Notas iniciais
Este capítulo contem abuso de álcool, drogas e sexo explícito, ou seja, tudo que é 18+, estão avisados. Finalmente a Festa começou e o Belle Époque vai ter uma folga haha. Não sei ao certo onde eu estava com a cabeça quando resolvi escrever sobre festas às quais eu nunca participei haha. Eu nunca cheguei tão longe em algo que escrevi, estou muito orgulhosa de mim, são 10 capítulos já! Espero que estejam gostando tanto quanto eu ❤️

Milo acordou com muito frio. Seus dois cobertores e casaco não estavam conseguindo o manter aquecido. Maldito inverno continental europeu. Ao abrir a porta de seu dormitório para ir à cozinha tomar café ele se deparou com a primeira nevasca da estação.

Todo o centro equestre estava coberto por um manto branco que o deixava ainda mais charmoso, o grego havia aprendido a amar esse lugar. Mas nunca amaria o frio. Não que em Atenas não fizesse frio, mas o mar Mediterâneo ajudava a manter as variações mais controladas. Após fazer seu café, voltou ao seu quarto pegar as botas de borracha e saiu afundando na neve a cada passo. Não podia negar que era divertido.

Entrou nas cocheiras e sentiu um bafo quente, era óbvio que os cavalos olímpicos iriam ter aquecedor e os veterinários não. Belle Époque o recebeu pedindo carinho e ganhou uma maçã que o loiro havia acabado de furtar da cozinha.

— Não conte a ninguém de onde veio essa maçã… — Ele sussurrou para o animal que balançou a cabeça como se entendesse.

Todos os cavalos estavam com capas de frio pesadas, mesmo sendo mantidos em ambiente aquecido. A do garanhão tinha o nome do cavaleiro bordado em letras desenhadas e o logo da federação francesa, o fundo era azul celeste com as letras em branco com detalhes em dourado.

Quando o relógio bateu sete horas, o veterinário cabresteou o cavalo e o levou para a pista fechada, para que ele corresse e gastasse energia, sem ficar exposto ao frio. Como esperado, ele passou a corcovear e coicear assim que se sentiu livre, procurou briga com o próprio reflexo nos espelhos das paredes e rolou, deixando sua capa impecável, suja de areia.

O grego apenas o observava da arquibancada enquanto bebia seu café, era satisfatório vê-lo brincar. Após uma hora ele o levou de volta para a baia, haviam voltado de Londres há 2 dias, sem intercorrências no caminho, hoje Camus voltaria a trabalhar o cavalo para se prepararem para o evento teste da olimpíada que ocorreria em Versalhes, no início de janeiro.

Saga chegou mais tarde, com Camus a tiracolo. O ruivo teria uma reunião com os diretores e só montaria após ela, o que permitia um pouco de paz para o grego.

— O que vocês costumam fazer no natal? — Milo perguntou repentinamente para os três presentes na sala. Ele costumava passar com os seus pais, seria a primeira vez que não os veria no feriado.

— Eu e minha mãe costumamos alugar um chalé nos alpes. — Mime sorriu ao se lembrar. — Comemos queijos e tomamos vinho na frente da fogueira e cantamos canções para nossos antepassados.

— Eu costumo ficar em Paris mesmo. — Sorento disse logo após o acobreado. — Minha esposa e eu costumamos levar as crianças para ver as luzes pela cidade e depois fazemos uma ceia com a família enquanto esperamos o Père Noël.

Milo não sabia que Sorento era casado, muito menos que ele tinha filhos. Imaginou como deveria ser difícil para ele ficar a semana toda longe de sua família.

— Ano passado eu e Kanon passamos com o Sorento, foi bem legal. — Saga continuou. — Mas esse ano acho que vamos na casa de uns amigos médicos dele.

Um silêncio repentino pairou na sala. Os três notaram ao mesmo tempo que Milo passaria o natal sozinho no centro.

— Se quiser passar o feriado comigo, sempre tem lugar para mais um no chalé. — Mime disse sem graça, se sentiu triste pelo amigo.

— Ou se quiser ir para casa! — Sorento também ofereceu. — Amèlie adora receber visitas.

— Eu não recomendo passar comigo não… — Os três olharam para Saga, com ar de interrogação. — Se você junta mais do que dois psiquiatras no mesmo ambiente eles começam a se analisar, analisar o ambiente, analisar você… Não é legal.

Todos riram da resposta inesperada. A rotina era pesada e eles acabavam passando pouco tempo com a família, então precisavam aproveitar ao máximo as oportunidades.

— Obrigado pessoal, mas não se preocupem comigo. — Milo sorriu agradecido. — Vou ligar para meus pais por vídeo e fazer uma ceia à distância.

Eles sorriram pelo grego ter planos, mas mesmo assim, era triste passar o natal sozinho. Todas as atenções foram tomadas por avisos sonoros que partiram dos computadores dos três franceses ao mesmo tempo.

— Vish que a federação mandou e-mail. — Sorento avisou.

— "Aos veterinários federados lotados no Centro Equestre Federal." — Mime começou a ler o email que parecia formal até de mais. — É com a gente…

— "A federação equestre francesa vem por meio deste informar que, dos dias 7 a 12 de dezembro, o cavaleiro Camus Trudeau irá se ausentar de suas atividades no centro em decorrência do evento anual organizado por ele e outros cavaleiros, sendo assim, seu período de férias."

— Significa que a Festa tem data. — O acobreado comentou entre os parágrafos lidos pelo veterinário mais velho. — Ficou bem para o fim do ano dessa vez.

— "Vale ressaltar que as atividades do cavalo do referido cavaleiro permanecem inalteradas, sendo mantido o quadro de funcionários durante o período…" — Saga terminou com um "E blá, blá blá."

— Não achava que era um evento tão importante ao ponto da federação ser envolvida. — Milo disse sem entender. Ele ainda não tinha ideia da dimensão que aquela festa tinha.

Sorento se levantou para pegar mais café e deu tapinhas nos ombros do grego.

