Notas iniciais
Eu adorei esse capítulo, escrevi com muito carinho e acho que vai cumprir com as expectativas. Camus vai se abrindo aos poucos, à medida que ganha confiança ♥ No fundo ele é só um neném. E finalmente eles voltam para a vida equestre!

Milo divagava observando o rio e a roda gigante pela enorme janela do quarto. Se sentia tão feliz, claro que o incidente com o cavaleiro russo havia sido desconfortável, mas o restante da noite foi agradável ao ponto de não permitir que ele focasse naquilo.

Estava apaixonado, não podia e sequer queria negar. Seus sentimentos eram claros, mas tinha medo que estivessem presos ao evento "A Festa", e que quando voltassem para a França, Camus deixasse de lado o que viveram aqui.

Além disso, voltaria para a Grécia e seu retorno não estava tão longe. Como o francês reagiria a isso? Claro, ele sabia desde o início, mas tudo era diferente agora. Milhares de perguntas sem respostas se formavam na cabeça do loiro. Suspirou, tinha que aproveitar o que tinha naquele momento, o futuro e o modo como o francês agiria não cabiam a ele.

Milo sentiu a presença do ruivo atrás de si, parecia pedir pelo contato, mas não ter certeza se podia. O loiro se antecipou, virando para o menor e tocando-lhe o rosto, o olhar gelado que estava voltado para baixo se cruzou com o azul grego.

— O que foi? — O loiro perguntou baixo, quase um sussurro, enquanto acariciava a bochecha dele com o indicador.

— Não sei dizer… — Ele tocou a mão que o acariciava. — Por que eu sempre preciso te agradecer por tantas coisas?

— Ha! — Milo riu, um riso descontraído, aberto e doce. Na realidade, Camus não precisava agradecer por nada, ele apenas não aceitava ser cuidado. — Eu me esforço para isso.

O francês não respondeu, apenas o encarou com ar de deboche. Ele gostava quando o loiro ria daquele modo, espontâneo, sorrir combinava com ele. No fundo, eram tão diferentes.

— Eu não podia assistir aquele idiota te tratar mal e não fazer nada. Fiz até muito pouco na minha opinião — Milo aproximou seu rosto do do outro. Olhava no fundo dos olhos profundos, não sorria mais. Suas palavras eram sérias, uma seriedade que fez Camus estremecer. — Eu vou cuidar de você, estamos juntos, e isso faz de você extremamente importante.

— Milô… — Tamanha entrega do grego fez o francês recuar, uma tensão era notória em sua face. Não sabia lidar com a intensidade do mais velho e, não se sentia preparado para tal. Em poucas coisas em sua vida havia relutado e Milo era uma delas.

— Não diga nada. — O loiro fechou os olhos, encostando as testas, se permitiu depositar um beijo suave nos lábios vermelhos do ruivo.

Como ele fazia aquilo? Como o deixava tão vulnerável? Era apavorante, mas ao mesmo tempo confortável. Milo criava uma dualidade tão grande em Camus que o deixava confuso, logo ele, tão decidido em tudo. Havia permitido que ele se aproximasse, como o faria se afastar novamente e, principalmente, queria isso?

A boca do grego já deixava um rastro de saliva pelo seu pescoço, enquanto as mãos seguravam firmes sua cintura. Milo era inebriante, duas possibilidades passaram pela cabeça do cavaleiro: A reação, muito adulta, de afastá-lo e sair correndo do quarto até se acalmar, ou se deixar levar pelos seus sentimentos e se permitir todo o prazer que ele podia lhe oferecer. Não precisou pensar muito para optar pela segunda opção.

Quando deu por si, estava semi-desnudo na cama, com o loiro entre suas pernas, tomando sua ereção com a boca. Céus, como ele fazia aquilo bem. Abriu os olhos inebriados pelo prazer e encarou o teto, com a respiração descompassada. Foda-se, queria Milo para si, não iria o afastar e não permitiria que o afastassem de si.

Abriu os olhos, acordado pelo toque do grego que lhe acariciava os cabelos vermelhos com carinho. Sua visão era quase angelical: Milo estava de lado, o observando apoiado no cotovelo, os cabelos dourados desciam como ondas até o colchão, de peito nu e cintura coberta apenas pelo cobertor. Suspirou, se aconchegando no peito dele.

— Eu ficaria aqui a noite toda, mas acho que seus amigos vão sentir sua falta. — O grego abraçou o menor. — O que devo esperar da última festa?

— Músicas famosas cantadas de forma ruim — Camus riu ao se afastar, deitando de costas. — Espero que não se importe em passar vergonha, porque não existe a opção de não cantar.

— Bebidas e drogas liberadas? — O loiro riu, se levantando. Seu corpo foi avaliado pelo francês, haviam diversas marcas avermelhadas e arranhões, sorriu vitorioso. — Preciso saber até que ponto vou me preocupar em passar vergonha.

