O Número um da França
15 Descanso
Notas iniciais
Domingo costumava ser um dia tedioso para Milo. Haviam poucas pessoas no centro hípico federal, no geral, apenas os tratadores e funcionários de plantão. Os veterinários apenas iam em caso de emergência.
O grego costumava dormir até tarde, tomar um bom café da manhã, conferir os cavalos, voltar, estudar e ficar jogando video game no computador até se cansar e dormir novamente. Mas esse, em especial, estava passando extremamente devagar.
Já havia tomado seu café e agora estava deitado novamente, coberto, enviando diversas mensagens para o Camus, que ele sabia que não seriam respondidas. Camus odiava responder mensagens.
Sorriu ao pensar que aquela característica do francês ele havia descoberto sozinho. Eram poucas. Precisavam conversar sobre isso, ele precisava que Camus lhe contasse sobre sua vida, mesmo que aos poucos.
Deixou o celular de lado e passou a observar o teto. Entendia que era um modo do ruivo se proteger de decepções, mas ele não precisava se proteger dele, precisa? Iria embora em breve, seria aquele um "amor de verão" que iria desaparecer em maio? Será que Camus não se abria com ele por medo de tudo acabar?
Suspirou. Porque não perguntar para ele ao invés de criar milhões de teorias? Cobriu os olhos com o braço direito. Cogitou tomar um remédio para voltar a dormir, dormindo não criaria novas perguntas, mas seu pensamento foi interrompido pelo vibrar do aparelho ao lado de seu travesseiro.
Ele deu um pulo, se sentando para ver a mensagem que acabara de chegar, Teria Camus respondido? Mais uma pergunta, mas essa se desfez ao ver o contato de Saga na tela.
"Evento teste em Versailles adiado para a segunda semana de Fevereiro por conta da previsão de fortes chuvas para a região." — Ele havia enviado o link de um comunicado do comitê olímpico.
Voltou a se deitar. Pelo menos teriam mais tempo para treinar, principalmente para o cross country que era impossível de treinar em pistas fechadas porém, adiar o evento teste fazia com que ele ficasse mais próximo de provas internacionais do ranking da FEI, isso poderia ser um problema, os cavalos poderiam ficar muito cansados para a olimpíada. Talvez tivessem que escolher em quais provas ir para poupar a equipe.
Decidiu ligar para seus pais. Eles iriam para a casa de uma tia de Milo no natal, então não sentiriam tanta falta do filho. Conversaram por horas e o grego sentiu o coração apertar quando desligou, sentia falta de casa, mas era diferente de quando estava na graduação, que pensava em voltar todos os dias. Agora não queria voltar.
Rolou na cama algum tempo até resolver se levantar e dar uma volta, vestiu um moletom e saiu. A neve ainda se acumulava, precisava usar suas galochas para chegar às cocheiras. Relaxou ao sentir o calor do prédio abraçar seu corpo ao entrar.
Belle Époque grunhiu ao ver o veterinário se aproximando, balançava a cabeça animado, chamando-o.
— E aí grandão? — Milo acariciou o chanfro do cavalo e o empurrou levemente para trás, para que pudesse abrir a porta e entrar na baia. — Como está nessa manhã nevada?
Sem pesar muito, Milo apalpou os linfonodos, membros e músculos do cavalo, checando se algo estava fora do lugar, era algo quase automático. Retirou um galho de feno preso no rabo escuro do garanhão.
O cavalo o observava com curiosidade e abaixou a cabeça e lateralizou as orelhas ao receber a massagem, em sinal de relaxamento. O veterinário ergueu os cascos, um a um, para tirar possíveis grumos que poderiam o incomodar, mas sabia que não encontraria nada, o tratador de Camus fazia a limpeza do cavalo duas vezes por dia.
— Você rolou na maravalha, não é? — Ele riu ao tirar os resíduos da cama da capa de frio do animal, que se chacoalhou para ajudar no processo. — Será que seu dono se importa se eu sair para caminhar com você?
Milo saiu da baia deixando o cavalo sem entender. Entrou no quarto de selas logo ao lado enquanto apoiava o celular com o ombro direito e pegava um cabresto, a guia e uma capa de frio.
"Oui?" — A voz do francês era embargada e rouca, não parecia nada feliz em atender o telefone.
— Camus? — Sorriu bobamente ao ter sua ligação atendida. — Oi! Está tudo bem! Estava dormindo?
"É domingo, Milo." — Foi só o que respondeu à pergunta do grego. Por mais que não costumasse se deitar ou acordar tarde, às vezes ele se dava esse luxo. — "O que foi?"
— Posso sair com o Belle para dar uma volta? — O grego estava muito mais animado agora, ouvir a voz do francês parecia ter dado uma energia extra para ele. Ficaria o dia todo conversando com ele se pudesse.
"Você não precisa me ligar para fazer isso…" — O final da frase foi abafado como se ele tivesse afundado o rosto no travesseiro.
— Ah, não sei, vai que você não gosta. — Ele riu, já colocando o cabresto no cavalo. — Vou levá-lo com capa, para não sentir frio.
"Você só queria ligar, não é?" — Milo pode ver o riso de canto do ruivo em sua mente.
