O Novo Hades
6 Five — O começo
Notas iniciais
V
14:31
JACK AINDA ESTAVA UM POUCO ATORDOADO POR CAUSA DO TRANSE ROMÂNTICO do dia anterior, o momento breve que ele tinha tido com Isabella por causa da festa escolar. Hoje o dia seria ainda mais chato e longo, porque teria aulas no outro prédio do colégio. No outro prédio bem distante. Eles pegaram o ônibus escolar para lá e saíram 12:00, e ainda estavam no ônibus. Agora, ele estava sentado com Fabio. O loiro vestia um casaco preto com uma blusa branca por baixo por causa do ar condicionado do transporte, com jeans e sapatos pretos. Fabio estava vestindo um sobretudo amarelo com jeans azuis e sapatos all stars de bico vermelho. Eles tinham dançado música eletrônica ontem, e já eram bons amigos, tanto para sentar-se ao lado no ônibus da escola. Jack percebeu pela música que estava ouvindo através dos fones de ouvido do moreno que ele tinha bom gosto musical.
— Cara, eu soube que você e a Isabella são bem próximos. — Ele falou para Jack, ainda atento e digitando no touchscreen.
— Na verdade não. Ela é uma boa amiga e etc, mas eu não penso assim nela. — Respondeu o loiro, sorrindo.
— Gostou de outra pessoa? Não é da Juny, né? — Ele disse.
— Não, ela é toda sua. — Jack riu. — Falando nisso, eu nunca gostei de ninguém desde do ensino fundamental, na sexta série.
— Paixão platônica de infância inexplicavelmente por uma mulher mais velha quando se é criança? — Fabio disse.
— Isso mesmo. Caraca. — Jack se surpreendeu. — Eu tinha acho que doze anos. Uma mulher tinha vindo presentear a classe por todo mundo ter passado com uma nota acima da média. E ela era muito linda, eu fiquei apaixonado por ela e peguei o telefone dela com o diretor e mandei cartas pra ela. Ela riu de mim e me deu um beijo na testa e disse que quando eu crescesse poderia me casar com ela. — Contou. — Paixão platônica suprema.
— Ual. — Fabio enfatizou. — Super revelação.
— Até hoje eu penso que ela é aquela deusa da mitologia grega. — Falou, rindo.
— Quem? Afrodite? — Fabio deu um sorriso malicioso.
— Não — Jack disse, rindo — Perséfone. Combina com ela.
Fabio olhou ele um pouco sério.
— O.k, trocando de assunto paranoico, eu soube que você já foi perseguido pelo Drake. Ele é muito chato? — Fabio perguntou.
— Um pouco. Eu acho que ele não é nenhum durão ou valentão, se ninguém bajulasse ele pela musculatura dele e pelas roupas que ele usam, ele não seria ninguém. — Jack ditou.
Drake parecia ter ouvido, porque lá na frente ele virou o rosto com cara feia para Lians.
— Eu também acho. Na verdade, o Drake pegou no meu pé porque ele achava que eu gostava da Isabella. Depois que eu confessei pra ele que eu gosto da Juny.. — Ele corou nessa parte. — Ele me deixou em paz. As pessoas devem ficar no pé dele porque ele é um genérico.
— Genérico?
— Ele usa a jaqueta da hora, o tênis da vez... Roupas que acabaram de ser lançada, e depois é só tocar o que toda banda toca. As pessoas gostam de genéricos, porque é um clichê de homem "perfeito". — Completou.
Jack ficou surpreso, porque em base era verdade.
— Você ouve Elvis Presley? — Jack conseguiu reconhecer a música que tocava agora no celular, mas acabou percebendo que cortou o assunto.
— Lógico. Música clássica é melhor que esses lixos da atualidade, claro, sem contar a música eletrônica. — Respondeu.
— Isso aí. — Concordou o loiro, rindo.
A paisagem lá fora passava rapidamente, o efeito transmitido pelo ônibus indo em alta velocidade era bom. O conforto do banco e etc, mas tudo isso acabou quando o transporte escolar parou na frente de um prédio velho.
A príncipio, ele se perguntou mentalmente porque colocaram a continuação do colégio extremamente longe da escola original, mas depois ficou pensando em como aquela parte era horrível.
