O Novo Hades
5 Four
Notas iniciais
IV
12:50
ISABELLA SE DIRIGIU ATÉ ONDE JACK SE RESIDIA, AINDA LENDO ALGUMA COISA EM SEU CELULAR. "POSSIVELMENTE SOBRE COREANOS", ELA PENSOU. Estava vestindo agora um vestido verde claro florido, com vários girassóis em tons de amarelos estranhamente confortáveis. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo com um prendedor de cabelo rosa e ela calçava sapatilhas lilás.
— Oi. — Ela disse. — A festa vai começar. Você vem?
— É... Sim. — Ele disse, como se tivesse engasgado. — Vai ter muitas pessoas?
— Bom, sim. Mas não se preocupe, todas muito amigáveis. O conselho de classe vai estar olhando pra não ter nenhuma confusão. — Falou, abrindo um sorriso meigo.
— Então tá. — Concordou ele.
Jack foi puxado pelo braço por Isabella até a quadra, levando-o de modo calmo. Já lá, um pequeno tumulto de jovens estudantes se esgueirava por todos os cantos. O DJ estava em uma espécie de palco que era percebível que foi colocado ali, porque era móvel, mas estava travado. No palco tinha pequenas mesas de alteração de mix e coisas de música, como caixas de sons e outros. No fundo, Lians viu o que desejaria não ter visto. No fundo da quadra, perto do gol que tinha sido movido para o lado esquerdo, tinha três vultos se movendo, formando uma parede sibilante de escuridão. Lá, ele conseguia enxergar um pouco embaçado (embora sua miopia fosse a mais fraca possível), três corpos erguidos, levantados em posição reta. Todos os três vestiam mantos pretos, mas seus rostos e detalhes faciais eram diferentes. O primeiro tinha cabelos loiros curtos cor de areia e uma expressão amigável, olhos azuis doces e meigos. O do meio, tinha cabelos longos, até mais que os ombros e olhos negros como a noite. O terceiro tinha cabelos pretos curtos e pontudos, com pontas para cima e olhos violetas um pouco ameaçadores. Em uma piscadela, eles tinham sumido. Uma onda de calmaria e maresia o arredondou por dentro, como se fosse familiar a eles. Como se fosse gente que conhecia a muito tempo.
Os outros dez segundos foram terríveis. Ele começou a ouvir vozes de todos os cantos, sobre assuntos alheios. Moda, garotos, garotas, futebol, e tudo mais. E ele ouvia em alta frequência e muito alto, como se fosse explodir sua cabeça a qualquer momento. Como se estivesse falando no telefone com várias pessoas ao mesmo tempo. Colocou as mãos na cabeça e soltou um gemido de dor. Depois dos dez segundos terríveis, finalmente tinha parado.
— Jack. — Ela disse, agora com dois copos com uma bebida vermelho-acerola na mão. — Você está bem?
— Estou. Só tive um pouco de dor de cabeça... Deve ser por causa do som. — Quis se bater depois da desculpa, não tinham ainda ligado as caixas de som. Mas talvez ela entendesse que era da multidão toda.
— Entendo. Tome um, é relaxante. — Ela falou, erguendo a mão com o copo para o loiro, que pegou e bebeu. Em seu julgamento mental, achou gostoso e saboroso. Era relaxante e bom.
— Ual. É bom. O que é? — Ele perguntou.
— Drink de frutas, sem álcool. — Ela respondeu, bebendo.
— Muito bom. — Comentou o loiro.
"Será que ele vai me chamar pra dançar?" Jack pensou ter ouvido.
— Quando vão ligar a caixa de som? — Perguntou Lians.
— Daqui a uns.. — Ela ia completar, mas tomou um sustinho pelo som alto do microfone rangindo, um defeito clássico. Logo após sendo consertado pelas ondas sonoras, quase magnéticas que a música calma emitia. A Thousand Years, da Christina Perri. Esse ele conhecia, graças ao baile de primavera do primeiro ano de sua primeira escola.
— Agora. — Completou ela.
— Música calma. Festa ou baile? — Supôs o fulvo.
— Bom, geralmente nas festas aqui em Boston, começam com a música calma pra depois ir pra animação. — Ela falou.
Jack deu uma olhada ao redor. Viu que uma minoria de alunos tinham se juntado em casais em um espaço regular da Quadra para dançar juntinhos.
— E... — Ele ficou envergonhado, sendo tomado pela dúvida e pela timidez. Também pensou no fator Drake e a hipótese dele estar de olho nos dois e depois perseguir o cara.
— O quê? — Ela falou. Jack estava com as bochechas suavemente coradas.
— Você... Digo, v-você quer dan... Dançar? — Sugeriu.
— Pensei que fosse um nerd tímido. — Ela riu. — Aceito.
— Eu também pensei. — Concordou, esboçando um sorriso largo. — Só tem um probleminha...
— Você não sabe dançar? — Sugeriu ela, acertando na mosca.
— Como sabe?
— Você é tímido. Tímidos geralmente não sabem dançar, somente quando são dançarinos ou alguma afiliação com dança.
— Você é bem avaliadora e examinadora, senhorita Isabella. — Ironizou.
Ela puxou ele e o trouxe até o espaço que os outros estavam. Agora mais casais estavam dançando. Ela se aproximou extremamente de Jack, o suficiente para que ele observasse bem a imensidão clara esverdeada dos olhos dela.
