O Olimpo em Guerra
4 Um herói declara sua lealdade
Sorento e Thetis se aproximam do Santuário. De uma colina próxima contemplam o complexo modificado.
—_Isso é o Santuário, Thetis? Onde estão as famosas 12 casas, a imagem de Athena...?
—_É-é estranho. O localização é esta mesma. Já estive por aqui antes. E o Santuário era encoberto em parte por uma neblina circundante, para que não fosse visto com facilidade....está modificado, não sei explicar...mas ainda assim sinto a cosmo-energia do Imperador Poseidon emanando daí...
—_Bem, isso é o que importa. Deixemos nossos cosmos em um nível não muito elevado, isso dificultará aos cavaleiros que detectem a nossa presença, caso alguns deles estejam presentes, pois tudo parece deserto e silencioso. Já não há mais cavaleiros de ouro desde a guerra contra Hades, portanto duvido muito que encontremos alguém que possa nos criar dificuldades...vamos por ali, por aquelas elevações...
Se movem com agilidade, escalando e saltando pelas formações rochosas.
—_Sinto a cosmo-energia vindo depois daquele pequeno vale adiante... diz Thetis
—_E não parece haver viva alma por aqui. O que terá acontecido com Athena e com os cavaleiros? É certo que conseguiram deter o eclipse de Hades. Será que não conseguiram retornar à Terra? Neste caso o Imperador Poseidon terá que assumir a defesa não só dos oceanos, como da superfície da Terra, também... Diz Sorento.
Os dois chegam a um pequeno vale onde se destaca uma grande piscina rasa, com fundo e borda formadas por blocos de pedra.
Sorento fica intrigado: __Toda essa água... pequenas quedas d'água em vários locais... o conjunto até que tem uma certa beleza, mas isso não pode ser o Santuário de Athena, do qual já ouvi falar.... Thetis, veja aquilo no centro da piscina... um enorme bloco de pedra...deixe-me ver mais de perto, pode conter alguma informação
—_Sorento! Veja!
Antes que Sorento possa se dirigir ao centro da piscina, Thetis aponta para um local, perto da borda. Um corpo parece boiar ali. Os dois vão averiguar mais de perto.
—_Olhe a amadura dele, Sorento. As vestes. É um guerreiro. Tem um aspecto imponente, mesmo morto. Quem o terá derrotado?
—_Não faço idéia, Thetis. Quem quer que tenha sido, deve ter um poder
considerável. Este guerreiro parece ser de uma categoria superior, mas nunca me deparei com alguém parecido. Não pertencia às forças de Ahena, com certeza.
—_Talvez o Santuário não esteja vazio, afinal... Diz Thetis, olhando ao redor com uma expressão preocupada.
—_Deixe-me dar uma olhada naquela estranha escultura. Diz Sorento. __Em seguida vamos em busca da urna do Imperador...
Sorento se aproxima do bloco de pedra, obsevando os detalhes.
—_São imagens humanas. Espere um instante... eu reconheço aquele rosto... sim!!! É ele mesmo... é Kanon, que usurpou as escamas de Dragão Marinho e ludibriou o Imperador!
—_Ele não tinha um irmão gêmeo, um cavaleiro de ouro? Indaga Thetis.
—_Irmão gêmeo... sim, é verdade Thetis. Todas essas figuras, talvez representem os cavaleiros de ouro. Talvez a imagem seja do irmão de Kanon... mas quem fez isso? Com que propósito?
—_Este bloco me dá calafrios, não sei, uma sensação ruim. As expressões dele denotam angústia, sofrimento...
Então Sorento faz uma expressão de espanto.
—_Thetis... isto não é uma escultura... isto é... isto é uma prisão... uma prisão espiritual... por Poseidon, eles estão selados! Suas almas estão seladas!
—_Como vc sabe Sorento? Thetis esfrega os braços com as próprias mãos, como se sentisse calafrios. __Que coisa horrível...
