O Outro Lado Da Escuridão
3 Mundo de cristal
Em um Mundo de Cristal....
Em frente ao espelho, Shun penteava seu belo cabelo castanho. Devido o calor, usava apenas a calça do pijama; deitado na cama, Andrea olhava-o com uma adoração incrível, contemplava o rosto delicado, o sorriso doce, mas principalmente os olhos, cheios de alegria e pureza. Admirava também o corpo bem definido, mas sem excesso e a pele branca que ainda tinha algumas gotas d'água do banho recém tomado.
—Sou o homem mais sortudo do mundo por ter sido escolhido por você meu anjo, disse Andrea olhando para o reflexo de Shun no espelho.
Virando-se com um belo sorriso, Shun correu para a cama e jogou-se nos braços de seu amado que o recebeu com um beijo apaixonado,
— Eu que tenho sorte por tê-lo comigo! Disse aninhando-se em seu peito, – Estou muito feliz com nossa vida! Nisso Andrea recomeçou a beijá-lo e já começava a tentar tirar a calça do pijama quando foi impedido.
— Hum, precisamos descansar, amanhã o dia será longo.
— Ah! Tudo bem se é o jeito...disse Andrea decepcionado.
Só por hoje! Além disso quando estivermos em nossa casa de praia teremos muitos dias só para nós!
Tudo bem, Boa noite meu anjo, não deixarei que nada nem ninguém te perturbe. disse Andrea e dormiu abraçado a seu anjo.
Andrea Gigli era o homem mais rico de New York e um dos mais ricos do mundo, mas nem sempre foi assim, nascera pobre. Italiano, viera ainda pequeno com os pais e a irmã mais velha para os EUA e sofreram todas as agruras do preconceito contra imigrantes. Sua infância e adolescência foram marcadas pela violência; o pai tornara-se alcoólatra e descontava na mulher e nos filhos suas frustrações até que um dia, matou a mulher com uma facada no pescoço. A irmã mais velha cuidou dele até que, após ser violentada por três homens, jogou-se de cima de um viaduto.
Aos 14 anos, entrou para uma gangue e rapidamente assumiu o controle. Para não ser identificado e causar terror nos desafetos, criou uma máscara horrível feita com carne e cola, o que que lhe rendeu o apelido de Máscara da Morte. Mas máscara não tinha apenas força física, era inteligente e sabia que seu futuro na gangue seria a morte, cedo ou tarde; era TEMIDO e não RESPEITADO e isso o deixava humilhado! Então, aos 16 anos saiu da gangue e começou a trabalhar numa loja como entregador, voltou a estudar e a preparar seu plano de mudança, quanto mais aprendia mais queria subir na vida.
Após ter sorte com corridas de cavalos, decidiu apostar no mercado de ações, aprendeu que precisava de disciplina para reduzir riscos e avançar nos investimentos, criou um modelo e o seguiu fielmente e assim, de imigrante miserável, tornou-se rico; Porém sua chegada ao topo só aconteceu após conhecer uma pessoa: Afrodite Gesle.
Tipos opostos, ninguém jamais imaginaria alguma amizade possível entre eles. Andrea era autoconfiante, enérgico e orgulhoso por ter feito sua riqueza do nada, sua aparência máscula e agressiva com 1,80m de altura, cabelos curtos e olhos negros penetrantes tinha uma sexualidade natural que o tornava cobiçado por todos.
Afrodite Gesle vinha de família nobre, seu pai era o ícone do ramo da construção civil na Suécia e o enviou para estudar na Harvard Business school onde formou-se como o melhor aluno, no entanto sua aparência andrógena o tornara vitima de preconceito e assédios sexuais que o deixaram deprimido, criou uma barreira em forma de arrogância e egoismo para se defender o que o deixou ainda mais isolado.
Realmente Afrodite parecia uma mulher devido aos seus cabelos loiros até a cintura, pele branca e macia, rosto delicado e com olhos de um azul suave como o céu ao amanhecer. Estava prestes a voltar à Suécia quando numa festa conheceu Andrea e tudo mudou.
—Estou começando a montar um fundo de Hedge, tomarei as decisões sobre os investimentos, mas preciso de um sócio, alguém inteligente e com nome e passado respeitáveis, poderia me ajudar? Dissera-lhe Andrea
—Obrigado, mas sou um pensador e não “vendedor”, marketing não é minha especialidade. Disse Afrodite surpreso por alguém se interessar por seu saber e não seu corpo.
—Escute Afrodite, você deve ter passado pelo mesmo que eu, nós somos diferentes deles. Disse apontando para os convidados que riam cada um em seu circulo de amizades.