O prédio era nitidamente velho, a tinta estava descascando e algumas partes do cimento caíam. As janelas estavam trincadas demasiadamente, e os portões de metal estavam enferrujados e o interfone quebrado, sem a parte dos números. A turma foi entrando pelo pátio, que estava grudento e com várias manchas pretas, chicletes e pichações pelos corredores.
A sala principal era diferente. Não era só uma porta, eram duas, brancas e totalmente límpidas. O chão limpo cinzento e as cadeiras aninhadas, tudo estava perfeito. Eram dois quadros brancos e tinha uma televisão em cima, junto com câmeras presas ali. As janelas não tinham abertura e nem forma de abri-las, por causa do ar condicionado ligado. Abaixo do quadro, ele conseguiu perceber o grafite quase invisível:
Λυκόφως του θεού της αυγής του νεκρού
Mas antes de conseguir raciocinar alguma coisa sobre o que era aquilo, o professor entrou na sala. O professor de língua estrangeira e matemática para provas estaduais especiais que ocorreriam depois dessas duas semanas. Ele era alto, tinha ombros largos e seus cabelos loiros eram longos, caindo até os ombros. Estava usando um blazer branco por cima da blusa quadrilhada turquesa e azul marinho. Suas calças tinham bordas de Saruel e eram pretas, os sapatos sociais estavam perfeitamente engraxados, pretos.
— Olá, alunos. — Sua voz era meiga e suave, como se fosse um canto falado. — Eu sou o professor de língua estrangeira e de ensinamento para provas sérias. Vamos começar pelo mais odiado por vocês. Podem me chamar de Horey.
Ele nem precisou falar o nome, mas todo mundo ficou com os olhares de desdém e alguns soltaram uma vaia.
Álgebra, matemática e trigonometria. Ótimo!
— Não sei que língua estrangeira precisamos aprender. — Fabio disse. — Inglês é universal. Não?
— Para você se formar sucedidamente, você deve saber pelo menos três línguas. Você já sabe duas, não é, Fo– — Ele ia falar algo, mas mudou o curso. — Fábio?
Fabio disputou com Isabella e Juny quem iria sentar do lado de Jack, e Juny ganhou. Isabella e Fabio ficaram logo atrás, murmurando.
Fabio se calou depois do que o professor tinha dito, prosseguindo e começando por trigonometria.
A aula passou intensamente. Após o primeiro intervalo, teve gente que gritou de alegria, vulgo Cash e Greg, pessoas da turma do fundão. Jack estava sendo um dos últimos a sair da aula, e resolveu perguntar para o professor.
— Professor... Depois desses intervalos, temos mais quantos horários?
— Dois. A aula nesse prédio termina as 15:30. — O professor disse. — Aliás, você é Jack Lians, não é?
Jack ficou um pouco desconcertado com o fato de algumas pessoas sempre saberem seu nome. Ele assentiu com a cabeça.
— Eu sei que você já passou desse ano e já aprendeu tudo... — O homem disse para o mais novo. — Mas é necessário que você acrescente mais conhecimento para poder passar.
— Ah, não se preocupe, professor. Eu prestei atenção em tudo. — Mentiu. — Outra pergunta que eu queria saber, o que é aquilo escrito de baixo da..
Ele juraria ter visto os olhos do professor terem brilhado em púrpura. Quando ele olhou para o chão, a sombra do loiro mais velho estava gigantesca, com sombra de uma asa na orelha dele.
Jack após a visão ficou abismado.
— Está tudo bem? — O profissional pedagógico pareceu preocupado.
— Ah, nada. É que eu estou um pouco cansado e fico meio tonto. — Jack passou da porta, saindo e finalmente chegando ao intervalo. Lá era aberto para uma floresta misteriosa, o portão para lá estava arrombado e com algumas manchas de sangue seco nas paredes de madeira ao lado. O ar natural da grama verde em baixo de seus pés o acalmava, as borboletas voando pelo local.
— Melhor do que na escola. — Isabella se aproximou. — Não é?
— Sim. — Jack disse. — Eu gosto de coisas naturais. Geralmente, tudo o que é sombrio e obscuro... Não me agrada.
Seu corpo pareceu ter doído como se tivesse sido queimado depois de falar isso.