—_Eu sinto... eu sinto como se seus cosmos emanassem de dentro deste bloco, fracos, muito fracos, mas estão aí...
—_Sorento...
—_Bem, isso agora não importa. Não é problema nosso. Vamos fazer o que viemos fazer. Guie-me até nosso Imperador, Thetis.
Thetis e Sorento se dirigem a um grande paredão rochoso próximo, o escalam até uma plataforma diante de uma outra parede rochosa.
—_Aqui, Sorento, a cosmo-energia de Poseidon é forte, atrás dessa parede rochosa.
—_Afaste-se Thetis
Sorento se concentra, em seguida eleva sobremaneira seu cosmos e desfere um potente golpe contra a parede rochosa. A Rocha é fraturada e vários blocos menores de pedra desabam, revelando um grande salão rochoso por detrás. Sorento e Thetis entram com cautela.
—_Essa caverna é grande, mas parece não haver nada aqui, Thetis
—_Mas a cosmo-energia é forte aqui, estamos perto, muito perto, Sorento. Ali, naquela parede ao fundo. Consegue abrir caminho novamente?
Mais uma vez Sorento eleva seu cosmos e desfere outro golpe potente contra a rocha. Um vão do tamanho de uma porta é aberto. Thetis olha para dentro, sem entrar.
—_É aqui, Sorento, é aqui. Veja, é uma espécie de templo, com adornos no chão e nas paredes. É muito bonito. As tochas nas paredes ainda ardem, fracas, mas ainda iluminam.
Thetis entra no templo e se dirige para o fundo, onde se encontra um pequeno nicho vedado com tijolos azulejados. Neles está o desenho de um tridente, um dos símbolos de Poseidon.
—_Ele está aí, Sorento. Está aí, tenho certeza. Sinto sua cosmo-energia latejando em minha mente!
Pela terceira vez, Sorento golpeia, desta vez contra a bela parede azulejada. Dentro do Nicho está uma urna com uma faixa de pano sobre a tampa, com a palavra Αθηνά em caracteres gregos, escrita em uma cor ocre, parecendo sangue.
—_O espírito do Imperador Poseidon... Diz Sorento. O marina estende os braços e pega a urna.
—_O selo de Athena é recente é ainda tem muita força. Vamos levar a urna para a caverna submarina onde coloquei as demais escamas. Lá tentaremos romper o selo. Diz Thetis
Thetis e Sorento, com a urna nas mãos, se dirigem para a saída do templo. Thetis vai na frente, cruza o vão da entrada aberta por Sorento. Então sente uma mão poderosa, extremamente forte, agarrar seu pescoço e a erguer do solo. Thetis não consegue respirar e segura o braço de seu agressor
—_Ahhh, o que é isso??? Um brinquedinho, para eu me divertir?
Thetis escuta a voz possante e cavernosa de seu agressor. Começa a ficar sem ar mas consegue perceber que se trata de um vulto muito grande e muito forte, de uns 3 metros de altura. Era como se garras de aço apertassem o seu pescoço. Entao, subitamente, o vulto solta o pescoço de Thetis, que desaba no chão, tentando respirar.
O vulto solta um grito de dor: __Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, minha mente, meu cérebro, o que é isso??? Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
Sorento vem saindo do templo, tocando sua flauta, com uma expressão de raiva.
O enorme vulto cai de joelhos, com as mãos nos ouvidos: __Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, pare, pare com isto. Ahhhhhhhhhhhhhh.!!! O gigante se contorce de dor e angústia no chão, pressionado os ouvidos com as mãos.
Sorento afasta a flauta dos lábios por um segundo e diz: __Não adianta tapar os ouvidos, sequer furar seus tímpanos. A melodia vai direto ao cérebro. Agora vou estourar seus miolos. Vai pagar caro por ter agredido Thetis . Sorento tem uma expressão de muita raiva.
Quando o marina se prepara para levar a flauta novamente aos lábios, sente que algo metálico envolve seu corpo e prende seus braços, o impedindo de voltar a tocar.