— Claro! — Fingiu indignação, mas com um largo sorriso no rosto. — Você não responde minhas mensagens!
"Eu não respondo as mensagens de ninguém" — Suspirou, permanecendo em silêncio por um tempo. — "O Saga te mandou? Sobre a prova teste?"
— Sim. — Camus pode ouvir o barulho das ferraduras de seu cavalo no chão de concreto do corredor das cocheiras enquanto Milo o conduzia para fora. — Vamos poder treinar mais, mas talvez fique complicado com as outras provas.
— "Não vou para Dubai, então não vai fazer muita diferença para mim, mas para o resto da equipe pode ser um problema."
— Será no fim de maio, certo? — Seria a última prova que o grego iria acompanhar com o time francês, mas como seu cavaleiro não participaria, ele provavelmente não iria também.
Camus concordou com um resmungo. O silêncio perdurou por algum tempo, ambos apenas ouvindo a respiração um do outro, o que foi quebrado por um grito do loiro com o cavalo.
— Belle, não! — Milo tentou chamar a atenção do cavalo, mas era tarde de mais. — Porra…
"Você está com a guia longa, ele deitou, rolou e molhou toda a capa, não é?" — Camus riu do outro lado da linha. — "Ele adora fazer isso"
— Você conhece seu cavalo incrivelmente bem. — O grego sorriu enquanto o animal se levantava e sacudia. — Sorte que eu coloquei a capa impermeável.
"Você… Quer dormir em casa hoje?" — O francês perguntou de repente. — "Mas tudo bem se…"
— É claro que eu quero, Camus. — Milo não precisou pensar, quanto mais tempo ficasse próximo ao francês, melhor. — Não precisa nem terminar de dizer que se eu quiser ficar no Saga está tudo bem.
"Ah, ok então…" — O silêncio voltou. — "Ah… Você se importa se eu voltar a dormir?"
— É quase meio dia, Camus. — Dessa vez ele estava realmente indignado.
"Novamente, é domingo…" — O ruivo tentou esconder um bocejo. — "E vou ficar acordado até tarde, preciso descansar antes."
— É isso é verdade, muito provavelmente você nem durma… — Milo riu, sabia que ele iria entender a provocação.
"À plus tard, Milô." — Camus desligou deixando o grego sorrindo abobado para o celular.
Ficou observando o cavalo que fuçava a neve procurando por algum vestígio de grama, provavelmente não encontraria nada, mas era uma boa distração. Não se considerava um bom fotógrafo, mas achou que aquele enquadramento daria uma boa foto: O cavalo de pelo escuro e capa azul escura dava contraste com a neve no chão e nas folhas dos pinheiros ao fundo. Chamou o animal para que ele o olhasse e tirou a foto.
Apreciou sua obra, Belle Époque saiu com a cabeça levemente levantada e ambas as orelhas apontando para ele. Decidiu enviar para o cavaleiro, talvez ele gostasse.
Caminhou com o cavalo por quase duas horas, deixando ele controlar o caminho e velocidade. Ao voltarem para a cocheira, limpou e secou os membros e o pescoço, o escovou e trocou a capa impermeável pela de tecido mais quente.
— Bem, de volta em casa. — Milo saiu da baia, virando-se para se despedir, acariciando o chanfro do cavalo. — Até mais, grandão.
O cavalo observou o veterinário se afastar e logo se entreteu com seu feno.
Uma hora antes do combinado com Saga, Milo já estava pronto e sentado em sua cama, olhava ansiosamente para o nada enquanto movimentava a perna esquerda insistentemente.
Vestia a camisa social violeta que ganhara durante a viagem, uma calça jeans preta e o sobretudo, que havia virado peça obrigatória na rotina do grego e seu tênis de sempre. Havia tentado arrumar seu cabelo de diversas formas, mas não se contentou com nenhuma, acabando por deixar do jeito de sempre: solto e bagunçado.
Seu quarto começava a parecer apertado e abafado, andar de um lado para o outro estava o deixando claustrofóbico. Decidiu conferir os cavalos, pelo menos faria algo útil enquanto Saga não chegasse.
Trocou o tênis pelas galochas, carregando o sapato na mão até as cocheiras. nesse horário, só ele e os seguranças deveriam estar no centro. Vários cavalos colocaram a cabeça para fora das baias para ver a origem do barulho que a porta abrindo havia feito, o veterinário conferiu um por um. Fígaro não gostou de ter o sono atrapalhado e murchou as orelhas para o loiro quando ele se aproximou, Ego, sempre mais simpático, aceitou carinho e deu um grande bocejo que fez Milo rir.
Belle Époque não se deu ao trabalho de se levantar, estava confortável. Como sempre, o grego entrou na baia para conferir se tudo ia bem. Cavalos gostam de ter cólica em datas comemorativas. A postura ereta do pescoço, olhos e orelhas alertas em si deixaram Milo mais tranquilo, ele só estava descansando mesmo.
— Será uma noite legal, Belle, mal posso esperar para encontrar o Camus — Ele comentou com o cavalo, enquanto lhe acariciava o chanfro. Colocou a mão em um dos bolsos e retirou meia maçã que havia pego na cozinha mais cedo, entregou para o animal sorrindo. — Feliz Natal Belle Époque.