— Geralmente só bebida. — O ruivo sorriu, dando de ombros. — Mas podemos providenciar o que você quiser.

O último evento da Festa era o mais particular e, também, o que começava mais cedo. Não havia completado 20h quando o grupo chegou ao Lucky Voice, um dos karaokês mais populares da capital. Todos vestiam roupas casuais, exatamente como um grupo de amigos que acabou de terminar uma semana de provas na faculdade e quis sair para relaxar. A única diferença era que o local havia sido fechado exclusivamente para eles e tinha o mínimo de funcionários possível, tudo visando a maior privacidade.

Embora tivessem o local todo para eles, ficariam em um box específico, o maior. Logo que entraram, Afrodite e Saori se entreteram em escolher o que iriam cantar, havia uma playlist enorme com as mais diferentes músicas. Aioria e Matteo foram pedir as comidas, o cardápio escolhido foi pizza, a contragosto do italiano. O restante foi direto adiantar os pedidos das bebidas, a carta de drinks era extensa e eles pediram garrafas de vodka, gin, rum, whisky e tequila, definitivamente, ninguém ficaria sóbrio naquela noite.

Quando todos chegaram ao box, Afrodite e Saori já estavam preparados para começar com a tradicional Dancing Queen, da banda sueca ABBA.

— Vamos lá, Sao! — O sueco estava muito animado, dançando no lugar, a música começou animada, eles seguiam uma coreografia. Começaram cantando juntos — You can dance, you can jive. Having the time of your life! Ooh, see that girl, watch that scene, digging the dancing queen!

O loiro e a morena dividiram as estrofes seguintes e cantavam o refrão juntos, animados do começo ao fim. Os espectadores participavam cantando, comemorando e rindo das poses e brincadeiras deles durante a apresentação.

Milo estava achando aquilo muito divertido, realmente se sentia de volta à faculdade, saindo para curtir sem preocupações. Camus estava relaxado, por enquanto, cantando baixo, calma que deixava o grego mais tranquilo.

Ao descer do pequeno palco, o sueco brindou com o francês com uma dose de vodka, eles sozinhos tomariam aquela garrafa toda sem problemas. Aioria virou uma dose de whisky antes da sua vez, ele e Marin cantariam o icônico dueto de Troy e Gabriella, Breaking Free, de High School Musical.

— Clichê hein, Aioria? — Matteo questionou o amigo enquanto se servia de uma dose de tequila.

— O que são os karaokês, se não um compilado de músicas clichês? — O leonino respondeu no microfone, enquanto Marin iniciava a música. — We're soaring, flying. There's not a star in heaven that we can't reach…

Dividiram o palco com maestria, ambos se empenharam na coreografia, como se tivessem assistido ao filme infinitas vezes. Cantar bem não era exatamente um requisito, mas se divertiam e isso que importava.

— Can you feel it building? — Aioria repetiu até o moonwalk que o personagem de Zac Efron fazia no filme, todos o ovacionaram.

— You know the world can see us. — Terminaram com as últimas frases, com uma troca de olhares de extrema cumplicidade. — In a way that's different than who we are…

Terminaram com uma reverência e muitos aplausos.

Camus bebeu mais uma dose de vodka antes de ocupar seu lugar no palco e receber o microfone da inglesa. Milo estava pessoalmente ansioso pela apresentação do francês, esperava que ele ficasse tímido e retraído, mas se surpreendeu assim que ele começou a cantar: Uma versão de Comment te Dire, da banda francesa KYO.

— Prisonnier de ton enchantement… — Ele estendeu a nota mais longa com tamanha facilidade, que deixou o grego boquiaberto.- On fait l'affaire de nos sentiments…!

A voz do ruivo era melodiosa, não destoava em nenhum tom e, embora um pouco mais grossa, seguia a mesma vibração da do cantor original. Camus sorriu pela face de surpresa do loiro, era satisfatório surpreendê-lo. A música tinha o começo da cada verso em um tom mais baixo, com aumento no final, o que carecia de um bom controle da respiração, coisa com a qual o cavaleiro não tinha dificuldade.

Ele não dançava, mas a energia que usava para contar prendia a atenção dos amigos que assistiam, cada palavra cantada carregava emoção e parecia querer dizer muito mais do que era pronunciado.

— Mais comment te dire… — No refrão, ele fechou os olhos azuis e segurou o microfone mais próximo a si. — Le mots ne viennent pas.

— Mais laisse-moi te dire… En amour on n'sait rien…! — Ele sustentou a última nota, sorrindo para o grego que seguia incrédulo — On n'sait rien…

Ele voltou ao sofá sob muitas comemorações, já enchendo seu copo novamente com o líquido alcoólico transparente.

— Camus segue nos humilhando cantando em francês. — Aioria riu, jogando uma almofada no ruivo, que a segurou com uma das mãos, devolvendo-a direto na cara do leonino.

— Não tenho culpa que falo a língua mais charmosa de todas. — Ele deu de ombros, mantendo o queixo erguido, orgulhoso.