—_Sorento! Por que está torturando este homem??? Pare com isso! Diz uma voz que soa familiar a Sorento.
Sorento percebe que acabara de ser preso pelas correntes de Shun, que entrara na caverna naquele instante.
—_A-andrômeda!!! O que está fazendo, seu idiota?? N-não percebe que... solte-me Andrômeda!!!
Então o enorme vulto se põe de pé diante de Sorento.
Shun faz uma expressão de surpresa e temor ao ver que não se trata de um ser humano. Traja uma armadura de cor avermelhada com protuberâncias pontiagudas nos ombros, nos braços e nas pernas, como também no elmo, que praticamente cobre toda sua cabeça.
O monstro, com rapidez, desfere um poderoso golpe, com a parte de cima da mão, em Sorento, que é projetado violentamente a cerca de 30 metros contra uma parede rochosa lateral da caverna, e cai, aparentemente desacordado.
Shun, que não tivera tempo de soltar Sorento, é puxado pelo corpo projetado do Marina, através das correntes, e cai a cerca de 20 metros do agressor.
O monstro se prepara para atacar Shun quando sente que é golpeado nas costas.
Thetis, que se levantara, desfere uma série de golpes com os pés, mas o enorme guerreiro sequer é deslocado do lugar. Não parece sentir o ataque. Se volta para Thetis, que faz uma expressão de pavor. A bela sereia retrocede, tropeça e cai.
Quando o monstro ergue seu punho com o intuito de atacar Thetis, sente que seu braço está preso. Shun envolve seu braço com a corrente e tenta segurá-lo.
—_Grrrrrrr, acha que pode conter meus movimentos com isto, inseto? O monstro puxa violentamente a corrente.
Shun, mais uma vez , é projetado, desta vez no sentido do agressor, passa por ele voando, quase atingindo Thetis, que tentava se levantar, e se esborracha contra a parede rochosa oposta a que o corpo de Sorento atingiu.
A corrente se solta do braço do monstro que, subitamente, percebe que algo começa a envolver e a prender suas pernas.
—_O que é isso??? Indaga o guerreiro.
Uma crosta parecida com corais começa a envolver as pernas do monstro e vai subindo em direção a sua cintura. O gigante entende que isso é causado por Thetis, que faz gestos com seus braços. Então o gigantesco guerreiro eleva um cosmos de tom avermelhado, extremamente agressivo e poderoso.
—_Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Grita o monstro, ao elevar seu cosmos.
A crosta de corais de Thetis é detonada, como em uma explosão. Fragmentos de corais voam por toda a caverna. Thetis tem que se agachar e proteger seu rosto com o braço para não ser ferida.
Em seguida, o monstro olha para o interior do templo, através do vão aberto por Sorento. Salta para dentro e retorna em seguida segurando a urna de Poseidon, que Sorento pousara no pavimento, para poder socorrer Thetis. E vai em direção à saída da caverna.
—_Não! Pare! Solte isto! Thetis se desespera. Levanta-se e vai em direção ao monstro.
O guerreiro para na entrada da caverna, se volta para Thetis e aponta o dedo indicador da mão esquerda para o chão, no espaço entre ele e a marina. Eleva mais uma vez seu agressivo cosmos: __Melhor não vir atrás de mim, brinquedinho. Seria uma pena ter que matá-la agora, sem ter depois uma chance de brincar um pouco com vc. Ahahahahahahaha!
Após a gargalhada do monstro ecoar pela caverna, uma parede de assustadoras chamas negras surge do chão, bloqueando a saída. O gigante pula rápido para fora da caverna
Thetis tenta atravessar as chamas negras mas o calor é insuportável, ainda mais para um ser marinho como ela. Grita de dor e desespero: __Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Volte miserável, devolva essa urna!