O cavalo mastigou a fruta e fez um sinal de fleming, esticando o pescoço, erguendo o lábio superior e mostrando os dentes (1). Milo riu da reação, saiu da baia e voltou para a frente dos dormitórios, não demorou para que Saga chegasse.
Conversaram bobagens até chegarem a Orleans, Milo admirava as decorações natalinas nas casas e ruas vazias da cidade, tudo ficava mais bonito com a fina camada de neve que caía lentamente. Estranhou quando o mais velho deu sinal e entrou na garagem de um prédio que, definitivamente, não era o do cavaleiro.
— Não íamos buscar o Camus? — Perguntou tentando não transparecer que ficou ansioso de não vê-lo.
— Camus já chegou. — Saga sorriu, abrindo a porta do carro e o trancando após o grego fechar a porta do carona. — Ele optou por vir com o próprio carro, disse que assim eu não precisaria levá-lo depois.
— Ele veio dirigindo na neve? — A surpresa fez o outro rir. Milo nunca tinha visto o ruivo dirigir, então não tinha realmente uma opinião formada sobre a falta de talento dele, mas levando em conta todo o histórico que haviam o passado, ficou preocupado
— Ele sobreviveu, grego. — O maior deu as costas para o outro, indo em direção ao elevador. Milo podia até tentar disfarçar, mas seus sentimentos para com o cavaleiro estavam estampados na sua cara. — Venha, vamos subir.
Foram recebidos por Kanon que vestia um avental e usava luvas de cozinha. A cabeça do grego ficava levemente confusa de ver os gêmeos lado a lado, mas por mais parecidos que fossem, a personalidade era completamente diferente, enquanto Saga era mais sério e mudava de humor de repente, Kanon era falante e sorridente, mas parecia poder ler sua mente em alguns momentos.
Camus apareceu logo em seguida, usava uma camisa de mangas longas preta, impecavelmente passada, uma calça jeans azul escuro e um tênis também preto, os longos cabelos presos em um rabo de cavalo alto davam cor à combinação. Simples, porém elegante e, na visão do grego, extremamente sensual.
O amplo apartamento tira uma decoração básica de natal, apenas uma grande árvore na sala de visitas, com diversas bolas em vermelho, verde e dourado, e muitas luzes que piscavam em dourado ritmadas. Aquela visão fez o grego sorrir, se sentiu em casa ali.
Enquanto os irmãos discutiam sobre a posição dos pratos na mesa, Milo seguiu o ruivo até a cozinha, a desculpa era ajudar com a comida, mas só queria ficar a sós com ele por um segundo.
— O pato está quase pronto. — O francês abriu o forno para avaliar o assado, o cheiro de castanhas e especiarias inundou o ambiente, em seguida, passou a distribuir a entrada em uma travessa, apoiado na bancada de mármore, de costas para o grego. — Fiz salada de vinhas para a entrada.
— Em que momento você fez isso…- Milo se aproximou das costas dele, apoiando queixo no ombro do menor e observando o que ele fazia. — Se você acordou meio dia?
— É bem rápido de ser feito, e — Camus se virou, ficando perigosamente próximo ao outro. Tinha um sorriso instigante. — Eu não consegui voltar a dormir depois que você me acordou.
Era muito difícil para o loiro ficar tão próximo assim, sua boca implorava pelo gosto do francês. Em um ímpeto, colou os lábios e os corpos com suas mãos na cintura fina, realizando seu desejo por contato. Camus respondeu aprofundando o beijo e segurando os cabelos dourados com força, não era apenas para Milo que a proximidade era tentadora.
O silêncio tomou conta da casa até que eles ouviram duas batidas no batente da porta da cozinha. Se afastaram com um pulo para trás do grego, que ficou estático, com a boca semi-aberta e rosto rosado passou para pálido, parecia ter a necessidade de explicar algo, mas não conseguia formular uma frase. Sua cabeça demorou para diferenciar qual dos gêmeos estava à sua frente, reconheceu Kanon apenas pelo avental.
Camus não gostou de ser interrompido, mas mantinha a fase blasé de sempre e os braços cruzados.
— Se vocês estão tentando esconder algo, precisam se esforçar mais. — Kanon estava apoiado no batente, sorrindo safado, apreciando a face de desespero do grego.
— Kanon… É… — Milo seguia tentando explicar. Ao se deixar levar pela vontade, sabia do risco de serem pegos, mas podia jurar que ouvia os dois falando há poucos segundos.
— Milo, o Kanon sabe. — O ruivo disse simplesmente, ignorando o completo desespero dele, a resposta foi apenas uma face de interrogação do loiro mais novo, o francês deu de ombros e voltou a cuidar da comida. — Ele é meu psiquiatra, sabe tudo sobre mim.
O gêmeo mais novo riu, caminhou tranquilamente até o grego e bagunçou os cabelos dele com a mão. Sabia desde o primeiro dia, de absolutamente tudo. Durante o período que acompanhava Camus, havia tido um relacionamento, mas não foi saudável para o ruivo. Vê-lo se envolver com alguém que realmente se importava era um sinal positivo.