Milo estava tão extasiado que não sabia ao certo o que dizer, Camus se mostrava cada dia mais impressionante. Enquanto Afrodite decidia o que iria cantar, junto de Marin e Saori, o grego pegou um pedaço da pizza que acabara de chegar, oferecendo ao francês, que sorriu em agradecimento.

— Não sabia que cantava tão bem. — Ele voltou a se sentar ao lado do ruivo.

— Você nunca me perguntou. — Camus respondeu após engolir, não a resposta que Milo queria, mas não a julgava errada.

— Não tinha tido um motivo para essa pergunta. — Foi a vez do grego dar de ombros.

— Fico feliz que tenha gostado. — Ele sorriu por fim, abaixando o rosto, levemente avermelhado, o loiro não soube dizer se por conta da bebida ou por realmente ter ficado encabulado.

O trio que estava no palco cantou It's Raining Men com coreografia e tudo, o que gerou muitas gargalhadas. Todos já estavam embriagados, Camus e Afrodite já tinham pedido a segunda garrafa de vodka e Milo havia pedido a conta de quantas doses de whisky ele e Aioria já haviam brindado.

— Milo! — Em um pulo, o Leonino se virou para o grego. — Você sabe a coreografia de Bye, bye, bye?

— Ah… sei! — O loiro pensou por alguns segundos e se levantou com uma animação que ele próprio não sabia de onde tinha vindo.

— Então vamos! — Matteo também se levantou.

Eles se organizaram no palco, com Aioria na frente, Milo à sua esquerda e Matteo à direita. No início da música, os três cantavam, sem muitos movimentos, mas ao chegar na introdução ao refrão, o verdadeiro show começou.

— I know that I can't take no more… — Os três fizeram um movimento amplo, jogando braço e perna direita para o mesmo lado, voltando para a posição inicial em seguida e fazendo movimentos com os ombros, tudo completamente dessincronizado.

Os espectadores riam e batiam palmas pela performance que não fazia jus ao talento da 'NSYNC. Enquanto Aioria fazia movimentos para a esquerda, Milo fazia os mesmos movimentos para o lado contrário, Matteo se perdia e acabava trombando nos outros dois, tornando tudo um caos muito divertido. Pelo menos a parte que correspondia ao "Bye, bye, bye" eles conseguiram sincronizar.

Terminaram exaustos por conta da coreografia errática, mas muito felizes e levemente mais zonzos, já que se empenharam nos movimentos de cabeça da dança.

— Isso foi horrível de tantas formas… — Afrodite gargalhava. — Que se tornou maravilhoso!

— Vou guardar esse vídeo com muito carinho. — Seiya riu animado, enviando o vídeo constrangedor para a namorada imediatamente.

— Eu acho que temos talento. — Aioria bebeu algo que ele não se importava mais. — Alguns treinos e seremos a nova BoyBand.

— Como dançarino, você é um excelente cavaleiro, Aioria. — Camus balançou a cabeça, limpando lágrimas causadas pelo riso.

Muitas conversas e mais algumas músicas depois, Milo tomou a iniciativa para convidar o francês a cantar com ele, escolheram "Too Sweet" de Hozier, não tão romântica para deixar o ruivo encabulado, mas mais carinhosa do que outras opções de duetos.

— Não me responsabilizo por estragar sua harmonia, ok? — Milo riu ao pegar o microfone e dar início à introdução da música.

— Você já faz isso. — Camus riu, a resposta deixou o outro levemente sem graça, mas ele não teve tempo para pensar, sua parte iria começar.

— It can't be said I'm an early bird… It's ten o'clock before I say a word… — Milo utilizou de toda sua sensualidade nessa música, jogou a franja para trás após o primeiro verso, como se acabasse de acordar e esticou os braços, sem perder o contato visual com o francês. — Baby, I can never tell… How do you sleep so well?

Milo cantaria a parte inicial, até antes do primeiro refrão. Ao chegar no pré refrão, quando cantou "If you're drunk on life, babe, I think it's great. But while in this world…", ele segurou a mão do ruivo e o puxou para si, o apoiando pela cintura e colando os corpos, enquanto cantavam o refrão juntos.

— I think I'll take my whiskey neat. My coffee black and my bed at three.. — A foz grossa de Camus parecia completar o tom sensual do grego. Enquanto cantavam, se esqueceram que eram observados, estavam presos em seu próprio mundo, se divertindo juntos. — You're too sweet for me… You're too sweet for me…!

A segunda parte da canção era papel do francês, que se livrou do abraço grego e se afastou, virando de costas para ele. Pegou todos de surpresa ao adaptar a letra original para sua língua natal em tempo real.

— Je vise bas… Je vise juste, et c'est là que je tombe. — Virou levemente o rosto para ver a expressão de Milo, que sorriu abobado. Afrodite, Saori e Marim gritaram, aplaudiram e assobiaram quando ele começou sua própria versão. — Je travaille jusqu'à tard, loin du bruit, et la tâche est accomplie…

Alguns versos eram ditos em ritmos um pouco diferentes para comportar todas as palavras, mas a adaptação do ruivo era perfeita.

