Notas iniciais
Esse é o último capítulo que eu tenho finalizado... A partir de agora estou atrasada aqui e no Spirit É um capítulo mais leve e curto, de conexão. Para vermos como os dois queridos estão lidando com esse inicio de relacionamento. Também conhecido como: Como estão fazendo para controlar o fogo no cu. Belle Époque voltou finalmente à história ♥ Saudades de escrever sobre meu bebê. Espero que gostem!

Saga passou cedo pelo prédio de Camus. Embora frio e com uma pequena quantidade de neve caindo, o cavaleiro e o veterinário estavam o aguardando na rua, protegidos por guarda-chuvas. Entraram logo que o carro parou à frente deles, Camus no banco do passageiro e Milo no banco de trás, como sempre.

— Que bom que voltaram bem. — O mais velho comemorou, sorrindo. — Sejam bem vindos de volta.

— Obrigado Saga. — Milo agradeceu, chacoalhando seu guarda-chuva e fechando a porta rápido, para não perder a temperatura agradável de dentro do automóvel. — Como está?

— Como está Belle Époque? — Camus foi direto, entrando e fechando a porta em seguida. Saga rolou os olhos.

— Estou bem também, Camus. — Ele bufou, sabia que o ruivo não fazia por mal, mas não custava tentar melhorar a capacidade social dele. — Muito obrigado por perguntar.

Milo riu no banco de trás. Não é que ele não se importava, apenas estava muito ansioso para saber de seu companheiro. Camus continuava aguardando sua resposta, sem se importar com o drama do mais velho.

— Seu cavalo está ótimo, Camus. — Ao fim, Saga sorriu, sentia falta dele. Olhou para o grego pelo retrovisor. — Provavelmente melhor que o Milo, que cara de cansaço é essa?

Preciso de uma semana para me recuperar das minhas férias de 4 dias. — O grego riu sem graça, não iria contar a maior parte do que havia acontecido na viagem, assim como não contaria que haviam dormido muito pouco na noite anterior também e por isso ele tinha olheiras bem marcadas.

— Milo se saiu bem. — Camus se virou para vê-lo, sorriu. — Achei que não ia sobreviver às duas primeiras festas, mas ficou firme até a última.

— Eu mesmo achei que não daria conta. — O grego riu para o francês.

Saga os observou, com um sorriso de canto, estavam muito mais próximos. Conversaram amenidades pelo caminho, chegando ao centro hípico antes das 8h. Camus foi imediatamente ver seu cavalo, enquanto os veterinários foram para a sala.

— Bem vindo de volta, Milo! — Mime estava sozinho na sala, organizando papeladas quando os loiros chegaram, sorriu para os colegas. — Aproveitou bastante?

— Com certeza! — Ele riu, era bom ser bem recebido em seu local de trabalho.

— Já pode começar a nos contar tudo. — Sorento riu entregando a caneca de café ao grego.

— Infelizmente não posso. — Milo fingiu tristeza. — Tenho um contrato de confidencialidade!

Saiu da sala em seguida, deixando os outros três em duvida se era real ou se ele apenas queria escapar de maiores perguntas. Obviamente não tinha um contrato e sabia o que podia contar ou não, mas não seria agora, precisava ver como o cavalo do ruivo havia passado. Encontrou o francês sentado na baia, fazendo carinho no chanfro do animal que usava sua capa de frio e as ligas de descanso com pano de lã.

— Ei, grand garçon! — Ele chamou a atenção do cavalo que trocou seu cavaleiro pelo recém chegado. Milo o recebeu com carinho e um pedaço de maçã. — Como foi essa semana, hnm?

— Ah, é assim? — Camus fingiu uma indignação. — Só por ele ter trazido comida, você me troca?

— Estava com saudades, não é? — Milo riu, o cavalo deu preferência ao veterinário, não retornando ao cavaleiro para pedir mais agrado. — Sei que eu sou mais legal.