— Fique tranquilo, o segredo de vocês está seguro comigo. — Ele piscou um olho para Milo. Indo em direção ao forno e cutucando o pato com um garfo. — Mas meu irmão não é tão idiota, se querem que ele não sáiba, é melhor não se exporem tanto.
Ele frisou o "tão" com um riso, enquanto o grego voltava a respirar e ter cor. Ele não se importava que outras pessoas soubessem, ele próprio havia contado para Sísifo, afinal.
— Ok… — Milo suspirou e relaxou, fazendo os dois franceses rirem.
— Vou levar a salada e os queijos, Kanon. — O ruivo pegou os pratos, indo em direção a sala como se nada tivesse acontecido. — Poderia trazer o vinho, Milo?
Quando ele chegou à sala, com a garrafa indicada por Kanon e as taças, a mesa estava posta com vários pratos: salada de folhas, a salada de vinhas que Camus havia preparado, diversos queijos, patês e fatias de pães diferentes.
O grego posicionou as taças ao lado dos pratos e o vinho no meio da mesa, sentando-se ao lado do ruivo, de frente para Saga, em seguida. Não demorou para que o gêmeo mais novo se juntasse a eles e todos começassem a comer, beber e conversar animadamente.
Após a entrada, Camus foi buscar o pato, o prato principal. O colocou em uma travessa que decorou com as castanhas que assaram junto à ave e algumas cerejas. Também levou o segundo vinho, que harmonizava com a carne.
Milo se deliciou com a comida, não ficava nada longe do que haviam comido no hotel em Londres, tudo muito saboroso com temperos na medida certa, Camus e Kanon realmente tinham se empenhado no jantar.
Conversavam animados quando o celular do grego passou a tocar insistentemente, eram seus pais. Milo se levantou, pedindo licença aos demais e indo atender o telefone na sala. No meio do caminho ele já falava em sua língua natal, deixando os franceses chocados com a diferença.
Camus sorriu, já havia ouvido o loiro falar sozinho em grego, principalmente quando estava muito concentrado em algo, mas agora estava diferente, ele ria, falava alto e se movimentava muito, visivelmente animado. Podia ver a alegria e o amor que ele tinha ao se comunicar com aquelas pessoas.
— Digam oi! — O grego apontou a câmera do celular para a mesa, onde os franceses seguiam sentados.
— Salut! — Saga e Kanon ergueram as mãos esquerdas, em uma saudação. O gêmeo mais novo, como sempre mais comunicativo e simpático, sorriu aberto, desejou feliz natal às pessoas a quem eram apresentados — Joyeux noël
— Bonsoir. — O mais velho, mais contido, deu um sorriso leve.
Milo parecia descrever cada um deles, apontando para quem era o foco da conversa. Quando voltou a câmera para o cavaleiro, houve um pequeno silêncio, talvez pensasse como descrevê-lo.
Camus corou levemente, mas sorriu e balançou a cabeça. Achava interessante que Milo quisesse compartilhar suas companhias com as pessoas de sua família, definitivamente não é algo que ele faria.
Após falar sobre Camus, uma voz feminina disse algo que deixou o grego quase da cor dos cabelos do cavaleiro, ele virou a câmera de volta para si e ralhou com um “mamá”, uma das poucas palavras que os franceses conseguiram entender. O cavaleiro riu, perguntaria a ele o que havia sido dito depois.
— Ei, Camus. — Kanon chamou a atenção do ruivo para si. — Por que não aproveita e liga para o Hyoga? Faz tempo que não fala com ele, não é?
— Ah, isso! — Saga foi irônico, mas em tom de brincadeira. — Por que não ter duas pessoas falando línguas estranhas na nossa casa?
— Não tenho motivos para ligar para ele hoje. — Camus respondeu ao gêmeo mais novo e mostrou o dedo no meio para o mais velho, que riu, mas apoiou a ideia do seu igual.
— Você não precisa de um motivo para ligar para o seu irmão. — Saga respondeu por Kanon, talvez ele falasse de um modo mais passífico, mas às vezes ser passífico não funcionava com Camus. — Vai logo!
Ele ainda demorou alguns minutos para se levantar, digitar algo no celular e colocá-lo no ouvido. Caminhou até o corredor que dava para a cozinha, aguardando que sua chamada fosse atendida apoiado na parede.
Iniciou uma conversa muito menos animada e emotiva do que a que vinha da sala, pouco depois. Falava em russo com o irmão mais novo, por influência da mãe. Em alguns momentos o cavaleiro até parecia sorrir, mas logo voltava a seu semblante blasé.
— Mande um oi, por nós! — Kanon gritou para o ruivo, que revirou os olhos e virou de costas para a dupla. O gêmeo mais novo riu — Nunca vou me acostumar com isso..
— O que? Ele falando em russo? — Saga riu, já havia passado por situações engraçadas envolvendo a capacidade de Camus de trocar de idioma instantaneamente. — Você desiste quando ele começa a falar em duas línguas ao mesmo tempo.
A disposição fraterna do cavaleiro não durou muito, o fazendo terminar sua conversa antes do outro convidado. Foi recebido à mesa com sorrisos levemente suspeitos.