— Uma vez, a FEI resolveu fazer uma prova na semana da festa… — Ele disse sério. — Tiveram que cancelar pois nenhum dos principais ranqueados se inscreveu. Depois disso eles resolveram participar com prêmios.

— A Festa só não é o maior evento do hipismo da Europa, porque os convidados são um grupo muito seleto. — Mime completou. — A Saori, literalmente, fecha um hotel para eles.

Milo estava incrédulo, realmente, não havia nada que o dinheiro não pudesse fazer.

— Camus tinha falado que Belle Époque ficava de férias também nesse período… — O grego se voltou para Saga. — Ele realmente precisa trabalhar?

— A federação manda isso só para nós não podermos tirar "férias" — Ele respondeu com desdém, os diretores diziam sempre estar preocupados com o bem estar do principal cavalo deles, mas não queriam o dar folga de 5 dias. — Shion se recusa a montá-lo. Ele é um ser vivo também, precisa de descanso.

O loiro mais novo ponderou, que bom que a equipe técnica tinha noção.

— Eu fui convidado… — Milo disse, sem se importar muito, não esperava ir e também, se tudo o que eles haviam dito era real, não sabia se queria ir.

Sorento engasgou com o café que estava tomando. Saga e Mime responderam em coro um "O que?!", todos ficaram atônitos.

— Você foi convidado para a Festa? — Saga se levantou de sua cadeira apoiando as mãos na mesa. — Camus te convidou?

— Ah, bem, meio que todos me convidaram. — Milo estava sem graça, não esperava essa reação dos amigos. — Mas principalmente a Saori e o Afrodite…

— Você foi convidado pelos 4 Primeiros para a Festa! — Sorento ainda tossia pelo engasgo. — Isso é inédito!

Milo realmente estava confuso.

— Eu não estou entendendo o motivo dessa comoção toda. — Ele encarava os demais com estranheza. — É só uma festa.

— Lembra que a FEI cancelou uma prova? Por causa dela?! Não é só uma festa. — Mime fazia movimentos inespecíficos com as mãos. — Você vai, não é?

Silêncio.

— Como? — Ele foi direto. — A federação grega não se importa com a tal festa, como eu justificaria 5 dias de folga assim de repente? Fora que, vocês mesmos leram: "Mantido o quadro de funcionários", eu sou o responsável por ele, logo, serei mantido.

Mais silêncio.

— Faz sentido… — Saga disse quebrando o silêncio. — Vamos pensar em um modo de você ir.

— Eu não sei se quero ir. — Milo esperava um pouco mais de sensatez do mais velho.

— Você tem que ir! — Mime puxou sua cadeira para ficar de frente para o loiro mais novo. — Nunca um reles mortal como nós foi convidado.

— É tipo a maçonaria. — Os três estranharam a comparação de Sorento, mas esperaram para saber onde ia chegar. — Ninguém de fora pode entrar, e todos querem saber o que acontece lá dentro. Você seria tipo nosso espião.

Milo se levantou, tinha mais o que fazer do que ficar ali ouvindo as divagações deles.

— Vocês são malucos. — Ele saiu da sala indo em direção à pista. Havia recebido uma mensagem de Camus avisando que iria montar.

Ele acompanhou todo o treino do ruivo no picadeiro coberto. Foi algo mais básico, com mais ginásticas para alongar a coluna e trabalhar o abdômen do cavalo. Diversas vezes Shion perguntava a opinião do veterinário sobre intensidades e retornos, Milo ficava feliz em auxiliar.

Após terminarem, ele acompanhou o conjunto até às baias, iria ajudar Camus com o alongamento do cavalo, que tendia a ficar mais duro no frio. Para corrigir alguns posicionamentos, demonstrar os alongamentos ou auxiliar a manter os membros, os dois acabavam se aproximando e se tocando. No início era estranho e constrangedor, mas acabou se tornando um momento prazeroso entre os três.

Durante toda a semana, como não podia caminhar com o cavalo na neve ou acompanhá-lo no piquete, Camus ficava aguardando após o treino, até o momento que Saga iria embora, uma vez que ele não dirigia na neve, então sempre vinha e voltava com o veterinário. E, na maior parte do tempo, ele ficava dentro da sala com os veterinários, aproveitando o aquecedor. Mime e Sorento achavam estranho e acabavam ficando constrangidos pela presença do cavaleiro, Milo e Saga já haviam se acostumado e consideravam o silêncio dele natural.

Na sexta-feira, faltando menos de 24 horas para a viagem de Camus, Saga chegou à sala radiante.

— Milo, boa notícia! — O mais velho chamou a atenção dos quatro presentes, onde até então só se ouvia as teclas dos computadores. — Você terá folga na semana que vem, parabéns!

— O que?! — Milo e Camus questionaram ao mesmo tempo.

— Sim. Conversei com seu supervisor na Grécia e, levando em conta seu empenho e os bons resultados obtidos até agora, ambas as federações concordaram em te dar uma semana de folga.- Ele sorriu para o grego que o observava incrédulo.

— E o Belle Époque? — Camus interrompeu.

— Agora só por que o Milo é o preferido eu não sirvo mais pra cuidar do seu cavalo, Camus? — O mais velho fingiu-se ofendido e o ruivo rolou os olhos em resposta. — Pode ficar tranquilo que ele vai continuar fazendo a fisioterapia semanal, os prontuários serão preenchidos do mesmo modo, assim como sempre.

— Vou avisar a Saori. — Camus levantou e saiu da sala com o celular na mão.

Alguns segundos depois, Milo questionou o mais velho.

— Por quê?! — Ele estava um pouco irritado.

— Porque você precisa. — Saga respondeu sério. — Você fica nesse hospital 24 horas por dia, 7 dias por semana, só sai quando vamos para provas. Você pode achar que eu não percebo, mas sei que não está dormindo direito, sei que perdeu peso desde que chegou porque só come quando tem companhia. Você não vai chegar até o final do seu intercâmbio se continuar assim.