—_Saia da frente, Thetis! Shun grita e gira suas correntes em grande velocidade, como hélices, criando um vórtex de ar, atraindo as chamas negras em torno das correntes. As correntes superaquecem, transmitindo a altíssima temperatura até as mãos de Shun, que faz uma expresão de dor. Mas consegue desmontar a parede de chamas.
Shun, então, pula para fora da caverna.
Thetis vem rápida atrás dele. Mas ao chegar no lado de fora, não vê nem sinal do monstro.
—_Para onde terá ido??? Não sinto seu cosmos.... Thetis cai de joelhos, desconsolada. __Não pode ser, ele levou a urna do Imperador Poseidon... Seu tom de voz deixa perceber que chora.
Thetis apóia as mãos no chão e abaixa a cabeça.
Shun tenta mostrar compaixão, principalmente por perceber que Thetis ficara bem ferida devido à luta. Ajoelha-se e aproxima sua mão do ombro da sereira.
Mas Thetis afasta bruscamente, com a mão, o braço de Shun e vira o rosto para o outro lado. __Deixe-me em paz, Andrômeda. Você estragou tudo. Sorento o tinha nas mãos. Sua voz agora demonstrava muita irritação. Thetis levanta-se e volta para a caverna, para ver o estado de Sorento.
Shun a segue, com uma expressão de desconcerto.
No interior da caverna, Sorento estava sentado, com a mão na cabeça, como se acabasse de recobrar a consciência. —_Arghhhh...que força tinha o miserável...
—_Não se levante, Sorento. Descanse um pouco. Vc se chocou violentamente contra a rocha. Thetis afaga os cabelos de Sorento
—_E a urna? Onde está???
—_Aquele monstro a levou...Thetis abaixa os olhos com uma expressão de desânimo
Sorento ergue os olhos, fuzilando Shun com o olhar: __ Andrômeda, o que deu em você??? Por que diabos me atacou???? Ficou maluco???
—_E-eu s-sinto muito, Sorento. E-eu não percebi que tipo de criatura era aquele monstro. Estava no chão sofrendo, se contorcendo. Achei que era um ser humano e que vc o torturava. Eu o prendi com minhas correntes para que parasse e para saber o que estava acontecendo. E-eu realmente sinto muito... mas o que fazem vcs aqui no Santuário de Athena?
—_Santuário de Athena? Onde? Eu não vejo nada que se pareça com o Santuário de Athena, por aqui. Sorento expressa um certo sarcasmo enquanto faz um esforço para se levantar.
Thetis e Shun o ajudam.
—_Ele foi modificado pela deusa Artemis, mas ainda é o Santuário de Athena. Athena retornará e o devolverá ao seu aspecto original. Diz Shun.
—Artemis... irmã de Athena... essa família olimpiana é um pouco complicada. Sorento ainda demonstra um certo sarcasmo. __Mas da minha parte não posso falar muito, afinal Poseidon, a rigor, é tio de Athena..arrghhh... Sorento tenta andar mas ainda sente algumas dores pelo corpo.
Thetis o apóia pelo braço.
—_Escute, vc viu aquele guerreiro morto naquela piscina, lá fora? E aquela imagem tétrica no centro da mesma piscina? Indaga Sorento, a Shun.
—Aquele guerreiro lutou contra meu irmão e eu. Era um guerreiro de Artemis. Nós o derrotamos. A imagem na verdade é um selo. Alguma divindade do Olimpo selou as almas dos cavaleiros de ouro. Responde Shun.
—_Me admiro que vc tenha conseguido não atrapalhar seu irmão, o Fênix...
—_Chega de sarcasmo, Sorento. Eu já me desculpei pelo meu equívoco. Shun se irrita um pouco. __ E vc ainda não disse o que vc e Thetis vieram fazer aqui.
—_O seu equívoco, Andrômedra, acabou nos custando a urna onde está selado o espiríto do Imperador Poseidon. Obviamente viemos para recuperá-la. Responde Sorento.
—_Vcs querem libertar o espírito de Poseidon? Foi Athena quem o aprisionou. O que pretendem, afinal? Shun faz uma expressão desconfiada.