— Tu sais que tu es lumineuse comme le matin, douce comme la pluie. Jolie comme une vigne, douce comme un raisin… — Ele se voltou para o grego, tinha um olhar instigante, novamente se aproximava, com passos compassados. — Si tu peux t'asseoir dans un tonneau, peut-être que j'attendrai. Jusqu'à ce jour…

Ao dizer as últimas palavras, Camus virou-se repentinamente, fazendo seus longos fios vermelhos dançarem, alguns fios passaram pelos dedos do loiro que havia esticado sua mão na ideia de recebê-lo. Milo sorriu, ele era tão incrível, se esqueceu de continuar e deixou que o francês cantasse o refrão.

— Je préfère mon whisky pur… Mon café noir et mon lit à trois heures. — Camus tocou o rosto do grego, uma tentativa de tirá-lo do transe que entrou, mantinha o sorriso, se divertindo. — Tu es trop douce pour moi… Tu es trop douce pour moi.

— I take my whiskey neat… My coffee black and my bed at three — Milo poderia contar em francês, mas não estragaria a magia daquele momento. Também pensou em cantar o refrão em grego, mas sabia que sua língua não era tão sonora nem quanto a original. Riu por um segundo.

— Tu es trop douce pour moi… Tu es trop douce pour moi. — Camus completou, mantendo a última nota e emendando o coro da canção original.

— Whoa, oh-oh… ! — Fizeram o coro juntos, com os rostos próximos e olhares fixos um no outro.

— Je prends mon whisky pour… Mon café noir et mon lit à trois heures. — O último refrão foi trocado, com o francês começando e sendo terminado pelo grego.

— You're too sweet for me…! You're too sweet for me… — Ao terminar, Milo não resistiu a roubar um beijo do ruivo, que sorriu com surpresa e correspondeu com um beijo carinhoso. Corou levemente ao se voltar para os amigos depois.

Em uma votação unânime, decidiram que aquela havia sido a melhor apresentação da noite. Ainda cantaram outras músicas e beberam mais, antes de deixar o local próximo às quatro horas da manhã.

Acordaram cedo para o café, Camus e Milo haviam comprado suas passagem com antecedência e retornaram a Paris antes do almoço, levando em conta o fuso horário, deveriam sair até às 11 horas para chegar antes das 15h. Kanon estaria os esperando na estação.

Desciam pelo elevador sem conversar, apenas existindo. Milo não tinha certeza como haviam voltado para o hotel, em sua memória haviam fleches em que tomava banho com o francês, o masturbava e chegavam ao orgasmo juntos, depois acordaram nus na cama. Sua cabeça doía pela mistura de várias bebidas e pelo cansaço, que vinha se acumulando, um lado dele queria muito voltar para casa mas o outro estava gostando muito desse tempo sem maiores responsabilidades.

O café da manhã foi um tanto melancólico e nostálgico, Camus gostava muito de ficar com seus amigos e, agora só veria Aioria e Saori na prova teste dali à um mês, em Versailles, e depois apenas na Olimpíada. No fundo ninguém queria voltar à rotina. Aproveitaram para conversar amenidades pelo tempo que tinham, falaram sobre as expectativas para a olimpíada de Paris e o que fariam nos dias que estariam na cidade luz. Milo os achou muito animados, acabaram de terminar uma maratona de festas e já estavam pensando nas próximas.

Antes de se despedirem de todos, Afrodite chamou o francês para uma conversa mais privada. Aproveitou algumas conversas paralelas para tirar o amigo do círculo, o que não fugiu aos olhos atentos de Milo.

— Camie. — O sueco abraçou o amigo, que retribuiu, algo raro para ele. — Faz um tempo que você não fala sobre sua família… Como está sua mãe e seu irmão?

— Ah, não tenho falado muito com minha mãe… — Camus desviou o olhar, não gostava daquele assunto. — Sei que Hyoga está bem, está estudando bastante.

— Eu sei dos seus problemas com sua mãe. — O loiro segurou o rosto do amigo, o obrigando a olhar para os olhos azuis claríssimos. — Mas você não pode deixar todo o peso de cuidar dela para o seu irmão, ele é uma criança.

— Achei que ia falar sobre o Milo, e não sobre minha mãe. — Camus desconversou, era algo dele, evair quando tocado em uma ferida. Para muitos parecia que ele não se importava, mas a verdade é que só queria evitar o desconforto.

— Não tenho o que falar do Milo. — Afrodite riu. — Ele é bonito, inteligente, gosta de você, gosta do seu cavalo, te apoia, e principalmente, não parece estar com você por interesse. É só você não fazer nenhuma merda e o afastar que está tudo bem.

Camus bufou, não era como se o fim de seus outros relacionamentos tivessem sido sua culpa. Ao fim concordou, se Afrodite gostava do grego, era mais um ponto positivo para investir.