— O que estavam falando sobre mim?
— Como está seu irmão? — Kanon o ignorou, sabia que se não perguntasse, o cavaleiro não iria entrar no assunto.
— Está bem. — Camus voltou a se sentar, tomando de sua taça que havia ficado abandonada. — Ele está de férias agora, mas retorna dia seis. Já está preparando os documentos para se candidatar às faculdades.
— Sua mãe aceitou que ele vai fazer medicina? — Saga perguntou, realmente interessado.
— Aceitar é uma palavra forte. — O ruivo deu de ombros. Sua mãe insistia para que o irmão fosse engenheiro, assim como o pai, mas se algo ele tinha ensinado ao mais novo, era que não deveria desistir dos seus sonhos para alimentar os dela. — Acho que ela só desistiu.
— E como ela está? — Dessa vez foi o mais novo que perguntou, era um assunto delicado, Kanon não queria explorá-lo de mais ali, aceitaria o que Camus lhe entregasse.
— Hyoga disse que ela fez alguns exames de imagem na última semana, não tiveram os resultados ainda, mas parece estar bem. — Ele sorveu o restante do vinho da taça e se levantou, dando por encerrada a conversa. — Vou buscar a sobremesa.
Camus voltou com o doce no mesmo momento em que Milo chegou à mesa. Ele sorriu aberto para o ruivo, o fazendo corar. O tempo pareceu parar para os dois, só voltando para a realidade quando Kanon fingiu se engasgar repentinamente.
— O que é isso? — Milo tentou mudar o foco, questionando sobre a comida que o cavaleiro trazia.
— Chama-se Bûche de Nöel. — Ele desviou o olhar e colocou o bolo sobre a mesa. Era semelhante a um rocambole, coberto com ganache e lascas de chocolate que o faziam parecer um pedaço de madeira. — A massa é uma génoise, de ovos, açúcar e farinha, e o recheio é de chocolate com damascos.
— É uma sobremesa tradicional. — Saga riu da interrogação que se formou na face do grego perante a descrição do ruivo. — E muito boa! Tem formato de tronco para lembrar a madeira que era queimada nos festivais do solstício de inverno.
Saga se pôs a dividir a sobremesa em diversos pedaços enquanto seu igual colocava as louças para a tal. O grego se deleitou com a primeira garfada, era maravilhoso, como tudo que Camus cozinhava.
— Como está sua família, Milo? — Ele perguntou enquanto servia o próprio prato. O loiro mais novo se obrigou a sair de sua degustação para responder.
— Estão bem! Mandaram feliz natal para todos! — Milo sorriu, após tomar um gole do vinho e garantir que não haveriam pedaços de chocolate em seus dentes. — Meu pai tem se mantido saudável, sem sustos por enquanto.
— O que seu pai tem, Milo? — Foi Kanon que perguntou, mas Camus parecia muito interessado na resposta.
— Ele tem uma doença cardíaca séria. — Seguia sorrindo, mas abaixou os olhos para o prato, analisando seu doce. — Já fez vários exames e tratamentos, mas a princípio apenas um transplante para resolver.
— E como vocês lidam com isso? — Foi Camus quem perguntou, por um segundo, se arrependendo de sua pergunta.
— Ele lida como se não tivesse nada. — O grego voltou a rir, seu sorriso aberto de sempre, o que deixou o ruivo incrédulo: Uma doença grave que poderia tirá-lo seu pai a qualquer momento, e ele sorria? — Minha mãe se preocupa até de mais. Mas meu pai diz que se for viver pelas regras que os médicos impõem a ele, não estará vivendo. Eu me preocupo, claro, então aproveito todo o tempo que tenho com ele para coisas boas.
— Não está errado — O gêmeo mais novo riu. Como psiquiatra, atendia muitos pacientes paliativos, que viviam regrados, às vezes sem prazeres por medo da morte. Mas não seria isso, uma morte em vida? — É congênita?
— Existe a possibilidade, sim. — Ele colocou mais uma garfada na boca após responder e engoliu para continuar. Deu de ombros. — Mas até hoje eu não apresentei nenhuma alteração nos exames, deduzo que esteja tudo bem.
— Mas você faz exames rotineiros, não é? — Novamente o ruivo pareceu se arrepender. Desde quando ele se preocupava tanto com a vida de outra pessoa? Kanon riu baixinho ao notar o desconforto do cavaleiro.
— Ah sim. Exaustivamente. — Milo bufou. — Minha mãe não deixa que meus exames passem de seis meses. Fiz antes de vir para a França e terei que repetir todos assim que voltar.
Seguiram conversando e bebendo vinho por mais um longo tempo. Os mais novos ajudaram os anfitriões a organizar a casa após o fim do jantar. Kanon e Milo, que pareciam se conhecer desde crianças, fizeram uma guerra de espuma enquanto o médico lavava as louças. O que fez Camus confirmar que ambos dividiram o mesmo neurônio e que seguia um padrão de pessoas que gostava de ter perto a si.
