O Olhar de Um Inimigo
12 Capítulo 12
Notas iniciais
-Jamie Dylan Stryder!
Fomos abordados por Jared em um dos primeiros corredores, fui para trás de Jamie. Jared sempre me deu arrepios quando estava feliz, então quando estivesse bravo...
-Onde é que você esteve?!
-Jared, vamos conversar sobre isso, outra hora.
-Outra hora?! Faz ideia de como nos deixou preocupados? Mel e Peg quase tiveram um infarto coletivo! – Foi aí que ele me viu atrás de Jamie – Estava com ela? O que é que andou fazendo?
Não mais do que de repente, a fúria tomou conta do rosto bronzeado de Jared, ele pegou meu braço com força e me jogou contra a parede.
-Jared!
Repreendeu-o Jamie. Jared agarrou os dois braços dele, prendendo-os nas costas e o levou até a luz. Com uma das mãos continuou segurando os braços do meu namorado que se debatia para se libertar e com a outra segurou rudemente o rosto de Jamie, fazendo-o olhar para ele. Alguns segundos depois ele o soltou e relaxou, suspirando aliviado.
-Não te pegaram.
-Claro que não – Respondeu, correndo até mim e me ajudou a levantar com delicadeza. – Como se não me conhecesse.
-Onde. É. Que. Estava?
Ele disse olhando para mim com um olhar penetrante.
-Como eu disse antes, discutiremos depois.
-Você é quem sabe...
Ele estendeu a mão de modo à convidar-nos a entrar.
Eu estava sentada no meu catre, balançando as pernas alternadamente. Doc tinha sido convidado a uma conferência, que era provavelmente para Jamie confessar o que tínhamos feito, e eu, obviamente, não havia sido convidada. Olhei para o canto, e lá estavam os criotanques, olhando para mim, me acusando, como se soubessem o que eu fiz.
Foi quando eu comecei à pensar sobre aquilo. As imagens vinham em flashes, e enchiam meus olhos de lágrimas, meu coração de culpa e meu corpo de fadiga. Deitei e respirei fundo, com a respiração entrecortada pelos soluços silenciosos que faziam meu catre tremer e ranger.
Depois de um tempo, senti braços fortes me levantando, me envolvendo e me sentando em seu colo. Era tão quente e acolhedor, que eu achei que eu tinha morrido e encontrado meu pai, se é que ele estava morto.
-Papai?
Perguntei. A risada melodiosa de Jamie atingiu meus ouvidos.
-Não. Jamie. – Ele deixou de rir aos poucos – Porque estava chorando? – Balancei a cabeça na tentativa de dizer que não era nada, mas ele não era burro – É por causa do seu pai? – Neguei mais uma vez com a cabeça – É por causa do que aconteceu lá na galeria?
Afirmei e apertei mais meu rosto contra seu peito. Ele acariciou meu cabelo com carinho e ternura, esperando eu parar de chorar. Eu devia parecer ridícula chorando o tempo todo, mas eu nunca tinha sido exposta à tantas situações horríveis.
-Você é meu porto seguro, sabia? Nunca me deixe.
O beijei com força, com a força da minha paixão, mesclada com a força da minha dor, para mostrá-lo como eu me sentia, e como ele me fazia sentir. Puxei-o mais para perto. Ele suspirava, beijando meu pescoço, meu peito, meus...
-Jamie, não. Isso não.
Ele parou e me olhou, assombrado com o que ele acabara de fazer, e afirmou com a cabeça.
-Eu sei... Desculpe-me, perdi o controle...
-Tudo bem. Só não agora, não hoje.
Ele afirmou com a cabeça e beijou minha testa.
-Está bem, não hoje. Agora descansa. Seu porto seguro ainda vai estar aqui quando acordar.
Sorri e dormi no calor de seus braços.
No dia seguinte, eu acordei e Jamie estava dormindo ao meu lado. O catre estava quase cedendo com o peso de nós dois, mas não me importei. Peg já estava ali, vendo as pessoas adormecidas, quando viu que eu estava acordada deu um sorriso e veio até mim.
-Bom dia, Serena. Como se sente?
-Horrível, mas vou superar.
-Veja, eu sei mais do que ninguém que viver entre os humanos requer sacrifícios, mas vale as penas – Ela disse acariciando a barriga levemente elevada. – Obrigada por salvar meu irmão ontem.
Dei de ombros.
-Não era mais do que a minha obrigação.
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