— Esteja avisado que seu irmão tem meu telefone, se você não o socorrer, eu vou te infernizar para sempre, mais do que já faço — Voltando ao assunto inicial, o loiro cutucou o peito do francês com o indicador. — Você sabe que é real.

Milo se aproximou dos amigos para avisar que o carro que os levaria à estação havia chegado. Novamente o sueco abraçou o ruivo com carinho, dizendo mais algumas palavras para ele, depois abraçou o grego.

— Eu gosto de você, Milo. — Ele sorriu, um belo e simpático sorriso aberto. — Não faça merda.

A feição do sueco não mudou, seguia com o sorriso, que agora parecia mais para diabólico. Milo apenas concordou, sem graça. Se despediram de todos e rumaram para a estação.

A viagem de duas horas foi tranquila, ambos dormiram a maior parte do caminho, Milo apoiou a cabeça no ombro de Camus, que apoiou sua cabeça na dele, acordaram quando a chegada na estação Gare du Nord foi anunciada.

Kanon os esperava apoiado no carro. Vestia um moletom escrito "J'aime Paris", uma calça jeans escura folgada, um tênis de corrida e um óculos escuro, um perfeito estilo de turista.

— Espero que estejam preparados. — Ele sorria radiante, muito mais animado do que os dois que acabavam de chegar. — Organizei paradas no Jardin du Luxembourg, na pirâmide do Louvre, no Jardin des Tuileries, na Place de la Concorde e por fim, na Champ-de-Mars.

Os mais novos se entreolharam, ainda estavam sonolentos, Camus entendeu primeiro e sorriu, aguardando a ficha de Milo cair, ele demorou um pouco mais para entender.

— É sério?! — A feição do grego foi de dúvida para alegria extrema em poucos segundos, ele abraçou o ruivo que apenas riu. — Vamos conhecer Paris!

— Vai ser um tour curto, infelizmente. — Kanon riu da alegria espontânea dele, seria ótimo para Camus se relacionar com alguém mais passional. — Mas os lugares mais famosos, sim.

Camus se sentou ao lado do motorista e Milo ficou com o banco de trás, para ter visão ambos os lados das ruas, parecia uma criança animada para conhecer tudo, se esqueceu do cansaço da viagem.

Passaram na frente da imponente Ópera Garnier, Kanon deu uma volta ao quarteirão para que o visitante pudesse contemplar todos os ângulos do prédio centenário.

— A Ópera Garnier é uma das localizações da Ópera de Paris, o prédio tem estilo neobarroco e foi inaugurado em 1975. — Camus contava com detalhes a história do prédio, o que deixou Milo admirado — para variar. — Foi projetada durante a reforma urbana de Paris, durante o segundo império de Napoleão III, como um modo de modernizar a cidade. Hoje ela abriga também uma biblioteca.

Continuaram o caminho passando por trás do Museu do Louvre, como ainda não era a parada, Karon apenas avisou onde estavam para que o grego se atentasse para o grande palácio à sua direita.

— Vamos passar pela Île de la Cité, você poderá ver Notre-Dame à sua esquerda. — Kanon em uma vaga rápida para olharem a catedral, mesmo em reforma.

— A Cathedrale Notre-Dame tem estilo predominantemente gótico, foi finalizada em 1345, tendo como base uma igreja romana, parte da estrutura anterior foi preservada, o que deu um ar mais leve à estrutura gótica, com janelas altas e vitrais coloridos. — Camus suspirou quando o conterrâneo voltou a se movimentar, saindo da île. — Está fechada desde o incêndio de 2019, esperávamos que ela fosse reaberta antes da olimpíada, mas não irá acontecer.

Milo observou o prédio coberto por andaimes e lonas, as populações de países que têm muito apego a sua história, como a Grécia e a França, costumam sofrer quando algum dano importante como aquele. Seguiram o caminho para o Panteon.

— O Panthéon tem estilo neoclássico e bem, você sabe a função de um panteão. — O ruivo riu. — Inicialmente seria uma igreja, mas durante a revolução francesa decidiram utilizá-lo para homenagear grandes nomes. Sua fachada é decorada por um pórtico com colunas de estilo coríntio e um frontão triangular, além disso possui uma cúpula tripla de incríveis 83 metros de altura.

— Uau. — Milo admirou a estrutura pela janela — Eu imagino que nossos templos tenham sido algo parecido com isso quando estavam inteiros.

— Com exceção da cúpula, provavelmente. — Camus completou. — Aqui estão sepultadas 67 pessoas, dentre elas Alexandre Dumas, Marie e Pierre Curie, Victor Hugo e Voltaire. Está em um dos bairros mais antigos da capital, há diversos edifícios importantes ao redor, como a Université Paris-Sorbonne…

— Saudades? — Kanon interrompeu o conterrâneo, olhando para ele com um sorriso.

— Nem um pouco. — O ruivo respondeu com seu ar blasé.