— Ah ta. — O ruivo bufou, mas sorriu em seguida, era tão bom que Milo se desse bem com ele.

O loiro pegou o cabresto do cavalo, colocou-o e os três caminharam tranquilamente até a pista coberta. Poucos cavaleiros montavam nas últimas semanas do ano, então podiam soltar o cavalo para que ele gastasse energia sem problemas com horários.

Os dois se sentaram na arquibancada, observando o cavalo correr de um lado para outro, coiceando o ar e corcoveando, era melhor que ele aproveitasse para fazer isso sem o cavaleiro montado.

— Vou sentir falta de ficar com você o dia todo. — Milo disse, sem presunções, enquanto observava o animal.

— Mas a gente ainda vai ficar o dia todo junto…

— Você entendeu o que eu quis dizer. — Se virou para o ruivo, roubando-lhe um beijo rápido.

— Milô! — Ele afastou o grego, sorrindo com o rosto vermelho, tão lindo. — Podemos só… não ser pegos…

Milo o encarou com descrença, mas com um sorriso no rosto, ele estava mesmo dando a possibilidade de se encontrarem às escondidas pelo haras?

— Não me dê ideias… — O grego aproximou seu rosto do pescoço alvo, as marcas que havia feito ali já haviam desaparecido, deixou que sua respiração quente fizesse o francês arrepiar. — Meu quarto no alojamento é aqui do lado, não seria esforço nenhum te carregar até lá.

Se sentiam como adolescentes, namorando às escondidas, por um lado ridículo, por outro deveras excitante. Camus se inclinou, aproximando o rosto do do grego, mas foi interrompido por barulhos na entrada da pista, voltou a se afastar imediatamente.

— Imaginei que estariam aqui. — Shion entrou de uma vez, não aparentava ter notado nada — Que bom que voltaram.

— É ótimo estar de volta. — Milo sorriu para o treinador, simpático. O francês apenas balançou a cabeça como cumprimento ao mais velho.

O treinador subiu até as arquibancadas e sentou ao lado de Camus o entregando algumas folhas com os planos de treino para as próximas semanas.

— A federação quer você pronto para a prova em Versalhes, então não terá folga nessas duas semanas. — Não estava muito feliz, uma vez que, se Camus não tivesse folga, ele também não teria. — Precisamos ir muito bem nessa prova.

— O restante da equipe vai ter um treinamento intensivo assim também? — Camus analisava os papéis, tinha seu perfil blasé de sempre.

— Bom, eles continuaram treinando enquanto você estava fora. — Shion tentou desconversar, sabia que Camus seria mais cobrado por conta de sua viagem fora de hora.

Milo apenas observava a conversa dos dois, não se intrometeria, não era seu papel, mas o incomodava que os treinos do ruivo tivessem que ser intensificados, ele tinha os melhores resultados do time, quem deveria treinar mais eram os demais.

— Foram 5 dias, Shion, não um mês. — O cavaleiro passou as folhas para Milo, para a surpresa do veterinário, que analisou treino por treino. Sabia que não adiantaria bater de frente com a federação.

— Eles também me mandaram te convencer sobre a prova em Dubai… — O grego notou um receio na voz do mais velho.

— Eles já sabem minha resposta.

Camus se levantou, buscando seu cavalo na pista, nada mais disse, deixando o veterinário e o treinador para trás.

— O que tem a prova em Dubai? — Milo questionou o mais velho assim que o francês deixou a pista.

— Camus não aceita ir a provas em nenhum país onde haja leis contrárias a algum direito humano. — Ele não achava que o cavaleiro estava errado, pelo contrário, nunca se posicionou contra, mas a Federação não enxergava os princípios dele com os mesmos olhos. — Países como os Emirados Árabes, Arabia Saudita, Catar… Todos com provas cada dia mais importantes, mas que ele se nega a ir.

— Não acho que ele vá mudar de opinião. — Milo estava preocupado, porém, ao mesmo tempo se sentia orgulhoso da postura dele.

