O Novo Hades
9 Eight — Acordar obscuro
Notas iniciais
VIII
Acordar obscuro
A ESCURIDÃO, AS SOMBRAS E O MEDO TINHA TOMADO CONTA DA MENTE DE JACK. ELE ESTAVA BASICAMENTE DORMINDO, MAS NÃO TINHA SONHOS, SOMENTE UM ESCURO VAZIO. Até que abriu os olhos. O chão em baixo dele era arenoso. Sua pele estava quente, uma temperatura febril, incluindo o pescoço e a testa. A camisa tinha sido trocada por outra de manga preta e estava com sangue seco. Ele acordou e se levantou, observando o cenário ao redor. Várias árvores, areia por todo o canto e um mar salgado não tão distante. Ele se perguntou se ainda estava em Elafonisi.
— Minha mão... — Ele olhou para a própria mão, que estava banhada em um líquido vermelho. Sangue. Mas não parecia ser dele. Perguntou-se por quantos dias tinha apagado, porque já estava de noite naquela ilhota e tinha a mera sensação de estar sendo observado. Agora sua voz não estava tão danificada quanto antes.
— Cara da jaqueta? — Perguntou. Sua voz passou como ondas de eco no ar, mas ninguém respondeu. Somente um barulho vindo das sombras das árvores. O templo estava longe, ele conseguia enxergar. Montanhas verdes no norte junto com o templo. Aquele lado da praia estava infestado de ondas.
Seu braço direito estava dormente, e a coluna cansada. Se perguntou o que tinha feito enquanto estava dormindo e se era sonâmbulo.
— Oi. — Falou uma voz vinda da árvore. Tinha uma menina de cabelos vermelhos presos em um coque frouxo, olhos dourados e um sorriso brilhante, que afastava a escuridão noturna. Estava usando um vestido infantil amarelo com bolinhas vermelhas. Sua voz era doce e atraente, como se estivesse chamando ele, era atraentemente fofa.
— O-oi. — Jack gaguejou, conseguindo levantar. — Você sabe onde estou? — Ainda tinha a hipótese de ser tudo um sonho, ele ainda estava esperançoso. Se perder e estar fora de um estado não estava em seus planos de verão. A sensação de que ele tinha perdido tudo ainda estava em sua mente.
— Você está em Elafonisi, senhor Jack. — Ela andou até ele, com uma toalha branca. — Você está muito machucado. O senhor Hades usou muita capacidade corporal sua, não é? — Ele não entendeu nada. Ela falava sem parar, enquanto passava a toalha e tirava os resíduos de sangue. Ele estava agradecido por isso.
— Espera, espera aí. Me explica algumas coisas. Como assim esse Hades usou muita capacidade corporal minha?
Ela riu. Uma risada fofa.
— Ah é, eu esqueci. Senhor Tân falou que você ainda não fez seus dezessete anos. Ele me deixou encarregado de cuidar de vossa majestade e manda-lo de volta para casa, não se preocupe.
Ele soltou um suspiro de alívio e se animou. Seu corpo ribombou. A tristeza, desespero e basicamente tudo que tinha sentido nos dois dias anteriores estavam saindo. Ele esperava muito que fosse verdade.
— O-obrigado, eu acho. Mas por que está fazendo tudo isso?
— Bom, eu sou uma de suas servas. Graças ao senhor, meu pai está vivo até hoje junto comigo. Você não se lembra? Eu implorei para que deixasse meu pai vivo em troca de minha alma, e você consentiu e ainda me deixou imortal junto com ele. Ah... — Ela ficou com um rosto de decepção consigo mesmo, como se tivesse contado um segredo. Jack ficou com um rosto estranho, como se estivesse falando com uma maluca.
— Você em verbo humano não me conhece. Prazer, sou Clete. — Ela passou a toalha pelo rosto dele e depois guardou, pegando outra melhor e tirou o que faltava. — Tem vestes novas para o senhor no templo das Hespérides. — Ela se levantou e deu a mão para Jack. Ele tocou, e um choque interno passou por ele. Não um choque ofensivo, e sim algo confortável e bom, como se revigorasse todo seu ser. Os arranhões sararam em um minuto, sendo cobertos por pequenas cascas esverdeadas que caíram depois de alguns segundos, mostrando a pele totalmente nova. Sua garganta melhorou ainda mais, uma de suas narinas desentupiu e ele sentiu mais força no corpo. Como mágica.
— O-o quê foi isso? — Perguntou atônito. E olhou para as próprias feridas, que não estavam mais lá. — Como você fez isso?
— Da mesma forma que você sumiu na mansão da senhora Artémis e apareceu aqui, da mesma forma que você vê vultos. Seres mitológicos têm capacidades mitológicas e enormes. — Ela explicou. — Mas você no verbo humano não acredita muito em nós nem em nada, não é?
