O Outro Lado Da Escuridão
15 Pornography
Notas iniciais
“Mas que belo brinquedinho eu arrumei para esta noite!” Pensou Kassa, o motorista que dera carona a Shun; este com fome e cansaço acreditou na bondade do estranho porém o que encontrou foi uma terrível armadilha. Após comer o sanduíche, começou a se sentir tonto e apagou. “Essa noite vai ser muito divertida!” Esse garoto tem a pele muito macia, diferente dos outros que já peguei por ai.
Ao perceber que ele havia adormecido, Kassa dirigiu até uma estrada vicinal e estacionou o caminhão num canto entre as árvores, algum carro que passasse na estrada dificilmente veria o veiculo ali; depois pegou Shun e o jogou na traseira do caminhão e começou a baixar sua calça, não se incomodando em tirar a camisa ou os sapatos, quando puxou a cueca os documentos falsos que estavam escondidos caíram.
Olhando um por um o motorista não o reconheceu enquanto Shun Amamiya, mas entendeu que se tratava de um fugitivo. “Ora, ora, peguei um lindo pássaro fujão! Quando terminar a diversão o devolverei, talvez haja alguma recompensa por ele, mas o que será que ele fez? Bem não importa, hora da brincadeira!”. Aos poucos algo o foi despertando, era dor; Sentiu que o rosto estava em algo frio e que havia um peso enorme sobre seu corpo, tentou se mexer mas não conseguiu e apenas teve forças para gritar NÃO! quando sentiu que estava sendo penetrado cada vez mais fundo e forte por aquele monstro.
“NÃO, NÃO PODE SER VERDADE É UM PESADELO!” pensava, já não conseguia nem tentar se mexer, sentia as lágrimas rolando pelo rosto e algo em seu peito derretendo, queimando como ferro em brasa, “ninguém vai te ajudar Shun, você vai ter que se cuidar sozinho!” era a voz de Shina que ouvia; “aqui só existem caça e caçadores, escolha de que lado vai ficar!” era Jamian quem falava agora, e quanto mais vozes ouvia mais sentia que era violentado por Kassa e mais algo revirava em seu coração, uma revolta por ter confiado mais uma vez e novamente ter sido enganado e usado.
Kassa estava se satisfazendo vagarosamente, mordendo a pele dos ombros de Shun e puxava seu cabelo...- está acordado Mime? Disse ele, Ou seria Sorento ou Albiore? Hein seu fugitivo? ai! Que delicia você é seu vagabundo...é bom ser comido né? Vou brincar com você a noite toda e depois te devolvo pra cadeia passarinho! E então começou a lembrar de tudo que havia passado e o ódio começou a tomar conta de si, lembrou das dificuldades para conseguir fugir e de quantas pessoas se arriscaram para que ele tivesse aquela chance...estamos em algum lugar escondido, ninguém vai nos escutar...
“não vou voltar ao presidio! Eu vou até o fim com minha vingança, se o Shun não havia morrido ainda, agora daria seu último suspiro!” Pensou. Ao sentir que ia gozar, Kassa sai de dentro dele e o vira para cima mandando que abrisse a boca. Para surpresa do motorista, Shun levantou as pernas, abrindo-as bem e depois fechou-as nas costas dele o puxando de volta para dentro de si.
me obrigue! Disse Shun com um olhar diferente, parecia excitado...
ah então você gosta disso? Ótimo! Será uma
noite maravilhosa!
E novamente começou a transar com Shun dessa vez mais rápido, -isso docinho, ai! Isso! Aiiiiiii!... até que de repente tudo parou, enquanto gozava, perdido nas sensações, Kassa não percebeu que num rápido movimento Shun puxou o estilete que Jamian havia lhe dado de dentro do sapato e o cravou nas suas costas, com o susto caiu em cima de Shun que, passado o efeito da droga e tomado pela força do ódio, conseguiu empurrá-lo para o lado.
Kassa tentou falar, mas Shun se levantou e começou a chutá-lo sem piedade na virilha, barriga e rosto até que o motorista desmaiou, depois puxou o estilete com uma frieza digna de assassino profissional vendo o sangue jorrar. Revirou os bolsos e pegou dinheiro, documentos e a chave do caminhão e os documentos falsos, saiu e trancou a traseira do caminhão com Kassa lá dentro.