— Você estudou na Sorbonne? — Milo questionou, não sabia quase nada sobre a história de Camus, isso o incomodava. Eles estacionaram e desceram do carro para visitar os belos Jardin du Luxembourg.

— Sou graduado em História da Arte e Arquitetura Francesa. — Ele sorriu sem graça. Todas as escrições muito bem detalhadas dos prédios por onde passaram fizeram sentido na cabeça do grego. — Não uso meu diploma para muita coisa na vida, além de servir de guia turístico.

— Um excelente guia turístico, diga-se de passagem. — Kanon deu dois tapinhas no ombro do cavaleiro. Sabia que Milo perguntaria mais sobre o passado de Camus e também sabia que não era o momento, decidiu por mudar o foco da conversa. — O que tem para nos contar sobre esse parque?

Caminharam por uma extensão do local, que era muito grande para ser visitado inteiro em um único dia. Por estarem no inverno, a maior parte das árvores estavam sem folhas e não haviam flores, mas a neve branca dava um ar diferenciado para aquele local.

Kanon carregava uma câmera fotográfica consigo, fotografia e natação eram seus modos de escapar do estresse do trabalho. Diversas vezes parava para fotografar algo que achava interessante, assim como, o casal que caminhava consigo. Estava se divertindo em capturar as expressões do visitante grego e o modo como o francês lidava com elas.

— Hoje os jardins são sede do Parlamento Francês, mas foi construído em 1611 por ordem de Maria de Médicis, viúva de Henrique IV, para recriar o palácio e os jardins que vivia quando criança, em Florença. — Camus apontou para as diversas árvores presentes. — Todas essas são Ulmeiros, mais de 2 mil foram plantadas aqui.

— Recomendo visitá-lo no verão ou primavera. — Kanon comentou. — Geralmente fica lotado de pessoas tomando sol e crianças brincando nas fontes.

Caminharam por quase meia hora, com Camus descrevendo e contando a história de várias estátuas do local, assim como da imponente Fontaine Médicis. Retornaram ao carro para dar continuidade ao cronograma feito pelo mais velho, a próxima parada era o Museu do Louvre.

Estacionaram no meio do caminho entre o museu e a place de la concorde, fariam o caminho à pé.

— O famoso Louvre. — Camus suspirou ao pararem em frente ao palácio. — Foi originalmente um Castelo, no reinado de Filipe II, e onde viveram grandes monarcas. Mas em 1682, Luis XIV decidiu se mudar para Versailles e manteve o palácio para expor a coleção real.

— Durante a revolução foi decidido que ele iria abrigar todas as obras primas do país e hoje é o maior museu de arte do mundo — Foi Kanon que completou, rindo da estranheza do veterinário em seguida — Já tive essa aula. Precisamos marcar um dia para você visitá-lo.

— Ah não, está tudo bem. — A resposta do grego foi como um balde de água fria nos dois franceses. Ele parecia muito tranquilo para ser uma brincadeira- Eu conheço todas as obras que vocês trouxeram do meu país, mas até que seria legal conhecê-las pessoalmente.

— Isso foi inesperado. — Kanon olhou para o cavaleiro que também não tinha reação.

— Eu não sei nem como argumentar. — Camus riu, pensando por alguns segundos. — Em nossa defesa, tem muitas outras obras além das gregas.

— Ah, é verdade. — O grego colocou a mão no queixo, fingindo pensar. — Vocês roubaram de outros lugares também.

A indignação de Camus foi palpável, mas logo ele aceitou, não podia dizer que Milo estava errado.

— Pois eu aguardo ansiosamente o dia em que você me dará aula sobre as obras do seu país expostas aqui. — O olhar do ruivo era de embate, sabia que Milo não conseguiria sobrepuja-lo naquele assunto, mas iria fazê-lo tentar.

— Pois você terá. — O grego se aproximou do francês, inflando o peito e o encarando de perto, mantinha os olhos fixos, em um aceite da disputa que lhe era oferecida. Kanon rolou os olhos e suspirou, jovens.

— Ok, próxima parada: Jardin des Tuileries.

Cruzaram todo o parque que, por conta do frio, não estava tão movimentado. Ao chegarem ao Bassin octagonal, o maior lago do jardim, Camus parou de repente, fazendo os dois loiros se virarem para trás preocupados, ele olhava para o nada.

— Camus… — Kanon foi até ele, seguido imediatamente pelo grego, crises de ausência não costumam ser comuns para ele. — O que houve?

— Aqui… — Ele respirou fundo, parecia ansioso — Aqui ficará a Pira Olímpica… A pira que eu irei acender.

Os dois loiros sorriam, mais tranquilos. Sim, era um baita feito, ele precisava se orgulhar e se emocionar com aquilo. Ficaram encarando o lago por um tempo, depois seguiram caminho para place de la concorde.

— A Place de La Concorde. — Camus sorriu sarcástico ao pisar naquele local tão importante para seu país. Apontou para o centro do local aberto. — Alí, havia uma estátua de Luís XV.