— Eu sei. — O mais velho suspirou, por mais que achasse correto, é algo que o dava trabalho. — Mas eu que tenho que justificar e conseguir outro cavaleiro para o time.

Saíram da pista juntos, mas o treinador seguiu outro caminho, enquanto o grego voltou para a sala dos veterinários. Ao entrar, entregou os papéis que havia recebido de Camus para seu supervisor, Saga os analisou e suspirou.

— Eles nunca fazem algo sem esperar algo em troca. — Deixou as folhas na mesa, olhando para o grego que estava parado ao lado. — Deixaram que ele saísse, agora querem um resultado em troca.

— Viajamos quase no Natal. Só ele vai montar durante esse período, o restante dos cavalos estão de folga. — Milo não entendia o motivo daquela retaliação, se sentou em sua cadeira — Não quero sobrecarregar o cavalo antes de uma olimpíada.

— Shion é muito cuidadoso nos treinos que monta. — Saga pontuou para tranquilizar o grego. — Ele sempre garante os períodos de folga para recuperação, mas você pode intervir caso ache necessário.

Cavaleiro e veterinário apenas voltaram a se encontrar após o treino, já no meio da tarde. Camus alongava Belle Époque na baia quando o grego chegou.

— Vai me contar qual o problema com a prova em Dubai? — Havia decidido que precisava ser direto com o ruivo, ou apenas iria descobrir as coisas sobre ele pelos outros e embora já soubesse a resposta, queria ouvir a versão dele.

— Uma vez, Afrodite foi impedido de competir, por "apresentar características inadequadas" — Ele seguia sua atividade, sem se voltar para o veterinário. — Eu competi naquela prova pois meu cavalo já estava lá, mas prometi que nunca mais faria isso. Se meu melhor amigo não é bem vindo, eu também não sou.

— Corajoso seu posicionamento. — Milo sorriu, ele realmente era muito justo, extremamente fiel aos seus princípios e amigos.

— Além de que, eu mesmo não sou bem vindo. — Ele fez uma pausa, contando até 10 para liberar o membro posterior do cavalo com o qual fazia um movimento de protração (1), alongando-o para frente. — Eles só não sabem.

— Isso não atrapalha sua posição no ranking?

— Para mim, não faz muita diferença, É só uma prova de descarte. — Ele deu de ombros. — Mas sei que para outros cavaleiros isso é impossível de fazer, cheguei a conversar com o Misty sobre isso. Por mais que ele não se sinta bem em ir, são pontos importantes.

— Legal da sua parte conversar com ele. — Milo sorriu, Camus não era o sem coração que todos diziam. — É bom que ele entenda que você pode ajudá-lo.

— Bom, sou o capitão, não é? — Ele respondeu ao sorriso., por mais que não se desse super bem com o companheiro de equipe, sabia que ajudá-lo era algo positivo para a equipe, como um todo. — É meu papel.

Milo olhou em volta da baia, não parecia ter ninguém no corredor, olhou pela janela: o lado de fora também estava livre. Era sua chance de matar a vontade que o acompanhava desde cedo.

Puxou o francês pela cintura, o aproximando de si. O som dos corpos batendo fez Belle Époque erguer a cabeça em um movimento rápido e murchar as orelhas. Pego de surpresa, Camus não teve tempo de reagir antes de ser puxado para trás do cavalo, que tampava parcialmente a visão de quem estivesse fora da baia.

— Milô! — Se segurou nos braços fortes do veterinário ao perder o equilíbrio e quase cair por conta de um desnível da maravalha. Não ficou bravo, pelo contrário, aquilo era excitante. — Podem nos ver!

— Não tem ninguém no corredor. — O grego respondia, depositando beijos no pescoço do ruivo. — Eu tenho que aproveitar o tempo que tenho com você, daqui a pouco vai embora e eu vou ficar sozinho com meus pensamentos.