Voltando a estrada, dirigiu por mais alguns quilômetros, mas para não correr o risco de ser parado em alguma barreira na estrada, pegou outra estrada deserta e decidiu abandonar o caminhão ali mesmo, pegou o casaco grosso que era do motorista e foi ver se ele ainda estava vivo. Havia uma enorme poça de sangue, ainda estava vivo, mas talvez não durasse muito tempo.
você gostou da nossa brincadeira amigo? Perguntou Shun de modo frio com o estilete na mão.
não me mate...eu...imploro! Disse Kassa quase inconsciente.
ah você quer dormir? Que pena! Eu queria te agradecer sabia? Continuou Shun, — você me mostrou uma parte de mim de que eu não conhecia e, quer saber? Ela não me desagrada!
Dizendo isso Shun sorriu de um modo maléfico que assustou Kassa -o...o que vai fazer...comigo? — nada demais, lindinho! Kkkkkk vou apenas deixá-lo com uma lembrança minha!
E num gesto rápido deu um golpe profundo no pênis de Kassa que desmaiou.
Agora sim, do.ci.nho, lembre-se de mim nesta vida se sobreviver ou no inferno! Fechando o estilete saiu correndo pela mata a dentro.
*********************************************************************
Após horas de caminhada, Shun chegou na cidade mais próxima, Cureland; o dia amanhecia e, de vez em quando um helicóptero sobrevoava a área, nesses momentos Shun se encolhia perto das raízes ou subiu nas copas das árvores. Sentia-se estranho; dor, nojo e principalmente ódio, o cheiro do estuprador em seu corpo só o deixava ainda mais agitado, não sentia mais medo e nem estava arrependido do que havia feito, esse era o problema, não achou ruim fazer aquilo e começou a sentir como se pudesse fazer outras vezes sem o menor embaraço...
Mas naquele momento, ele só queria dormir em paz...foi então que viu o letreiro de um hotel de beira de estrada; correu até lá e, se arrumando da melhor forma possível acordou a mulher gorda que roncava no balcão:
—com licença. Disse Shun com voz calma.
hein? O que? Oh! Posso ajudar? Disse a mulher,
um quarto por favor.
A mulher o olhava de cima abaixo e ele a olhou com enfado ao que ela retribuiu com indiferença:
vem comigo.
No final do corredor a mulher indicou um quarto, era pequeno porém limpo, estava aquecido e tinha uma pequena televisão, um rádio e um banheiro.
está bom, quanto lhe devo?
vai ficar quanto tempo?
não sei... mas ao perceber o olhar de indagação da mulher por estar sem bagagem e sua aparência deplorável, foi logo dizendo — briguei com meu namorado e sai correndo.
“gay, que raiva!” pensou a mulher são vinte dólares por essa noite.
aqui está disse Shun lhe entregando o dinheiro.
obrigada, se precisar de algo pode me chamar, meu nome é June.
Quando se viu só, Shun tirou as roupas e tomou um banho se esfregando com sabonete quase até sangrar, queria voltar e se sentir limpo mas sabia que nunca mais seria, havia morto um homem e provavelmente mataria outro, já não pensava em ver Afrodite na cadeia e sim no cemitério mesmo que ele confessasse seus crimes.
“Shun Amamiya estava morto, ele seria capaz de perdoar e aceitaria a prisão como punição mas não este novo homem que surgiu de todo esse mar de traições e dores; quem era ela ele?” Pensava sentado no chão do banheiro, “por enquanto sou Mime, isso, Mime Benadinesh!” Terminou o banho e lavou as roupas estendendo no box “amanhã preciso mudar minha aparência e comprar roupas novas”... nu, deitou-se na cama e ligou a televisão onde passava uma reportagem sobre sua fuga, imagem antigas da época do julgamento eram mostradas e eram bem diferentes do Shun atual.
— todos já sabem, ainda bem que são fotos antigas, mudei muito e vou mudar
ainda mais! Desligou a TV e ligou o rádio, música era bom para acalmar, numa estação o locutor anunciou The Figurehead da banda inglesa The Cure. “Testa de ferro”.. Shun começou a prestar atenção na letra, a melodia era soturna, quase operística mas o estava agradando, principalmente nos versos finais:
Too many secrets, too many lies writhing with hatred
too many secrets, please make it good tonight
but the same image haunts me in sequence in despair of time
I will never be clean again
I touched her eyes, pressed my stained face
I will never be clean again
touch her eyes press my stained face
I will never be clean again.
—É, eu nunca serei limpo novamente...e com esse pensamento adormeceu.
