Notas iniciais
Curto por ser de transição.

—Shun, Shun, acorde! Você precisa ser forte se quiser sair desse inferno!

—Ikki! Meu irmão..não sei se posso mais...não aguento!-Quero ir pra onde você, Shaka e Andrea estão!

—Não seja idiota! Ainda vamos nos encontrar mas não é o momento, você pode e vai conseguir, precisa provar sua inocência, agora acorde!

Lentamente, Shun foi abrindo os olhos, no entanto a luz forte doeu-lhe na vista e os fechou novamente. Seu rosto estava machucado assim como o restante de seu corpo, fraturara o braço direito e havia torcido o tornozelo.
Sentia-se morto, não no corpo, apesar da violência com que fora agredido, mas na alma! Esta descera a sepultura... A agonia começara com a morte de seu irmão e protetor Ikki Amamiya e seu cunhado, Shaka Ahluwalia, num acidente de alpinismo.

Ikki era seu único parente, seu ídolo e fora como um pai. Quando ele morreu, só não enlouqueceu porque contou com o apoio dele...Andrea Giglio, seu amado, amigo e companheiro. O amor e cuidados de Andrea o ajudaram a continuar vivendo, porém havia seis meses tudo desabara! Andrea estava morto. Os legistas alegaram suicídio, mas Shun não acreditara: Ele não faria isso! Dizia, mas ninguém lhe dava ouvidos e, como se não bastasse, seu nome estava na lama acusado de um crime que não cometeu e pelo qual fora condenado.

Por que isso aconteceu? o que fizemos para merecer isso?” Pensava enquanto tentava se mexer, mas a dor que sentiu em cada parte do corpo o fez gemer.

Ora, ora o Pequeno Príncipe acordou! Com dificuldade, Shun abriu os olhos e virou a cabeça na direção da voz.

Onde estou?

Bem, isto é a enfermaria do presidio e eu sou o Doutor Siegfried. Sabe, você tem sorte porque, no estado em que chegou...disse balançando negativamente a cabeça.

Ao lembrar de tudo que acontecera, Shun não aguentou e começou a chorar; até então fizera um esforço enorme para se controlar, para não demonstrar sua fraqueza, mas chegara ao seu limite. Chorou por ter sido espancado, por ter sido condenado a passar o resto da vida naquele inferno sem merecer.

Diante daquelas lágrimas, o coração de Siegfried se enterneceu; observou o rosto pequeno que, mesmo inchado, não perdera a beleza. Viu os lábios rosados, a pele branca e macia sendo molhada por grossas lágrimas, o soluço que sacudia seu corpo frágil...não resistiu e o abraçou como se escondesse um tesouro entre os braços, Shun por sua vez não o afastara tamanha era sua tristeza.

Ei Alteza, não fique assim! você ficará bom logo...suspirou, — talvez você não seja o monstro egoísta que dizem...

EU NÃO SOU UM MONSTRO! Gritou Shun afastando Siegfried.

Sou vítima de uma armação assim como meu companheiro! Não fizemos nada e agora estou preso nesse inferno e Andrea...parou ofegante.

— Ele era um homem honesto que ajudou muita gente, ele foi enganado e morto! Sim, porque eu não acredito nessa história de suicídio, ele não era covarde! finalizou num fio de voz.

É mesmo? Perguntou o médico irônico. — Enfim, meu papel aqui é evitar que os presos morram por doença ou por agressão. Você ficará bom logo, agora descanse ENQUANTO PODE.

Disse o médico frisando as duas últimas palavras.
Ao se ver só novamente, Shun recomeçou o choro e passou a lembrar de como sua vida era antes de tudo aquilo, antes de seu mundo de Cristal estilhaçar... chorou até se sentir menos pesado e finalmente adormeceu.

Notas finais
O próximo será maior se der certo, obrigada aos que lerem!