— Durante a revolução, obviamente. — Kanon voltou a contar a sua versão da história, com um sorriso satisfeito. A real é que os franceses têm muito orgulho de sua história revolucionária.- Eles derrubaram a estátua e colocaram uma guilhotina no lugar, muitos monarcas e nobres mesquinhos morreram aqui.

— Em 1833, um dos poucos reis que sobraram, achou que era uma boa ideia colocar esse obelisco no meio da praça. — O ruivo disse com leve desdém.

— Pois é, poderia estar no país dele. — Milo sorriu sarcástico, olhando para o francês que balançou a cabeça em negação.

— Foi um presente. É desrespeitoso devolver. — Camus respondeu rindo.

Fizeram o caminho de volta, a próxima parada seria o Arc du Triomphe. Durante todo o percurso, a partir do momento que foi possível identificar a torre Eiffel no horizonte, Milo parecia encantado, sempre procurando pela antiga torre de rádio, estava cada vez mais perto dela.

Atravessaram a ponte Alexandre III, e Camus explicou sobre os estilos arquitetônicos e as diversas estátuas, por ser uma homenagem à aliança Franco-russa de 1892, havia uma ponte semelhante em São Petersburgo.

Entraram na Champs Elysées para ter acesso à praça Charles de Gaulle, onde o arco se erguia imponente. Deram várias voltas por ele, até que Camus terminasse seus comentários sobre o monumento em estilo neoclássico, de 50 metros de altura, construído para comemorar as vitórias de Napoleão.

A última parada era a mais esperada. Estacionaram meio do Champ de Mars, para contemplar os jardins aos pés da Torre Eiffel. Com a câmera em mãos, o mais velho se aproveita de momentos particulares entre os mais novos, como quando Milo passou a puxar Camus em direção ao seu objeto de desejo, mesmo a contragosto do ruivo, ou a realização dele ao ficar abaixo do monumento, ou Camus mostrando os arcos olímpicos já colocados na torre para o outro.

O sol começava a se pôr.

Milo estava extasiado, desde sua primeira vinda à França esperava conhecer o monumento mais famoso do país, fazer isso ao lado de Camus deixou o momento ainda melhor.

O francês lhe contou toda a história da torre, de sua idealização por engenheiros que trabalharam para Eiffel, até a construção e inauguração em 1889, na comemoração do centenário da revolução francesa. Comentou sobre a estrutura em ferro, com inspiração na Art Nouveau e todas as características desse estilo artístico.

— Imagine que, depois de 20 anos de sua construção, ela deveria ter sido desmontada. — Camus sorriu ao observar a torre e depois o olhar de indignação do loiro. — Mas ela se provou útil, então mantiveram. Atualmente ninguém se importa se ela é uma torre de rádio ou não.

— E aí? Vamos subir ou você só quer vê-la de baixo? O médico se aproximou dos dois, com tíquetes em mãos.

Milo só faltava pular de alegria. Animação que foi diminuindo à medida que o elevador subia, a cada metro, o grego ficava mais próximo à parede da caixa de ferro. Camus e Kanon conversavam animadamente e saíram assim que a porta se abriu, ainda no segundo andar, para pegarem o outro elevador que iria até o topo.

— Milô…? Vamos — O ruivo o chamou, estendendo-lhe a mão, seu sorriso passou segurança para ele, mas durou pouco.

Desembarcaram no último andar, a visão da cidade luz ao pôr do sol era maravilhosa. As luzes começaram a se acender, enquanto o laranja e o azul se misturavam no céu. Faziam anos que Camus não ia até ali, diversas memórias voltaram à sua mente, seus cabelos vermelhos dançavam com o vento e diversos fios teimosos insistiam em entrar na frente de seus olhos, ele ria ao tentar domá-los.

Kanon fotografava tudo, qualquer coisa que lhe chamasse a atenção era passível de ser fotografada, entre elas, o cavaleiro era a principal. Ele conhecia Camus há alguns anos, o tratava desde então e, pela primeira vez, o via tão relaxado e feliz.

Ambos demoraram a sentir a falta de Milo, que havia saído do elevador, mas seguia o mais longe possível das bordas, segurando firmemente a ferragem. Sabia que era alto, mas não parecia tão alto, suas pernas pareciam não ter forças.

— Não achou que era uma boa ideia comentar que tem medo de altura antes de subir em uma torre de 300 metros? — Camus o encontrou e perguntou sarcástico.

— Eu… — Ele respirava fundo a cada palavra. — Não sabia que tinha medo de altura.

— Confia em mim, sim? — Ele voltou a estender a mão ao grego, que o olhou com um leve pânico, mas aceitou. Andando lentamente, ele conduziu Milo até o batente, de onde podiam ver o arco do triunfo e uma parte do percurso que haviam feito até ali.