O cavalo pateou no lugar, incomodado com a movimentação repentina em seu quarto. Bufou, mas não pareceu incomodar os amantes.

— Pervertido — Camus riu, colando os lábios aos do loiro, em um beijo cheio de desejo, porém rápido, para a infelicidade de ambos. — Tem alguém vindo.

Milo deu a volta no cavalo e o ofereceu um pouco de feno, que ele cheirou mas recusou em seguida, tinha um fardo todo daquilo, não era tão interessante assim para valer guardar o segredo deles.

— Se você nos ajudar, vai ganhar maçã duas vezes por dia. — O grego sussurrou para o garanhão, que o respondeu com uma rabada, riu. Camus balançou a cabeça negativamente, mas com um sorriso sincero no rosto. Viram um dos tratadores passar na frente da baia e seguir para a sala de rações no fim do corredor.

— Vai ser estranho não dormir com você. — Milo sorriu para o francês, se apoiando com os dois braços nas costas do cavalo que tinha a cabeça apoiada no ombro de seu cavaleiro, enquanto recebia carinho no pescoço. Camus suspirou, realmente seria estranho não ter companhia na cama.

A voz grossa do veterinário mais velho pegou os dois de surpresa.

— O que estão fazendo? — Saga cruzou os braços na frente da baia, eles pareciam estar aprontando algo.

— Discutindo protocolos de alongamento. — Milo foi rápido, parecia já ter a resposta pronta para uma situação daquela. Ele passou a mão por toda a coluna do cavalo, fingindo testar algo.

— Sim — Camus passou por baixo do pescoço do animal, indo em direção à porta e deixando Milo para trás. — Estamos indo?

— Sim… — Embora tivesse aceitado, não estava totalmente convencido da resposta. Perguntou se as coisas do francês estavam prontas e ele concordou. — Ok, vamos, quero chegar antes do jantar. Até amanhã, Milo.

O grego acenou e ficou observando os dois se afastarem, suspirou. O cavalo empurrou-lhe o braço com a cabeça, como se cobrasse por algo por ter escondido o segredo deles.

— Duas por dia! Já sei!

Ele deixou as cocheiras e foi direto para seu alojamento. Se sentou em sua cama e passou a digitar algo em seu celular, sabia exatamente com quem queria falar. Não demorou para o telefone começar a vibrar e o contato de Sísifo aparecer na tela.

"Voltou das férias! Que bom!" — O mais velho riu, parecia animado.

— Queria agradecer por ter dado um jeito de me liberarem. — Milo sorriu, era muito bom poder falar sua língua natal novamente, ainda mais que, caso alguém os ouvissem pelas paredes, não entenderiam.

"A maior parte do trabalho foi do Saga, eu só precisei concordar que você merecia folga. Mas e aí? Como foi?"

— Foi… Incrível! — O loiro se jogou na cama. Definitivamente era um adolescente apaixonado, não bastava ficar se pegando com o ruivo às escondidas, também tinha que contar tudo ao melhor amigo. — Foi uma loucura na verdade.

Sabia que podia confiar em Sísifo, então não se preocupou em esconder sobre as drogas e, principalmente, sobre seu relacionamento com Camus. No geral ele apenas ouvia, fazendo alguns comentários rápidos.

"E a ideia de se afastar emocionalmente dele foi para os ares, não é?"

— Você sempre soube que não daria certo. — Milo riu, e ele estava certo o tempo todo. — Eu que estava me iludindo.

"Então o cubo de gelo é bom de cama assim?"

— Porra! — Ele se levantou em um pulo, passando a caminhar de um lado para o outro. — Eu transaria com ele todos os dias, toda hora…!

"Ok! Entendi!" — Ele gargalhou. "Fico feliz que esteja se permitindo, Milo e principalmente, que esteja dando certo. Mas não se esqueça que está aí para trabalhar, e eu não quero ser o chato, mas ele tem uma olimpíada no ano que vem, deve ser o foco principal."