Milo engoliu seco. Saga não estava errado, sua vida tinha se tornado aquele lugar e, mais recentemente, aquele cavalo. Não fazia nada que não estivesse relacionado àquilo, sequer as conversas com seus amigos gregos eram sobre outros assuntos, quando muito, conversava com seus pais sobre como vinha parecendo doente por estar pálido e com olheiras cada vez mais profundas.

— Ok… — Ele abaixou a guarda. — Mas…

— "Mas" nada. — Saga o cortou, apontando para a porta. — Vai arrumar suas coisas, daqui a pouco vamos para Orleans, você vai dormir em casa e vão para Paris amanhã.

— Milo pode dormir em casa. — Camus falou tranquilamente, assim que voltou, mas o grego congelou ao ouvir, seu rosto ficou vermelho. — Assim você não precisa tirar o Kanon do quarto dele, e eu tenho dois quartos em casa.

— Pode ser também… — O mais velho ponderou enquanto o grego o observava em desespero. Apenas ignorou. — Vai, está demorando demais.

Na manhã seguinte, Milo e Camus aguardavam na frente do prédio do francês. Haviam conversado um pouco, mas agora estavam em silêncio. Milo não podia negar que havia sido uma noite boa, o apartamento do francês era espaçoso e bem decorado, tudo era perfeitamente arrumado.

Quando chegaram o ruivo cozinhou entrecôte com batatas para eles, ele realmente cozinhava muito bem. Depois, Camus tomou banho e se reservou em seu quarto, Milo fez o mesmo, mas acabou precisando se alongar mais do que gostaria no banho. Se masturbar pensando no francês já havia se tornado algo comum para o grego, mas a ideia de que ele estava nu há uma parede de distância dele deixou o momento ainda mais excitante.

Um Peugeot 408 chumbo parou na frente deles. Milo estranhou, não era o carro de Saga, embora ele parecesse estar dirigindo. O grego preparou sua mala e mochila para serem colocadas no porta-malas enquanto o motorista o abria por dentro do carro.

— Olá Kanon! — Camus sorriu ao recém chegado que o abraçou. Então aquele era o irmão do veterinário, consequentemente psiquiatra do ruivo. Por que ninguém havia pensado em comentar com o grego que eles eram gêmeos?

— Aproveitei que terei um compromisso em Paris e vou levar vocês. — O loiro mais velho se virou para Milo que o encarava sem perceber, ele lhe estendeu a mão — Muito prazer! Você é o famoso Milo!

Camus corou com o comentário do mais velho, tinha realmente comentado muito sobre o grego, talvez até mais do que o normal, mas Kanon não precisava começar uma conversa assim.

— Famoso? — Ele retribuiu o aperto de mãos, sem graça. Kanon era forte mas mais longilíneo que Saga, os músculos eram bem delimitados, com certeza fazia academia há alguns anos, parecia mais comunicativo também. Com o tempo, Milo passou a notar as sutis diferenças entre os irmãos.

— Meu irmão fala muito de você, muito bem.- O gêmeo notou o constrangimento do ruivo e tratou de corrigir sua fala para evitar maus entendidos. Ele apontou para uma capa de roupa apoiada no banco de trás do carro. — Ah, Saga me pediu para te emprestar uma roupa social, acho que essa vai servir bem em você.

Foi Kanon que iniciou todos os assuntos no carro, eles os iniciava e deixava que os outros dois falassem. Camus sabia o que ele estava fazendo, queria ter o máximo de informações sobre o grego que conseguisse, o analisando sem que ele notasse. Deixou para ver onde aquilo ia chegar.

Conversaram sobre como estava sendo o intercâmbio de Milo, sobre a saúde de Belle Époque, sobre a relação dele com Saga e como foi estranho descobrir que ele tinha um irmão gêmeo de repente. Em um determinado momento o ruivo dormiu, como sempre, e Kanon confirmou ser algo normal.

— Milo. — O mais velho o olhou pelo retrovisor, assim como Saga costumava fazer, disse em um tom mais baixo. — Gostaria de pedir que você cuidasse dele para mim…

Milo estranhou, não é como se Camus não tivesse idade para se cuidar sozinho, mas continuou ouvindo.

— Ele voltou a tomar os remédios a pouco tempo e não são medicações que possam ser usadas associadas ao abuso de álcool ou drogas — Ele seguia sério. — Ele sabe disso, não quero que o impeça, mas que esteja com ele caso algo aconteça.

— Não irei sair de perto dele. — Milo confirmou e o outro sorriu agradecido. O grego encarou o caminho, abuso de álcool era algo a se esperar, mas ficou um tanto receoso quando o mais velho comentou sobre drogas, o que acontecia nessa festa afinal?

Chegaram em Paris uma hora após. Durante todo o percurso dentro da capital francesa, Milo seguia procurando por pontos turísticos pela janela. Ficou maravilhado quando viu o mais famoso, ao longe.

— Aquela… — Ele apontou pela janela. — É a Torre Eiffel?

Os franceses concordaram com sorrisos, embora fosse rotineiro para eles, nunca se cansariam de admirar e se vangloriar pelas suas obras arquitetônicas.

— Achei que já tivesse vindo para a França, Milo. — Kanon comentou.

— Eu vim, mas fui direto para Nantes (1) e nunca realmente visitei Paris. — O grego explicou, na época no intercâmbio, todo o dinheiro era contado, não pode se dar ao luxo de ser um turista. — Na volta a gente pode passar mais perto?

Eles riram e concordaram.

Quando o mais velho os deixou na Gare du Nord (2), Milo ainda estava maravilhado pela beleza da cidade luz. Paris era ainda mais impressionante do que Nantes, isso que o grego nunca conseguiu descrever a sensação de visitar a "Les Machines de L'île" (3) durante o intercâmbio. A estação era toda em pedra e estilo romano, com estátuas imensas em sua entrada, o grego estava boquiaberto observando a magnitude da construção, até o francês o puxar para dentro.