—Eles só querem o que temos a oferecer, não confio neles! Preciso de alguém confiável e que transmita segurança aos investidores, não posso fazer isso, mas você sim! O que me diz? Sentindo-se alegre como a muito não sentia, Afrodite foi direto...
—Aceito!
Isso foi há 10 anos, desde então o Alfa Sanctuarium cresceu e tornou-se o maior e mais seguro fundo de Hedge. A vida pessoal de Andrea ou Máscara da morte como ainda era conhecido, mas agora por um motivo diferente do que o da época de delinquência: passara a colecionar Máscaras de todos os países, tamanhos e valores; resumia-se a sua amizade com Afrodite.
Até estão achava que já tinha tudo o que queria: dinheiro, fama, mulheres e homens a sua disposição, mas não se prendia a ninguém. Nada lhe faltava até conhecer Shun Amamiya.
14 anos mais jovem que Máscara, Shun e seu irmão Ikki eram os herdeiros do falecido magnata japonês Mitsumasa Kido Amamiya. Com a morte do pai, Ikki assumiu os negócios da família e a função de pai na vida do irmão que ainda era muito pequeno quando tudo aconteceu.
Ikki era capaz de dar a vida pelo irmão, protegia-o de tudo e todos como se fosse um Deus. Aos 13 anos, Shun passou a competir como ginasta, tendo Ikki como fã número um, ele chegava a cancelar reuniões importantes para ver o irmão competir e mesmo quando não vencia, sempre o apoiava por seu esforço. Além de Ikki, Shun contava com a amizade de Shaka Ahluwala, seu cunhado, um geólogo indiano que veio em férias a New York e, após uma noite com Ikki, não voltou a seu país.
Eles eram apaixonados, mas evitavam trocar carinhos na presença de Shun para não constrangê-lo; ele no entanto, mantinha-se focado na carreira de atleta e não parecia se interessar por ninguém. Foi em uma manhã de Domingo, quando os irmãos estavam na casa de uns amigos que Máscara viu Shun pela primeira vez e se encantou pela beleza e delicadeza do rapaz, não só por isso, havia algo em Shun que Máscara nunca teve e chegava a acreditar que não existia: INOCÊNCIA!
Imediatamente Máscara sentiu desejo de protegê-lo com as próprias mãos, possuí-lo só para si; ao serem apresentados e, apertando aquela mão pequena e macia, teve vontade de beijá-lo ali mesmo! Sentia uma emoção até então desconhecida e não deixou de segui-lo com o olhar por todo o dia, o que não passou despercebido por Ikki.
— Não gostei do jeito como aquele cara, o Máscara da Morte, ficou olhando para o Shun! Bufou Ikki sentado numa poltrona do elegante quarto de hóspedes.
— você não gosta de qualquer um que olhe mais de uma vez para ele. Respondeu Shaka calmamente lendo o jornal deitado na cama.
-Não é isso! Apenas o protejo do mal que está ai, ele é meu irmão oras! É inexperiente na vida!
-Mas como vai ter experiência? Você traz o mundo até ele! Felizmente, Shun tem naturalmente um bom coração porque senão, ele seria insuportável e mimado!
—Shaka! Quando chegar a hora certa ele poderá fazer suas escolhas, mas agora ele ainda é quase uma criança, e se quer saber, vou descobrir logo qual é a daquele cara! Dizendo isso Ikki saiu bufando e batendo a porta.
Por Buda! Uma criança de 18 anos?!exclamou o loiro — bem, melhor eu começar a recolher nossas coisas, se bem o conheço, vai querer ir embora ainda cedo...disse a si mesmo levantando-se da cama e começando a se arrumar.
Na bem decorada sala de estar da mansão, um grupo conversa animadamente, tratavam-se dos donos da mansão, o Senador Shura Bonilla e sua esposa Shina e seus amigos que foram convidados para um fim de semana animado: Aioria Abnara, o contador chefe do Alfa Sanctuarium e sua esposa Marin; Afrodite Gesle e seu companheiro Misty Lancaster; Máscara da Morte; Aldebaran Oliveira, 3º sócio no Alfa e seu companheiro o advogado Mu Gyangtse e Shun. Entre comentários sobre negócios e piadas engraçadas, o foco da conversa recai sobre esportes e sobre a carreira de Shun.
—Então temos um futuro campeão Olímpico! Disse Aldebaran sorrindo para Shun, — ficarei feliz se aceitar que minha humilde industria o patrocine.
—Humilde? Só você para fazer piada sobre o próprio patrimônio! disse Shura abraçando o velho amigo.