— Também. — Isabella pronunciou. — Eu já vim aqui várias vezes. O professor novo é bonitão.
Jack lançou um olhar perplexo para ela.
— Oh. — Ela percebeu o que tinha dito. — Me desculpe, sei que você não é a Juny, senhor Jack.
— Alguém disse o meu nome? — Disse Juny, atrás de Isabella, lhe dando um susto. Isabella soltou um gritinho e depois uma gargalhada fresca.
— Trevor achou um lugar melhor para ficarmos. Querem ver? — Juny expressou, puxando o braço de Isabella e de Jack. Eles subiram um pequeno montinho e algumas escadas de pedra, chegando finalmente ao topo. Era um monte alto, dava para ver a maior parte de Charlestown dali, o norte de Charlestown. As árvores eram a maior parte, frutíferas e belas. O céu dourado de verão estava cintilando, os prédios magníficos e arranhas-céus da cidade nunca pareceram tão charmosos.
— Caramba... — Jack não conseguiu evitar que escapasse. Era realmente incrível aquilo. Fabio estava sentado em um banco que tinha por ali.
— Essa é a parte boa daqui. Foi aqui que eu dei meu primeiro beijo. — Juny disse, um pouco envergonhada. Fabio também corou. Jack entendeu tudo das entrelinhas e esboçou um sorriso simpático.
— Isso é muito incrível. Sério. — Jack expressou, inspirando o ar natural e abrindo os braços para a brisa fresca que vinha.
— Seja bem vindo a Charlestown, Jack Lians. O paraíso dos desesperados. — Isabella deu uma risadinha.
Eles ouviram murmúrios de trás deles.
Uma garota morena estava lá, seus olhos azuis eram evidentes e eram da cor de água de piscina. Estava usando um sobretudo rosa com calça jeans coloridas, rosa-choque e sapatilhas rosadas. Ela sorriu.
— Olha só, se não é a vagabundinha e a rosqueira metida. Acharam novos amigos? — O tom dela era arrogante e fino. Os lábios estavam cheios de glitter rosa brilhante e a maquiagem um pouco perfeitamente exagerada, os olhos estavam com tanto rímel que parecia que ela sofria de gigantomastia, as bochechas nítidamente rosadas.
— Tsc. — Fabio falou algo.
— Sai daqui, sua vadia. — Juny revidou. — Não sabe respeitar a privacidade alheia? — Ah, vindo de você é provável que não. É a mais intrometida do colégio, né? Não aprendeu depois da surra que levou na oitava série? — continuou.
Juny pareceu ter tocado na ferida, porque a expressão da garota ficou expressamente irritada.
— Ha-ha fofa, tá achando que com esses argumentos de retardada afeta alguém? Que tal ir chorar no banheiro e cortar os pulsos, gata? É o melhor que você faz. — Respondeu a morena. Jack reconheceu a loira ao lado dela que não falava nada, só fixava os olhos em Lians. Os cabelos loiros eram reconhecíveis de longe, caindo pelo vestido azul com short legging por baixo. Gabbe.
— Cala a boca, Many! — Isabella exclamou, furiosa. — Vai retocar sua maquiagem que tá borrada, ouviu?
A morena pareceu ficar irritada e pegou a bolsa rosa brilhante o mais rápido que pode, sacando uma malinha e a abriu desesperada, pegando um espelho redondo e olhando logo após com desdém pra Isabella, que agora ria com Juny.
— Inveja mata, viu querida? Eu tô perfeita. — Disse, guardando a maleta rosa dentro da bolsa.
— Inveja de quê? De alguém como você, que usa maquiagem pra tentar disfarçar a feiura e a burrice que tem? — Juny interviu, com um sorriso vitorioso.
— Cala a boca, sua pu.. — Ela ia falar algo, mas Jack se pôs na frente.
— Olha, se você as considera as asneiras que você diz, por que você ainda fala com elas? Se achasse realmente isso, não daria importância. De onde eu venho, isso se chama complexo de inferioridade. Sai daqui, sua sacripanta. — Ele liberou com toda a raiva que tinha da garota, que possivelmente ia xingar Juny de algo muito feio. Ela olhou, derrotada e com raiva para o garoto e depois se virou. Gabbe que ainda não tinha feito nada, deu um sorrisinho de inveja para Jack, acenou e saiu.