Aos poucos o grego foi relaxando, se permitindo soltar o batente para apontar algo ou mesmo tirar os cabelos de seu rosto, alguns minutos depois, conseguiu desgrudar seu ombro do de Camus, ficou constrangido quando notou que estava muito perto dele, em público, mas o francês não pareceu se incomodar.

— Não tenho como agradecer a vocês por isso. — Milo disse, quebrando o silêncio entre os dois. — Quando vim para a França, não imaginava que tanta coisa iria acontecer.

— Quanto a hoje. — Camus sorriu para o grego, sentiu vontade de beijá-lo, mas preferiu se conter. — Tem que agradecer ao Kanon, eu apenas acompanhei.

O loiro riu, tinha certeza que Camus daria essa resposta.

— Mas, quanto ao restante dos acontecimentos desde que chegou. — O ruivo voltou a olhar para a cidade. — Confesso que também não imaginava que tanto aconteceria.

Assistiram a noite tomar conta e as luzes se acenderem, para só então, retornar ao solo e partirem em direção a Orleans. Não foi apenas Camus que dormiu desta vez, pouco tempo depois de pegarem a estrada, Kanon notou o grego dormindo no banco de trás. Riu, o apego de seu irmão pelo veterinário fazia sentido, Milo era gentil e carismático, alguém que gostaria de manter próximo.

O médico os deixou no apartamento de Camus, avisando que Saga passaria no dia seguinte pela manhã para levá-los ao centro equestre. O ruivo fez massa para comerem, algo rápido e fácil de fazer com os poucos ingredientes que ele tinha. Enquanto comiam, Milo optou por voltar ao assunto da faculdade, não havia se esquecido e não iria até ter uma resposta de verdade.

— Não sabia que havia feito faculdade. — Ele puxou o assunto, antes de colocar uma porção na boca.

— Minha mãe queria que eu fizesse uma graduação. — Camus suspirou, sabia que mais cedo ou mais tarde aquele assunto iria voltar. — Eu pensei em fazer química, mas arte francesa me ocuparia menos tempo.

Ele bebeu um gole do vinho que havia selecionado para harmonizar com o prato

— Na época eu trabalhava e treinava em um haras famoso em Paris, além de ir para muitas competições — Pela primeira vez ergueu o olhar para o veterinário. — A faculdade não era minha prioridade, sempre fui mediano.

— Entendi. — Milo pensou sobre o "mediano", um aluno médio não lembraria de datas históricas depois de anos, ele mesmo, não se lembraria mesmo uma semana após a aula. — Mas você parece gostar do assunto.

— Sim. — Ele sorriu. — Aprendi a gostar quando vi todas as coisas incríveis que já foram feitas na França. Nós passamos por uma pequena parcela de Paris, você não imagina o tanto de arte e cultura que tem no resto do país.

Ele falava com amor, um aluno mediano não teria tanto carinho.

— Nunca pensou em ser veterinário? — A pergunta pegou Camus de surpresa.

— Na verdade, já. — Sorveu mais um gole. — Mas não teria psicológico para isso.

Milo apenas concordou, mas em sua mente queria dizer que nenhum veterinário tinha um psicológico desejável, preferiu guardar seu pensamento para si.

Após jantarem e organizarem a cozinha, o grego se viu em uma dúvida. Tinha incertezas sobre como ficariam dali para a frente, queria dormir com o francês, claro que queria, mas também não queria invadir o espaço pessoal dele. Acabou parado no meio do corredor, enquanto Camus ia para o quarto.

— O que foi? — Ele se virou para o loiro, não havia entendido o motivo de ele ficar estático ali.

— Eu… não sei se posso ir com você… — Engoliu a seco, corando. Se sentiu tolo, um garoto apaixonado apavorado.

Ele nada disse, apenas caminhou tranquilamente até o maior, tocou-lhe o rosto e o puxou para um beijo leve, lento, cheio de carinho. Afastando os lábios pouco após, mas ainda com os rostos próximos.

— Não é porque voltamos para a França que as coisas vão mudar. — Ele encarou os olhos azuis. — Pelo menos eu não quero que mude.

Ele não precisou dizer mais nada, abraçou o ruivo, o erguendo do chão, e o carregando até o quarto. Camus ria durante o caminho, estava feliz.

Notas finais
Eu realmente gostei muito desse capitulo, achei ele leve e gostoso. Pensei muito nas músicas do karaokê, pensei muito em que música eles cantariam juntos e gostei do resultado. As frases em francês são basicamente a tradução da letra original para o francês, com algumas alterações pequenas para manter sonoridade. Também pesquisei e até fiz uma "rota" no google maps para ficar viável esse caminho que eles fizeram. Todas as descrições dos monumentos de Paris estão na wikipedia, eu sou veterinária, não historiadora hahahaha. As reações do Milo conhecendo a cidade foram muito parecidas com as que eu tive, como sempre digo, ele tem muito de mim. Como sempre, qualquer duvida, estou a disposição!! Em breve teremos o Natal e a prova teste em Versalhes.