Aldebaran era um grande homem em todos os aspectos, Brasileiro, negro, com 2 metros de altura e músculos de boxeador peso pesado sua aparência é, no minimo, intimidadora; mas tem um coração tão bom e alegre quanto seu sorriso e sua força não estava apenas nos músculos e sim na inteligencia para negócios. Sua família há décadas domina o mercado de produção e exportação de aguardente, uma bebida muito apreciada no Brasil e que ele expandiu aos mercados internacionais mais diversificados.
—Estou me esforçando, mas há muita gente boa competindo. Disse Shun alegre — mas sinto-me honrado com a sua oferta, obrigado pelo apoio! Além disso, pretendo cursar a universidade, a carreira de atleta depende de muitos fatores e não quero depender da ginástica para viver, quero ter minha independência financeira.
—Independência financeira? Perguntou zombando Misty – você tem dinheiro, não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, até parece piada mon cher!
—Misty! Reclamou Afrodite, diferente de “certas pessoas”, Shun quer vencer por seus próprios méritos.
—Bem, de certa forma Misty está certo, porque não cuida dos negócios de sua família com o Ikki? Perguntou Shura.
—Ah deixem de pressioná-lo! Quando chegar a hora, Shun saberá o que fará da vida. Disse Shina conciliadora, Shun sorriu aliviado, estava cansado de todos saberem o que ELE devia fazer.
—Não importa o que faça, sei que será sempre o melhor! Você nasceu para ter o mundo a seus pés. Disse Máscara olhando nos olhos de Shun, que ficou vermelho de tão envergonhado.
—Hum, que palavras mais...apaixonadas! Disse Marin de forma maliciosa, até parece que está interessado em Shun meu caro!
-O que não seria nada estranho, além de belo Shun tem um rico patrimônio, seria a união de grandes fortunas, um estouro! Disse Mu vendo o lado “prático” da conversa.
Enquanto isso, Shun não sabia onde se esconder, tamanha era sua vergonha e o incomodo com olhar penetrante que Máscara lhe dirigia, mas enfim Ikki veio salvá-lo.
—Vocês querem parar com esse tipo de conversa? O que pensam que estão fazendo com meu irmão?
—Calma Fênix, estávamos só conversando! Disse Aioria preocupado, sabia que Ikki era um perigo quando queria.
—Ah Ikki! Vai dizer que, se seu “anjinho de cristal” se interessar por outro homem você será “do contra”?! Disse Mu irônico.
—Quando ele estiver preparado para fazer suas escolhas sempre o apoiarei, mas por enquanto...venha Shun, é melhor irmos, amanhã você tem treino! Disse Ikki já arrastando o irmão pela mão.
—Certo.. Shina, Shura, obrigado pelo fim de semana maravilhoso! Até a próxima pessoal! Ao olhar para Máscara, Shun estremeceu e desviou o olhar enquanto ele acompanhava cada passo dos irmãos.
“Eu o quero e o terei e ninguém me impedirá!” Pensou e, de repente, como se lesse seus pensamentos, ouviu Afrodite dizer.
—Ikki é obcecado em proteger o irmão, acho que o único jeito de separá-los seja a morte...
Depois desse dia, Máscara fazia de tudo para se aproximar de Shun, não perdia qualquer oportunidade, festas, eventos, buscou saber quais amigos tinham em comum e sempre acabavam se esbarrando; chegou mesmo a ir vê-lo numa final alegando querer montar um parque esportivo para os funcionários.
Tímido por natureza, Shun entendia os motivos da aproximação de Máscara mas não parecia corresponder aos sentimentos dele, gostava de sua presença pois sempre se mostrava atencioso além de ser uma pessoa que defendia causas humanitárias, “é um bom amigo e não quero que sofra esperando algo que não posso fazer”. Havia decidido colocar um final nessa história, porém Ikki foi mais rápido. Quando teve certeza das intenções de Máscara, decidiu ir até seu escritório e ter uma “conversa” com o candidato a cunhado:
—Escute aqui, não o quero mais cercando meu irmão entendeu? Não sou idiota, estava observando até onde ia sua cara de pau, mas agora chega! Se o vir por perto dele novamente acabarei com você entendido?!
-Ikki, por que você não acredita que posso estar apaixonado por ele?
—Você está interessado no dinheiro de nossa família! Shun é inocente, não faz o SEU tipo e nem é para o SEU BICO!
—Não é verdade! Eu o quero!
—Você o quer? Disse Ikki o fuzilando com os olhos — Como se fosse um objeto? Mais um motivo para mantê-lo longe! Já disse, se tem amor a vida fique longe de Shun, não vou permitir que ele seja um troféu em sua estante! Saiu dando um empurrão na pobre da secretária que entrava com uns papéis.
—Muito bem Ikki, quis fazer as coisas do jeito certo mas você não me deixa escolha....
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