Eram mais de três da manhã quando Milo se sentiu sóbrio para dirigir, mesmo com reclamações para que eles passassem a noite ali, optaram por irem para o apartamento de Camus. Conversaram no saguão enquanto esperavam o elevador chegar e os gêmeos ficaram aguardando a porta da caixa de ferro se fechar e os mais novos saírem do campo de visão.
Alguns segundos se passaram antes de Saga se pronunciar.
— Esses dois estão juntos, não é? — Ele se virou para seu gêmeo, mas esse já estava voltando para o interior do apartamento.
— Eu não disse nada, você quem deduziu. — Kanon evitou o outro, indo em direção ao seu quarto, mas teve seu braço segurado pelo mais velho.
— É verdade! Você sabia e não me falou! — O mais velho obrigou o menor a parar. — Foi na viagem, não foi? Eles voltaram muito mais próximos!
— Ilusão a sua de que eu romperia meu sigilo, ainda mais se tratando do Camus. — Encarou o igual, sério. — Se quiser qualquer informação pergunte a eles, sabe que não vai conseguir nada de mim.
— Adoro quando você evoca sua ética. — Saga riu sacana, puxando o outro para mais perto de sim. Kanon não lutou, apenas se deixou levar pelo irmão.
Milo dirigiu lentamente pelas ruas vazias e levemente nevadas de Orleans, até o apartamento do ruivo, com um Camus sonolento tentando o guiar. Por mais que estivesse mais sóbrio, ainda havia ultrapassado o limite de álcool que estava acostumado.
— Se eu soubesse que ia andar tão devagar, teria vindo dirigindo… — O francês bocejou, apoiando a cabeça com a mão. — Vire na próxima à direita…
— Não ia deixar você dirigir bêbado.
— Eu estou muito melhor do que você — Camus era muito mais forte para bebida do que Milo. A verdade é que o grego não estava pronto para saber a verdade sobre a qualidade da direção do outro.
Após algumas tentativas para estacionar, ele subiram para o apartamento do francês, rindo sobre qualquer coisa boba que Milo havia comentado. Quando Camus abriu a porta, Milo sentiu como se entrasse em uma câmara fria, não só pela temperatura baixa do local, mas também pela falta de vida daquele apartamento.
Como sempre, tudo estava muito bem organizado, nada fora do lugar, como se ninguém morasse ali. Havia poucas nuances de cores, não havia sinais da personalidade de Camus.
— O que você tem contra cores mesmo? — O grego já havia passado noites o suficiente ali para não se sentir intimidado por entrar, já foi em direção à cozinha, pegar um copo de água. Se apoiou de costas para a pia para beber do líquido transparente.
— Nada. — Ele riu, seguindo o convidado. — Eu aluguei ele mobiliado, só mantive do mesmo modo que recebi.
— Pelo menos, realça seu cabelo. — O loiro estendeu uma mão ao ruivo, que a aceitou e foi puxado contra o corpo forte. Com os corpos colados, os rostos perigosamente próximos, foi Camus quem tomou a iniciativa do beijo.
O beijo foi calmo e carinhoso por pouco tempo, logo as mãos do grego trataram de querer livrar o menor de sua camisa, assim como a boca deixou os lábios vermelhos para saborear da pele branca do pescoço dele.
Camus suspirou profundo ao ter seu mamilo esquerdo estimulado por baixo da roupa, abraçou o pescoço do outro, colando mais os corpos. Milo era inebriante, mais do que todo o vinho que havia tomado, mais do que toda a vodka que poderia beber, ele o fazia perder o controle incrivelmente rápido.
— Estava com saudade de você. — O loiro disse entre os beijos e mordiscadas no pescoço do francês. Uma de suas mãos desceu, para a bunda redonda dele, a apertando com volúpia. — É muito difícil ficar perto de você e não poder te tocar…
Um gemido foi tudo que Camus conseguiu pronunciar antes de ser erguido pelo grego, o que o obrigou a cruzar suas pernas em volta da cintura dele, podia sentir o membro rígido por baixo da roupa.
Milo não se deu ao trabalho de ir até o quarto, por que não aproveitar de um sofá tão confortável na sala? Sentou o ruivo no móvel e se ajoelhou entre suas pernas, já começava a abrir o zíper dele com suas mãos ágeis.
— Milô… — Camus arfou ao ter seu pênis tocado sobre o tecido da roupa intima. — Não é pecado transar no natal?
O questionamento repentino desconcentrou o grego, o fazendo olhar incrédulo para o francês. Nunca havia parado para pensar nisso, assim como não era muito comum de acontecer, talvez uma ou duas vezes em sua época de faculdade em que não passou o feriado com os pais.
— Levando em conta… — Voltou à missão de livrar o outro de sua cueca. — Que tudo nesse relacionamento é considerado pecado… Eu só não me importo.
Camus riu, havia sido um questionamento real mas não tinha a menor pretensão de parar o que estavam fazendo, queria Milo independente de qual deus se opusesse a isso. Colou seus lábios ao do homem escultural à sua frente, que finalmente concluiu seu objetivo e passou a masturbar o cavaleiro com maestria.
O francês apertava o tecido almofadado abaixo de si com ambas as mãos, ao mesmo tempo que empurrava o quadril contra a massagem que recebia. Tentava manter seu olhar fixo no grego, mas era difícil controlar os estímulos elétricos que percorriam seu corpo e o obrigavam a jogar a cabeça para trás.
