POV. Serena

-Cal! Que susto!

-Vem por aqui! Vai dar direto na garagem!

Era bom ter meu pai cuidando de tudo para mim. Peguei Terry no colo e corri atrás dele. Passamos pelo túnel onde Tanzânia tinha aparecido pela primeira vez, e espancado Peg, que ia dar direto na garagem.

Nos jogamos direto dentro de um sedã, a chave estava na ignição e logo depois, virada e fazendo o motor roncar. Enquanto Teresa Marie chova no meu peito eu não parava de olhar no retrovisor, vendo a desgraça que estava acontecendo.

Uma vez perguntei à Jamie o que era Deus.

-Sabe quando você quer tanto uma coisa que fecha os olhos e pede? – Ele respondeu, fiz que sim – Então, Deus é o cara que ouve, vê a sua ficha e na medida do possível dá um jeito de te arrumar o que você quer.

Fechei os olhos e pedi ao Deus dos humanos que se eu tinha algum direito, algum crédito com ele, que usasse para salvar Jamie, e meus amigos...

Eu tinha tanto a perder... E tanto ia ficando para trás a medida que chegávamos à estrada.

-Vai ficar tudo bem... Tínhamos um plano para isso não tínhamos?

Afirmei com a cabeça. Desde o incidente com Tanzânia, combinamos que se algo como isso acontecesse, devíamos nos encontrar na resistência mais próxima. Ela se autodenominava Cheerio’s. Parecia nome de salgadinho, e me lembro de comentar isso com Jamie e ouvi-lo rir.

Estava louca para chegar às Cheerio’s.

-Porque acha que não tinha nenhum carro do lado de fora?

Perguntei. Nessa hora um facho de luz branca atingiu o carro.

-Porque eles estão de helicóptero. Coloque o cinto e Terry vá para o banco de trás e finja que está dormindo. Serena, somos almas, certo? Vamos agir como tal.

-Eu não sou uma alma... – Eu disse ofendida. – Completa...

Ele revirou os olhos e diminuiu a velocidade.