— Eu sei. — Milo ficou sério, olhando a neve cair novamente pela janela. — Ele está treinando muito, o cavalo é incrível. Eu só quero somar, com meu trabalho, ou o ajudando de outras formas, tenho certeza que voltarão com uma medalha.

Continuaram conversando até o sono e cansaço cobrarem seu preço ao mais novo, que mesmo assim, rolou por um tempo na cama antes de conseguir dormir.

A semana foi de muitos treinos e atividades para Camus. A federação queria que ele mostrasse serviço, então faria isso: trabalhava com Belle Époque duas vezes por dia, o treino da manhã era mais leve, maior parte de alongamentos e caminhada, no máximo trote. Já no período da tarde eram os treinos de salto e adestramento, focados. Cavalo e cavaleiro terminaram exaustos.

Todos os dias após o treino da tarde, Milo alongava o cavalo, fazia acupuntura, fisioterapia e reposição de eletrólitos orais. Havia calculado a dieta dele para esses treinos mais intensivos, então o cavalo estava comendo mais ração, também consumia mais feno, já que não podia sair para pastar.

O grego bolou diversos tipos de enriquecimentos ambientais para evitar que o cavalo ficasse estressado por só sair da baia na hora de trabalhar, fossem frutas penduradas, fossem mais bolas de feno, estava empenhado em gastar energia, não só física, mas mental também.

Acabavam com pouco tempo para se encontrarem e, na maioria das vezes, sempre havia alguém junto. Mas Milo sempre conseguia uma brecha para arrastar o cavaleiro para o quarto de selas para matar a saudade.

Era começo da tarde de sábado. Haviam poucos funcionários no centro hípico por conta da proximidade com o natal, que seria dali há dois dias. Todos os cavaleiros que ainda estavam treinando já haviam feito suas obrigações do dia, os tratadores já haviam passado o trato do meio dia para os cavalos que recebiam e, os demais já tinham seus fenos repostos. Apenas Saga e Milo estavam de plantão no hospital, o mais velho ajeitava papeladas de controle para o começo do ano e o grego caminhava pelas cocheiras conferindo os animais e procurando por alguém especificamente.

Camus por sua vez, precisava esperar o veterinário mais velho para voltar para casa, e com isso já havia perdido as contas de quantas vezes arrumou seu quarto de selas, visto a quantidade e validade de todas as suplementações, principalmente: limpado os frascos pois se incomodava com o melado. Ele mesmo havia rastelado a cama de Belle Époque duas vezes e até havia tirado o cavalo para caminhar dentro dos corredores das cocheiras. Seu cavalo já estava cansado do tédio de seu cavaleiro.

Depois de um bom tempo sentado com o animal na baia, o francês resolveu ir até a sala dos veterinários procurar alguém para lhe entreter. Seus olhos focaram o grego que vinha no sentido contrário, ele acelerou suas passadas ao notar o ruivo, que manteve o olhar fixo até ser segurado pelo braço e obrigado a mudar sua rota e continuar junto ao loiro.

— Não tem ninguém além de eu, você, o Saga e os tratadores nesse lugar... — O grego sussurrou como se contasse um segredo de enorme importância. — O alojamento está vazio…

O francês ponderou, era arriscando serem pegos, sim, mas muito menos do que em dias normais. Além de que estava sendo uma tortura ver Milo todos os dias, o dia todo e não poder toca-lo como queria, seria uma boa oportunidade.

Caminharam a passos rápidos até o prédio. Ao entrarem no apartamento do grego, Camus não teve tempo de analisar o cômodo, Milo o empurrou contra a porta, beijando-o com volúpia enquanto a trancava. Após, se concentrou em retirar peças de roupas importantes, como o cinto do francês que foi o primeiro a ir ao chão, seguido pelas meias e culote.

Não teriam muito tempo, então o foco era todo em suprir, mesmo que pouco, a vontade crescente de ter o outro junto a si.

