O Orgulho Queima em Silencio

4 Capítulo 4 — Três Dias Para o Destino



Rukia Kuchiki

— Você está brincando? — disse Momo Hinamori, arregalando os olhos como se não pudesse acreditar no que ouvia.

Rukia sorriu de leve, embaraçada, enquanto ajeitava o quimono.

A brisa fresca do final da tarde soprava através da varanda do quarto de Momo, trazendo o aroma doce das flores do jardim.

— Não estou... — respondeu, apoiando os cotovelos no corrimão de madeira.

— Ukitake-taichou, Renji e… — hesitou — Byakuya-sama. Todos querem que eu entre para suas divisões?

Momo deixou escapar um assobio baixo.

— Você virou um prêmio, Rukia.

Rukia riu, mas o som soou tenso, vazio.

— Não é assim que eu me sinto — confessou. — Sinto como se estivesse dividida. Cada escolha pesa de uma forma diferente… e agora, para complicar tudo… — a voz falhou.

Ela respirou fundo antes de continuar:

— Renji me pediu em casamento.

Momo soltou a caneca de chá que segurava, quase a derrubando.

— Casamento? Rukia, isso é… isso é…!

— É confuso — completou Rukia, apertando as mãos no colo.

— Eu gosto de Renji. De verdade. Ele sempre esteve ao meu lado.

— Mas… — o olhar dela se perdeu entre as nuvens douradas do entardecer — eu não sei se é amor. Não como deveria ser.

Momo a observou em silêncio, o rosto sério pela primeira vez.

— E quanto ao capitão Kuchiki?

Rukia sentiu o estômago se revirar.

Não respondeu.

— O processo de escolha será daqui a três dias — disse, mudando de assunto.

— Tenho até lá para decidir meu futuro.

“Ou destruir tudo o que me resta”, pensou, sem coragem de dizer em voz alta.

Mais tarde, quando o sol já se escondia e as lanternas começavam a iluminar os corredores da Seireitei, Rukia caminhava sem rumo próximo à mansão Kuchiki.

E foi ali que encontrou Renji.

Ele parecia ter saído de um treino recente; os cabelos ruivos estavam soltos, caindo em desordem sobre os ombros.

— Rukia! — chamou, o sorriso largo e genuíno.

Ela parou, surpresa, mas sorriu também.

— Renji. — inclinou a cabeça educadamente. — Estava procurando por mim?

— Não exatamente. — ele coçou a nuca, envergonhado. — Mas fico feliz por ter encontrado.

Caminharam lado a lado por alguns minutos, em silêncio confortável.

— Sei que está pensando em tudo isso — disse Renji, a voz suave. — Sobre a divisão, sobre… tudo o que eu disse.

Rukia mordeu o lábio inferior, nervosa.

— Eu quero que saiba que, seja qual for sua decisão, eu estarei torcendo por você — continuou Renji, sorrindo de forma triste.

— E se escolher outro caminho… — hesitou — eu vou respeitar.

Rukia sentiu o coração apertar.

Renji era bom.

Demasiado bom.

Ela queria corresponder.

Queria amar com facilidade.

Mas algo dentro dela se rebelava, silencioso e cruel.

— Obrigada, Renji — sussurrou.

E naquele momento, nas sombras atrás de um muro próximo, olhos prateados observavam.

Byakuya Kuchiki, vindo da direção da mansão, parara ao escutar os ecos da conversa.

Não era seu hábito ouvir.

Não era seu costume espiar.

Mas ali estava ele — imóvel como uma sombra antiga — absorvendo cada palavra, cada hesitação, cada sorriso.

Por fora, manteve a expressão impassível.

Por dentro, o sangue em suas veias era fogo vivo.

Renji.

Sempre Renji.

Sempre entre eles.

Byakuya fechou os olhos por um breve instante.

Sabia que não poderia exigir.

Sabia que não poderia reivindicar aquilo que, por direito, jamais deveria ser seu.

E ainda assim, o desejo de arrancar Rukia daquele momento, de afastá-la do alcance de outro homem, era tão visceral que quase traiu seu autocontrole perfeito.

Quando abriu os olhos novamente, o mundo parecia mais sombrio.

Três dias.

Três dias para que ela escolhesse.

E Byakuya, orgulhoso, frio, desesperado, sabia que não suportaria vê-la escolher outro caminho que não o seu.

Mesmo que para isso precisasse quebrar todas as regras silenciosas que sempre governaram sua existência.



Notas finais
Gostaram? Deixem seus comentários! beijinhos