POV. Ian

Faz oito meses que descobrimos a coisa que agora cresce no ventre de Peg e a cada mês o meu desespero aumenta juntamente com o tamanho de sua barriga. Ele sentia muitas dores constantes em todos os lugares imagináveis, que me deixavam agoniado, fiquei desgostoso só de mencionar a ideia do parto.

Estávamos nós dois no nosso quarto. Peg estava deitada, e eu estava fazendo massagem em seus pés doloridos.

-Ian?

Ela me chamou.

-Sim?

Respondi sem levantar os olhos.

-Tenho que dizer uma coisa.

Dessa vez eu levantei os olhos para ver seu rosto.

-Diga.

-Bom... Andei conversando com Doc sobre o bebê e nós dois pensamos na possibilidade de... – Olhei bem para ela, parecia nervosa, torcendo as mãos em expectativa. –Ter o bebê lá fora... Com as almas...

Joguei a cabeça para trás e ri nervosamente.

-Absolutamente não!

Eu disse rindo nervosamente.

-Ian, é uma gravidez de risco...

-Prefiro perde mil bebês à perder você.

-Aqui tem mais chances de me perder do que lá fora. E eu só vou ficar em Tucson por no máximo uma semana ou duas. – Ela tentou chegar mais perto, mas a pressão que o bebê exercia – Por favor, Ian.

-Só se eu for com você.

-Sabe o quanto eu queria, mas é muito perigoso com todas as almas desaparecendo...

-Se é perigoso, não vá! E se reconhecerem a Pet?

-Mas eu preciso! Eu quero! É pelo nosso bebê, Ian.

Eu me levantei, já estava saturado daquela história.

-Tudo ultimamente é sobre essa coisa! Isso está matando você!

Ela se levantou lentamente, olhando para mim com a boca aberta, e com uma cara incrédula.

-Ian O’Shea, você está com ciúmes do nosso filho?

-Você se importa mais com ele do que com qualquer coisa!

-Você fala como se também não se importasse...

-Eu NÃO me importo!

-Ah, não? Estou esqueça isso! Esqueça tudo! Eu não preciso da sua permissão! Vou agora mesmo para não ter que olhar na sua cara nem mais um segundo sequer!

Naquele momento, a raiva foi tanta que eu disse a pior frase que eu já disse em toda a minha vida:

-Então não precisa se dar ao trabalho de voltar!

POV. Peg

Dor, irritação, tristeza e preocupação eram tudo o que eu sentia quando deixei a garagem com a mini-van. A caminho de Tucson eu pensei que era a primeira vez que eu completaria a viagem que eu havia começado à anos atrás para Tucson, e agora, nem a Buscadora e nem Lacey estariam me esperando lá, e eu estava em outro corpo.

Mas de qualquer jeito eu estava indo até Tucson ver o Curandeiro Fords Águas Profundas.