— Ah… Ah… Ah! — Ele gritou ao ter seu membro abocanhado. As mãos pálidas passaram a envolver os cabelos dourados, Camus mordia os próprios lábios, em uma tentativa falha de conter seu gemidos.
Milo colocava o membro todo na boca, apenas para voltar o sugando, variava esse movimento com períodos de sucção na glande e lambidas nos testículos do outro. Essa combinação de movimentos, somados ao olhar sensual que os olhos azuis mantinham para si, faziam o francês se contorcer de prazer.
O ruivo passou a estocar a boca do grego, à medida que seu orgasmo se aproximava, sem muito controle de seus movimentos. O loiro não tentava evitar, pelo contrário, auxiliava o movimento apoiando o quadril dele com as mãos. Embora fosse muito difícil não se engasgar, ele se concentrava em dar o máximo de prazer para o cavaleiro e parecia estar conseguindo.
Camus gozou no fundo da garganta de Milo, que não conseguiu conter todo o conteúdo, o fazendo extravasar pelos cantos da boca vermelha pela fricção. O grego permaneceu ajoelhado enquanto recuperava o fôlego, mas o ruivo não lhe deu tanto tempo, ele lambeu seu líquido que escorria pela mandíbula forte do loiro, o fazendo gemer em surpresa e contentamento.
Aproveitando sua posição privilegiada, Camus começou a retirar a camisa do veterinário, botão por botão, mordendo o próprio lábio e mantendo o olhar fixo nos olhos azuis. Milo até tentou o ajudar, mas teve sua mão retirada, a tortura era parte da satisfação. Ele então passou a abrir o zíper de sua calça, se apoiando levemente nos joelhos para facilitar o trabalho do francês e, abaixar sua calça. O membro pulsava implorando por atenção e não passou despercebido, Camus o apertou, fazendo Milo gritar, logo que terminou de livrá-lo da camisa.
Com alguma dificuldade, o maior se levantou e com a ajuda do francês, se desfez de sua calça e cueca. O membro pulsante do grego estava praticamente na altura do rosto do ruivo, e ele não perdeu tempo em tomá-lo com a boca, espalhando sua saliva por toda a extensão do falo.
Milo gemeu, poderia receber esse boquete a noite toda, mas optou por se afastar, a contragosto. Um fio de saliva se formou entre a glande do grego e a boca do francês, que permaneceu entreaberta, como se aguardasse que ele voltasse.
— Eu quero… — O maior puxou o ruivo para junto de si, fazendo os corpos se chocarem. Ele terminou a fala em um sussurro, mantendo a boca imediatamente abaixo da orelha esquerda do outro. — Quero você galopando em mim, como você sabe fazer muito bem.
Camus sentiu todos os pelos de seu corpo arrepiarem com o vapor quente da fala do grego contra sua pele, mas precisou se recuperar rápido para tomar a iniciativa de trocar de lado com ele e empurrá-lo no sofá, com um sorriso de canto no rosto. Milo se deixou cair, apoiando os braços no encosto do sofá, aguardando pelo próximo passo do ruivo.
— Vou te mostrar como é o treinamento de um cavaleiro olímpico… — Mantendo o sorriso, Camus colocou uma perna de cada lado do corpo grego, ficando de frente para ele. O loiro segurou as coxas firmes com ambas as mãos. — Primeiro… começamos com um passo ativo…
Os próximos movimentos do cavaleiro fariam Milo ir à loucura. Camus não se sentou completamente sobre ele, mas o possível para que os membros de ambos roçassem, simulando o movimento do quadril na sela, ele esfregava sua virilha no falo sob si.
O toque contínuo e ritmado fazia ambos arfar. Para manter o movimento, o menor se apoiou nos ombros do loiro, Milo havia sido tomado por uma agradável surpresa ao ter o controle tomado pelo francês, ele se superava a cada instante.
Após alguns segundos, mantidos em uma dança corporal ritmada e intensa, o cavaleiro voltou a se pronunciar, com certa dificuldade e com o rosto muito próximo do a sua frente, ele se esforçava para manter o contato visual.
— Depois, nos preparamos para o trote… — Para infelicidade do grego, Camus se levantou e saiu de seu ponto de visão, instintivamente, a mão forte foi em direção ao próprio falo, iniciando uma masturbação lenta, até que o ruivo voltasse.
O cavaleiro voltou rápido, com um frasco de lubrificante na mão. Se deliciou com a imagem do loiro se estimulando, mas o repreendeu.
— Eu controlo meu cavalo. — Disse firme ao segurar o pulso de Milo, fazendo-o soltar o próprio membro. O maior não questionou, apenas aceitou com um sorriso pervertido. Camus voltou a se sentar sobre o colo dele, despejando uma boa quantidade do gel sobre o falo do maior. Com os dedos, também levou gel até seu anus, massageando sua entrada.
O grego saboreou aquela visão enquanto aguardava o ruivo estar pronto para dar continuidade. Seu pênis pulsava, necessitando por atenção, mas não iria desobedecer o cavaleiro novamente. Era muito bem domado. Sorriu com o pensamento.
