Notas iniciais
Gente, deu um erro. O nome da irmã da Serena é Tanzânia e não Pandora, OK?

Permaneci naquela cama por mais dois dias, a garota pequena, Peregrina, vinha dia sim, dia não, acompanhada de um homem grandão, muito bonito. Ele a beijava e a deixava ali, e ia fazer algo, ela suspirava enquanto ele ia embora, e se punha à olhar todas as pessoas adormecidas.

De tempos em tempos, acordavam algumas pessoas. Elas pareciam perdidas, e ignorantes como crianças. Não se lembravam os nomes, ou de onde vinham. Algumas lembraram algumas coisas e saíram da caverna, mas eu continuava ali. Era completamente entediante, à não ser a parte humilhante de quando um dos humanos ignorantes olhava para mim com um terror estampado. Pior que o medo escondido... Era o medo estampado.

Na manhã do terceiro dia, Doc chegou até mim e como de costume, perguntou como eu estava.

-Bem. — Respondi — Apesar de ainda não saber onde estou. Quando vou poder sair daqui? Minha mãe deve estar me esperando lá fora, morrendo de preocupação. Você sabe como as mães são...

-Você logo vai sair da enfermaria. – Ele disse sem levantar os olhos da prancheta marrom, velha e gasta que segurava — Mas para fora você não vai tão cedo.

-O que?

-Entenda que não podemos deixar você ir por ora. – Só agora que eu havia mostrado alguma reação, ele se dignou à me lançar um olhar — Há muito à ser decidido. É o futuro de toda uma raça.

-Traduzindo, vocês estão com medo de que eu dê com a língua nos dentes, e dedure os humanos?

-É...

Ele disse constrangido

-E eu sou um possível erro genético à ser estudado.

-E... É.

- Ótimo. Que legal. E eu vou ficar por aqui até...

-Até Jeb decidir o que fazer com você.

- E "Jeb" vem à ser...

Perguntei, fazendo o sinal de aspas com os dedos.

-Alguém, ninguém, todo mundo.

-Traduzindo, não pode me dizer, porque a alma esquisita vai fugir e contar ao mundo?

Ele me olhou solidariamente.

-Eu não usaria essas palavras.

Cruzei os braços e suspirei.

-Aliviar as coisas não faz com que mude o sentido delas.

-Você tem um bocado de frases

Ele disse olhando novamente na prancheta.

-Gosto delas. Dão uma concepção mais ampla de situações cotidianas.

-14 anos? Tem certeza?

-É, quase quinze. Eu lia o tempo todo.

Ele bufou, e saiu da enfermaria.

Jeb só veio me visitar três dias depois. Era um cara simpaticamente grisalho, vestido como a maioria dos sobreviventes, Jeans, camiseta e tênis. Em seus cabelos brancos, uma imunda bandana vermelha contrastava, mostrando mais o seu rosto cansado mas bem-humorado, e os belos e fugazes olhos azuis.

-Olá, garota.

Ele saudou.

-Oi.

Respondi bem rápido, tentando não estragar minha observação com palavras. Aquele afinal era o líder (ou devia ser) da resistência. Parecia sábio e zombeteiro ao mesmo tempo, direto fui com a cara dele.

-Seu nome é Serena, não é?

-É sim.

Eu afirmei.

-Algum sobrenome? Apelido? Algo mais fácil?

-Minha irmã costumava me chamar de Serry...

-Perfeito. Só para abreviar. Então... Você sabe por que está aqui?

-Porque a mistura esquisita de alma e humano não é muito atenta.

Ele sorriu. Seu senso de humor parecia apreciar meu sarcasmo depreciativo.

-Não sei se você sabe, mas tentamos retirá-la.

-Não posso ser retirada.

Respondi mecânica, dura. Lembrei-me de quantas vezes à quantos Curandeiros tive que dizer essa frase.

-Agora já percebemos. Doc me contou que houve algo errado na gravidez sua e da sua irmã.

-Isso.

-Eu quero saber se preciso me preocupar com você.

Eu pensei um pouco. Por um lado eu queria ir para casa com a minha mãe, e esquecer que tudo isso tinha acontecido e se eu me remexesse, podia fugir dali rapidinho, afinal, era uma caverna, não devia ser muito grande. Mas por outro lado, eu tinha a maior descoberta da minha vida, metade da minha herança genética estava naquelas pessoas, eu queria conhecê-las, talvez então elas me dessem alguma pista de quem fora meu pai, e porque ele não foi até nós quando transformado em alma.

-Não.

-Promete ser boazinha e não fugir?

-Prometo.

-Vem comigo.

Notas finais
Bom é isso. No próximo capítulo, POV Peg!