— Está sendo turista demais. — O ruivo riu enquanto arrastava o outro dentre as pessoas e corredores, até os guichês do Eurostar. — Daqui a pouco alguém rouba sua carteira. (4)

Conseguiram lugares no próximo trem e partiram em menos de meia hora. Por pouco mais de duas horas eles conversaram sobre pontos turísticos fundamentais para Milo conhecer em Paris e como a capital francesa era diferente da grega. Uma parte do tempo Camus dormiu, Milo assumiu que a causa eram coisas em movimento, não apenas carros.

Chegaram em St-Pancras, em Londres, nas primeiras horas da tarde, havia um carro os esperando na estação para levá-los ao hotel. O hotel, por sua vez, era um dos mais prestigiados da capital Inglesa, o The Savoy, possuía estilo Art Nouveou exuberante e ficava às margens do rio Tâmisa.

Logo que entraram, Camus e Milo tiveram suas malas encaminhadas aos quartos e foram ao bar, encontrar os outros cavaleiros e convidados. Milo se sentia minúsculo perante a luxuosidade do hotel, definitivamente, uma calça jeans, um casaco preto e um tênis não foram a escolha de vestimentas mais adequada.

— Finalmente vocês chegaram!! — Saori comemorou assim que os viu cruzar a entrada do bar, que ainda tinha movimento, mas em breve seria fechado apenas para os convidados.

— É Saori, nem todo mundo tem um jatinho particular que te leva de um país para outro em uma hora. — Aioria cutucou a japonesa que respondeu mostrando o dedo do meio para o inglês. Ele e Marin também estavam hospedados no hotel, a organizadora fazia questão que todos estivessem juntos, mesmo morando até consideravelmente perto.

— Chegamos rápido até. — O francês recebeu um abraço apertado da morena e logo foi cumprimentar os demais. — Tivemos sorte de chegar logo antes de um trem sair.

Marin, Aioria, Afrodite, Saori e Seiya estavam sentados junto ao balcão do bar, que era muito iluminado, com a bancada em mármore branco, paredes escuras e diversas estantes de bebidas em dourado postadas à frente de um grande espelho curvado. Após a chegada dos últimos convidados, todos foram para uma mesa mais confortável, circular e os garçons entregaram drinks de acordo com uma lista de preferências entregues pela anfitriã.

— Vou passar a programação para vocês. — Saori pegou um tablet e passou a ditar horários e eventos para todos os dias que ficariam ali.

"Começamos hoje com o jantar de gala, para receber os convidados, basicamente para comermos, tirarmos fotos chiques e a federação internacional entregar os prêmios que todos já sabemos para quem vão. Depois do jantar, este bar estará liberado para nós e os convidados próximos, podemos aproveitá-lo até de manhã.
O café da manhã, ou brunch, será servido todos os dias das 10 horas até às 13, temos o dia livre para fazer o que quisermos. A primeira festa será no Phonox, a boate tem 3 ambientes e nós ficaremos no lounge, bebida à vontade e música eletrônica para fritar. Dia livre e a próxima festa é temática: Baile de Máscaras, porém com uma pegada mais moderna, fechei o Zodiac para essa festa pois achei que seria a nossa cara, podemos ficar na área reservada, mas confesso que queria ficar com todo mundo. O último dia é o tradicional karaokê, exclusivamente nosso, no máximo para os convidados mais íntimos, também conhecidos como os peguetes do Dite. Encerramos nosso evento com o último café da manhã e check out às 15h."

— Todos de acordo? — Afrodite fez as honras de confirmar a programação, todos concordaram e se levantaram para um brinde. — Declaro oficialmente aberta: A Festa!

Eles permaneceram no bar, bebendo, conversando e recebendo alguns convidados mais próximos que tinham nome na lista. Sendo eles: Matteo, cavaleiro italiano e um dos romances de Afrodite; Shura, cavaleiro espanhol e também romance do loiro; Pandora e Radamanthys; Aioros e Regulus, cavaleiros britânicos, amigos de Aioria e Marin; Yato e Yuzuriha, cavaleiros japoneses, muito amigos da Saori e Unity e Seraphina, cavaleiros franceses do salto, amigos de Camus.

O francês apresentava Milo a todos, que mantinha seu sorriso agradável. Era inédito ao grego conversar com todos aqueles nomes importantes no hipismo internacional, já havia os visto em provas, mas ele era apenas o veterinário de uma federação pequena, aqui, ele era o convidado de Camus.

Com o início da noite, cada um foi para seu quarto para se prepararem para o baile. Ao entrar no dormitório, Milo se perguntou o que estava fazendo em um lugar como aquele.

O quarto era maior que todo seu apartamento na Grécia, tinha uma sala agregada que não fazia sentido de existir na cabeça do grego, tendo dois sofás, uma mesa de vidro com duas cadeiras e um tapete que poderia tranquilamente ser um cobertor de tão grande, o piso do banheiro era todo em mármore preto com uma banheira e um box brancos também no mesmo material, a pia tinha tom de pérola e estava sobre um móvel de madeira maciça todo talhado, o quarto tinha uma cama king com cabeceira embutida em um painel, haviam duas luminárias, uma em cada mesa de cabeceira e uma enorme janela com vista para o Tâmisa e a London Eye.

Se não fosse essa situação, ele nunca entraria em um hotel como esse.

Camus o havia instruído sobre a etiqueta de vestimenta do primeiro evento, como obviamente Milo não havia viajado para a França com um traje de gala na bagagem, Saga o emprestou um de Kanon, que serviu adequadamente no grego. Era um terno completo, com camisa social branca, colete e paletó azul marinho e gravata bordô, calça social do mesmo tom de azul e um sapato de couro marrom escuro. Ele não usava algo formal assim desde sua formatura. Milo optou por deixar seus longos cabelos loiros ondulados soltos, na tentativa de se reconhecer no espelho.

Às 21 horas, Milo abriu a porta de seu quarto, no exato momento em que Camus ia bater para chamá-lo. Eles ficaram se encarando por alguns segundos, sem muita reação.