— Então… Começamos com um trote elevado reunido. — O francês se apoiou em seus joelhos, e fez com que o grego escorregasse o corpo no sofá, deixando seu ventre mais reto. Ele se posicionou sobre o falo ingurgitado e desceu o quadril lentamente.
Seu rosto, geralmente inexpressivo, não o permitia negar que era desconfortável, mas sabia que a recompensa pela dor era maior. Já estava acostumado a isso. Suspirou pesado ao terminar, esperando alguns segundos para voltar a se mover.
Milo sentiu Camus descer sobre si com o olhar nublado, mordendo o lábio inferior e arqueando as costas, o movimento era totalmente controlado por ele e isso era extremamente satisfatório.
— Primeiro… Mais lento… — O movimento inicial foi mais lento, ele se ergueu, quase retirando o membro de dentro de si e sentou novamente, a partir da aí, foi ganhando velocidade mas mantendo a cadência, como se realmente estivesse trotando em seu cavalo. Aumentava e diminuía a velocidade ao seu bel prazer, vendo o grego arfar e grunhir pelo contato. — Transições de velocidade… Ah…
Ao mesmo tempo, acariciava o tronco nu do loiro sob, acariciando os mamilos e músculos bem definidos. O mordeu algumas vezes como punição por querer movimentar o quadril sem autorização. Estava se divertindo com aquilo. Seu pênis já se mostrava ereto novamente e batia contra o ventre e o abdômen de Milo.
— Que tal, um pouco de trote sentado… — Voltou a colocar o membro todo dentro de si, pressionando seu quadril contra o do grego. Apenas ali ele permitiu que o outro decidisse o ritmo, Milo o estocava enquanto gemia alto, Camus arfava, tentando manter o equilíbrio com os movimentos do grego.
— Caralho Camus… — O grego apertou as nádegas no outro, o empurrando mais contra si. Os fios vermelhos grudam contra a pele clara com o suor, mesmo com a temperatura baixa da casa. O francês tentava se manter pleno, mas sua boca soltava gemidos a cada novo movimento.
De repente, o menor empurrou o quadril do outro, mostrando que seu período de liberdade havia acabado. Ficou sério, os olhos azuis profundos estavam ainda mais descascados pelo vermelho da pele ao redor.
— E agora… — Voltou se se sentar, posicionando o quadril mais para a frente. Falou melodioso, abaixo do ouvido do amante, como se solicitasse a alteração do movimento. — Gaaa… lope.
Milo gemeu ao choque do quadril, Camus fazia movimentos elípticos, indo para trás, para frente e para cima, ritmados em uma velocidade maior, se apoiava nos ombros do grego para conseguir se manter.
O movimento se intensificava, cada vez mais, muitas vezes o francês deixava que o pênis grego saísse totalmente de si, só para se sentar novamente em uma única estocada, como se simulasse um galope sport. O loiro ajudava nos movimentos, apoiando o quadril do mais novo, os rostos permaneciam muito próximos, queriam se beijar, mas a necessidade de ar pelo esforço não permitia que as bocas ficassem fechadas por muito tempo.
A musica sensual do sexo inundava o cômodo, os gemidos descontrolados criavam uma serenata erótica. Milo aproveitava ao máximo, naquela posição, tinha o mínimo de esforço e o máximo de prazer, utilizava as mãos livres para percorrer todo o corpo do francês, cada músculo, cada osso demarcado, estimulando a pele que agora estava quente.
Camus conseguia definir a intensidade das estocadas e os momentos em que sua próstata seria estimulada, embora já não se controlasse mais para manter o teatro que havia criado. Só queria sentir o prazer que o grego podia lhe proporcionar, e assim o fazia. Cada novo estímulo, era seguido por arrepios que percorriam todo seu corpo e se exteriorizam em gemidos despreocupados.
— Camus… eu..! — O loiro não tinha tempo de formular frases, já que cada movimento lhe fazia gemer. Apenas segurou o quadril dele, com força, e o empurrou contra si. O francês entendeu a mensagem, permitindo que se chocassem por uma última vez, gozaram juntos em um gemido alto e conjunto.
Permaneceram naquela posição por algum tempo, tentando normalizar as respirações. Os olhos semi-abertos apenas se desvincularam quando o francês se jogou para a frente para beijar os lábios do grego com volúpia, colou os abdomens sujando ambos com seu sêmem, enquanto permitia que o membro amolecido dele deixasse seu corpo.
— Feliz natal, Camus. — O grego sorriu, abraçando o corpo do menor com um dos braços e tocando-lhe o rosto com a mão direita.
— Feliz natal, Milô. — O ruivo corou com o carinho, desviando o olhar. Seu peito apertou de repente, a lembrança de que logo ele não estaria mais ali voltou e o fez tremer. Não queria pensar nisso agora, queria apenas aproveitar o tempo que tinham. — O que você pretende fazer no ano novo?
Milo apenas riu, colando os lábios novamente. Mudou de posição com o francês, deitando-o no sofá e ficando por cima. Deixou a boca descer para o pescoço albo, demorando ali um tempo e descendo cada vez mais.
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