—_Tranquilize-se, Andrômeda. Diz Sorento. __O imperador quer retornar ao seu corpo verdadeiro, que repousa no Olimpo. Não acredito que pretenda guerrear novamente contra Athena. Aquilo tudo aconteceu por culpa de Kanon. Afinal, como vcs devem ter percebido no Elisios, Poseidon procurou ajudá-los e a Athena, na guerra contra Hades.
—_Isto é verdade. Poseidon enviou as armaduras de ouro, na luta contra Tanathos... Diz Shun.
—Na verdade, posso imaginar que algo deve estar acontecendo no Olimpo, a julgar pelos acontecimentos que vc relata. Poseidon deve querer retornar para lá, para tomar alguma atitude quanto a isso...Diz Sorento. — Afinal, é irmão de Zeus.
—Quem talvez possa dizer o que de fato acontece é um outro guerreiro do Olimpo. Touma. É irmão de uma amazona de Athena, mas estava lutando ao lado dos olimpianos. Seiya de Pégaso o derrotou. Depois, incrivelmente, ele acabou usando seu próprio corpo para proteger Athena de um ataque de Artemis. Estava entre a vida e a morte. Nós o levamos para um vilarejo próximo ao Santuário. Caso ele recobre a consciência talvez possa nosdizer alguma coisa...
—Vcs capturaram um guerreiro de Artemis vivo? Talvez pudessem deixar que eu o interrogue. Poderia nos dizer que monstro era aquele, e para onde deve ter levado a urna de Poseidon. Tenho algumas melodias aqui que o fariam confessar qualquer coisa. Sorento olha para sua flauta.
—Em hipótese alguma nós permitiríamos que vc o torture, Sorento! Esqueça isso!
—Vcs , cavaleiros, são muito moles. O Olimpo parece ter declarado guerra a Athena e a vcs. Veja o que fizeram com os cavaleiros de ouro. Não devem ter compaixão em uma situação dessas.
—Mas Touma protegeu Athena. E é irmão de uma amazona. Se vc e Thetis quiserem vir conosco até o Vilarejo, pode ser que deixemos vc interrogá-lo, Sorento. Sem torturas. Nós também gostaríamos de perguntar a ele algumas coisas. Ma só depois que ele se recuperar, ainda que um pouco.
—Bem, se isso não lhe causar problemas diante dos outros cavaleiros...mas vc disse “vir conosco”. Há mais alguém com vc por aqui?
—Vim com Hyoga, o cavaleiro de cisne. Nos separamos na entrada do Santuário para procurar alguma pista do paradeiro de Athena e do cavaleiro de pégaso. Vamos encontrá-lo e em seguida partimos para o vilarejo.
—Paradeiro de Athena? Não sabem onde ela está?
—No momento, não. Tudo é um pouco confuso. No caminho eu explico mais. Tomemos cuidado, pois parece que o Santuário ainda é objeto do interesse dessas criaturas. Espero que Hyoga esteja bem.
Shun, Sorento e Thetis vão caminhando pelas formações rochosas em busca de Hyoga.
Simultaneamente aos acontecimentos envolvendo Shun, em outro local do Santuário, uma mulher envolta em um capuz aponta para um outro paredão rochoso. A seu lado, outro enorme guerreiro, como o que lutou contra Sorento, Shun e Thetis.
—Aqui, Deimos, Abra caminho.
O monstro golpeia a rocha com vigor, que demonstra ter grande espessura. Ele continua golpeando e abre uma espécie de túnel até encontrar um espaço vazio no interior da montanha. A mulher entra em seguida e contempla o local.
—Ah. Sim. Um templo. Lá, no fundo, em cima da pedra. Pegue a urna, Deimos.
Quando Deimos tenta segurar a urna, sente um desconforto e é repelido para trás.
—Argh. Que cosmo-energia forte. É difícil segurá-la.