Camus vestia camisa e gravata pretas, sob um terno completo com colete e calça social bordô, um tom muito semelhante ao de seu cabelo, que estava preso em um rabo de cavalo alto e volumoso, usava ainda um sapato social preto.

— Kanon escolheu bem. — O francês quebrou o silêncio incômodo ao ajeitar a gravata do loiro, sua pele estava tão vermelha quanto sua roupa. — Combinou com seus olhos.

— Ah… — Milo respondeu sem graça, também corado. Camus estava esplêndido, geralmente o grego o via com suas roupas de treino, no máximo com os trajes de prova, mas chegou a conclusão que ele sempre poderia ficar mais bonito. — Muito obrigado…

Eles seguiram para o restaurante sem maiores assuntos. Quando chegaram ao local, Marin os encontrou e levou Milo para a mesa, onde aguardariam a entrada dos anfitriões.

Marin estava deslumbrante em um longo vestido vermelho com pedrarias, de um ombro só, corte sereia, uma fenda que ia até o meio de sua coxa direita e que desenhava perfeitamente suas curvas, os cabelos estavam presos em um coque e ela usava um colar que parecia ter brilhantes. Seiya também aguardava na mesa, estava com um terno completo bege com camisa social branca e gravata marrom escura.

O salão estava lotado, Milo pode identificar algumas pessoas que já havia conhecido, como os convidados ao bar mais cedo, mas também outros cavaleiros que havia visto em provas, o diretor da federação internacional e alguns famosos donos de marcas importantes no hipismo.

Algum tempo depois, a atenção foi chamada para a entrada do salão. O cerimonialista agradeceu a presença de todos e anunciou a chegada dos quatro primeiros do ranking internacional de hipismo completo:

— Apresento aos senhores, o quarto cavaleiro mais pontuado no ranking FEI eventing (5):

"Senhor Aioria Evans, quarto cavaleiro melhor colocado." O inglês trajava um terno completo all black com apenas a gravata amarela, que chamava a atenção mesmo de longe. Ele entrou acenando, completamente confortável com toda a atenção que recebia.

"Senhorita Saori Desmet Kido, terceira melhor colocada e única amazona entre os dez primeiros." A morena usava um vestido branco longo, com decote em "v" e alças finas, com duas fendas frontais profundas, acinturado por um corpete todo bordado em dourado com diversas pedrarias e que elevava ainda mais os seios já avantajados da mulher. Seu longo cabelo liso estava meio preso com uma trança lateral. Sua postura era imponente, entrou caminhando lenta, porém ritmada e parou ao lado do inglês.

"Senhor Camus Lebedev Trudeau, segundo melhor pontuador do ranking." Milo não se lembrava da existência do segundo nome de Camus, havia uma abreviação nos documentos de Belle Époque, mas nunca havia tido a curiosidade de perguntar sobre. Ao contrário de Aioria e Saori, o cavaleiro não parecia nada confortável com a cerimônia, embora mantivesse a postura, era palpável que ele só queria sair de lá logo.

"Senhor Afrodite Olsson, primeiro colocado do ranking." O sueco era o mais extravagante, embora ainda chique. Vestia um terno completo rosa bebe, com camisa e gravata brancas. o sapato social branco e o cabelo loiro claríssimo solto com vários cachos pouco definidos completavam o visual. Ele entrou rebolando, como a diva que era, e se postou ao lado de Camus, que sorriu e disse algo ao amigo, levando os dois a rir abertamente.

— Gostaria de agradecer a presença de todos nesse evento tão importante para a comunidade hípica internacional. — Saori deu início ao decurso de abertura, sem texto prévio, ela falava naturalmente, como se tivesse todo o roteiro na cabeça. — Estar aqui, significa estar entre os melhores. É o sonho de todo cavaleiro ou amazona, sonho que todos já tivemos um dia. Estamos em um ano olímpico, no qual mais nove conjuntos e equipes receberam as medalhas de maior valor no esporte, devemos aproveitar essa oportunidade para sermos modelos inspiradores, representando o ápice da dedicação, do talento e do trabalho árduo no mundo esportivo, assim, motivando-os os futuros atletas a perseguir seus próprios sonhos e aspirações. Vamos trabalhar juntos para garantir que todas as crianças tenham acesso a oportunidades esportivas e inspiração para alcançar seu pleno potencial.
Muito obrigada, e espero que aproveitem o jantar.

Saori foi ovacionada, era de se esperar que justamente ela fizesse um discurso pensando na inclusão ao esporte, uma vez que era o principal objetivo da Fundação Kido.

Os quatro primeiros finalmente puderam se sentar, mas não demorou muito para que fossem chamados para a sessão de fotos com os convidados. Enquanto eles trabalhavam, Milo, Marin e Seiya aproveitavam realmente o jantar. Às vezes, algum convidado conhecido de um dos três vinha até a mesa, se sentava e conversava por um tempo, mas logo se levantava e ia para outra mesa. Algumas vezes também, Milo levava taças de vinho ou água para Camus, perguntando se ele estava bem, o francês sempre agradecia com um sorriso. Às vezes ele acabava tendo que participar de algumas fotos aleatoriamente.

Passou-se mais de duas horas até que os anfitriões pudessem se sentar para comer com tranquilidade. Após o prato principal, foi iniciada a entrega dos prêmios da federação equestre internacional, o primeiro colocado do ranking de hipismo completo cada país europeu era premiado, assim como o cavalo de maior destaque no ano, equipe com mais premiações e cavaleiro/amazona destaque, que era o grande prêmio da noite.

Todos que ganhavam faziam um pequeno discurso, algo bem padrão, agradecendo a equipe e a federação nacional. Camus, Afrodite, Aioria, Saori, Pandora, Shura, Matteo ganharam como primeiros em seus respectivos países.

Belle Époque ganhou como cavalo destaque, um prêmio que Camus não esperava e que o deixou muito emocionado.