*********************************************************
:
EU NÃO DISSE? Aquele ordinário do Amamiya sabe onde está o dinheiro! Essa é nossa chance de pegá-lo e resolvermos isso de uma vez! Disse Radamanthys gritando furioso e batendo o punho na mesa sob o olhar desdenhoso de Afrodite e cauteloso de Camus; os três tomavam café na sede do FBI e liam os jornais cujo tema de todos era a fuga espetacular de Shun Amamyia.
Depois que se ofereceu para ajudar nas investigações da fraude no Alfa, Afrodite ganhara a confiança de Camus e, de certa forma o status de agente, naquele momento apenas observava a conversa, seus pensamentos eram dirigidos a Shun: como aquele idiota conseguiu fugir? Ele mal conseguia andar sozinho pelas ruas de New York, como fugiu, quem o ajudou? Preciso fazer algo, não sei o que ele pretende mas ele não vai me atrapalhar! enquanto isso Camus discutia com Radamanthys:
—duvido, mesmo se ele soubesse onde está a grana...
—ELE SABE! Cortou o outro
mesmo se soubesse, continuou o ruivo com sua frieza característica, a policia de New York em peso está atrás dele, até o fim do dia ele estará preso ou morto...
NÃO! NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA! SE AQUELE VADIO MORRER NUNCA IREMOS SABER A VERDADE! TEMOS QUE CONVENCER A POLICIA A DEIXAR QUE CUIDEMOS DO CASO! Disse Radamanthys quase tendo um colapso nervoso, o que deixou Camus preocupado; a ideia do agente era tão transloucada que ele não deixou de rir de lado, imaginou a resposta desaforada que Milo daria se o agente fosse falar com ele com essa conversa de deixar o caso com o FBI ainda mais agora que Hyoga seria o investigador encarregado de prender Shun Amamiya. — Ah claro, disse o ruivo ironico, tenho certeza de que o chefe de policia ficará muito feliz com a proposta!
AINDA MAIS SE VOCÊ PEDIR COM TODO AMOR E CARINHO, RUIVO! Disse o agente deixando a sala.
ora seu...começou Camus, mas a voz de Afrodite o fez retomar o controle.
Camus, sei que não deveria me meter mas, acho que o estresse esteja afetando os nervos do caro Radamanthys disse com ar preocupado.
você está certo, Afrodite, ele é um grande profissional mas irei afastá-lo do caso, Shun tornou-se uma obsessão para ele e isso está se tornando perigoso, ele nunca me desrespeitou como fez hoje.
—Isso mesmo, e Afrodite suspirou aliviado, sem Radamanthys seria fácil convencer Camus de que já não haveria meios de recuperar o dinheiro e ele venceria aquele jogo. “em breve serei livre!”— bem preciso ir, tenho uma reunião com um grupo de investidores, até breve Camus. Estava quase fora da sala quando perguntou: — Ah, você acha que conseguirão capturar Shun rápido?
— com certeza! Hyoga é um grande investigador e Shun...é Shun Amamiya! Onde ele poderia se esconder? Disse o francês dando de ombros.
Acordou com batidas na porta será a policia? pensou assustado pegou o estilete e, enrolado no lençol se aproximou da porta:
—quem é?
—sou eu, June, já é meio dia, se for sair, o Check out é daqui a dez minutos...
ah! abriu a porta devagar e disse que ficaria.
então mais vinte dólares!
Pegou o dinheiro e pagou a diária, depois ligou a TV para saber como estava a sua caçada, as fotos apresentadas ainda eram antigas, ele não seria reconhecido tão fácil. agora, a apresentadora entrevistava o detetive encarregado de capturá-lo: detetive Hyoga Yanovic, o senhor já tem pistas sobre o paradeiro de Shun Amamiya? O belo loiro russo respondeu com sua voz firme e impassível — temos informações mas não posso revelar para não atrapalhar as investigações, de qualquer modo em breve o
presidiário será capturado e reconduzido ao presídio.
Shun analisou o belo rosto do detetive, seus olhos azuis, pele branca e belos cabelos loiros e que lhe emolduravam o rosto de forma harmoniosa, parecia uma pintura de tão lindo aos seus olhos. Ele parece ser uma pessoa tão nobre e destemida, seus olhos transmitem segurança e bondade pensava, mas foi desperto de seus devaneios com a última frase dita por ele à apresentadora:
—Shun Amamiya e Andrea causaram uma tragédia na vida de milhares de pessoas, acredite, ninguém quer vê-lo o mais rápido possível de volta ao presidio do que eu!
—então é assim? Tudo bem, você pode até ser gentil e bondoso, mas é meu inimigo e, ser for preciso, matarei você também detetive Hyoga!
Fale com o autor