A urna é feita de um material de grande beleza, parecendo alabastro. Em volta dela, caindo da tampa, um papiro muito antigo com letras gregas gravadas em ouro, onde se lê "Ζεύς".
—Incrível como depois de milênios o selo de Zeus ainda esteja tão forte. E não é só isso, a cosmo-energia aprisionada aí dentro é bastante forte também. Tente segurá-la, Deimos, força!
Deimos tenta envolver a urna com seus braços novamente. Após grande esforço que se manifesta na expressão de seu rosto, consegue segurá-la.
—Argh, acho que consegui. Posso segurá-la agora.
—Então vamos, espero que Phobos já tenha conseguido a outra urna, no local que indiquei.
Quando os dois saem do túnel rochoso, Deimos sente suas pernas presas, não conseguindo dar um passo. No chão ao redor, uma fina camada de gelo começa a tomar forma. Um frio intenso toma o ar em volta e Deimos sente dores nas pernas.
—Argh, isso está gelado!!!!
—Parem vcs dois. Vc, monstro. Solte essa urna. Hyoga, no lado de fora do templo, está com as mãos juntas, esticadas e direcionadas para o casal.
Então a mulher põe a mostra uma caixa prateada escondida na túnica. Abre a caixa e diz: —Vá, espírito. Obedeça e o tire de ação.
Da caixa sai uma espécie de névoa escura em grande velocidade, aumenta subitamente de volume e envolve Hyoga.
—Mas o que é isso?? Se indaga Hyoga. O cisne começa a sentir uma enorme fraqueza, seus membros e olhos começam a ficar pesados, sente uma forte tontura e acaba por perder os sentidos e cair.
—Eu conheçooo esteee...é um dois cincoooo..vingançaaaa...vingançaaaa. Uma voz fantasmagórica emana da névoa.
—Volte para a caixa espírito. Obedeça!!! Agora!!!! Vc não pode desobedecer minhas ordens!!! Exclama a mulher.
Da névoa densa e escura se pode ouvir uma espécie de lamento. E ela retorna rápida para a pequena caixa de prata, nas mãos da mulher, que a fecha.
Deimos, agora com Hyoga fora de ação, eleva seu cosmos rubro e agressivo e consegue fragmentar o gelo que envolve seu corpo da cintura para baixo. O gelo explode em pequenos pedaços.
—Cuidado, Deimos, isso pode me ferir! A mulher reclama.
—Arghhh, deixe-me esmagar o crânio desse humano. Deimos faz menção em deixar a urna no chão e ir em direção a Hyoga, que permanece caído e desacordado.
—Não Deimos!! Não temos tempo para isto!!! Não solte esta urna!!! Vamos para o lugar combinado para encontrarmos Phobos. Ele deve já estar de posse da outra urna.
Deimos demonstra certa contrariedade. Mas mantém a urna em um braço, enquanto com o outro segura a mulher, saindo do local em grandes saltos, por sobre as rochas e os penhascos.
Alguns minutos se passam, Hyoga começa a fazer alguns movimentos com a mão, abre os olhos e tenta se levantar. Ainda sente fraqueza e tonteiras. Se senta com as costas apoiadas contra o paredão rochoso. Então ouve a voz de Shun.
—Hyoga! Shun vem correndo pela plataforma rochosa onde Hyoga se encontra. —O que houve, Hyoga. Vc está bem?.
—Encontrei intrusos, Shun. Um guerreiro monstruoso, com um tipo de armadura que nunca vi antes, e uma mulher usando um capuz. Estavam saindo desse túnel aí do lado e levavam uma espécie de urna. Tentei detê-los mas a mulher abriu uma pequena caixa, e uma névoa escura saiu de dentro e cercou-me. Acabei perdendo os sentidos...
Sorento e Thetis chegam ao local em seguida. Hyoga estranha a presença deles.
—Marinas...o que eles fazem no Santuário? Estão com vc, Shun?
—Eu e eles enfrentamos um guerreiro enorme também, que acabou fugindo com a urna, onde Athena havia selado o espírito de Poseidon.