— Bom, não é que eu esteja te julgando, mas eu acho mitologia coisa de gente louca. Sabe, você pode ter feito um truque com isso.
Ela olhou decepcionada novamente para o loiro, depois mudou para um pouco irritada.
— Ahã. Você vai achar isso até ter que resolver seu fardo. Existem e poderes grandes existem. — A árvore estava cheia de vida. Plantas brilhantes, insetos exóticos de cores exóticas sob as árvores, aves coloridas. Em meio a noite, algo estava clareando tudo. Outro enorme templo grego, que parecia ter três andares. Em seu exterior, várias tochas flamejantes espalhadas iluminando tudo ao redor, com uma estátua de uma flor de ouro no centro. Tinha uma placa presa acima dos portões grandes de madeira, em destaque com palavras de prata:
Εσπερίδες
A porta se abriu sozinha, como se alguém tivesse a aberto por dentro. Era um corredor pequeno em primeiro, com vários quadros espalhados ao redor, com pinturas de famosos artistas gregos e espanhóis, imagens de meninas com pele extremamente branca e grama por algumas partes do corpo curando pessoas e ajudando seres gigantes. O chão era negro, mas no salão principal, o porcelanato brilhava. Tinha uma piscina no meio com águas mais cristalinas do que da praia e um pequeno balcão dando a uma cozinha doméstica, com homens musculosos e altos vestindo apenas saias de couro cozinhando algo. Existiam pequenas escadarias acidentadas para os outros andares.
Entrando no segundo corredor ainda no primeiro andar, a criança o guiou até as primeiras portas de madeira dali. Ele entrou e estava tudo bem arrumado, uma rede e uma lamparina medieval, com um beija-flor azul, roxo e verde-oliva pousando em uma estante. Tinha uma túnica grega branca rasgada. Ele tirou a camisa preta suja de sangue e vestiu a túnica, que caiu até seus joelhos.
— Bom... Obrigado, eu acho. — Comentou. Ela sorriu e gesticulou para ele se abaixar, que o fez. Ela deu uma coroa de louros e colocou na cabeça dele e depois beijou sua bochecha levemente. — Vou sentir saudades, é a segunda vez em séculos que eu consigo ver o senhor diretamente, não sendo ordenada pelo tio Tân.
— Eu também vou sentir saudades. — Mentiu. A garota era adorável, ele a criaria como se fosse sua filha, mas tinha aparecido no pior momento de sua vida. Ele ainda não tinha ao certo o que fazer quando voltasse para casa e como explicar tudo. — Bom, como vamos para casa? Aqui não tem um aeroporto nem nada.
Ela deu outra risadinha.
— Bobo! É claro que você vai pelas trevas das almas. Eu não posso ir, infelizmente. Mesmo sendo uma serva de vossa majestade, eu não tenho capacidade com esse corpo, por causa da maldição que Poseidon me lançou quando eu não contei onde você estava. Boa sorte. Você aguenta, não é?
— Eu não sei. Eu não sei nem o que são trevas das almas.
— Hipnos me falou sobre possíveis dificuldades com as suas habilidades ctônicas. — Ela colocou a mão abaixo do queixo, com rosto pensativo. — Ah! — Ela estalou os dedos, com um sorriso. — Ele me deixou algo caso você não tivesse desenvolvido seu poder. — Ela o puxou pelo braço direito até a cozinha novamente, cumprimentou um dos cozinheiros e pegou uma taça dourada com pedras preciosas roxas brilhando, com um líquido roxo bem escuro.
— Beba, é um vinho de Adagio. Hipnos fez para você. Despertará a vontade do nosso senhor dentro de seu corpo e ele certamente saberá viajar pelas trevas das almas. Preparamos especialmente na sua taça, a mesma que você usa quando janta com a Perséfone.
— Perséfone? — Jack corou. — Como sabe dela? Quer dizer, eu nunca saí com ela, então você está mentindo! Eu só tive uma queda e...
— Não precisa se envergonhar. Eu já sei disso tudo, Jake. — Ela falou errado. Era Jack. — Beba logo.
Ele pegou a taça e bebeu. O líquido era ácido e ardente, desceu pela sua garganta como se fosse pimenta. Ele sentiu o corpo tremer e arder por dentro. Então caiu de joelhos no chão, tentou pedir ajuda, mas sua voz não saía. Clete não tinha feito nada. Ele rolou pelo chão, até que a escuridão novamente tomou conta de seus olhos e ele não enxergou mais nada.
( .... )
Seus olhos se abriram. Margareth estava desesperada chorando em cima dele.
— Onde você se meteu? — Falou ela, chorando. — Eu fiquei preocupada! Ligamos para a polícia, e... E... — Ela não encontrava palavras.
— Ah... — Jack abriu os olhos de vez. — Mãe?
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