O Olhar de Um Inimigo
4 Capítulo 4
POV. Peg
Eu quase não podia acreditar que já faziam 2 anos desde que eu ganhara meu novo corpo, e que descobríramos as outras resistências. Muita coisa havia mudado. O fluxo de ex-almas estava aumentando e novas alas de dormitórios estavam constantemente sendo escavadas.
Assim como Jodi, muitos corpos não puderam ser recuperados, e as almas que compreendiam passeavam por todo o lugar, e povoavam as incursões, e me deixando cada vez mais esperançosa. Deu muito trabalho não fazer fervo com os desaparecimentos, mas estávamos conseguindo. Ás vezes alguma alma não aceitava o que estávamos fazendo, e éramos obrigados à... Bom, o resto já é de se esperar. Esse era o jeito de proteger minha família. O custo.
Naquele dia, eu estava muito preocupada, porque alguma coisa estranha estava acontecendo com o corpo de Pet.
-Peg, você está bem?
Ian perguntou. Em geral, era difícil acordá-lo antes do meio dia. Menos em dia de trabalho, o que era o caso hoje. Escavações de uma nova ala.
-Não muito.
Senti suas mãos enormes me virando, para me fazer olhar para ele.
-O que está acontecendo?
Ele perguntou preocupado, urgente. Seu instinto protetor para comigo só tinha aumentado, e qualquer coisinha o fazia ir ao delírio.
-Calma. Só não estou me sentindo muito bem hoje. Estou meio enjoada.
-Acho melhor você ir ao Doc...
Uma náusea repentina me atingiu e só deu tempo de virar meu rosto para longe do colchão. Ian se recuperou rapidamente do choque do meu vômito, e segurou meu cabelo. Ele limpou minha boca com a ponta do lençol.
-E... Eu tinha razão.
-Engraçadinho. Acho que estou meio doente. Vou só ficar no quarto hoje, acho que amanhã vou estar como nova.
-Acho mesmo melhor você ir ver o Doc.
-Ah, vamos lá, não deve ser nada demais. Acho melhor você ir se aprontar para ir logo para as escavações, e a gente se vê no jantar, tudo bem?
-Não tenho certeza... Não sei se devo deixar você sozinha.
-Pode ficar calmo, vai ficar tudo certo.
Eu tentei sorrir para tranquilizá-lo. Pelo jeito funcionou, ele me deu um abraço e me lançou um olhar terno. Eu adorava aquele olhar. Era o meu olhar. Nunca vi ele usá-lo com ninguém que não fosse comigo, e me fazia pensar sempre, porque? Porque ele me escolheu para me amar? Ele podia ter se apaixonado pela Melanie, mas foi por mim, a lacraia prateada de 10 cm.
Ele se vestiu enquanto me olhava. Eu sorria quando via o quanto ele se preocupava, era tão lindo. Ele beijou a minha testa e saiu. Minha cabeça começara à doer, e eu fechei os olhos para descansar um pouco.
-Peg... — Chamou minha antiga voz — Ainda dormindo? Cadê o Ian?
Não cheguei nem à abrir os olhos, continuei deitada.
-Deve estar nas escavações. Eu não estou muito bem hoje.
-Ahnnn — Eu ouvi os passos dela até parar ao lado do colchão — Como assim? O que é isso no chão?
-Vômito.
-Eca, Peg.
-Eu avisei.
-Você vai ficar bem?
-Claro, já vai passar.
-Mando o Jamie para tapar o buraco com na enfermaria. Depois eu peço para o Doc passar aí.
-Não precisa. Sério.
-Você que sabe. Então eu volto depois.
Passei a tarde toda deitada e por fim a dor de cabeça cedeu. Levantei com dificuldade e fui atrás de um balde e um pano úmido para limpar o vômito do chão. Durante toda a tarde eu fiquei enjoada. Periodicamente eu vomitava no balde. Nada bonito de se ver, por isso agradeci que meu namorado estivesse ocupado.