—A urna de Poseidon? Além de mudarem o Santuário agora o estão pilhando? Alguém lhes passou a perna e levou a urna que vieram procurar?
—Parece que passaram a perna em vc também, cisne. Diz Sorento
Thetis, que entrara no túnel aberto por Deimos, chama Sorento: —Sorento, venha ver isto aqui.
Sorento segue Thetis para dentro do túnel e se depara com mais um templo.
—Que templo belíssimo. Diz Sorento. —Sua forma circular e essas colunas brancas lhe dão um aspecto peculiar.
—Sorento, veja esta inscrição. Thetis se ajoelha diante da pedra, onde antes estivera a urna levada por Deimos.
Sorento se aproxima e se inclina para ler. —Isto é grego arcaico, muito antigo, deixe-me ver se traduzo:”Aqui está... o espírito de... Abel, que ousou desafiar... Zeus”.Abel...quem seria?
Do lado de fora, Hyoga e Shun conversam.
—Levá-los ao vilarejo? Shun, tem certeza que sabe o que está fazendo? Shina provavelmente não vai gostar nem um pouco disso. Espero que Ikki ainda não tenha voltado, porque ele gostaria menos ainda...
—Eles não são nossos inimigos, Hyoga. Lembre-se que Poseidon tentou nos ajudar nos Elisios....
—Mesmo assim, eu preferiria que o espírito de Poseidon ficasse selado por um bom tempo ainda...
—Poseidon poderia nos ajudar neste momento, em que Athena nos foi levada. E Sorento poderia ser um bom aliado. Melhor tê-lo ao nosso lado do que contra nós...
—Hum, tudo bem, Shun, não vou ficar discutindo com vc. Quer levá-los, leve-os. Mas se isso der em confusão, assuma as conseqüências...e lembre-se que eu o avisei.
Sorento e Thetis saem do templo.
—Vcs sabem quem é, ou foi, Abel? Pergunta Sorento.
—Abel? Se não me engano é um personagem da Bíblia Cristã. Diz Hyoga.
—Hum, não creio que sejam a mesma pessoa... Diz Sorento.
—Mas então de que Abel vc está falando, Sorento? Indaga Shun.
—Bem, pela inscrição que se encontra neste templo aqui , o Abel a que me refiro parece ter sido um sujeito bem menos sociável do que o Abel bíblico. Seu espírito está selado na urna que estava sobre uma pedra, ali dentro. E ali diz que este tal de Abel teve seu espírito selado por ter desafiado nada mais nada menos do que o próprio Zeus.
—Talvez Shina ou Marin possam dizer. Elas tem um profundo conhecimento sobre a mitologia grega. Diz Shun.
—A propósito, Andrômedra. Quando pretende levar-nos até o guerreiro olimpiano que está sob a custódia de vcs? Pergunta Sorento.
—Acho que podemos nos por a caminho, Sorento. Vc está melhor, Hyoga? Pergunta Shun
—Acho que já posso caminhar, Shun. Vamos indo.
O quarteto caminha pelas trilhas rochosas que serpenteiam através das enconstas e paredões, em busca de uma saída do Santuário, para irem ao vilarejo onde Touma e os outros cavaleiros se encontram.
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Heracles caminha pelo enorme salão do Trono do Palácio de Zeus. No fundo já pode divisar Hera, sentada em seu trono. O semideus tem uma expressão pouca amistosa, como se não quisesse estar ali. A meio caminho de onde se encontra e o trono, Afrodite está de pé, como se o aguardasse. Assim que Heracles chega perto dela, ela diz:
—Obrigada por ter vindo, Heracles.
—Só vim porque vc me pediu, Afrodite. Na verdade nada tenho a tratar com ela. Heracles aponta para o fundo do salão, onde está Hera.