O uniforme do veterinário já havia sido retirado e agora Camus se deliciava em acariciar e marcar o tórax dele por baixo da camisa térmica. Milo por sua vez, beijava e o pescoço do francês, enquanto sua mão se entretinha em acariciar o membro rígido por cima do tecido da roupa íntima.

Ele o conduziu até sua cama, nada comparada ao luxuoso hotel que estavam antes, mas seria o suficiente. Deitou o ruivo, deixando seu corpo se soltar lentamente sobre ele, o fazia ter que se concentrar para conter gemidos mais altos ao roçar sua coxa contra o falo dele, aproveitou uma mão livre para livrá-lo da cueca.

Se levantou para admirar a cena à sua frente: Camus tinha apenas o tórax coberto por roupa, estava deitado com uma das pernas dobradas sobre a cama e a outra esticada tocando o chão, o membro pulsante pedia por atenção, os olhos nublados de desejo estavam fixos em Milo e usava as costas de uma das mãos para abafar os próprios sons.

— Vai ficar só me olhando? — Camus questionou, empurrando seu quadril para a frente e fazendo seu membro tremer, sorriu pervertido ao ver Milo morder o lábio inferior e apertar a própria ereção sobre o tecido da calça jeans.

Nada respondeu, apenas se ajoelhou entre as pernas do francês e tomou-lhe todo o membro com a boca de uma vez, o ruivo não pode evitar um gemido mais alto. Sugava e lambia toda a extensão do membro enquanto lhe acariciava os testículos com uma das mãos e com a outra apertava a coxa firme.

Às vezes, Milo livrava totalmente o falo de sua boca, apenas para poder lambê-lo lentamente e focar em massagear e sugar a glande com os lábios, sentia o cavaleiro tremer de satisfação. Aproveitou uma pausa para livrar seu próprio membro das roupas, sentindo um alívio imediato, mas logo voltou a sua tarefa principal: dar prazer a Camus.

— Eu acho… — O grego voltou ao pescoço do francês, falando bem abaixo do ouvido dele. — Que você deveria ficar de quatro…

— E por que você acha que eu faria isso? — O ruivo arfou ao sentir a respiração quente do outro.

— Pois eu sei que não vai se arrepender… — Milo lambeu o lóbulo da orelha dele e se afastou, dando espaço para que o cavaleiro se posicionasse. A visão que o loiro tinha era maravilhosa: Camus tinha uma das pernas apoiada na cama e a outra no chão, seu quadril estava empinado mais alto do que seu tórax que permanecia próximo ao colchão, os cabelos vermelhos caiam como um rio por cada ombro e a franja cobria parcialmente o rosto claro, mantinha a boca semi-aberta, aguardando pela próxima movimentação do grego.

— Perfeito… — Ele acariciou todo o corpo do ruivo, dando atenção principalmente às nádegas, nas quais depositou diversos beijos e mordidinhas.

Não daria tempo para que Camus se cansasse daquela exposição. Passou a masturba-lo com um rítmo forte e, uma vez ele distraído, foi para seu foco. Aproximou o rosto das nádegas claras, passando a ponta de sua língua ao redor do anus do francês.

— Milô! — Camus se contraiu com a surpresa e o nome do veterinário acabou saindo mais alto do que gostaria. Milo sorriu, mantinha a masturbação, agora adicionando carícias nas costas dele para que relaxasse.

— Shhi… — Voltou a depositar beijos pelo seu caminho de volta. — Só relaxa.

Por mais estranha que fosse a sensação nova, era boa, então o francês se deixou levar. O loiro iniciou o carinho apenas depositando saliva ao redor e, à medida que ele permitia, passava a introduzir sua língua no círculo apertado.

Tomado pelo prazer, agora Camus empurrava sua bunda contra o rosto do grego, na necessidade de intensificar o contato, a língua quente e úmida o estimulava de um modo que não conseguia descrever, e quando associada à masturbação o fazia se perder.