— Eu gostaria de agradecer por ele, mas principalmente, a ele. Belle Époque é um cavalo incrível, o mais incrível que eu já montei em todos esses anos como profissional. Ele me entende e me apoia, em tudo, é definitivamente meu melhor amigo… Desculpa, Dite. — Todos os presentes riram e o sueco disse perdoar o francês. — Ele é tão incansável que tira forças do inimaginado para nos levar à vitória. Mas um cavalo como ele não consegue demonstrar todo seu potencial sem um equipe. Esse prêmio não é apenas dele, como também de toda minha equipe técnica, representada aqui pelo Milo, meu veterinário, e que faz o impossível, para que ele possa mostrar do que é capaz. Espero que possamos continuar apresentando sempre o melhor dele.
Muito obrigado.

Durante a maior parte do discurso, ele olhava diretamente para Milo, que tinha os olhos marejados. Ele fazia parte daquilo. Aioria e Afrodite parabenizaram o veterinário quando o francês falou sobre a equipe e, quando voltou para a mesa, Camus lhe entregou o troféu e o abraçou, o que levou a uma grande onda de aplausos que deixaram o grego totalmente encabulado.

O francês ainda subiu ao palco para receber o prêmio de destaque. Ele agradeceu ao seu cavalo, equipe e à federação francesa, mas foi um discurso muito menos emotivo do que o anterior.

O jantar se encerrou algumas horas depois, e os seis amigos voltaram aos seus quartos para guardarem os paletós ou trocarem os vestidos de gala. Se encontraram novamente no bar, que agora estava liberado para todos os participantes do jantar.

Com um ar mais leve, todos podiam conversar e beber sem as pomposidades anteriores. Os drinks eram servidos sob demanda e um fundo musical levemente eletrônico era ouvido.

Marin e Saori trocaram seus longos vestidos por peças mais mais leves, mas igualmente formidáveis. A maioria dos homens apenas retirou o paletó, permanecendo com o colete e gravata.

As conversas ganharam ritmo rápido com a escalada do consumo de álcool. Diversas pessoas, algumas que ele nem conhecia, foram cumprimentar Milo a respeito do cavalo de Camus. Sempre muito cordial, o grego respondia tudo o que lhe era perguntado e tecia vários elogios à toda equipe.

Com o passar da noite, o bar foi esvaziando, acabando por permanecer com pequenos grupos em volta das mesas. Saori, que havia sumido há algum tempo, voltou com um sorriso vitorioso.

— Trouxe um presentinho!

— Finalmente! — Aioria comemorou quando a japonesa lhe entregou um pequeno saquinho plástico com um conteúdo cristalizado que Milo não sabia dizer o que era, ele prontamente o abriu e pegou uma quantidade com o dedo, colocando na boca em seguida. O pacote rodou por todos da mesa até chegar ao grego oferecido pelo cavaleiro francês.

— Não sei se é uma boa ideia… — Milo variava o olhar entre o cavaleiro e o pequeno pacote em suas mãos.

— Só aproveita, Milô — Camus sorriu para ele, aquele sorriso que desarmava todas as defesas dele. Seria só uma vez, que mal poderia fazer? Decidiu pegar uma quantidade e colocar na boca, assim como os demais.

Cerca de 30 minutos depois, Milo já não sabia dizer onde estava ou o que estava fazendo. Havia várias luzes piscando, cada batida da música se tornava uma cor diferente, o sabor dos drinks o fazia ouvir sons diferentes, quando adocicados, sons mais calmos e quando amargos ou azedos, sons estridentes. Os toques o faziam sentir sabores. Nada fazia sentido.

Afrodite aproveitava que Matteo e Shura não estavam afim de briga e se aproveitava de ambos para ganhar carícias e atenção. Camus, Marin e Saori tomavam incontáveis rodadas de tequila, já sem nenhuma preocupação sobre estarem sendo julgados ou não. Aioria e Seiya haviam saído para fumar.

O grego se sentia energético, mas não sabia como lidar com isso. Estava sentado em uma banqueta do bar, se movendo de um lado para o outro, inconstante. Ele observava tudo, mas não enxergava nada.

Entre uma das doses de tequila, Saori chamou a atenção de Camus para o veterinário. O francês riu e os três foram até ele.

— Você nunca usou drogas na vida, não é? — O ruivo perguntou, mas Milo não conseguia entender o que lhe foi perguntado, ele via a boca de Camus se mover, notou como ela estava mais vermelha e como parecia saborosa, ele queria tocá-la.

Em um movimento rápido e inesperado, Milo se levantou e segurou a cintura de Camus com uma das mãos, enquanto a outra apoiou-lhe a nuca e colou os lábios dos dois. Inicialmente o francês não reagiu, mas logo passou a responder o beijo com a mesma sede e intensidade do grego.

As mulheres que observavam mais afastadas comemoraram, assim como Afrodite, que assustou seus amantes ao dar um grito agudo.

Milo tinha todos os seus sentidos extremamente aguçados, porém completamente confusos. O gosto da boca de Camus eram sons eletrônicos com toque de violino, o contato do lábio macio, da pele com a sua o gerava um sabor forte e frutado, como o vinho que haviam bebido na casa de Aioria da última vez que esteve em Londres. Os sons do beijo faziam luzes azuis e vermelhas piscarem, Tudo era incrivelmente mágico, nunca havia sentido nada parecido.

O francês o abraçou, deixando seus corpos ainda mais próximos, com uma das mãos, empurrava o pescoço do outro contra si, mantendo o contato do beijo pelo máximo de tempo possível. Apenas se separaram quando houve a extrema necessidade de ar. Ficaram se encarando por um tempo, como se nada estivesse acontecendo ao redor, até as respirações voltarem ao normal. Ambos estavam corados, e com os corações disparados.

Trocaram, ainda, outros beijos e sussurros em francês, embora qualquer língua que Milo tentasse falar fosse quase impossível de entender, Camus apenas ria e aceitava o carinho do grego. Os garçons também haviam desistido de entender o que o grego os pedia, apenas entregavam drinks aleatórios a ele, o fazendo misturar diversas bebidas.

