? — nada sobre o que? Seiya perguntou tentando se lembrar de algo — quando ele estava me agredindo, por que fez de conta que não acontecia nada?com um sorriso ironico, Seiya segurou o rosto de Shun e o ergueu até os olhos se encontrarem — docinho, aqui é cada um por si, ninguém vai te ajudar, se quiser sobreviver aqui vai ter que se virar sozinho, teve sorte até agora por que o mundo lá fora ainda lembra do que você fez, mas quando tudo esfriar e acharem outra coisa para se importar, seu inferno aqui vai começar e em dobro para compensar o tempo perdido.

Dizendo isso o soltou e voltou para seu beliche — conselho é de graça docinho mas, se quiser me dar uma gorjeta quando lembrar onde deixou aquela grana não vou me incomodar! disse Seiya com um sorriso que deixou Shun mais tranquilo "talvez possamos ser amigos" pensou

— certo Seiya, mesmo que não acredite, não fui eu, mas já tenho alguns suspeitos e logo descobrirei quem matou Andrea e pegou esse dinheiro. Disse Shun convicto, agora já tinha uma linha de raciocinio e só faltava uma peça para o quebra-cabeça macabro ficar completo.

—como assim Shun? perguntou Seiya curioso se levantando e indo se sentar perto dele, então Shun passou a dizer tudo o que havia lembrado. Mesmo não demonstrando Seiya ficara o mês inteiro de olho em Shun e, de certa forma era o responsável pelo fato dos presos não o incomodarem

—quem mexer com ele vai se ver comigo tão entendendo? ameaçava Seiya — tá afim dele é? — não te interessa! ele é meu conterraneo e não vou permitir que façam mal a ele aqui dentro certo? mas a verdade é que Seiya estava interessado e muito no docinho....mas não ia forçar a barra; ele não conseguia acreditar que Shun fosse culpado e esperava a poeira baixar para se aproximar, mas toda noite enquanto ele dormia Seiya o ficava admirando, o cabelo havia crescido um pouco e o rosto ainda era lindo apesar do nariz ter sido quebrado....- Caramba Shun, se o que você pensou estiver certo foi um golpe de mestre! nesse caso a sua única chance é dar entrada no recurso de sentença, teu advogado o que diz?

—não sei de nada, quem cuidava disso era Afrodite, não consigo falar com ele e não sei do advogado e agora que desconfio que ele esteja envolvido nisso, me dói muito! sempre pensei que ele fosse meu amigo, me acolheu em casa depois que perdi tudo...

—amanhã tente falar com ele outra vez,disse Seiya, se esse tal Afrodite não der sinal de vida então foi ele! pense Shun, se ele pegou a grana e deixou de ser sócio do Alfa, então quando a bomba estourasse ele seria o único que se daria bem com sua prisão; Nossa isso tá parecendo um filme daqueles sobre a máfia!

— Seiya, se eu estiver certo, você me ajudaria?

— como?

— ainda não sei, mas vou montar um plano e não importa o que eu tenha que fazer, farei o verdadeiro criminoso pagar pelo que nos fez passar! disse Shun com um brilho diferente no olhar, fora enganado por aqueles em que mais confiara e estava disposto faze-los pagar por isso.

— primeiro tenta descobrir quem foi ai a gente vê, mas docinho você é estupidamente inocente! chega a ser burro; se no SEU mundo, não havia dor ou traição saiba que na vida real é só isso que existe! não acredite em tudo ou todos, você só se fode com isso.

—meu irmão dizia isso mas, eu achava que era exagero; mas obrigado e não se preocupe, o "pequeno principe" morreu com a surra que levou de Cársius, quem está aqui agora é outra pessoa, sinto-me como a Fênix que renasce das próprias cinzas!

— então bem vindo ao mundo Fênix! disse Seiya e o abraçou.

No dia seguinte, Shun pediu autorização para dar um telefonema antes do almoço, após alguns segundos alguém atendeu e Shun reconheceu a voz de Misty

— Sou eu Misty, Shun ainda lembra de mim?

— ah Shun que surpresa, pensava que....não tivesse sobrevivido a prisão disse ironico — o que quer?

—Afrodite recebeu a carta que mandei? por que não consigo falar com ele, até parece que está fugindo de mim.

— não seja ridiculo Shun! Afrodite já não pode mais ajudá-lo, agora ele está trabalhando com o FBI para descobrir onde está o dinheiro que você e Máscara roubaram, ele recebeu a carta e eu a rasguei, se depender de mim você morrerá ai seu idiota!

— eu pensava que vocês eram meus amigos mas não passam de traidores! gritou Shun chorando de raiva.

— você não passa de um idiota! eu sempre o odiei mas Afrodite era o cachorrinho de Máscara, agora estamos livres de vocês dois e não haverá recurso de sentença se é o que queria saber, não vamos gastar nosso dinheiro com você e o prazo para dar entrada no pedido acabou semana passada; Esqueça que um dia nos conheceu e morra! dizendo isso desligou.

Então foi ele, foi Afrodite quem roubou e matou Andrea, fizera tudo para que confiasse cegamente nele e cuidou de tudo, tudo para que ele fosse condenado! "eu sou um idiota mesmo, Misty tem razão como não pude perceber antes algo que era mais lógico que dois mais dois! mesmo Aioria controlando as finanças, apenas Afrodite tinha influencia sobre Andrea, de alguma forma o convenceu a tira-lo da sociedade e colocar-me em seu lugar!"

Foi direto para o refeitório e encontrou Seiya almoçando junto com Cársius, ignorando os olhares dos outros foi direto falar com ele.

— Seiya, você estava certo, foi Afrodite, tive a prova agora. Cársius estranhou a intimidade como Shun falou com Seiya mas não disse nada e apenas observou a conversa.

— e agora o que vai fazer? perguntou o moreno de modo despreocupado enquanto comia mais uma colher de macarrão.

— preciso de sua ajuda Seiya, quando entrei aqui eu queria justiça, mas mesmo a prisão é pouco para o que fizeram, eu não quero justiça, quero vingança e a terei!

Notas finais
e então? obrigada aos leitores e até breve!