— Eu… não vou aguentar muito, Milô… — Suas falas saiam entre passadas por gemidos que não se preocupava em esconder. — Eu vou gozar…

— Calma… — Ele abandonou o corpo do outro para buscar uma camisinha e lubrificante em alguma gaveta, sob reclamações, claro.

Embora o ânus do francês estivesse lubrificado por sua saliva, nunca era demais. Ele colocou a camisinha e espalhou uma quantidade generosa de gel sobre seu falo. Camus o observava com o canto dos olhos, mordendo os lábios, degustando aquela imagem extremamente sensual.

O grego fez com que ele apoiasse ambas os pés no chão e, flexionando um pouco os joelhos ficava na altura ideal para a penetração. Começou lento, deixando que ele se adaptasse, mas o ruivo estava ansioso, logo começou a rebolar estimulando que ele desse continuidade.

Foi a vez do loiro perder a cabeça, a visão do ruivo completamente exposto, rebolando no seu membro foi de mais. Passou a estocar com mais força, segurando a cintura dele para manter o choque entre os corpos, o som se misturou com o dos gemidos e ocupava completamente o quarto.

Camus estremecia cada vez que o pênis grego tocava sua próstata. Ele mantinha a boca aberta para conseguir ar o suficiente, seu rosto estava completamente vermelho e seu olhos estavam semicerrados, nublados. Em alguns momentos Milo lhe segurava os cabelos, forçando-o a cabeça para trás, permitindo que ele visse a face entorpecida de prazer.

Voltou a massagear o membro do cavaleiro, queria que ele chegasse ao ápice primeiro, o que não demorou muito e, após uma estocada mais funda, o francês se desmanchou nas mãos do grego, com um gemido rouco.

O membro do loiro foi envolvido com força pela musculatura do outro, ele manteve os movimentos por mais algumas estocadas até sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo e ele chegar ao orgasmo. Camus estava totalmente entregue e só se mantinha na posição pois Milo o segurava pelos quadris, quando saiu do interior quente do francês, o loiro permitiu que este desabasse sobre o colchão.

Milo apoiou a cabeça nas costas do francês. A respiração de ambos ainda estava descompassada. Camus tinha os longos cabelos espalhados pela cama, mantinha os olhos fechados e seu rosto estava corado, o grego acariciava a cintura dele, passando as unhas levemente em alguns pontos de ossos mais palpáveis.

Não conversavam, apenas aproveitavam a presença um do outro, recuperando energia. Alguns minutos depois, o celular do grego quebrou a paz que habitava no cômodo com seu toque estridente, Milo cogitou não atender, mas deveria ser Saga procurando por ele.

— Oi. — Ele se levantou a contragosto, atendendo o mais rápido e com a melhor voz possível. — Ah não… Precisei vir ao alojamento buscar uma coisa.

O francês ainda estava deitado, mas agora havia se virado de costas para o colchão e apoiava o tórax em seus cotovelos, seu abdômen formava pequenas elevações musculares, não chegava a ser um tanquinho pois ele não se empenhava na academia com foco nisso. Rolou os olhos e sorriu de lado ao notar o olhar ferino do grego sobre si.

— Ok, estou voltando já. — O loiro ofereceu a mão para ajudar o ruivo a se levantar, mas assim que ele deu impulso, Milo puxou-o para si, colando os corpos. — Não, faz um tempo que não vejo o Camus, não está com o Belle Époque?

Ele desligou olhando para o amante com um sorriso safado.

— Acho que estão nos procurando. — Colou os lábios com os dele, o sabor do ruivo era seu novo vício.

— Sério? Faz um tempo que não te vejo, não tenho ideia de onde está. — Camus riu, sendo acompanhado pelo maior. Se vestiram a contragosto, mas precisavam voltar.

Se repuseram e o grego saiu primeiro do quarto, com Milo prendendo a atenção dos demais na sala dos veterinários, seria mais fácil de Camus voltar às cocheiras como se nada tivesse acontecido.