—Eu sei que entre vc e ela há muita mágoa e ressentimento. Mas por favor, o Olimpo passa por um momento delicado. Vc deve saber o que Ares, Apolo e Artemis andaram fazendo sem o consentimento de Zeus. Hera sente que sua autoridade está sendo desafiada por eles, principalmente por Ares. Ele é o mais perigoso.
—Eu sei, Afrodite. E vc sabe que por muito pouco não desci para ajudar Athena contra Poseidon e Hades. Apenas Zeus, no Olimpo, deve ter a prerrogativa de intervir nos domínios de Athena e dos humanos.
—Eu compreendo o seu coração Héracles. Afinal vc é meio humano. Vc sente compaixão por eles, do mesmo modo que Athena, que escolheu viver entre eles. Hera só quer de vc um sinal de lealdade. Só quer ter certeza que pode contar com vc, no caso do pior acontecer...apenas isso.
—Ela não tem com o que se preocupar a respeito disso. Mesmo que eu não lhe devote afeição, reconheço que é da vontade de Zeus que ela governe na ausência dele. Para mim, quem a desafiar neste sentido, estará desafiando o próprio Zeus, e quem desafia Zeus, desafia a mim também..
Heracles faz menção a continuar caminhando mas Afrodite lhe toca no braço, como que querendo dizer algo mais:
—Por favor, Heracles, mostre-se respeitoso, faça uma reverência antes de se dirigir à Imperatriz...
Heracles olha nos olhos de Afrodite, depois baixa o olhar, fazendo um movimento com a cabeça, como que consentindo no que Afrodite lhe pede.
—Obrigada Heracles. Afrodite sussurra, agradecida.
O lendário herói se aproxima do trono de Hera e faz uma respeitosa reverência.
—Imperatriz Hera...
—Héracles, filho de Zeus, sei que vc tem motivos para não gostar de mim e não o condeno por isso. Sei que lhe causei muitos problemas e contratempos no passado...mas agora lhe peço que releve isso para o bem do Olimpo e do Panteão, para a segurança e perenidade dos domínios de seu pai...
—Fique tranqüila quanto a isso, Hera. Se sua autoridade como imperatriz for desafiada por algum deus do Panteão, vc terá em mim um guerreiro e defensor fiel.
—Eu lhe agradeço, Heracles...sei que faz isso em respeito a Zeus, não por mim...mas isso me basta...Hera faz uma expressão um pouco triste.
Heracles respira fundo, faz uma pausa e diz: _Vamos esquecer os fatos do passado, Hera, em vista da situação. Ainda que todo o panteão se volte contra vc, eu lutarei a seu lado
O rosto de Hera se ilumina e a imperatriz esboça um sorriso: —A Imperatriz se sente honrada por ter a seu lado tão heróico guerreiro, Heracles, filho de Zeus. Obrigada por ter vindo. Pode ir agora...se quiser, Heracles...
Heracles também esboça um sorriso simpático, troca um olhar com Hera, faz uma reverência e diz: —Imperatriz Hera, com sua permissão...
Heracles vai caminhando para o portal do salão. Afrodite novamente o aguarda no meio do percurso. Heracles lhe pisca o olho e oferece seu braço esquerdo. Afrodite o segura e os dois vão caminhando juntos.
—Sabe, Afrodite, sou capaz de jurar que Hera está mudada. Sempre foi muito orgulhosa e inflexível. O poder às vezes muda as pessoas para pior. E eu pensava que essa máxima cairia nela de uma maneira plena. E ela mudou sim, mas para melhor. Acho que as grandes responsabilidades a tornaram mais sensível, mais, como posso dizer...”humana”.
—Hera tem um bom coração Heracles. Como imperatriz tem que julgar muitos casos e disputas entre os habitantes do Olimpo e todos concordam que ela tem agido com muita sabedoria. Mas e vc? Quando vai passar por meu Palácio e provar alguns doces de ambrosia?
—Não me tente, Afrodite, não me tente.
Os dois passam pelo portal do salão dando risadas juntos, de sorte que os guardiões de Zeus olham espantados e curiosos.
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