Ian chegou à noite, exausto.
-Oi Peg.
Saudou com a voz sonolenta, me abraçando.
-Boa noite. Cansado?
Perguntei, sentada ao lado dele.
-Esgotado.- Seu rosto deixou de ser cansado ao olhar para mim e se tornou preocupado. — Estava deitada até agora?
-É.
Admiti, um pouco envergonhada.
-O que é aquele balde ali?
-Seja como for Ian, não olhe dentro dele.
-Você vomitou tudo aquilo?
-Não... Quer dizer... Sim... Ou melhor... Talvez.
-Peg, se não está se sentindo bem, devia me contar — Acho que meus olhos cansados e febris lhe deram a resposta. Ele pegou minha mão e acariciou meu rosto. — Amanhã. Doc. Bem cedinho. Não tente me impedir.
Eu sorri.
-Está bem.
Ele ajeitou-se para deitar-se ao meu lado, eu me deitei também. Fiquei olhando para seus olhos, a minha mistura de neve, safira e meia-noite. Poucas coisas eu considerava minhas de verdade. Peguei-me pensando sem querer em como Ian devia ser quando criança. Kyle e ele deviam colocar a vizinhança abaixo.
Sorri ao pensar na criança de olhos azuis rindo. Algo realmente puro.
-No que está pensando?
Ele perguntou, sorrindo.
-Em você – Respondi – Eu não poderia pensar em outra coisa.
Ele ficou satisfeito e com um beijo na minha testa fechou os olhos e adormeceu, ligando a sua serra elétrica de roncos. Também fechei os olhos e dormi.
Sonhei com duas crianças. Encaravam-me felizes, com olhos safira, meia noite e neve, eram muito parecidas, e não deviam passar dos 5 anos de idade. Eu dei um abraço nas duas e elas riram. Como se eu fosse a melhor coisa que elas nunca haviam visto.
-Peg?
Ouvi Ian me chamando na manhã seguinte.
-Já chamei Doc aqui, mas ele virá daqui a pouco, mas eu preciso ir. Tudo bem?
-Claro – Eu disse com a voz rouca de sono. – Faça o que tem que fazer. Tudo certo comigo.
Ao dizer isso a náusea do dia anterior voltou e com uma pancada me fez sentar rápido o bastante para me deixar tonta e vomitar dentro do balde. Ele segurou meu cabelo e esperou.
-Cesta – Murmurei tentando imitar um locutor de basquete, enquanto eu me embaralhava para limpar a boca com as mãos trêmulas, por fim Ian teve que fazê-lo. – Que desagradável.
Ele me deitou delicadamente, e sentou ao lado do balde sem desviar o olhar de mim o que achei admirável da parte dele porque acho que nenhum humano conseguiria resistir à olhar só para poder fazer uma careta de nojo.-Vou ficar.
Decretou.
-Mas você tem que ir...
-Não vou te deixar sozinha nesse estado...
Tentei bufar sem sucesso.
-Mas que estado? Se Jeb brigar com você...
Seu rosto tornou-se irredutível, e ele se aproximou.
-Está me querendo longe, Peregrina?
Ele perguntou desafiador. Eu peguei a mão dele, não o queria longe. Nunca. A simples menção dessa possibilidade me deixou exasperada.
-Não, por favor, eu nunca disse isso. Só não o quero ver pagando o preço depois.
-Jeb não vai se importar alguns minutinhos.
-Tem certeza?
-Tenho, meu amor.
Ele tentou me beijar, mas eu me afastei.
-Melhor esperar eu escovar os dentes ao menos que queira provar macarrão instantâneo com molho de gases gástricos.
-Hum... Delicioso.
E mesmo com a sujeira (E o vômito) na minha boca, ele me beijou. Porque para ele não importava, meu cheiro, minha aparência, ou meu corpo. Porque ele me amava.
Fale com o autor