Juny, Isabella e Fábio aplaudiram quando elas se dispersaram.
— Isso foi demais, brô! — Gesticulou Fabio. — Eu nunca respondi elas, mas o que você fez... Ual! Sacri-o-quê? — Disse, animado.
— Sacripanta. É como chamamos alguém de desprezível ou pessoa que não vale a pena. — Explicou.
— Nota dez, garotão. — Juny sorriu. — Fiquei até com inveja.
— Parabéns. — Isabella falou. — Falando nisso... Gente, vocês estão preparados para as provas estaduais?
Eles trocaram vários tipos de conversa. Quando o sinal tocou quinze minutos depois, eles olharam com decepção e foram andando para a sala. As aulas passaram, eles conversaram ainda mais e Isabella explicou para ele sobre Many. Normalmente, era a garota patricinha que puxava o saco delas por se sentir inferior por serem mais bonitas naturalmente e por serem inteligentes. Na oitava séria, ela tinha provocado Juny tanto, que a garota dos cabelos tingido a bateu até sair sangue. O caso foi registrado na delegacia, mas graças ao poder do pai advogado de Isabella que deu uma força gratuitamente, não deu em nada. Elas viraram melhores amigas a partir daí, embora fossem colegas desde da sexta série, porém não eram tão chegadas. O nível da amizade delas chegou ao êxtase quando as duas mudaram para o mesmo colegial com o consentimento das duas mães. E o primeiro beijo de Juny tinha sido providenciado por Isabella, que preparou tudo para Fabio beija-la naquele monte, no primeiro ano do ensino médio. Pelo o que ele soube, eles nunca tiveram a coragem de se assumir um casal e antigamente mal se falavam depois do acontecimento. Jack se sentia mais normal e mais leve lá depois desses contos, tinha amigos. Verdadeiros.
Quando estavam saindo, Jack estava acabando de conversar com o professor sobre as provas estaduais para tirar uma dúvida de Juny.
— Então tá, obrigado. — Jack agradeceu, saindo. Ele andou até os portões da saída, mas foi estranhamente puxado por um indivíduo com roupas pretas de couro com um capacete de motoqueiro negro com desenho de chamas. Ele o puxou até um lugar mais escuro, que precisou descer escadas, sem iluminação, somente uma lamparina fraca. Jack tentou gritar, mas seus gritos foram abafados pela mão do garoto. Quando foi jogado ao chão, percebeu que o chão estava empoeirado e os móveis ao redor eram velhos. Era uma espécie de porão. No momento em que se soltou, a primeira coisa que ele fez foi tirar o capacete do sujeito misterioso a força e soca-lo no rosto. O garoto grunhiu e caiu no chão, com uma parte dos lábios em sangue. Ele pode reconhecer os olhos ameaçadores e o cabelo espetado preto.
Drake.
— Você ficou louco? — Jack gritou. Drake pareceu ignorar e pulou para cima dele, derrubando-o juntamente no chão. Eles giraram pelo porão e trocaram socos no rosto e outras coisas. Drake conseguiu subir em cima de Jake e colocar seus braços preso ao chão, mas antes deu um soco forte no queixo dele.
— Ugh. — Jack soltou um gemido de dor, vendo Drake por cima dele.
— Você falou que ela era sua amiga. — Ele disse, em um tom maníaco e furioso. — Mas você mentiu! — gritou. Jack tentava se soltar da prisão, mas Drake era pesado, talvez por causa de seus músculos.
— Eu soube que você gosta de estudar, não é? — Ele se levantou e puxou o loiro tonto pelo colarinho, prendendo-o com o braço pelo pescoço, em um perfeito mata-leão. Jack tentou inspirar o ar quente que agora estava rarefeito, e estava zonzo.
— Drake... Me solte, por favor. — Falou, entre gemidos e suspiros.
— Não. Já que você é tão estudioso, talvez goste de ficar na escola por um tempo. — Ele o pegou e o empurrou em um armário, fechando a porta e parecendo trancar por fora. Jack se debateu e bateu nas portas, gritando de agonia pela claustrofobia. Ele ouviu mais barulho de coisas se fechando, talvez o portão do porão.
— Tchau, otário. — Drake disse.
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