Afrodite foi o primeiro a ir para o quarto, mas para aproveitar o restante da noite com Matteo e Shura. Os demais deixaram o bar pouco antes de começar a amanhecer. Camus ajudava o grego a caminhar enquanto este tentava lhe roubar beijos, ele optou em levar Milo para seu próprio quarto, uma vez que ele não tinha condições de existir sozinho.

Ao entrarem, o francês colocou o loiro sentado na cama e segurou-lhe o rosto entre as mãos, o grego sorriu e fez um biquinho na expectativa de ganhar um beijo, o que não aconteceu.

— Você espera aqui, sentado, sem se mover. — Camus sorriu com comportamento do outro, era estranho pensar que era a mesma pessoa séria com quem convivia todos os dias. — Eu vou no seu quarto, pegar uma roupa, e você vai tomar um banho.

Cada um tinha uma chave reserva de todos os quartos dos amigos, para casos de emergência. Quando ele voltou do quarto do loiro, que era ao lado do seu, ele permanecia parado, no mesmo lugar que o havia deixado, disse apenas um "Bom garoto".

O ruivo se arrependeu por ter incentivado o grego a usar a droga, apenas pelo trabalho que ele deu para tomar banho. Ele estava tão fora de si que não respondia a comandos básicos, precisou ele mesmo retirar as roupas do outro, sempre com Milo o beijando e tentando o tocar de algum modo. Felizmente, ele havia retirado suas próprias roupas, ficando apenas com uma cueca boxer preta, não queria molhar sua roupa social.

Ao terminar, conseguiu fazer com que o grego colocasse uma calça de moletom azul royal, que ele deduziu ser um pijama, sem cueca mesmo, pois daria o dobro de trabalho e, bem, ele também não estava de todo sóbrio. O grego se sentou na cama, com as costas apoiadas na cabeceira.

Em um movimento rápido, Milo segurou a mão de Camus e o puxou para junto de si na cama, fazendo o francês cair sobre si. O grego segurou o rosto do francês com delicadeza, acariciando-lhe as bochechas antes de voltar a beijá-lo com volúpia. Estava tão feliz de estar junto a ele.

Acariciava o corpo do mais novo, sentindo a pele dele esquentar aos seus toques. Camus também explorava o peito de Milo com as mãos, deixando leves arranhões, algumas vezes também tocava os mamilos do grego que estavam tensos pelo tesão. Aquela sensação por si só já era incrível, mas Milo queria mais.

Deitou o francês na cama espaçosa, os cabelos vermelhos se espalharam formando uma moldura extremamente sensual, se apoiou nos braços sobre ele. Seus lábios desciam gradativamente, primeiro para o pescoço, demorando ali por algum tempo, depois para os mamilos rosados, ele acabava deixando algumas mordidas na pele alva, com certeza ficariam marcadas. Camus gemia a cada toque do grego.

Descendo mais, Milo se concentrou em espalhar beijos, mordidas e chupões por toda a cintura do ruivo, enquanto massageava o membro dele por cima do tecido da cueca. Quando ele se abaixou mais, passou a língua por toda extensão do pênis do mais novo, mesmo sob o pano, o que fez com que Camus sentisse uma corrente elétrica passar por seu corpo e, instintivamente, segurar os cabelos do grego. Milo sorriu safado, era esse tipo de reação que queria.

Tratou por retirar o pano inconveniente o mais rápido possível, deixando o cavaleiro totalmente nu abaixo de si. O grego o observou se contorcer de tesão, com o rosto corado e cabelos espalhados. Era um deleite para ele.

Colocou todo o membro de Camus de uma vez na boca, fazendo com que ele gritasse. Fazia movimentos de vai e vem com a cabeça, algumas vezes retirando o falo da boca para lamber e beijar apenas a glande que já liberava o líquido pré seminal. Quando o francês voltou a segurar os cabelos loiros e empurrar o quadril em direção a boca de Milo, ele manteve o boquete por mais algum tempo e parou, a contragosto do outro, que gemia sem pudor algum.

Milo retirou a calça que havia colocado há pouco e se posicionou entre as pernas de Camus, abrindo-as com delicadeza. Ele ofereceu dois dedos para que o ruivo os deixasse molhados e se maravilhou com a sensualidade dele enquanto com os dedos na boca, o grego poderia gozar só por ter os dedos chupados daquela forma.

Trocou a boca pelo anus do francês que se contraiu todo ao mínimo toque. Mantendo a massagem, Milo voltou a beijar o pescoço e mamilos do outro para que ele relaxasse. Ao introduzir o primeiro dedo, ele ficou um tempo sem se mover, para o corpo de Camus se adaptar à novidade. Pouco tempo depois, o ruivo já estava rebolando e pedindo mais. Não tardou para que o grego tivesse três dedos dentro do anus do cavaleiro que gemia a cada movimento.

Cada gemido fazia o loiro querer ainda mais estar por completo dentro dele, era tão sensual, tão convidativo. Camus repetia seu nome com o sotaque arrastado e Milo já não conseguia mais se segurar. Posicionou seu falo na entrada apertada do francês e perguntou se podia dar continuidade, a resposta veio com um gemido e um movimento de rebolado.

Ele passou a introduzir o pênis lentamente, o mais controlado possível. Sentia as pregas do outro apertarem seu falo, o que o fazia gemer de prazer cada vez mais alto, Camus mordia o próprio lábio e tinha a respiração descompassada, ele não esperou que Milo parasse, começou a empurrar o próprio quadril contra o do grego o incentivando a ir mais rápido.

O som do choque entre os corpos se tornou cada vez mais alto, assim como os gemidos de ambos. De repente o grego retirou totalmente seu pênis do interior do francês, o fazendo resmungar. Mas a ideia era apenas mudar a posição, virou o corpo de Camus o deixando de costas para ele, ele entendeu se posicionando de quatro e empinando a bunda para que Milo desse continuidade ao trabalho de antes.