Pouco depois, o grego entrava pela porta de sua sala. Saga estava digitando algo em seu computador, Mime e Sorento já haviam sido liberados para voltar à capital, era quase natal, afinal.

— Ok, voltei. — Ele se sentou em seu lugar, se virando para o dono da mesa ao lado da sua. — Precisa de mim?

— Está tudo bem? — Saga o olhou com estranheza, parecia… cansado?

— Eu vim correndo do alojamento. — Sorriu sem graça, não queria deixar transparecer que havia feito um esforço físico considerável há alguns minutos.

— Na verdade, queria te convidar. — O mais velho apenas aceitou, não era como se tivessem muito o que fazer, não julgaria se Milo estivesse dormindo em seu quarto. — O amigo de Kanon que sediaria o jantar de natal precisou trocar um plantão, então pensei em fazer algo em casa, sei que você iria ligar para seus pais, mas pode fazer isso lá, sem problemas.

— Seria ótimo! — Milo ficou muito feliz com o convite, por mais que estivesse conformado, não estava feliz em passar o feriado sozinho, além de que havia se dado muito bem com Kanon, seria legal encontrá-lo de novo.

— Pensei em chamar o Camus também, se não se importar. — Saga ficou feliz com a animação do grego e algo lhe dizia que ele não teria problemas na presença do ruivo.

O Francês chegou logo em seguida, com o celular na mão. Fingiu não olhar para o veterinário mais novo, mas mantinha-o dentro dos limites do seu olhar periférico.

— Queria falar comigo? — Simpático como sempre, ele apenas se apoiou na mesa de Mime.

— Sei que não costuma comemorar o natal, mas quer jantar em casa no dia 25? — O mais velho sorriu, cordial. — Seremos eu, Kanon e Milo, sem desconhecidos.

Milo se perguntou o motivo do francês não comemorar o feriado, novamente ele ficava sabendo de algo sobre o ruivo por outras pessoas. Aquilo realmente o incomodava.

— Ah, por que não? — Camus sorriu, dando de ombros. — Eu ia ficar sozinho mesmo. Posso levar vinho e ajudar com a comida.

— Certo então! Venho te buscar próximo às 18 horas no domingo, Milo e passo no seu apartamento umas 19 horas, Camus. — Saga se levantou, ajeitando suas coisas para ir. O grego concordou. — Não temos mais por que ficar aqui, vamos?

O francês acenou, disse apenas que iria ver seu cavalo e pegar suas coisas e o encontrava no estacionamento. Milo aproveitou para se organizar e sair também, após se despedir do supervisor, encontrou Camus com o cavalo na baia.

— Sua chave. — O ruivo o entregou o cartão com o número quatro, percebeu a surpresa do grego ao se lembrar da chave. Riu. — Você já tinha esquecido não é?

— Com certeza. — Sorriu sem graça. Aproximou seu rosto do dele e sussurrou- Te vejo na segunda?

Se despediram com um beijo rápido. Milo ficou observando o francês se afastar, junto com o cavalo que lhe pediu carrinho, era seu humano substituto afinal.

Notas finais
Sumário: (1) Protração: Movimento de alongamento dos músculos de pelve e quadril. Consiste em manter o membro posterior suspenso em direção à cabeça. Faz parte dos alongamentos e mobilizações que devem ser feitos sempre após os treinos, ajudam a evitar lesões e fortalecer musculatura. Enfim, mais um capítulo! Coloquei um lemonzin para deixar mais animado, estava achando um capítulo muito morto, e eu achei que eles estavam merecendo haha. O próximo capítulo vai contar como foi a noite de natal, a noite de ano novo e, a viagem para conhecer um novo membro da equipe, quem será que vem por aí? Estou muito ansiosa para apresenta-lo para vocês!! Espero que tenham gostado! Queria muito agradecer em especial a todos que estão acompanhando e comentando os capítulos, vocês não tem ideia de como eu fico feliz! Como sempre, estou a disposição para duvidas e comentários ♥