Jack tentou se lembrar dos livros que leu e dos filmes de romance que viu. Ela colocou a mão dele sobre o ombro direito dele, enquanto segurava a outra mão dele. Jack nunca tinha se aproximado tanto assim com alguém que não fosse seus pais.
E eles seguiram os passos lentos, de acordo com o que o ritmo oferecia. Movimentos curtos e ao mesmo tempo distantes, seus pés pareciam brincar lentamente pelo chão.
A música estava no meio. Eles dançavam sem se importar, assim como a maioria dos casais. Eram só mais um dos casais no meio da roda de dança.
One step closer
I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid, i have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more...
A dança estava muito boa. Jack se sentia aliviado e relaxado, mesmo se locomovendo. A música o acalmava, como se toda a sua vida se baseasse naquilo. Mil anos..
Ele esboçou um sorriso de canto de lábio.
— Qual a graça? — Falou Isabella, no canto do ouvido dela.
— Nada. Só é engraçado o fato de eu estar dançando. Agora eu vejo que somos um casal entre tantos.
— Um casal? — Ela falou.
— É, sabe, estamos dançando. — Ele riu.
— E pra quem não sabe dançar, dança muito bem... — ela comentou, rindo.
Longe dos pensamentos dos dois, Drake observava tudo com um olhar furioso e cheio de ódio. Ele simplesmente bateu na grade da quadra com raiva e saiu andando. Um dos garotos que era um de seus acompanhantes, tentou falar com ele mas ele simplesmente deu de ombros. Ele devia estar irritado.
[ .... ]
Após a dança, Isabella e Jack estavam tão envergonhados e corados da dança e momento íntimo que tiveram que seguiram para o encontro de amigos. Agora Isa e Jack estavam conversando com uma garota.
Ela tinha cabelos azuis tingidos, nitidamente tingidos, mesmo. Eram até brilhosos, lisos e eram curtos, caindo uma altura um pouco abaixo que os ombros. Usava óculos quadriculares com sustento preto e um casaco preto, com as mangas longas. Não devia ser o tamanho dela, porque só deixava os dedos dela amostra. Usava calça jeans pretas com detalhes de rasgos nos joelhos e tênis pretos. O esmalte das unhas dela também era azul, ela usava um batom meio que transparente, devia ser glitter. Em sua cabeça, tinha um gorro desajeitado cinza. Ela era gordinha (não muito, é claro), e baixinha, a cor da pele era branca, ligeiramente branca. Ela olhou impressionada, com os olhares fixos no peitoral musculoso de Jack.
Isabella interrompeu o transe da amiga, forçando uma tosse.
— Então... Juny, Jack. Jack, Isabella. Estão apresentados. — Ela falou.
— Seu namorado é lindo, Juny. Estou invejada. — Ela disse, soando sarcástica.
— Ele não é meu... Namorado. — Ela disse, um pouco envergonhada.
— Ual. Mas qualquer um que visse a dança de vocês iria achar o mesmo. — Ela comentou. Jack ficou um pouco corado.
— Então... — Isabella disse, mudando o assunto mais rápido possível. — Mas enfim, Juny. Cadê seu namorado? Vulgo gordinho-da-balada.
Jack queria rir com o título, mas conteu os risos. Juny demonstrou uma expressão um pouquinho irritada.
— Cala a boca, sua vaca. — Juny disse em brincadeira. — Ele tem nome, e é Trevor. E ele não é gordinho.
Um garoto se aproximou de Juny e a pregou um susto. Ela soou irritada e deu um tapinha de leve na cabeça do garoto. Ele era alto, mas era mais baixo que Jack. Tinha cabelos encaracolados castanhos quase marrons cor de mel, seus olhos eram castanhos escuros. Ele usava uma camisa preta e era um pouco rechonchudo, ou fofo. Estava usando uma bermuda jeans e vans pretos.
— Olha, ele chegou. — Isabella disse.
— E aí. — Ele falou. — O quê tá rolando? — Ele disse, notando o garoto alto e loiro. — Seu amigo?
— Sim. — Isabella disse. — Jack, este é Fabio. Ou Trevor, como a Juny chama por apelido.
— Fabio Os. — Ele falou. Seus olhos eram estranhamente aconchegantes demais. Era tudo muito confortável demais. Estranhamente amigável. Ele esboçou um sorriso largo e deu um aperto de mão forte com o loiro.
— Beleza. — Disse Fabio. — Mandei o DJ colocar uma música eletrônica, quem vai pra pista? — Ele falou.
— Música eletrônica? — Jack interviu. — Vamos?
Isabella olhou estranhamente para o loiro, achando-o menos tímido demais.
— Amigo com gosto bom, Isa. — Comentou o moreno. — Bora.
Os dois saíram para onde outros jovens dançavam na quadra.
— Ele é bonitão. — Juny disse, olhando para Isabella.
— Não acho. Sei lá, prefiro o Drake. — Mentiu ela. Juny olhou para ela com um olhar desconfiado.
— Ahã. — Concordou falsamente.
— Bom, pelo menos agora temos um grupo de amigos mesmo. Somos quatro, duas meninas e dois meninos. — Juny completou.
— Podemos nos ver nos recreios a partir de agora. — Ela disse e soltou uma risada.
— E por que não? — Disse ela.
— É, por que não? Então tá, madame Isabella. — Ironizou.
— Vaca. — Isabella disse, esboçando um riso irônico.
— Você, leitoa.
A festa seguiu, sem parar. As batidas do mix eletrônico sinalizavam animação como ondas, transmitida por toda a região.
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