Aquela imagem foi de mais para o grego que penetrou o ruivo de uma vez, o fazendo ir para a frente e perder o apoio dos braços, Milo segurou os cabelos vermelhos com força, fazendo com que ele se reposicionasse. Segurou o quadril de Camus com as duas mãos e o estocava mantendo a pressão, novamente os gemidos tomaram conta do quarto. Algumas vezes o grego voltava a segurar os cabelos do francês só para que ele erguesse a cabeça e Milo pudesse ver o rosto tomado pelo prazer, ele respirava com a boca aberta, gotas de suor percorriam toda a face e um fio de saliva escorria pelos lábios vermelhos.

O loiro também fazia questão de masturbar o outro enquanto mantinha o ritmo das estocadas. Usava o líquido pré-seminal como lubrificante e estimulava principalmente a glande do pênis do ruivo que, após uma estocada mais forte acabou por se desmanchar na mão do grego e se apoiar nos cotovelos.

Com a contração causada pelo orgasmo de Camus, Milo não se conteve e gozou dentro dele, deixando o corpo relaxar e se apoiar sobre as costas dele, espalhando leves beijos ali. Ficaram assim por algum tempo, até o loiro deixar o corpo do francês que caiu de lado, exausto. Ele se deitou, e sorriu acariciando o rosto do cavaleiro, que lhe sorriu de volta. Queria poder fazer isso todos os dias da sua vida.

Após tomar um banho, o francês colocou apenas uma calça preta mais larga, dormiu pouco, mas só de ficar deitado por um tempo já o ajudou a recuperar um pouco da energia e relaxar. Era quase onze horas quando se levantou. Arrumou a pequena bagunça que havia feito com as roupas na noite anterior e separou remédios para o loiro que, com certeza, estaria de ressaca. Estava escovando os dentes quando notou que Milo havia acordado.

Milo se sentou na cama esfregando o rosto com as mãos, seu corpo parecia mais pesado do que o normal, sua cabeça girava e doía. Olhou ao redor e não reconheceu seu quarto, o que fez sentido quando viu o francês saindo do banheiro.

— Tome, vai melhorar. — O ruivo ofereceu as medicações ao grego que não se deu ao trabalho de perguntar o que era. Camus seguiu organizando suas coisas.

O grego ficou alguns segundos apático até que sua cabeça começou a raciocinar tudo o que havia acontecido. Se levantou de repente olhando para o francês levemente desesperado. Camus se assustou com o movimento repentino do loiro e o olhou surpreso.

— Camus, me perdoa. — A fala seguia um pouco confusa, ele tremia. — Olha, a gente não deveria. Eu estava fora de mim e você estava bêbado e drogado. Por favor, me desculpa eu… Não deveria. Eu posso ir embora se você quiser, tá tudo bem!

Camus não conseguia entender, ele estava falando sobre o beijo? Não queria ter o beijado então?

— Do que caralhos você está falando? — O ruivo corou ao se lembrar das sensações que o beijo do grego lhe traziam. — A gente se beijou algumas vezes, mas está tudo bem…

Milo estava confuso, Camus tanto quanto. Os olhos do francês desceram pelo corpo do grego e pararam em sua virilha onde algumas manchas muito específicas na calça clara ligaram as pontas dessa conversa estranha na cabeça do cavaleiro.

— Você… — Camus ria alto em um misto de ansiedade e tensão, não que não quisesse, mas aquilo havia sido inesperado. — Você sonhou que estava transando comigo?!

O grego fechou os olhos e respirou fundo. Havia sido apenas um sonho, não havia abusado sexualmente do francês enquanto fora de suas capacidades mentais, então estava tudo bem. Como mentir não ia resolver o problema, então ele optou por jogar sua melhor carta.

— Eu teria feito realmente se não estivéssemos drogados. — Ele disse apenas, encarando o ruivo, sério.

— Então por que não aproveita que está sóbrio agora? — Camus respondeu em um impulso, não se permitiu pensar, logo ele sempre calculista, apenas deixou seu desejo tomar conta.

Notas finais
Lógico que não ia faltar legenda: 1) Nantes: É onde fica a escola nacional de veterinária da França e para onde vão a maioria dos intercambistas. 2) Gare du Nord: É uma estação mais ao norte da cidade, até por isso tem esse nome. É de onde sai o euroestar que atravessa o canal da mancha sob o mar. 3) "Les Machines de L'île", ou As Maquinas da Ilha: Nantes é uma cidade muito diferente, é a onde nasceu e viveu Julio Verne, autor de uma das mais incríveis e conhecidas obras de ficção científicas até hoje: Volta ao Mundo em 80 dias. Como homenagem a seu morador mais ilustre, foi criado um "parque temático" com diversas máquinas em forma de animais que se movem sozinhas. Recomendo que procurem imagens, é muito legal. (4) Pickpokets: Ladrões de carteira, infelizmente muito comuns em Paris. Eles gostam de se aproveitar de turistas que estão maravilhados com os pontos turísticos. (5) Eventing: Nada mais do que o nome em inglês do hipismo completo. Não tanko o Milo turista, eu fui exatamente assim no primeiro dia em Paris. Saudades. É pessoal, e foi só o primeiro dia... O "Arco" da Festa está me dando mais trabalho do que eu esperava. Estou pesquisando muitas coisas, todas as localidades são reais, desde o hotel até as boates, então fui atras de cada lugar para ver se se adequava ao contexto. Também pesquisei sobre o MD, que é a droga que eles usaram, efeitos, efeitos colaterais e afins. Quem disse que escrever seria fácil não é? Não usem drogas, crianças. Foi meu primeiro lemon então não me julguem. Juro que me empenhei, mas como era um sonho, queria que estivesse completo mas ficasse a sensação de faltar algo. O próximo vai ter mais a participação do Camus. Por favor, me contem o que acharam, esses capítulos vão ser mais desafiantes por sair da minha zona de conforto, saber se estou seguindo o caminho certo seria muito bom ❤️